Melania Trump e a mensagem que as nossas roupas transmitem

Não se falou em outra coisa nessa última sexta feira (ok, talvez o assunto tenha dividido um pouco os holofotes depois da vitória sofrida do Brasil) a não ser sobre o casaco que Melania Trump, Primeira Dama dos Estados Unidos, usou para visitar os abrigos onde estão as crianças imigrantes que foram separadas de seus pais enquanto tentavam cruzar a fronteira dos EUA. O famigerado casaco – uma peça de US$39 da Zara – traz, nas costas, a mensagem “I really don’t care. Do u?” (ou, em bom português, “Eu realmente não me importo. E você?”).

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Todas as roupas que nós usamos comunicam uma mensagem. Em menos de 3 segundos, a nossa imagem causa um impacto visual e, se não temos controle absoluto da mensagem que queremos transmitir com o que estamos vestindo, podemos ser percebidos da maneira errada. Isso vale para qualquer pessoa, pública ou anônima, em qualquer ambiente.

A assessora de comunicações da Sra. Trump, Stephanie Grisham, disse, em comunicado a imprensa, que era “apenas uma jaqueta” e que “não havia mensagem oculta.” De fato, a mensagem não estava oculta; estava ESTAMPADA e muito VISÍVEL para todo o mundo (literalmente). Se foi uma escolha deliberada ou não, fato é que foi um erro grotesco. Aliás, na minha humilde opinião, eu acho que o erro começa pela Primeira Dama dos EUA ter essa peça no armário dela – não pelo preço ou por ser de uma marca fast fashion, mas justamente pela mensagem que a peça comunica.

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A diretora de moda do New York Times, Vanessa Friedman, deu uma entrevista ao The Guardian dizendo que não tem dúvidas de que esse episódio não foi um acidente, e que Melania tomou a decisão de usar aquela jaqueta. Friedman ainda nota que é sabido que a Primeira Dama dos EUA compra suas próprias roupas, e dá a palavra final sobre seus looks, mesmo se forem selecionados por um stylist.

Toda a polêmica envolvida nos serve para refletir, mais uma vez, sobre a importância das decisões e escolhas que fazemos quando nos vestimos. Neste episódio infeliz, a frase “I really don’t care. Do u?” se tornou ainda mais inadequada pelo contexto político em que está inserida – mas, na verdade, não acho uma mensagem como essa adequada para ninguém porque nós sempre temos algo (ou alguém) com o que nos importar.

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arte de @justinteodoro

Melania Trump já foi muito criticada pelas suas escolhas de roupas, muitas vezes tidas como inacessíveis, o que tornaria a própria Primeira Dama dos EUA inacessível. No caso dela, em meio de um closet recheado de marcas de luxo, um toque de fast fashion pode fazer bem como estratégia de aproximação – e, certamente, não foi o que esse casaco fez.

Seja uma camisa da Balmain de US$1.380 ou uma jaqueta da Zara de US$39, devemos  sempre fazer uma escolha consciente do que entra no nosso armário e do que nos veste. Assim, poderemos nos expressar, de maneira autêntica, por meio das peças que escolhemos, assumindo o controle da nossa imagem e tendo a certeza de que o mundo nos enxergará do jeito que nós queremos ser vistos.

Copa do Mundo: looks pra torcer com estilo

Quem aí ama futebol? Eu sou do time de apaixonados por futebol, e fico ainda mais empolgada em época de Copa do Mundo! Não tô perdendo um jogo, e hoje é a estreia do Brasil no campeonato mundial! Haja coração!

E foi-se o tempo em que a única opção para o look da torcida era a camisa oficial do Brasil! Embora ela continue sendo favorita em muitos casos, já tem algumas Copas em que as marcas de moda feminina investem pesado em coleções lindas pra gente torcer com muito estilo. Nesse post, quero fazer um apanhado dos meus looks favoritos pra torcer muito pelo Brasil!

