Vestir-se: exercício de criatividade e autoconhecimento

Há muito tempo, quando eu nem sonhava em me tornar personal stylist, eu já acreditava que vestir-se é um exercício de criatividade e autoconhecimento constante – e que nem sempre é muito fácil. No provador de uma loja ou em frente ao espelho de casa, podemos experimentar um misto de emoções, ou até mesmo uma catarse, reconhecendo, no visual que apresentamos para o mundo, a versão mais profunda de nós mesmos.

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casaco e calça Zara, blusa de gola alta Uniqlo, cachecol Kuna, tênis Vans, óculos Ray Ban, pingente de Nossa Senhora de Fáti

Outro dia postei essa foto no instagram, mostrando o meu #lookdodia, e um dos comentários que recebi dizia que esta roupa era a minha cara. Quem escreveu isso foi uma pessoa que me conheceu quando eu tinha 16 anos. É uma alegria imensa saber que eu consegui transmitir a minha personalidade para as peças que eu estou vestindo, e que não só eu me reconheço ao me olhar no espelho, mas que também sou reconhecida pelos outros no meu estilo.

Vestir-se bem e com elegância vai muito além de saber o que cai bem no seu corpo ou de quanto foi gasto numa determinada peça de roupa; há muito mais elegância num jeans + t-shirt branca usados com a segurança de quem se reconhece naquelas peças do que num look super elaborado e grifado.

O exercício de se vestir é constante porque nós mudamos o tempo todo: nossas convicções, opiniões e nossos valores de hoje podem não ser iguais há 5 anos atrás, e talvez não sejam os mesmos daqui a 5 ou 10 anos. É normal que as nossas vontades e ambições mudem, e isso vai exigir esforços diferentes para que alcancemos nossos objetivos. Do mesmo modo, é normal que tenhamos algumas constantes na nossa vida, que marcam características profundas da nossa personalidade e se revelam nas nossas escolhas.

Escolher o que se veste é decidir qual a imagem que escolhemos mostrar para o mundo. Ao olhar-se no espelho, é importante reconhecer quem olha você de volta, porque esta imagem está dizendo para os outros quem é você, como você quer que o mundo te enxergue. Reconhecer-se dentro das roupas, sapatos e acessórios que escolheu usar é o que vai dar a segurança que você precisa para enfrentar as suas atividades diárias. Quando eu falo em reconhecimento, eu me refiro de fato à identificação e da certeza de que a nossa aparência é verdadeiramente uma externalização de quem somos.

No caso das mulheres, o reconhecimento diário ao olhar-se no espelho é um passo enorme para o nosso empoderamento: ao entendermos o que nós esperamos de nós mesmas, podemos passar essa mensagem para o mundo por meio das nossas roupas. Se, ao nos olharmos no espelho, formos mais gentis com aquela mulher que nos olha de volta, poderemos parar de querer quem não somos e amarmos mais o nosso corpo. Se nos propusermos a parar de procurar nas araras das lojas as roupas que possam consertar um pedaço do nosso corpo ou disfarçar uma parte do que somos, escolhendo o que amamos e o que nos faz sorrir, desconstruiremos, paulatinamente, os mitos que criamos sobre nós mesmas. Ao nos olharmos com mais gentileza a cada dia, seremos capazes de amar quem verdadeiramente somos, e assumirmos com mais segurança a nossa personalidade. Não é fácil: estamos sujeitas a uma sociedade machista há muito tempo e, por mais feministas que nos tornemos, ou por mais bem resolvidas que sejamos, será difícil alcançar a libertação total para fazer escolhas de moda completamente livres de julgamentos e conceitos tão enraizados.

Já ouvi muita gente dizendo que precisamos usar a moda a nosso favor, e essa ideia do que é “usar a moda a nosso favor” também é mutável ao longo dos anos: por muito tempo, a moda favorável para a mulher era aquela que nos deixava mais feminina e delicada; depois, a moda favorável passou a ser aquela que criava a silhueta ampulheta, “a silhueta perfeitamente proporcional”. Ainda bem que, hoje, as mulheres se sentem muito mais livres para usar a moda a favor das suas personalidades: muito mais do que considerar qual o seu tipo físico ou as cores que mais favorecem o seu tom de pele, a moda que favorece as mulheres é aquela que expressa o nosso verdadeiro eu (eu = centro da personalidade, instância interna), nos torna únicas, e que conta uma história com as peças que escolhemos.

