Os looks da première mundial de Crimes of Grindelwald em Paris

Pra quem ainda não sabe, eu sou fã confessa do Wizarding World criado por J. K. Rowling, que começou com Harry Potter e agora encanta com a série de filmes Fantastic Beasts. Ontem teve a première mundial do 2º filme da série – Crimes of Grindelwald – em Paris, e venho aqui analisar os looks do elenco que riscou o red carpet montado no 12ème arrondissement! Essa análise pode ser bem enriquecedora quando observamos os truques de styling que vão para o tapete vermelho e que podem ser aplicados no dia a dia!

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Vamos começar por ela, a rainha de tudo, J. K. Rowling, também conhecida como tia Jo! Ela usou um longo verde maravilhoso, que eu tenho 99% de certeza de que está na cartela de cores dela.

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Joanne Rowling é ruiva de nascença e, embora já tenha tido fases mais loira, está assumindo o ruivo com louvor nos últimos anos. Durante a transmissão ao vivo, deu pra ver claramente o quanto o vestido verde acendeu o cabelo ruivo, o olho brilhando, a pele ficou viçosa, e ela ficou ainda mais bonita.

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Tia Jo foi acompanhada do marido, Neil Michael Murray, que escolheu cruzar o red carpete de kilt! Eu particularmente adorei o styling, e amei que o tartan de Neil tem um tom de verde muito próximo da cor do vestido da tia Jo, criando uma harmonia visual entre o casal.

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Outro casal digno de destaque foi Eddie Redmayne (Newt Scamander) e Hannah Bagshawe. Eddie estava super elegante com um terno cinza e casaco caramelo, e o equilíbrio das cores ficou maravilhoso: eu acho que o Eddie tem subtom de pele quente, então a frieza do cinza fica mais aquecida com o casaco caramelo e a gravata vinho. Repare bem como os olhos do Eddie brilham! Hannah, que recentemente deu à luz ao segundo filho do casal, escolheu um Dior couture da coleção de primavera/verão 2018. O vestido é uma verdadeira obra de arte, parte de uma coleção inspirada pelos efeitos ousados do Surrealismo. Só tenho um pouco de dúvidas sobre o penteado escolhido: preso, com certeza, mas acho que um pouco mais de volume talvez tivesse ficado mais interessante!

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Embora eu tenha um pouco de implicância com vestido sobre calça, Katherine Waterston (Tina Goldstein) estava bem chique com esse vestido de tule por cima de calça de alfaiataria. O vestido tinha um volume interessante, que Katherine fazia questão de acentuar para as fotos ao levar as mãos aos bolsos da calça. Durante a transmissão, a atriz confessou que estava sentindo frio, e me solidarizei com ela.

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Zoë Isabella Kravitz (Leta Lestrange) escolheu um Yves Saint Laurent tomara-que-caia preto & rosa de paetês. Por mais que eu ache a Zoë maravilhosa, esse Saint Laurent foi uma escolha bem ruim pra ela, e eu explico: a primeira coisa que a gente nota quando observa a atriz é que o vestido está ultra apertado e provavelmente bastante desconfortável! Fica difícil até de notar a cara da atriz quando os seios estão praticamente pulando pra fora do vestido. Ademais, estamos no meio do outono, e as temperaturas já não pedem ombros de fora assim. Uma pena, porque a Zoë é uma das referências de estilo desse elenco! Vamos ver o que ela vai escolher para a première de Londres na próxima terça-feira!

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Callum Turner (Theseus Scamander) interpreta o par romântico de Zoë no filme, e foi correto de costume. Durante a transmissão, deu pra ver que ele estava claramente se divertindo muito na première, e certamente a escolha de um costume corretamente ajustado ao ator contribuiu para isso – afinal, roupa apertada ou larga demais pode atrapalhar e muito um ser humano!

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Quem também escolheu um modelo Yves Saint Laurent foi Claudia Kim (Nagini). Naturalmente faltou coordenação dos looks entre as atrizes, já que ambas escolheram modelos em paetê preto da mesma maison! Claudia fez uma escolha mais inteligente: o vestido parece que foi feito pra ela, e ao optar por mangas compridas ficou mais adequado à temperatura outonal (compreendo as pernas de fora, tem muita gente que ainda está andando assim mesmo com os termômetros marcando 6ºC!). Eu particularmente gostaria de vê-la com uma roupa verde escura no red carpet! Quem sabe na première de Londres?!

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Ezra Miller (Credence Barebone) não surpreendeu ao surpreender! Calma, eu explico: Ezra é certamente o mais excêntrico do elenco, e os looks dele sempre fogem do óbvio. Por isso eu não fiquei surpresa ao vê-lo com um look Moncler que seria super adequado para temperaturas baixíssimas e muita neve, embora essa saia(?) talvez fosse um pouco inconveniente. Pra mim, Ezra compareceu vestido de Obscurus, que, no universo criado por Rowling, é uma força mágica das trevas parasitária, desenvolvida por um bruxo quando tem sua magia suprimida física ou psicologicamente. No primeiro filme da série (Fantastic Beasts & Where to Find Them), nós vimos que Credence é hospedeiro de um Obscurus!

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Entre as estrelas femininas, o meu look favorito da noite foi certamente o da Alison Sudol (Queenie Goldstein). Alison foi de Lanvin e eu achei que ela ficou uma visão com essa roupa, cabelo e maquiagem! Eu tenho um palpite de que Alison tenha subtom de pele frio e seja inverno puro (ela fica MUITO bem de branco, o que pode ser um indicativo da cartela de cores da atriz e cantora), e a escolha do azul marinho metalizado próximo (mas nem tanto) do rosto foi muito inteligente: repara como o olho dela BRILHA!

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Dan Fogler (Jacob Kowalski) também não quis passar frio e jogou um casaco por cima do costume. A solução seria ótima (basta ver como Eddie fez o mesmo e acertou em cheio), se o restante do look estivesse correto. A impressão que eu tive durante a transmissão, e que fica reforçada com essa foto, é de que o costume não estava adequadamente ajustado: o paletó parece um pouco apertado (a ponto de não abotoar mais um botão?!), e parece que faltou bainha na calça. O caimento perfeito teria beneficiado – e muito – o nosso querido Dan!