Brasil (Amaro)
Amaro – R$99,90

A Amaro fez um vestidinho bem básico e bem fofo de malha de algodão, pra ficar fresquinha e no clima da torcida.

Brasil (Dress To) 01

Já a carioca Dress To fez uma coleção cápsula inteirinha dedicada ao Brasil, cheia de opções fofas pra torcer com muito estilo.

litt brasil

Outra marca que fez opções lindas pras torcedoras foi a LITT’, do grupo Agilità. Essas tshirts tem uma pegada mais chique, bem coerentes ao DNA da marca, e também são modelos mais exclusivos.

Não podia deixar de falar da coleção ma-ra-vi-lin-da que o Coletivo Lírico desenvolveu para a Copa! Essa marca slow fashion de t-shirts já ganhou meu coração faz tempo, e eu queria a coleção in-tei-ri-nha! Os preços das t-shirts dessa coleção especial futebolística variam entre R$89,90 e R$99,90, o frete é grátis nas compras acima de R$189 e, em dia de jogo do Brasil, rola promoção com código de desconto de acordo com o número de gols da Seleção Canarinho!!

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Mas quando o assunto é coleção cápsula pra Copa, não tem pra ninguém: é a Farm que investe mais pesado e coloca à venda uma infinidade de modelos e opções que é pra torcer de verde, amarelo e azul da cabeça aos pés!

E você já escolheu o look pra hoje? E pros próximos jogos? Conta aqui pra mim!

Mas o mais importante mesmo é torcer de todo o coração e curtir muito essa época feliz que é a copa do mundo!

Musée des Arts Décoratifs: Margiela, les années Hermès

Como parte da programação do curso Paris Style Week, visitamos a exposição Margiela, les annés Hermès, em exibição no Musée des Arts Décoratifs até o dia 22 de setembro de 2018. Esta exposição celebra os anos em que Martin Margiela esteve à frente de uma das principais maisons francesas no escopo da “Saison Margiela 2018 à Paris“!

Entre 1997 e 2003, Margiela comandou a direção criativa da Hermès, e esta homenagem apresenta, pela primeira vez na França, as coleções femininas de prêt-à-porter que o estilista desenhou para a célebre maison parisiense, sem perder a identidade das criações da sua própria maison. Entre a desconstrução inovadora e o luxo atemporal, as silhuetas dialogam entre si, expressando e dando voz à visão particular de Martin Margiela. Estes dois universos, muito próprios desse designer, constituem o ponto de partida da exposição, cuja direção artística é do próprio Margiela.

Considerado um dos criadores mais atípicos e misteriosos da sua geração, Martin Margiela faz parte do seleto grupo de estilistas que radicalizou e renovou bruscamente o universo da moda. Depois de fundar sua própria marca, a Maison Martin Margiela, em 1988, ele decidiu, desde o início, que faria do anonimato uma das suas características essenciais, recusando o aparecimento do seu nome nas suas criações, adotando a etiqueta branca costurada nos quatro cantos como sua marca registrada. O famoso “blanc de Meudon” é escolhido como assinatura dos seus desfiles. Desde o início, Margiela desenvolve um trabalho contra a corrente da época da logomania e da padronização, e se destaca em seu meio. Ele surpreende com seus cortes construídos-desconstruídos, suas silhuetas oversize, seus materiais reciclados, ou mesmo os tecidos monocromáticos, que destacam o aspecto artesanal das suas criações.

Foi em outubro de 1997 que Jean-Louis Dumas, então presidente e diretor artístico da Hermès, convidou Martin Margiela a desenhar as coleções de prêt-à-porter femininas, quando este já era considerado, depois de quase uma década, como uma das figuras vanguardistas mais influentes. Era uma escolha audaciosa, que rompia com as tendências do universo da moda de escolher estilistas estrelados. A maison Hermès tem, então, um fator surpresa ao convidar este criador iconoclasta que ninguém (ou quase ninguém) conhece o rosto, e que dispensa os holofotes e o mundo do entretenimento.