Vestir-se de maneira adequada, bonita, favorável e elegante sempre foi uma questão importante para as mulheres – e, graças a Deus, tem se tornado importante para os homens também, que passam a cuidar mais da imagem que apresentam para o mundo e também expressam a personalidade no modo de se vestir. Por conta desse nosso desejo de estarmos bem vestidos, é natural que fossem criadas regras e padrões, relacionando os tipos de corpos e seus formatos com as roupas que são ideais para cada um deles.

O que estas regras e padrões não consideram é que nossos corpos precisam e devem ser vestidos de acordo com as nossas necessidades, vontades e preferências, tornando a nossa rotina mais fácil e prazerosa porque nossa autoestima está lá em cima e temos a segurança necessária pra enfrentar o mundo lá fora; o que nós vestimos deve revelar quem somos por dentro. É aí que o personal stylist tem que dar o pulo do gato: o bom profissional não ensina ninguém a se vestir de acordo com o que as regras e padrões ditam, mas sim dá as ferramentas necessárias para fazer funcionar até o que poderia parecer impossível, atendendo aos gostos e preferências individuais, adequando o armário à rotina e injetando confiança.

A única maneira de aprender como se vestir de maneira adequada, bonita, favorável e elegante é experimentando todos os modelos, cores, tecidos e formatos de roupas, acessórios e sapatos disponíveis. Ao experimentarmos tudo, compreenderemos o que cabe não no nosso corpo, mas sim na nossa personalidade, no nosso verdadeiro eu. Sabendo o que se encaixa no nosso estilo de vida, o que facilita o nosso dia a dia, o que nos traz alegria, o que nos aconchega (porque roupa também é um carinho pro nosso corpo), nós definimos nossas próprias regras, construímos o nosso estilo, e sabemos bem como vestir cada um dos nossos humores com segurança.

E não podemos esquecer daquele ditado que diz que as regras foram feitas para serem quebradas: sejam as regras da moda, ou as regras que estabelecemos para nós mesmas (ou nós mesmos), somos livres para explorar, de modo criativo, as nossas preferências. Aprender a quebrar as regras com sabedoria é a principal peça no armário de qualquer pessoa – e é exatamente isso que eu mais gosto de ensinar na consultoria de imagem e estilo. Seu estilo é construído a partir da sua personalidade e da sua história. Não é você que tem que se adequar à moda: é a moda que tem que ser divertida pra você. Mas isso só vai funcionar se nós nos olharmos no espelho com gentileza, procurando enaltecer as nossas qualidades ao invés de destacar os nossos defeitos. É por isso que eu me proponho a fazer esse exercício diário de ser mais gentil comigo mesma – e convido você a fazer o mesmo.

Eu uso óculos!

O título deste post é, sim, um dos versos da célebre música “Óculos”, dos Paralamas do Sucesso, e outros versos da mesma música vão permear este texto. E, se você quiser dar o play na música e deixar tocando enquanto lê o que eu escrevi, vai em frente, fique à vontade!

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aos 4 anos de idade, os óculos eram apenas uma brincadeira! 6 anos depois, eles passaram a fazer parte do meu dia a dia.

Eu tenho miopia e astigmatismo desde os 10 anos de idade. Ou seja: no momento em que este post está sendo escrito, eu já contabilizo 18 anos usando óculos de grau. Por conta disso, posso dizer, por experiência própria, que aceitar os óculos de grau como parte do seu estilo pessoal não é uma tarefa fácil; é preciso fazer uma jornada de autoconhecimento, e também de algumas doses de empoderamento.