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Aparentemente também que faltou ajuste pra William Nadylan (Yusuf Kama)! O paletó parecia bem apertado. Eu também tenho um pouco de problema com costume sem gravata, sei lá, parece que fica faltando alguma coisa. Uma solução ótima teria sido trocar o paletó de costume por um blazer usado aberto; um tweed em tons frios talvez? Eu tenho a impressão de que ia ficar bem melhor.

Na minha humilde opinião, o campeão no styling foi Jude Law (Albus Dumbledore). O ator misturou várias texturas, o que enriquece o visual, e usou essa scarf, que tem sido sua marca registrada, a seu favor; tem truque de styling ao dar esse nó quase de gravata! O blazer de veludo azul repete a cor dos olhos do ator, o que é um truque de styling excelente e faz não só os olhos brilharem mas a pele também fica com mais cara de saúde. Ainda sobre o blazer, eu adorei o detalhe da gola levantada para mostrar a estampa.

Quebrando a rotina (também) do seu estilo

Muita gente se sente preso numa rotina, e não aproveita as ferramentas de estilo para quebrar as correntes e se libertar. Acredite: não é porque você está se sentindo assim agora que se sentirá assim pra sempre. É por isso que decidi listar algumas sugestões de estilo pra sair da rotina!

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1- Faça exercícios físicos

Eu não sou o maior exemplo de vida fitness que você vai encontrar por aí – na verdade, eu tô mais pro oposto disso – e parece até uma piada que eu fale disso antes de qualquer outra coisa. Mas a verdade é que exercitar o corpo é um dos melhores jeitos de mudar o jeito como você se sente e se enxerga! Encontre uma atividade física da qual você goste e mexa-se, nem que seja por 15 minutos. Isso é uma maneira eficaz de refrescar suas ideias e ajudar a fazer com que você enxergue as coisas de uma nova perspectiva – inclusive suas roupas.

2- Desconecte-se um pouco

Ah, o mundo conectado. Que faca de dois gumes! O instagram, por exemplo, é um dos melhores lugares para encontrar inspirações de moda, mas pode ser tóxico se você não estiver se sentindo confortável com seu estilo e confiante com suas escolhas. Pra verdade, eu acho que a rede pode ser um verdadeiro campo minado se você estiver muito incerto sobre o seu estilo: nas redes sociais, você acaba se perdendo por muitas direções e nem sabe mais ao certo do que você realmente gosta. Nessas horas, uma boa ideia é ser old school: compre uma revista e tome um café folheando as páginas. Há publicações excelentes de moda disponíveis que podem render grandes inspirações de uma maneira menos opressiva e que pode te dar uma ideia mais clara das tendências da estação disponíveis nas lojas.

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3- Organize seu armário (ou faça um closet editing com um profissional)

Se você acha que está usando as mesmas roupas todos os dias, é melhor recuar e reavaliar as peças que estão habitando no seu armário. Há grandes chances de que você esteja escolhendo as mesmas coisas porque são mais convenientes e fáceis! Ao reorganizar as peças do seu armário, não tenha pena de se desfazer das peças de que você não gosta ou simplesmente não usa. Se você mora em um lugar onde as estações do ano são bem definidas, tente guardar o que não é da estação num outro lugar, desocupando espaço e diminuindo a quantidade de informações na hora de se vestir. Dedique um tempo para avaliar tudo o que você tem, e pense nos diferentes jeitos de usar as coisas de que você gosta. Repensar as roupas que você já tem no armário certamente rende novos looks. Já comentei por aqui algumas vezes que o personal stylist tem um papel importante na edição e organização do armário porque, somando seu conhecimento profissional à isenção de sentimentalismos, poderá opinar e sugerir honestamente o que deve ficar e o que deve sair do seu armário, ainda que a decisão final seja sempre sua.

4- Tente evitar o jeans

Aqui, o ditado “casa de ferreiro, espeto de pau” faz todo sentido: afinal de contas, eu passei ANOS da minha vida usando calças jeans todos os dias. Sim, eu amo jeans, e é difícil viver sem eles, mas confesso que, nos últimos tempos, tenho procurado várias alternativas igualmente confortáveis (e, no inverno, muito mais quentinhas) ao bom e velho jeans. Para altas temperaturas, as calças de linho são muito mais elegantes e talvez até mais confortáveis. Para temperaturas frescas, meias calças pretas. Para o frio intenso, calças de lã. É uma questão de pensar fora da caixinha e encontrar alternativas que vão nos tirar da rotina e nos colocar numa direção mais divertida.

5- Atualize seu jeans

Isto posto, já concordamos que é difícil viver sem jeans e uma maneira interessante de mantê-los como bons atores do seu armário é atualizá-los. São muitos os modelos disponíveis (skinny, boot cut, reta, flare, boyfriend, mom, etc) e muitas lavagens diferentes para escolher. A simples mudança do corte do jeans que você está usando pode transformar o jeito como você se sente nas suas roupas. É claro que há um tipo ideal de jeans pra cada tipo físico, mas por aqui nós já estamos desconstruindo um pouco essas ideias de tipo físico e priorizando a alegria e a criatividade na hora de se vestir. Se você for comprar um novo par de calças jeans pra 2018, eu recomendaria evitar as calças skinny (que já viraram substantivo comum) e optar por modelos de cintura mais alta com pernas mais amplas, ou retas e ligeiramente cropped. O importante é que a sua calça jeans não achate o seu bumbum, não aperte a sua cintura e, principalmente, que não seja desconfortável.