Entre 1997 e 2003, acompanhado da expertise do estúdio e dos ateliês da maison Hermès, da qual compartilhava seus valores, Martin Margiela instaura, por meio de 12 coleções consecutivas, uma visão coerente e profunda de um luxo contemporâneo. Conforto, atemporalidade, sensualidade e autenticidade são as palavras-chave para definir a visão de Margiela da mulher Hermès, associada a um estilo apurado. A nova paleta de cores sóbrias e monocromáticas que ele apresenta estão alinhadas ao universo colorido das estampas da Hermès, suscitando a surpresa da imprensa.

Desde a entrada da exposição, o visitante descobre dois estilos distintos que propõem um diálogo apaixonado entre as roupas que Margiela criou para a Hermès e aquelas que ele criou para sua própria Maison. O conjunto se desenvolve com uma sucessão de sequências temáticas de mais de 100 silhuetas, de fotos e de vídeos num percurso que alterna entre o laranja inconfundível da maison Hermès e o branco da Maison Martin Margiela.

Desse modo, o visitante aprende um pouco do processo criativo que navega sem confusão entre as duas maisons e de cada um dos seus códigos. É a primeira vez que o Musée des Arts Décoratifs se dedica a destacar um ícone da história da moda, com um criador que se desdobra entre as colaborações para as outras Maisons e a sua própria.

Conceitual e subversivo, Martin Margiela revolucionou totalmente o sistema da moda no fim dos anos 1980, e suas criações continuam sendo importantes impressões no universo da moda contemporânea, com uma silhueta vanguardista pautada na desconstrução, a reciclagem e recuperação de materiais. Margiela introduz na Hermès um esboço de cortes e colores com base nos materiais excepcionais da selaria parisiense, e integra numerosas inovações.

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A exposição no Musée des Arts Décoratifs homenageia esta figura única da moda, celebrando o estilista em comunhão com a retrospectiva “Margiela/Galliera, 1989-2009” e, até o dia 15 de julho, é possível comprar o 2º bilhete com tarifa reduzida na apresentação do bilhete da outra exposição. O bilhete integral (plein tarif) para o Musée des Arts Décoratifs custa €11, e o museu está aberto de terças a domingos das 11h às 18h (a bilheteria fecha às 17h15), e às quintas-feiras fica aberto até as 21h (a bilheteria fecha às 20h15).

O nosso armário tem que atender às necessidades do nosso dia a dia

Roupas bonitas não necessariamente significam que são as roupas certas para a nossa vida. Ter uma identidade visual segura e consistente não significa usar a mesma coisa todos os dias, como se fosse um uniforme, mas também não significa ter as roupas mais fantásticas do mundo que não saem de dentro do armário. Um armário bom tem que combinar com a vida que a gente leva!

@chapolinsincero

Um bom armário tem um monte de peças lindas, que a gente ama usar, e que combinam de verdade com a vida que a gente leva. Se o seu armário é cheio de peças incríveis, mas vestir-se toda manhã é um martírio, o diagnóstico pra isso é um só: tem muita gente que compra roupas pra vida que gostaria de viver, e não pra vida que vive! Quando este é o caso, acabamos usando sempre as mesmas 5 ou 10 peças que realmente se adequam à vida que vivemos e, quanto mais compramos, menos opções temos.

Vivi uma época assim, de armário abarrotado de peças lindas que ficavam apenas lá, desperdiçando espaço e dinheiro. Muitas roupas foram doadas ou vendidas ainda com etiqueta, porque elas simplesmente não se encaixavam no meu estilo de vida! É por isso que uma edição de armário é tão importante: é muito mais fácil um consultor de estilo enxergar que essas roupas não terão oportunidades reais de sair de casa, porque não temos o envolvimento emocional! Do mesmo modo, o consultor de estilo orienta as suas compras para o que realmente será funcional, ao invés de continuarmos insistindo em comprar o que não cabe no nosso estilo de vida.