“Era mais fácil se eu tentasse fazer charme de intelectual

Meus óculos já foram motivo de muito deboche na escola, e foram muitas consultas aos oftalmologistas pedindo (ou melhor, implorando) para usar lentes de contato, ouvindo sempre a mesma resposta: você tem alergia. Minhas alergias não se restringem ao sistema respiratório: estão também nos olhos e na pele (o que também restringe meu uso de maquiagens). Na época do combo óculos + aparelho fixo, entre meus 10 e 14 anos, eu sofria muito com a minha autoimagem, e tudo se agravava pelo bullying sério na escola (não entrarei em detalhes, mas fica aqui o resumo da ópera: era tão pesado que eu troquei de escola na metade do 1º ano do Ensino Médio).

Tem gente que consegue usar óculos só pra ler, ou só no computador; esse nunca foi o meu caso. Eu sempre fui super dependente dos óculos, e eu sinto o incômodo físico quando meu grau está mudando. Foi aos 18 anos que uma oftalmologista me liberou para usar lentes de contato cautelosamente (porque a alergia persistia): sempre com um colírio específico em mãos, sempre com o óculos na bolsa, sempre por pouco tempo. Então, dos 18 aos 25 anos, eu fui habituando meus olhos às lentes, e, com acompanhamento oftalmológico constante, a alergia foi amenizando e eu gradativamente aumentei o tempo de uso diário das lentes de contato. Devo confessar que me sentia muito aliviada por não usar óculos 24 horas por dia os 7 dias da semana, e ficava bastante frustrada quando não conseguia colocar as lentes nos períodos de agravamento da alergia e tinha que sair de casa usando óculos.

“Se eu to alegre, eu ponho os óculos e vejo tudo bem”

Em 2015, aos 25 anos, minha rotina louca, que me fazia viajar de avião entre Brasília e RJ semanalmente, fez minha imunidade cair, e é claro que a alergia ocular também piorou. Era quase impossível usar lentes de contato; meus olhos ardiam e eu não simplesmente não conseguia usá-las por mais do que 1 hora. Foi naquele ano que eu voltei a assumir os óculos de grau, deixando as lentes de contato só pra alguma festa ou pra fazer exercícios físicos. Ao reassumir a minha imagem com óculos de grau, eu passei a me reconhecer de novo quando me olhava no espelho: o par franja + armação faz parte de mim, é a minha marca registrada, e, hoje, me faz ter orgulho de quem eu sou. Combino meus óculos com meus chapéus, boinas, gorros, e com o meu humor.

Se a minha primeira armação de óculos mais ousada foi um Marc Jacobs vermelho, nos idos de 2013, desde então passei a entender gradativamente que óculos não precisa ser discreto – aliás, óculos não deve ser discreto. Os óculos são acessórios que revelam muito da nossa personalidade, e eu entendi, ao longo do tempo, que precisava parar de ver os óculos de grau como inimigos da minha imagem. Pouco a pouco, eu passei a enxergá-los como aliados importantes na construção e definição do meu estilo.

Eu comecei a me divertir com as armações legais que as óticas oferecem, me aventurando com as marcas, cores e estilos. De lá pra cá, já foi um Prada colorido de base azul, um Dior gatinho (um dos meus favoritos, tô pensando em ressuscitá-lo), um Dolce & Gabbana preto (o mais difícil de abandonar), um Chanel cinza (a minha pior escolha), e um Tom Ford tartaruga com ponte dourada (o mais recente). Se para meus óculos escuros escolho sempre Ray Ban (qualidade ótima e preço justo), eu me permito brincar muito mais com as armações que emolduram meu rosto 95% do meu dia – afinal, se é pra gastar uma grana, que seja em algo que eu vou usar muito, que tem uma qualidade incrível e que vai me fazer me sentir poderosa o tempo todo.

A escolha e compra de uma nova armação de óculos acabou se tornando uma jornada de autoconhecimento e fortalecimento da minha autoimagem, com ensaio e erro, e tá tudo bem, porque os erros também ensinam muito (a armação Chanel cinza, por exemplo, foi a minha pior escolha de óculos: me deixa com cara de cansada. Foi só depois que fiz o curso de personal styling e comecei a estudar análise cromática que descobri o porquê: aquele tom de cinza é péssimo pra mim).