6- Invista na terceira peça

A tal “terceira peça” é milagrosa, e o milagre já começa porque ela pode ser um cardigan, uma jaqueta, um casaco, um trench coat, um lenço, um cachecol, um colete, uma capa de chuva (tendência que tá firme desde o ano passado e mais forte ainda pro inverno/2018 no Brasil), e mais uma infinidade de peças. Se você morar num lugar onde o inverno é real, investir em bons casacos e cachecóis é fundamental: e, sim, eu usei o plural porque vai ser mais fácil sair da rotina no quesito estilo se você tiver pelo menos 2 opções entre as quais escolher. E nada de preto: pense em cores! Se você souber qual a sua cartela de cores, melhor ainda, já que poderá escolher os tons de cores que mais favorecem o seu rosto. Se você mora “num país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza”, a terceira peça ainda pode (e deve) existir no seu dia a dia, mesmo nos dias mais quentes: lenços de seda são frescos de usar e atualizam o look, enquanto capas de chuva protegem e incrementam o seu visual.

7- Preste atenção aos detalhes e use mais acessórios

Até os 7 anos de idade, eu não tinha as orelhas furadas. Mas, desde então, eu não saio de casa sem meus brincos! Aliás, eu nem costumo tirar os brincos pra dormir, já que eles são pequenos e não me incomodam. Isso é um exemplo de detalhe que faz a diferença, tanto quanto a bainha no tamanho certo. Usar acessórios é uma chave para levar seu estilo para outros níveis. Cintos mais largos costumam dar personalidade, e mudar de bolsa ajuda muito para mudar o visual e injetar confiança. Chapéus, óculos escuros, ou mesmo um broche com história podem tornar uma roupa sem graça num look digno de capa de revista!

8- Evite preto e cinza

Outro item meio “casa de ferreiro, espeto de pau”, mas que eu tô me esforçando pra mudar. Se ali em cima eu já falei sobre evitar o preto na terceira peça, agora é hora de reforçar a importância de dar um descanso para essa cor, e também para os tons de cinza. Quando estamos presos numa rotina, geralmente isso se traduz no nosso armário como uma pilha de roupas cinzas e pretas – afinal, estas são as cores que nos cativam quando não estamos muito inspirados e queremos alguma segurança. Mas estas cores também nos fecham um pouco e podem até prejudicar nossa produtividade. Ao evitar o preto e o cinza, você olhará para as outras cores; isso não significa que você vai se vestir de mil cores da cabeça aos pés, ou começar a usar estampas chamativas da noite pro dia. O importante é você sair um pouquinho da sua zona de conforto. E, ao usar uma cor que favoreça as suas feições, você se sentirá mais confiante e ainda ouvirá alguns (muitos) elogios.

9- Vá numa loja onde você geralmente não compra

Todos nós temos as nossas lojas favoritas, e sempre tendemos a fazer nossas compras nessas mesmas lojas. Ao mesmo tempo em que ter lojas favoritas revelam um traço firme das nossas preferências, frequentar sempre as mesmas lojas pode transformar o nosso armário num loop eterno de peças iguais. Explorar uma loja nova, onde você geralmente não compra, pode abrir um mundo de possibilidades de formas e cores! Misturando diferentes marcas e designers, criamos um estilo único ao invés de reproduzir o que está num lookbook e expressamos, de fato, a nossa personalidade. Ao se desafiar a usar algo diferente e, possivelmente, fora da sua zona de conforto, você vai se divertir muito e terá a possibilidade de descobrir novas versões de si mesmo.

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10- Mude o seu corte de cabelo

Embora essa dica também seja válida para os homens, esse item é direcionado principalmente para as mulheres. Se tem uma coisa que eu não entendo é o apego da mulher brasileira ao comprimento do cabelo, enquanto não tem medo nenhum de pintar os fios! Se 99% das vezes as brasileiras pintam o cabelo com um loiro que muito provavelmente está no tom errado para a pele, a síndrome de Rapunzel impede que exploremos plenamente nosso potencial de beleza! Cortar o cabelo pode ser revolucionário em tantos aspectos! Além de ter a possibilidade de criar um visual no qual você se reconheça plenamente, um corte de cabelo novo pode ser muito empoderador. Para as mamães de plantão, acho muito recomendável diminuir o comprimento dos fios para ganhar agilidade e praticidade no dia a dia (afinal, ninguém merece ficar de cabelo preso o dia inteiro). E, o que vale pra todas, é que cabelo curto dá menos trabalho, demora menos pra secar e a gente fica muito mais chique. Da minha experiência pessoal, posso contar que cortei meu cabelo bem curtinho 2 vezes num período de menos de 2 anos, doando mais de 20cm de cabelo em cada corte pra instituições que fazem perucas pra mulheres e crianças que perderam os cabelos no tratamento contra o câncer, e eu me sentia tão poderosa! Cortes de cabelo são transformadores, meninas. Acreditem em mim.

 

O que vestir quando se trabalha em Home Office?

Trabalhar em Home Office tem se tornado algo cada vez mais comum, e requer bastante disciplina porque testa todos os nossos limites: entre tantos outros, as vontades de assaltar a geladeira e/ou tirar uma (ou várias) sonecas ao longo do dia, resolver questões profissionais fora do ambiente de trabalho, deixar a TV ligada e, principalmente, ficar de pijama o dia inteiro. Faz algum tempo que eu trabalho em Home Office: desde o período do Mestrado, em que eu passava muito mais tempo no meu escritório em casa escrevendo a dissertação do que em qualquer outro lugar, e principalmente depois que mudamos pra Armênia quando acabei me aventurando pelo universo da escrita (de livros e blogs).

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calça de moletom da Hering, blusa de moletom da Cantão, meia roubada do meu pai

É por isso que, ao abordar o assunto Home Office, eu falo com a propriedade de quem tem conhecimento de causa: quando o marido veste o terno e sai pra trabalhar, eu também visto as minhas roupas de trabalho e entro no meu escritório, que é, pra mim, um lugar sagrado de trabalho. Inclusive, eu procuro obedecer a um horário de trabalho, que é pra não exagerar nem pra mais nem pra menos. Quem não trabalha em Home Office pode até ter dificuldade em compreender a sacralidade do ambiente e do horário de trabalho, mas a gente precisa ter tudo muito claro e prezar muito pela rotina. É justamente pelo meu conhecimento de causa que tirei algumas fotos pra ilustrar este post com looks que eu de fato uso em casa pra trabalhar com conforto e dignidade.