Se você é uma mulher com uma carreira que toma conta de grande parte da sua vida, não adianta só comprar peças confortáveis de usar no final de semana. Se você é uma mulher que mal sai à noite, não adianta lotar o armário com peças de noitada. Se você trabalha em home office, não vale a pena encher o armário de roupas formais. Ou ainda: se você é uma mulher que não gosta muito das próprias coxas, não adianta ter só saias, vestidos e shorts curtos. Se você é um homem que trabalha de terno e não suporta usar camisa social aos finais de semana, não adianta ter o armário cheio de opções assim. É um pouco daquela conversa que já tivemos sobre o armário cápsula, já que é preciso avaliar cada atividade da nossa rotina pra que o nosso armário atenda às necessidades do dia a dia e facilite o nosso vestir.

Mais uma vez, nós precisamos fazer um exercício de autoconhecimento. Pra construir um armário que funcione de verdade pra gente, é bom começar fazendo as seguintes perguntas:

  • qual é a vida que eu levo?
  • qual é o “código de vestir” do meu trabalho?
  • quais são as minhas atividades aos finais de semana?
  • eu sinto mais frio ou calor?
  • onde eu moro, as estações do ano são bem definidas?
  • eu sou mais do dia ou da noite?

Tudo isso não significa que uma pessoa que é workaholic precise ter somente roupas cinzas e pretas e chatas, ou que quem passa seus finais de semana cercado de crianças não possa ter um pouco de glamour nas suas roupas casuais, ou quem adora uma noitada só vai ter sapatos de saltos altíssimos. O importante é, como sempre, encontrar o equilíbrio pra não desperdiçar e nem acumular o que não tem necessidade!

Esses são alguns exemplos de uma linha de raciocínio pra fazer com que a gente reflita e analise o nosso estilo de vida junto com a nossa personalidade e o nosso gosto pessoal. Desse modo, será mais fácil montar um armário inteligente, que funcione de verdade pro nosso dia a dia, sem deixar de lado o que faz o coração bater mais forte e o olho brilhar, mantendo o foco na função e na versatilidade!

Tarde de estilo na Eva

Depois de férias deliciosas no Brasil junto dos nossos familiares e amigos, é hora de voltar pra programação normal! E nada melhor do que retomar nossos papos por aqui contando um pouquinho sobre a tarde de estilo que rolou na loja Eva de Icaraí enquanto eu estava em Niterói!

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Sim, eu trabalhei durante as férias! Foi uma tarde ótima junto da equipe querida da Eva de Icaraí, às vésperas do dia das mães, quando pude orientar um pouquinho as clientes quanto às melhores modelagens e cores para seus tipos físicos e tons de pele em papos descontraídos no provador.

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Em meio aos lindos looks da coleção de outono/inverno, inspirada no Marrocos, escolhi um vestido longo de seda com estampa de oncinha para essa tarde: a delicadeza da seda combinada ao animal print criavam o equilíbrio de que eu precisava para falar de estilo. E a coincidência foi que eu e Rogéria Félix, supervisora geral das lojas da marca, acabamos vestindo a mesma estampa para esse dia, cada uma do seu jeitinho!

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Nessa tarde de estilo, ofereci uma experiência personalizada para cada cliente da loja, procurando entender rapidamente as expectativas e desejos pessoais, sugerindo looks e maneiras especiais de usar cada peça, tornando cada compra uma experiência única!

Uma das clientes da marca é a minha amiga Natália Côrtes, com quem tomei um cafézinho e bati papo antes de montar um look bem fofo pra ela, usando a saia que ela já estava usando com uma t-shirt maravilhosa que tinha acabado de chegar na loja!

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Foi uma tarde muito gostosa nessa loja que eu adoro e que tem roupas com as quais eu me identifico muito. Adorei a experiência de poder colocar meus conhecimentos em prática com mulheres reais, de muitos tipos físicos, tons de pele, gostos e vontades! Aquele agradecimento especial aos gerentes mais do que queridos Bernardo Rangoni e Carolina Porto pela confiança e amizade!