Muito mais do que corretores ópticos, por meio das suas linhas, cores e materiais, os óculos nos ajudam a transmitir as mensagens desejadas para a nossa imagem. Na hora de escolher uma nova armação de óculos, saber qual é a sua cartela de cores será uma ferramenta muito útil: afinal, é justamente no rosto que as cores revelam seus efeitos principais na nossa aparência. Tanto quanto na cor da armação, esse conhecimento também ajuda na hora de escolher a cor das lentes dos óculos escuros.

“Por trás dessa lente também bate um coração”

Se, antes, eu tentava me livrar dos óculos, hoje eu os prefiro muito mais do que as lentes de contato – mesmo em festas e/ou eventos formais. Por uma questão de praticidade e mobilidade, as lentes de contato só ganham dos óculos na hora de fazer exercícios físicos, ou pra andar em montanhas-russas; mas confesso que elas me incomodam e eu já fico doida pra voltar pros meus óculos rapidinho.

Meus óculos fazem parte do meu estilo, e me ajudam a traduzir a minha personalidade. Se ao usar óculos eu chamo atenção para o meu rosto, eu estou dizendo pro mundo que eu tenho segurança de quem eu sou e das escolhas que eu faço na minha vida.

É revolucionário encontrar uma armação de óculos de grau que te faça sentir conforto e confiança: os óculos deixam de ser um escudo e passam a ser uma grande ferramenta de estilo.

 

Como fazer uma versão real do Armário Cápsula?

Muito tem-se ouvido falar em capsule wardrobe, essa ideia que apareceu nos anos 1970, em Londres. Susie Faux, dona da boutique “Wardrobe” que ficava no West End, pensou num grupo de peças essenciais, e que nunca saem de moda, para ser um fundamento do guarda-roupa funcional e que poderiam ser usadas em todas as estações. Esse grupo de peças seria atualizado com peças sazonais, garantindo que seria possível vestir-se bem para qualquer ocasião sem precisar comprar muitas novas peças de roupa. Susie Faux sugeria que o guarda-roupa feminino fosse composto de, pelo menos, 2 pares de calças, um vestido ou uma saia, uma jaqueta, um casaco, um tricô, 2 pares de sapatos e 2 bolsas. Anos depois, em 1985, Donna Karan, designer americana, lançou uma coleção cápsula com 7 peças de trabalho que combinavam entre si, chamada “7 Easy Pieces” (ou, em bom português, 7 peças fáceis). O objetivo de Donna Karan era criar um guarda-roupa prático e estiloso para a mulher trabalhadora.

Ao longo dos anos, o conceito de capsule wardrobe tem sido revisitado com fórmulas prontas, sugerindo montar um guarda-roupa super completo com 30 a 37 peças. Particularmente, eu acho que o guarda-roupa cápsula não precisa ficar encaixotado num número limitado de peças ou categorias prontas: a partir do closet editing, é possível montar um armário só com itens que a gente ama, que funcionam bem pra nossa vida e pro nosso corpo. Além disso, no caso de um país tropical como o Brasil, o armário cápsula não precisa ser refeito a cada 3 meses como em países onde as estações do ano são bem definidas e, consequentemente, as temperaturas variam muito: a partir de um bom e bem pensado closet editing, qualquer conjunto de peças poderá ser incrementado de acordo com necessidades específicas, não se atrelando necessariamente às estações do ano. Mas se você, como eu, mora em um país onde as estações do ano são bem definidas, é possível também pensar em capsule wardrobes sazonais.

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se eu fizesse um capsule wardrobe de inverno pra mim, estas seriam as minhas roupas!

Ao invés de estabelecer um número específico de peças que ficarão no armário, e que será invariavelmente arbitrário – afinal, cada pessoa é única, tem necessidades específicas, gostos e preferências únicos, e estilo individual – um armário cápsula real deve começar pela diminuição de todos os excessos, deixando só o que tem uma qualidade sensacional, o que tem um caimento impecável, o que realmente funciona no seu estilo de vida, e o que se ama sem ressalva alguma. Pra isso, é preciso experimentar tudo, absolutamente TUDO o que está no armário, e fazer uma triagem honesta. Pense que você entrou numa loja, pegou um item de cada peça disponível, e levou tudo pro provador; já que a gente não deve comprar nada sem experimentar antes, será como se você estivesse fazendo compras no seu próprio armário.