Quem trabalha em Home Office precisa observar, no mínimo, 2 regras principais: ter um espaço destinado unicamente ao seu trabalho, e não ficar de pijama o dia todo. Definir um ambiente de trabalho – seja um cômodo, como é o meu caso, ou mesmo só uma escrivaninha num canto específico – faz toda a diferença pra quem trabalha de casa.

Do mesmo modo, vestir-se adequadamente para trabalhar em casa afeta diretamente a sua produtividade e disposição pra trabalhar. É óbvio que você não vai vestir terno e gravata pra trabalhar em Home Office: existe um meio termo entre o pijama e o terno.

Nada de peças que possam restringir seus movimentos: afinal, você está em casa, e pode se dar ao luxo de trabalhar com conforto. Isso não significa trabalhar de roupa velha e/ou rasgada e/ou desleixada. Se quem trabalha fora compra roupa de trabalho, quem trabalha em Home Office também tem o direito de comprar roupa pra trabalhar! Pensa comigo: toca a campainha, e você ainda tá de pijama e nem penteou o cabelo desde que saiu da cama. Vergonhoso, não é? Mas você não vai passar vergonha nenhuma se tiver opções de vestimenta adequadas pra trabalhar de casa.

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camisa Zara, calça Marisa, chinelo memory foam Matalan

Home office com camisa social? Se for uma camisa bem confortável e que não cause restrições aos seus movimentos, será uma das suas melhores opções. Essa que estou usando na foto veio diretamente do armário do marido.

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look da esquerda: blusa de algodão Farm, calça moletom Hering, meia Trifil, sapatilha memory foam Matalan                                                                                                                                                  look da direita: blusa de linho Zara, calça moletom Gap, meia Trifil, chinelo memory foam Matalan

Calça de moletom tem passe livre no inverno, preferencialmente com bolsos (afinal, pijamas não costumam ter bolsos). Ainda pensando nos climas mais frios, combinar a calça de moletom com uma blusa de manga comprida de algodão, e deixar um cardigã de lã à mão garantirá um look digno e quentinho para trabalhar. Leggings também são uma ótima opção para as mulheres, principalmente se combinadas com blusas mais compridas, ou um tricô longo bem quentinho.

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look da esquerda: blusa dos Beatles, calça legging Farm, sapatilha memory foam Matalan        look da direita: blusa Animale, calça legging Mercatto, chinelo memory foam Matalan

No verão, aproveite que você é dona do seu espaço de trabalho e deixe as pernocas de fora: shorts de linho, algodão e tencel são super confortáveis. Homens, o mesmo vale pra vocês: tá permitido trabalhar de bermuda no seu Home Office. T-shirts de algodão evitam que o calor seja absorvido pelo corpo, então opte por elas, preferencialmente sem muitas estampas e em cores neutras, que ajudam a focar no trabalho.

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short Gap, t-shirts Zara, sapatilha memory foam Matalan

Em qualquer estação, é bom usar sapatos em casa pra trabalhar: afinal, você não trabalharia descalço se estivesse num escritório fora da sua casa. No verão, naqueles dias muito quentes, dá até pra fazer uma concessão e permitir as Havaianas, mas tente deixar um par específico para este fim. Eu gosto muito desses sapatinhos de memory foam porque são super confortáveis, mas eu também uso Crocs em casa, por recomendação do ortopedista. Aliás, se tem um único lugar onde tá mais do que liberado usar Crocs é em casa!

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look da esquerda: camiseta Shop 126, short Farm, casaquinho Marisa, sapatilha memory foam Matalan                                                                                                                                                               look da direita: camiseta Marisa, short Forever 21, casaquinho Marisa, sapatilha memory foam Matalan

No quesito acessórios, acho importante usar relógio mesmo trabalhando em casa. Pra mim, ao usar meu relógio, eu tenho a sensação de que tô realmente desempenhando meu trabalho, controlando meu horário – e é só “acabar o expediente” que eu tiro meu relógio e me sinto livre pra descansar.

A roupa ideal pra quem trabalha em home office é aquela que oferece conforto mas que poderia também ser usada na rua caso haja alguma emergência e você precise sair rápido sem se trocar. Trabalhar de casa vestindo uma roupa digna não só contribui pra sua produtividade como também influencia diretamente na sua autoestima, além de ser mais uma oportunidade de exercer a sua criatividade e aumentar o autoconhecimento ao se vestir. Pode acreditar: faz toda a diferença separar o que é traje de trabalho do que é traje de relaxar em casa, e até o seu pijama parecerá mais confortável depois que você fizer essa distinção.

Pro meu armário de home office, eu misturo peças compradas pra esse objetivo com peças que eu ainda gosto mas que já não são minhas principais opções pra usar na hora de escolher um look pra sair. Estas peças do coração fazem essa transição, prolongando o uso da roupa que eu poderia usar fora de casa sem me sentir inadequadamente vestida.

Trabalhar de casa traz uma enorme facilidade: não há necessidade de se arrumar muito todos os dias. Mas trabalhar de casa não significa necessariamente que você vai passar o dia inteiro em casa: você pode sair pra resolver algumas coisas, ou participar de reuniões e eventos. O ideal é que você seja capaz de estar pronto para qualquer uma dessas situações sem muito esforço. Também é bom não deixar de lado uma rotina de cuidados pessoais: o mínimo a se fazer é pentear o cabelo e passar protetor solar, mesmo se não for sair de casa. Não há nada de errado em manter o armário de home office casual e confortável, desde que a gente sempre tenha em mente de que estamos TRABALHANDO em casa.

Vestir-se: exercício de criatividade e autoconhecimento

Há muito tempo, quando eu nem sonhava em me tornar personal stylist, eu já acreditava que vestir-se é um exercício de criatividade e autoconhecimento constante – e que nem sempre é muito fácil. No provador de uma loja ou em frente ao espelho de casa, podemos experimentar um misto de emoções, ou até mesmo uma catarse, reconhecendo, no visual que apresentamos para o mundo, a versão mais profunda de nós mesmos.