Pra vestir e amar o corpo que se tem

Já conversamos muito por aqui sobre as maneiras como a consultoria de imagem pode nos empoderar e garantir um olhar mais gentil com aquela pessoa que nos observa no espelho, e a importância de termos a autoestima bem trabalhada, mas esse é um assunto inesgotável e, por mais que eu tente a cada dia melhorar a minha autoimagem, sempre há o que superar.

Estamos de férias no Brasil e passamos alguns dias em Brasília, e nos hospedamos no Brasília Palace Hotel. Estava um calor de matar e a piscina do hotel era convidativa. Mas e a coragem de colocar o corpo pra jogo, principalmente depois da comilança intensa desde o dia que cheguei ao Brasil?

Em pouco mais de 2 semanas em terras brasilis, eu acho que já engordei uns 3 quilos. Estou me permitindo comer tudo o que eu amo e sinto falta quando estamos na Armênia. Minha barriga está demonstrando isso pra quem quiser ver. Mas eu vesti o maiô e fui pra piscina mesmo assim, sem vergonha nem medo de aproveitar o sol.

E não foi só isso: eu tirei fotos de maiô relaxando à beira da piscina, e ainda tive coragem de postar no Instagram. Sim, coragem. Porque é claro que é preciso coragem pra expor a celulite, a pança proeminente, o bracinho gorducho e as pernas roliças na rede social sem nenhum retoque.

Mas a coragem maior é a aceitação diária do corpo que se tem, e amar incondicionalmente a pele onde se habita. Quanto mais eu respeito o meu corpo e me visto de acordo com as minhas medidas e proporções, mais autêntica é a imagem que eu transmito pro mundo, e mais confiança eu sinto. Da próxima vez que você for se vestir e se olhar no espelho, que tal tentar isso também?

O que vestir na chuva, no frio e na neve?

A temporada outono/inverno começou no Brasil e acho que é um momento propício para conversarmos sobre as diferenças entre roupas de chuva e roupas de frio. Sim, elas são diferentes! Embora existam roupas que atendem ao frio e à chuva, nem todas as roupas de frio são adequadas para a chuva, e nem todas as roupas de chuva são adequadas para o frio!

Como o Brasil é “um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”, tem muita gente que acaba confundindo um pouco as bolas e usa, por exemplo, jaqueta de couro pra sair na chuva. A menos que seja couro sintético, e que também esteja fazendo um friozinho (pensemos em algo em torno dos 17ºC), é quase um crime sair de couro na chuva! Ou então compra um trench coat jeans, que já é errado por definição: a função do trench coat é proteger da chuva, e jeans não é um tecido impermeável. Embora esses erros sejam comuns ao dia a dia dos brasileiros e brasileiras, eles ficam muito evidentes quando estamos fora do Brasil e nos sujeitamos aos climas completamente diferentes do nosso.

A história da minha vida é pautada em me proteger da chuva, do frio, da chuva e do frio e, mais recentemente, do frio e da neve. Eu não me lembro de uma única fase da minha vida em que eu não tivesse pelo menos uma capa de chuva e pelo menos uma galocha no meu armário. Eu amo o inverno, mas detesto passar frio. Eu sinto MUITO FRIO (muito muito mesmo) nas pernas e nos pés: são as primeiras partes do corpo a serem cobertas no outono, e as últimas partes do corpo a serem descobertas na primavera. Eu acho que não tem coisa que eu odeie mais na vida do que ficar molhada – e, principalmente, ficar com os pés molhados. E é por essas e outras que eu resolvi escrever um guia definitivo pra te ajudar a se vestir de acordo com a meteorologia, evitando passar frio, se molhar e até mesmo ficar doente!

ROUPAS DE CHUVA

São as peças impermeáveis, que vão impedir que você molhe seu corpitcho maravilhoso e seu lindo look do dia. Trench coats de gabardine, como o clássico da Burberry (amor eterno e verdadeiro), é um típico exemplo de roupa pra se usar na chuva. Trench coats de nylon também resolvem a vida nessas situações. As capas de chuva voltaram à moda recentemente, então você pode aproveitar esse momento e escolher uma bem linda pra fazer parte do seu armário. Capas de chuva sem forro são melhores para enfrentar as chuvas de verão, enquanto as capas de chuva forradas são melhores para primavera ou outono.