Não se atenha à números, mas sim tente pensar no que cada peça de roupa te faz sentir quando você veste e se olha no espelho (mas se olhe com amor, ok? Afinal, esta deve ser uma experiência para fazer você se sentir melhor consigo). Nesta triagem honesta, é preciso ficar de olho no que pode e deve ser ajustado, obedecendo às premissas do armário cápsula. Do excesso retirado, a gente separa o que pode ser doado ou vendido, e o que pode ser guardado longe dos olhos para reavaliar depois, seja numa mudança de temperatura ou só até ganhar segurança pra doar ou vender. Nessas horas, o personal stylist tem papel fundamental: munido dos seus conhecimentos e informações profissionais, e isento dos sentimentalismos que nos atrelam às nossas próprias coisas, poderá opinar e sugerir honestamente o que deve ficar e o que deve sair do seu armário – lembrando que a decisão final será sempre sua.

O primeiro fundamento do armário cápsula é ter menos coisas, e o segundo é ter variedade: pra este conceito, não adianta ter bem menos coisas mas ter peças repetidas ou equivalentes. Nesse sentido, é melhor ter 1 tricô, 1 camisa, 1 camiseta, 1 calça jeans, 1 blusa, 1 short, 1 saia, 1 vestido, do que várias de cada uma dessas peças, mesmo que em cores diferentes. No armário cápsula, é muito eficaz ter proporcionalmente mais tops (partes de cima) do que bottoms (partes de baixo), diversificando ao máximo as combinações, e também com modelagens variadas já que o terceiro fundamento do capsule wardrobe é, exatamente, restringir o grupo de cores pra facilitar a coordenação entre as peças. Nesse ponto, o armário cápsula se parece muito com a mala inteligente, onde a gente só coloca peças que realmente ama e vai poder usar várias e várias vezes durante a viagem; no caso do armário cápsula, a viagem é o nosso dia a dia!

Quando a gente restringe as cores que se usa, montamos um grupo coerente de peças que funcionam entre si na sua plenitude: tudo combina com tudo. Nessa escolha, se a gente puder levar em consideração as cores que mais favorecem o nosso rosto, melhor ainda. Ao escolher as cores do grupo coerente de peças, é bom pensar num grupo de cores de base, num grupo de cores de suporte, e num grupo de cores pra pontuar. É claro que isso vai variar de pessoa pra pessoa: uma pessoa pode preferir tons neutros enquanto outra prefere tons coloridos, tons claros ou tons escuros. Do mesmo modo, tem gente que gosta mais de peças lisas, enquanto outros preferem estampas. É essa personalização que tornará o seu capsule wardrobe único e funcional para a sua vida!

O armário cápsula precisa atender ao seu estilo de vida, em todas as suas individualidades e preferências, com uma quantidade proporcional de peças do tipo que você mais usa para as atividades que preenchem a sua vida. É interessante pensar na sua rotina de se vestir, e identificar quais atividades tomam mais tempo dos seus dias, pensando também em ocasiões não muito frequentes, mas que, quando acontecem, são importantes. Se o seu dia a dia é preenchido por muitas horas de trabalho e poucas horas de lazer, seu armário cápsula terá mais peças de trabalho do que de lazer; se você mora num lugar onde as temperaturas costumam ser mais altas e o frio menos constante, seu armário cápsula terá mais peças de calor do que de frio. Se você é uma mãe que cuida dos filhos em tempo integral, seu armário cápsula deverá ter mais peças confortáveis e práticas (e não menos lindas). Se você trabalha em home office, seu armário cápsula deverá ter mais peças adequadas pra essa rotina do que para reuniões formais. Todas as suas atividades tem que estar representadas no seu armário cápsula, em quantidade proporcional à frequência de cada uma delas.

Moda X Estilo? Estilo + Moda!