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casaco e calça Zara, blusa de gola alta Uniqlo, cachecol Kuna, tênis Vans, óculos Ray Ban, pingente de Nossa Senhora de Fáti

Outro dia postei essa foto no instagram, mostrando o meu #lookdodia, e um dos comentários que recebi dizia que esta roupa era a minha cara. Quem escreveu isso foi uma pessoa que me conheceu quando eu tinha 16 anos. É uma alegria imensa saber que eu consegui transmitir a minha personalidade para as peças que eu estou vestindo, e que não só eu me reconheço ao me olhar no espelho, mas que também sou reconhecida pelos outros no meu estilo.

Vestir-se bem e com elegância vai muito além de saber o que cai bem no seu corpo ou de quanto foi gasto numa determinada peça de roupa; há muito mais elegância num jeans + t-shirt branca usados com a segurança de quem se reconhece naquelas peças do que num look super elaborado e grifado.

O exercício de se vestir é constante porque nós mudamos o tempo todo: nossas convicções, opiniões e nossos valores de hoje podem não ser iguais há 5 anos atrás, e talvez não sejam os mesmos daqui a 5 ou 10 anos. É normal que as nossas vontades e ambições mudem, e isso vai exigir esforços diferentes para que alcancemos nossos objetivos. Do mesmo modo, é normal que tenhamos algumas constantes na nossa vida, que marcam características profundas da nossa personalidade e se revelam nas nossas escolhas.

Escolher o que se veste é decidir qual a imagem que escolhemos mostrar para o mundo. Ao olhar-se no espelho, é importante reconhecer quem olha você de volta, porque esta imagem está dizendo para os outros quem é você, como você quer que o mundo te enxergue. Reconhecer-se dentro das roupas, sapatos e acessórios que escolheu usar é o que vai dar a segurança que você precisa para enfrentar as suas atividades diárias. Quando eu falo em reconhecimento, eu me refiro de fato à identificação e da certeza de que a nossa aparência é verdadeiramente uma externalização de quem somos.

No caso das mulheres, o reconhecimento diário ao olhar-se no espelho é um passo enorme para o nosso empoderamento: ao entendermos o que nós esperamos de nós mesmas, podemos passar essa mensagem para o mundo por meio das nossas roupas. Se, ao nos olharmos no espelho, formos mais gentis com aquela mulher que nos olha de volta, poderemos parar de querer quem não somos e amarmos mais o nosso corpo. Se nos propusermos a parar de procurar nas araras das lojas as roupas que possam consertar um pedaço do nosso corpo ou disfarçar uma parte do que somos, escolhendo o que amamos e o que nos faz sorrir, desconstruiremos, paulatinamente, os mitos que criamos sobre nós mesmas. Ao nos olharmos com mais gentileza a cada dia, seremos capazes de amar quem verdadeiramente somos, e assumirmos com mais segurança a nossa personalidade. Não é fácil: estamos sujeitas a uma sociedade machista há muito tempo e, por mais feministas que nos tornemos, ou por mais bem resolvidas que sejamos, será difícil alcançar a libertação total para fazer escolhas de moda completamente livres de julgamentos e conceitos tão enraizados.

Já ouvi muita gente dizendo que precisamos usar a moda a nosso favor, e essa ideia do que é “usar a moda a nosso favor” também é mutável ao longo dos anos: por muito tempo, a moda favorável para a mulher era aquela que nos deixava mais feminina e delicada; depois, a moda favorável passou a ser aquela que criava a silhueta ampulheta, “a silhueta perfeitamente proporcional”. Ainda bem que, hoje, as mulheres se sentem muito mais livres para usar a moda a favor das suas personalidades: muito mais do que considerar qual o seu tipo físico ou as cores que mais favorecem o seu tom de pele, a moda que favorece as mulheres é aquela que expressa o nosso verdadeiro eu (eu = centro da personalidade, instância interna), nos torna únicas, e que conta uma história com as peças que escolhemos.

Vestir-se de maneira adequada, bonita, favorável e elegante sempre foi uma questão importante para as mulheres – e, graças a Deus, tem se tornado importante para os homens também, que passam a cuidar mais da imagem que apresentam para o mundo e também expressam a personalidade no modo de se vestir. Por conta desse nosso desejo de estarmos bem vestidos, é natural que fossem criadas regras e padrões, relacionando os tipos de corpos e seus formatos com as roupas que são ideais para cada um deles.

O que estas regras e padrões não consideram é que nossos corpos precisam e devem ser vestidos de acordo com as nossas necessidades, vontades e preferências, tornando a nossa rotina mais fácil e prazerosa porque nossa autoestima está lá em cima e temos a segurança necessária pra enfrentar o mundo lá fora; o que nós vestimos deve revelar quem somos por dentro. É aí que o personal stylist tem que dar o pulo do gato: o bom profissional não ensina ninguém a se vestir de acordo com o que as regras e padrões ditam, mas sim dá as ferramentas necessárias para fazer funcionar até o que poderia parecer impossível, atendendo aos gostos e preferências individuais, adequando o armário à rotina e injetando confiança.

A única maneira de aprender como se vestir de maneira adequada, bonita, favorável e elegante é experimentando todos os modelos, cores, tecidos e formatos de roupas, acessórios e sapatos disponíveis. Ao experimentarmos tudo, compreenderemos o que cabe não no nosso corpo, mas sim na nossa personalidade, no nosso verdadeiro eu. Sabendo o que se encaixa no nosso estilo de vida, o que facilita o nosso dia a dia, o que nos traz alegria, o que nos aconchega (porque roupa também é um carinho pro nosso corpo), nós definimos nossas próprias regras, construímos o nosso estilo, e sabemos bem como vestir cada um dos nossos humores com segurança.