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capa de chuva amarela com forro

O linho e o algodão são materiais ótimos pra usar nos dias de chuva, porque secam bem rápido caso molhem um pouquinho. A viscose também pode ser sua amiga nesses momentos. Eu sou muito fã de calças de linho e liocel, que ficam elegantes sem esforço, e são frescas o suficiente pra serem usadas em temperaturas mais quentes.

Sapato de chuva é GALOCHA! Sim! Não é a toa que elas chamam rain boots! As melhores galochas são, sem dúvida, da Hunter, mas outras marcas também fazem galochas interessantes. Se você quiser fugir das rain boots, botas impermeáveis também são uma opção. Mas tem que conferir se é impermeável mesmo! É difícil de achar bota impermeável nas lojas de sapatos brasileiras, então eu recomendo o investimento numa UGG (não estou falando daqueles modelos horrorosos de uns 8 anos atrás e que ainda são vendidos, mas das versões muito mais adequadas para o dia a dia que protegem nossos pés sem perder o estilo) ou Sketchers.

Vale também prestar atenção na diferença entre waterproof e water resistant: waterproof é impermeável de verdade, que não vai deixar seus pés ficarem molhados de jeito nenhum (dependendo do modelo do sapato, podem até transitar pra neve), enquanto um modelo water resistant é resistente à água, mas que, dependendo da intensidade e do período de exposição à chuva, pode deixar passar água pros pés. E a altura da galocha também é importante: galochas de cano mais alto protegerão também sua calça ou suas canelas, se você estiver de short/saia, de ficarem molhadas.

Dependendo do dresscode do seu ambiente de trabalho, é perfeitamente aceitável que você proteja seus pés da chuva com galochas ou outros sapatos impermeáveis ou resistentes à água e troque seus sapatos quando chegar no trabalho. O que é deselegante mesmo é ficar com os pés e roupas molhados e passar um tempão reclamando disso – e ainda arriscar ficar doente.

ROUPAS DE FRIO

Eu sou friorenta, então eu considero frio qualquer coisa abaixo de 16ºC; imagina o meu sofrimento no inverno de 2017 aqui na Armênia, quando fez -20ºC! Sofri sim, porém aprendi muito também. A gente aprende a se vestir adequadamente ao frio nas suas diferentes temperaturas! Então nesse item vou falar de um frio médio – pensemos em algo entre 10ºC e 22ºC (afinal de contas, 22ºC pra carioca já é frio pra caramba) – e vou deixar pra falar sobre roupa de frio mais intenso mais pra baixo. Uma calça de veludo ou de lã são bem vindas, bem como casacos de tricô quentinhos e jaquetas revestidas de pelos.

No “frio seco” (sem neve e sem chuva), o couro tem sua vez, nas calças, jaquetas e botas. Pela durabilidade, o couro natural é uma compra muito mais inteligente do que o couro sintético (que, se for de má qualidade, ainda vai ter um cheiro esquisito).

As coleções de inverno das principais marcas brasileiras costumam ser abarrotadas de peças de tricô de acrílico. Essas peças são suficientes para esquentar no inverno brasileiro, mas não encha sua mala para um destino invernal com roupas feitas dessa fibra porque você vai passar frio! O acrílico nunca vai te aquecer e nem será confortável como a lã, e ainda pode fazer bolinhas com o tempo, mas é aceitável ter peças diferentes e coloridas feitas a partir dessa fibra sintética nos armários brasileiros porque raramente vivemos temperaturas negativas.