Tenho recebido alguns pedidos por email/inbox/direct/etc para fazer uma lista de coisas a serem evitadas na hora de fazer compras, ou até mesmo abordar questões muito específicas que dependem do tipo de vida de cada um (por exemplo, o que serve para uma pessoa que trabalha em home office certamente não vai servir para quem trabalha em um ambiente corporativo altamente formal; ou o que serve para uma mãe e/ou uma gestante pode não dar certo para todas; etc).

Como eu sempre tento destacar, o trabalho de um personal stylist é muito pessoal – tá no nome! – e fica difícil ditar regras gerais do que evitar ou o que adotar. O armário vai variar de acordo com cada tipo físico, cartela de cores e, principalmente, rotina e gostos pessoais. É por isso que, antes de qualquer consultoria, o ideal é que haja interação entre o personal stylist e o cliente, seja apenas por meio dos formulários que o profissional enviará para que sejam preenchidos, seja para um café, seja por uma amizade estabelecida há anos. É muito importante que o cliente saiba exatamente quem é o profissional que está contratando e qual a metodologia usada.

O personal stylist bem treinado não vai dizer o que você tem que fazer e nem deixará que o gosto pessoal interfira na consultoria de imagem e estilo: o papel do profissional é apresentar quais são as melhores opções disponíveis para que você seja sempre a sua melhor versão, de acordo com a sua personalidade, seus gostos pessoais e seu estilo de vida, mas quem vai fazer a escolha final do que entra ou não entra na sua vida será sempre você.

“A roupa veste, a moda comunica e o estilo personifica.” – Alice Ferraz

Tem gente que tem medo da moda, e acaba perdendo uma parte muito divertida do processo de descoberta do seu estilo pessoal: identificar, entre as muitas tendências ofertadas nas passarelas e que chegam até as fast fashions, o que se adequa ao seu estilo e o que é melhor deixar de fora da sua vida.

Não existe uma guerra entre moda e estilo: ao contrário, a moda deve complementar o estilo harmonicamente, pra que você possa se sentir mais confiante e se divertir quando está se vestindo. Seu estilo será a manifestação visual da sua personalidade, enquanto a moda deverá ser usada, a seu favor, com itens sazonais que darão um frescor ao seu armário, respeitando o seu estilo.

A moda poderá acrescentar ao seu estilo, mas o seu estilo é resultado de um treino diário, em que a sua personalidade se manifesta na imagem que o mundo vê. É neste quesito que o consultor de imagem pode ajudar muito: por conta da experiência, este profissional está capacitado para instruir o cliente, de um modo divertido e funcional, como expressar a sua personalidade através das suas roupas.

Uma vez que você estiver confortável com o seu estilo, saberá vestir-se com mais segurança, confiará mais nas suas escolhas, tendo a certeza de que tudo o que está no seu armário está de acordo com a sua própria personalidade e humor. Seu estilo ficará claro nas suas roupas de trabalho, nas suas roupas de festa, e até mesmo nas roupas que você usa pra ficar em casa.

Ao invés de ter um armário cheio de roupas das quais você não gosta e falar constantemente a célebre frase “não tenho nada pra vestir”, você terá um armário que verdadeiramente reflete quem você é, com peças que você ama e que contribuem pra sua autoestima ficar sempre lá em cima. Outro dia, uma cliente me perguntou sobre o que eu achava de ter muitas cores de uma mesma peça; na minha resposta sincera, disse pra ela que, se é uma peça que você realmente ama e usa muito, com uma modelagem incrível, com um tecido de qualidade, e que de fato usa todas as cores disponíveis, não tem o menor problema: é uma manifestação legítima do quão segura esta pessoa é sobre os seus gostos, preferências e estilo. É claro que um armário cheio de peças repetidas tem sua versatilidade reduzida, e eu não recomendaria isso numa fase inicial de definição do seu estilo, como no closet cleaning e na consultoria de imagem e estilo.

A definição do seu estilo ajudará a comprar menos e menor, peneirando as ofertas da moda e adotando somente o que verdadeiramente complementa o seu estilo.