E não podemos esquecer daquele ditado que diz que as regras foram feitas para serem quebradas: sejam as regras da moda, ou as regras que estabelecemos para nós mesmas (ou nós mesmos), somos livres para explorar, de modo criativo, as nossas preferências. Aprender a quebrar as regras com sabedoria é a principal peça no armário de qualquer pessoa – e é exatamente isso que eu mais gosto de ensinar na consultoria de imagem e estilo. Seu estilo é construído a partir da sua personalidade e da sua história. Não é você que tem que se adequar à moda: é a moda que tem que ser divertida pra você. Mas isso só vai funcionar se nós nos olharmos no espelho com gentileza, procurando enaltecer as nossas qualidades ao invés de destacar os nossos defeitos. É por isso que eu me proponho a fazer esse exercício diário de ser mais gentil comigo mesma – e convido você a fazer o mesmo.

Eu uso óculos!

O título deste post é, sim, um dos versos da célebre música “Óculos”, dos Paralamas do Sucesso, e outros versos da mesma música vão permear este texto. E, se você quiser dar o play na música e deixar tocando enquanto lê o que eu escrevi, vai em frente, fique à vontade!

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aos 4 anos de idade, os óculos eram apenas uma brincadeira! 6 anos depois, eles passaram a fazer parte do meu dia a dia.

Eu tenho miopia e astigmatismo desde os 10 anos de idade. Ou seja: no momento em que este post está sendo escrito, eu já contabilizo 18 anos usando óculos de grau. Por conta disso, posso dizer, por experiência própria, que aceitar os óculos de grau como parte do seu estilo pessoal não é uma tarefa fácil; é preciso fazer uma jornada de autoconhecimento, e também de algumas doses de empoderamento.

“Era mais fácil se eu tentasse fazer charme de intelectual

Meus óculos já foram motivo de muito deboche na escola, e foram muitas consultas aos oftalmologistas pedindo (ou melhor, implorando) para usar lentes de contato, ouvindo sempre a mesma resposta: você tem alergia. Minhas alergias não se restringem ao sistema respiratório: estão também nos olhos e na pele (o que também restringe meu uso de maquiagens). Na época do combo óculos + aparelho fixo, entre meus 10 e 14 anos, eu sofria muito com a minha autoimagem, e tudo se agravava pelo bullying sério na escola (não entrarei em detalhes, mas fica aqui o resumo da ópera: era tão pesado que eu troquei de escola na metade do 1º ano do Ensino Médio).

Tem gente que consegue usar óculos só pra ler, ou só no computador; esse nunca foi o meu caso. Eu sempre fui super dependente dos óculos, e eu sinto o incômodo físico quando meu grau está mudando. Foi aos 18 anos que uma oftalmologista me liberou para usar lentes de contato cautelosamente (porque a alergia persistia): sempre com um colírio específico em mãos, sempre com o óculos na bolsa, sempre por pouco tempo. Então, dos 18 aos 25 anos, eu fui habituando meus olhos às lentes, e, com acompanhamento oftalmológico constante, a alergia foi amenizando e eu gradativamente aumentei o tempo de uso diário das lentes de contato. Devo confessar que me sentia muito aliviada por não usar óculos 24 horas por dia os 7 dias da semana, e ficava bastante frustrada quando não conseguia colocar as lentes nos períodos de agravamento da alergia e tinha que sair de casa usando óculos.

“Se eu to alegre, eu ponho os óculos e vejo tudo bem”

Em 2015, aos 25 anos, minha rotina louca, que me fazia viajar de avião entre Brasília e RJ semanalmente, fez minha imunidade cair, e é claro que a alergia ocular também piorou. Era quase impossível usar lentes de contato; meus olhos ardiam e eu não simplesmente não conseguia usá-las por mais do que 1 hora. Foi naquele ano que eu voltei a assumir os óculos de grau, deixando as lentes de contato só pra alguma festa ou pra fazer exercícios físicos. Ao reassumir a minha imagem com óculos de grau, eu passei a me reconhecer de novo quando me olhava no espelho: o par franja + armação faz parte de mim, é a minha marca registrada, e, hoje, me faz ter orgulho de quem eu sou. Combino meus óculos com meus chapéus, boinas, gorros, e com o meu humor.

Se a minha primeira armação de óculos mais ousada foi um Marc Jacobs vermelho, nos idos de 2013, desde então passei a entender gradativamente que óculos não precisa ser discreto – aliás, óculos não deve ser discreto. Os óculos são acessórios que revelam muito da nossa personalidade, e eu entendi, ao longo do tempo, que precisava parar de ver os óculos de grau como inimigos da minha imagem. Pouco a pouco, eu passei a enxergá-los como aliados importantes na construção e definição do meu estilo.

Eu comecei a me divertir com as armações legais que as óticas oferecem, me aventurando com as marcas, cores e estilos. De lá pra cá, já foi um Prada colorido de base azul, um Dior gatinho (um dos meus favoritos, tô pensando em ressuscitá-lo), um Dolce & Gabbana preto (o mais difícil de abandonar), um Chanel cinza (a minha pior escolha), e um Tom Ford tartaruga com ponte dourada (o mais recente). Se para meus óculos escuros escolho sempre Ray Ban (qualidade ótima e preço justo), eu me permito brincar muito mais com as armações que emolduram meu rosto 95% do meu dia – afinal, se é pra gastar uma grana, que seja em algo que eu vou usar muito, que tem uma qualidade incrível e que vai me fazer me sentir poderosa o tempo todo.

A escolha e compra de uma nova armação de óculos acabou se tornando uma jornada de autoconhecimento e fortalecimento da minha autoimagem, com ensaio e erro, e tá tudo bem, porque os erros também ensinam muito (a armação Chanel cinza, por exemplo, foi a minha pior escolha de óculos: me deixa com cara de cansada. Foi só depois que fiz o curso de personal styling e comecei a estudar análise cromática que descobri o porquê: aquele tom de cinza é péssimo pra mim).

Muito mais do que corretores ópticos, por meio das suas linhas, cores e materiais, os óculos nos ajudam a transmitir as mensagens desejadas para a nossa imagem. Na hora de escolher uma nova armação de óculos, saber qual é a sua cartela de cores será uma ferramenta muito útil: afinal, é justamente no rosto que as cores revelam seus efeitos principais na nossa aparência. Tanto quanto na cor da armação, esse conhecimento também ajuda na hora de escolher a cor das lentes dos óculos escuros.

“Por trás dessa lente também bate um coração”

Se, antes, eu tentava me livrar dos óculos, hoje eu os prefiro muito mais do que as lentes de contato – mesmo em festas e/ou eventos formais. Por uma questão de praticidade e mobilidade, as lentes de contato só ganham dos óculos na hora de fazer exercícios físicos, ou pra andar em montanhas-russas; mas confesso que elas me incomodam e eu já fico doida pra voltar pros meus óculos rapidinho.

Meus óculos fazem parte do meu estilo, e me ajudam a traduzir a minha personalidade. Se ao usar óculos eu chamo atenção para o meu rosto, eu estou dizendo pro mundo que eu tenho segurança de quem eu sou e das escolhas que eu faço na minha vida.

É revolucionário encontrar uma armação de óculos de grau que te faça sentir conforto e confiança: os óculos deixam de ser um escudo e passam a ser uma grande ferramenta de estilo.

 

Como fazer uma versão real do Armário Cápsula?

Muito tem-se ouvido falar em capsule wardrobe, essa ideia que apareceu nos anos 1970, em Londres. Susie Faux, dona da boutique “Wardrobe” que ficava no West End, pensou num grupo de peças essenciais, e que nunca saem de moda, para ser um fundamento do guarda-roupa funcional e que poderiam ser usadas em todas as estações. Esse grupo de peças seria atualizado com peças sazonais, garantindo que seria possível vestir-se bem para qualquer ocasião sem precisar comprar muitas novas peças de roupa. Susie Faux sugeria que o guarda-roupa feminino fosse composto de, pelo menos, 2 pares de calças, um vestido ou uma saia, uma jaqueta, um casaco, um tricô, 2 pares de sapatos e 2 bolsas. Anos depois, em 1985, Donna Karan, designer americana, lançou uma coleção cápsula com 7 peças de trabalho que combinavam entre si, chamada “7 Easy Pieces” (ou, em bom português, 7 peças fáceis). O objetivo de Donna Karan era criar um guarda-roupa prático e estiloso para a mulher trabalhadora.

Ao longo dos anos, o conceito de capsule wardrobe tem sido revisitado com fórmulas prontas, sugerindo montar um guarda-roupa super completo com 30 a 37 peças. Particularmente, eu acho que o guarda-roupa cápsula não precisa ficar encaixotado num número limitado de peças ou categorias prontas: a partir do closet editing, é possível montar um armário só com itens que a gente ama, que funcionam bem pra nossa vida e pro nosso corpo. Além disso, no caso de um país tropical como o Brasil, o armário cápsula não precisa ser refeito a cada 3 meses como em países onde as estações do ano são bem definidas e, consequentemente, as temperaturas variam muito: a partir de um bom e bem pensado closet editing, qualquer conjunto de peças poderá ser incrementado de acordo com necessidades específicas, não se atrelando necessariamente às estações do ano. Mas se você, como eu, mora em um país onde as estações do ano são bem definidas, é possível também pensar em capsule wardrobes sazonais.

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se eu fizesse um capsule wardrobe de inverno pra mim, estas seriam as minhas roupas!

Ao invés de estabelecer um número específico de peças que ficarão no armário, e que será invariavelmente arbitrário – afinal, cada pessoa é única, tem necessidades específicas, gostos e preferências únicos, e estilo individual – um armário cápsula real deve começar pela diminuição de todos os excessos, deixando só o que tem uma qualidade sensacional, o que tem um caimento impecável, o que realmente funciona no seu estilo de vida, e o que se ama sem ressalva alguma. Pra isso, é preciso experimentar tudo, absolutamente TUDO o que está no armário, e fazer uma triagem honesta. Pense que você entrou numa loja, pegou um item de cada peça disponível, e levou tudo pro provador; já que a gente não deve comprar nada sem experimentar antes, será como se você estivesse fazendo compras no seu próprio armário.

Não se atenha à números, mas sim tente pensar no que cada peça de roupa te faz sentir quando você veste e se olha no espelho (mas se olhe com amor, ok? Afinal, esta deve ser uma experiência para fazer você se sentir melhor consigo). Nesta triagem honesta, é preciso ficar de olho no que pode e deve ser ajustado, obedecendo às premissas do armário cápsula. Do excesso retirado, a gente separa o que pode ser doado ou vendido, e o que pode ser guardado longe dos olhos para reavaliar depois, seja numa mudança de temperatura ou só até ganhar segurança pra doar ou vender. Nessas horas, o personal stylist tem papel fundamental: munido dos seus conhecimentos e informações profissionais, e isento dos sentimentalismos que nos atrelam às nossas próprias coisas, poderá opinar e sugerir honestamente o que deve ficar e o que deve sair do seu armário – lembrando que a decisão final será sempre sua.

O primeiro fundamento do armário cápsula é ter menos coisas, e o segundo é ter variedade: pra este conceito, não adianta ter bem menos coisas mas ter peças repetidas ou equivalentes. Nesse sentido, é melhor ter 1 tricô, 1 camisa, 1 camiseta, 1 calça jeans, 1 blusa, 1 short, 1 saia, 1 vestido, do que várias de cada uma dessas peças, mesmo que em cores diferentes. No armário cápsula, é muito eficaz ter proporcionalmente mais tops (partes de cima) do que bottoms (partes de baixo), diversificando ao máximo as combinações, e também com modelagens variadas já que o terceiro fundamento do capsule wardrobe é, exatamente, restringir o grupo de cores pra facilitar a coordenação entre as peças. Nesse ponto, o armário cápsula se parece muito com a mala inteligente, onde a gente só coloca peças que realmente ama e vai poder usar várias e várias vezes durante a viagem; no caso do armário cápsula, a viagem é o nosso dia a dia!

Quando a gente restringe as cores que se usa, montamos um grupo coerente de peças que funcionam entre si na sua plenitude: tudo combina com tudo. Nessa escolha, se a gente puder levar em consideração as cores que mais favorecem o nosso rosto, melhor ainda. Ao escolher as cores do grupo coerente de peças, é bom pensar num grupo de cores de base, num grupo de cores de suporte, e num grupo de cores pra pontuar. É claro que isso vai variar de pessoa pra pessoa: uma pessoa pode preferir tons neutros enquanto outra prefere tons coloridos, tons claros ou tons escuros. Do mesmo modo, tem gente que gosta mais de peças lisas, enquanto outros preferem estampas. É essa personalização que tornará o seu capsule wardrobe único e funcional para a sua vida!

O armário cápsula precisa atender ao seu estilo de vida, em todas as suas individualidades e preferências, com uma quantidade proporcional de peças do tipo que você mais usa para as atividades que preenchem a sua vida. É interessante pensar na sua rotina de se vestir, e identificar quais atividades tomam mais tempo dos seus dias, pensando também em ocasiões não muito frequentes, mas que, quando acontecem, são importantes. Se o seu dia a dia é preenchido por muitas horas de trabalho e poucas horas de lazer, seu armário cápsula terá mais peças de trabalho do que de lazer; se você mora num lugar onde as temperaturas costumam ser mais altas e o frio menos constante, seu armário cápsula terá mais peças de calor do que de frio. Se você é uma mãe que cuida dos filhos em tempo integral, seu armário cápsula deverá ter mais peças confortáveis e práticas (e não menos lindas). Se você trabalha em home office, seu armário cápsula deverá ter mais peças adequadas pra essa rotina do que para reuniões formais. Todas as suas atividades tem que estar representadas no seu armário cápsula, em quantidade proporcional à frequência de cada uma delas.

Moda X Estilo? Estilo + Moda!

Tenho recebido alguns pedidos por email/inbox/direct/etc para fazer uma lista de coisas a serem evitadas na hora de fazer compras, ou até mesmo abordar questões muito específicas que dependem do tipo de vida de cada um (por exemplo, o que serve para uma pessoa que trabalha em home office certamente não vai servir para quem trabalha em um ambiente corporativo altamente formal; ou o que serve para uma mãe e/ou uma gestante pode não dar certo para todas; etc).

Como eu sempre tento destacar, o trabalho de um personal stylist é muito pessoal – tá no nome! – e fica difícil ditar regras gerais do que evitar ou o que adotar. O armário vai variar de acordo com cada tipo físico, cartela de cores e, principalmente, rotina e gostos pessoais. É por isso que, antes de qualquer consultoria, o ideal é que haja interação entre o personal stylist e o cliente, seja apenas por meio dos formulários que o profissional enviará para que sejam preenchidos, seja para um café, seja por uma amizade estabelecida há anos. É muito importante que o cliente saiba exatamente quem é o profissional que está contratando e qual a metodologia usada.

O personal stylist bem treinado não vai dizer o que você tem que fazer e nem deixará que o gosto pessoal interfira na consultoria de imagem e estilo: o papel do profissional é apresentar quais são as melhores opções disponíveis para que você seja sempre a sua melhor versão, de acordo com a sua personalidade, seus gostos pessoais e seu estilo de vida, mas quem vai fazer a escolha final do que entra ou não entra na sua vida será sempre você.

“A roupa veste, a moda comunica e o estilo personifica.” – Alice Ferraz

Tem gente que tem medo da moda, e acaba perdendo uma parte muito divertida do processo de descoberta do seu estilo pessoal: identificar, entre as muitas tendências ofertadas nas passarelas e que chegam até as fast fashions, o que se adequa ao seu estilo e o que é melhor deixar de fora da sua vida.

Não existe uma guerra entre moda e estilo: ao contrário, a moda deve complementar o estilo harmonicamente, pra que você possa se sentir mais confiante e se divertir quando está se vestindo. Seu estilo será a manifestação visual da sua personalidade, enquanto a moda deverá ser usada, a seu favor, com itens sazonais que darão um frescor ao seu armário, respeitando o seu estilo.

A moda poderá acrescentar ao seu estilo, mas o seu estilo é resultado de um treino diário, em que a sua personalidade se manifesta na imagem que o mundo vê. É neste quesito que o consultor de imagem pode ajudar muito: por conta da experiência, este profissional está capacitado para instruir o cliente, de um modo divertido e funcional, como expressar a sua personalidade através das suas roupas.

Uma vez que você estiver confortável com o seu estilo, saberá vestir-se com mais segurança, confiará mais nas suas escolhas, tendo a certeza de que tudo o que está no seu armário está de acordo com a sua própria personalidade e humor. Seu estilo ficará claro nas suas roupas de trabalho, nas suas roupas de festa, e até mesmo nas roupas que você usa pra ficar em casa.

Ao invés de ter um armário cheio de roupas das quais você não gosta e falar constantemente a célebre frase “não tenho nada pra vestir”, você terá um armário que verdadeiramente reflete quem você é, com peças que você ama e que contribuem pra sua autoestima ficar sempre lá em cima. Outro dia, uma cliente me perguntou sobre o que eu achava de ter muitas cores de uma mesma peça; na minha resposta sincera, disse pra ela que, se é uma peça que você realmente ama e usa muito, com uma modelagem incrível, com um tecido de qualidade, e que de fato usa todas as cores disponíveis, não tem o menor problema: é uma manifestação legítima do quão segura esta pessoa é sobre os seus gostos, preferências e estilo. É claro que um armário cheio de peças repetidas tem sua versatilidade reduzida, e eu não recomendaria isso numa fase inicial de definição do seu estilo, como no closet cleaning e na consultoria de imagem e estilo.

A definição do seu estilo ajudará a comprar menos e menor, peneirando as ofertas da moda e adotando somente o que verdadeiramente complementa o seu estilo.