Vocês já sabem que eu sou fã das fibras naturais, e a cashmere e a lã são as melhores fibras pra esquentar nas baixas temperaturas. No Brasil, é bem mais difícil de encontrar roupas feitas a partir dessas fibras do que nos países do Hemisfério Norte (onde de fato faz mais frio e a demanda por roupas para enfrentar essas temperaturas é bem maior). Se você estiver com viagem marcada pra Europa ou pros EUA e quiser uma (ou mais de uma) peça de cashmere de qualidade no seu armário sem entrar no vermelho, não deixe de conferir as opções da Uniqlo: eles tem suéteres maravilhosos de cashmere tanto pra homens quanto pra mulheres, além de cachecóis e estolas. Já no quesito lã, a GAP também tem ótimas peças em lã merino, que é super leve e esquenta na medida. Vale a pena ficar de olho nas etiquetas de composição da Zara que, vira e mexe, coloca peças de lã à venda por preços amigos no Brasil também.

E os sapatos? Bem, eu sou fã das UGG e vocês já me viram por aqui usando alguns modelos da marca (bem que eles podiam me patrocinar)! Elas são muito confortáveis e, se forem revestidas, não vão deixar os pés esfriarem de jeito nenhum. Eu não sobreviveria ao inverno (nem ao começo da primavera ou o final do outono) sem elas! Mas se a temperatura sobe um pouquinho e já fica entre 14ºC e 20ºC, eu já calço logo um tênis!

ROUPAS DE FRIO E CHUVA

Em muitos lugares, chuva e frio andam juntos em algumas estações, em que as temperaturas costumam ficar entre os 4ºC e 12ºC. Neste caso, os trench coats forrados serão os seus melhores amigos. Mas não estou falando de qualquer forro, e sim do forro corta-vento, geralmente matelassê, que vai proteger na medida e com muita elegância. Há alguns trench coats que são feitos com esse forro removível, então são um bom investimento para dias de chuva e dias de frio e chuva. No Hemisfério Norte, a melhor época para comprar trench coats é na primavera, quando as lojas oferecem muitos modelos e versões diferentes dessa peça. Outra opção, mais esportiva, são os casacos matelassê (eu só chamo esses casacos de “boneco da Michelin”, ainda que algumas marcas estejam investindo em modelos mais leves e ajustados), que costumam ser impermeáveis e também são ótimos pra neve.

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trench coat (nesse dia, usado com forro, porque tava uns 8ºC!) + bota forrada e impermeável

Aqui, acho que a roupa térmica é indispensável, e quem sente muito frio deve evitar o jeans e investir nas calças de lã, veludo e até moletom, que vão se comportar melhor abrigando uma camada (ou mais) de roupa térmica. Em dias de chuva e frio, a calça térmica vai ajudar a manter seu corpo seco, caso a calça externa molhe. É bem difícil achar calça impermeável… Eu já vi que a Uniqlo tem umas calças water resistant da linha blocktech, mas infelizmente ainda não consegui comprar nenhuma dessas pra mim.

Nessas temperaturas, os cachecóis também começam a ser usados. Eu prefiro optar por cashmere, porque é mais leve e esquenta bem, ou até mesmo algodão.

Já no quesito sapatos, as galochas ainda tem vez, mas só se forem combinadas à meias adequadas para esquentar bem os pés (há boas opções na Uniqlo e na própria Hunter). Jamais cometa o erro de usar galochas sem proteger bem os seus pés com meias térmicas e/ou grossas o suficiente! O plástico das galochas não é um isolante térmico, e ninguém quer ficar com os dedinhos congelados, não é? Nesse clima, eu prefiro usar as botas impermeáveis, variando os tamanhos dos canos (canos mais altos protegem mais as calças e ainda criam mais uma barreira de proteção pras pernas friorentas).

ROUPAS DE FRIO E NEVE

Pensemos no frio intenso, entre 4ºC e -20ºC (ainda não peguei temperatura mais baixa do que -20ºC). Quando chegamos na Armênia, no final de janeiro de 2017, ficamos mais de 1 mês sem saber o que era temperatura positiva: só foi fazer 0ºC no começo de março! E foi aí que eu constatei que há mesmo diferentes roupas para diferentes frios, e que eu só aguento enfrentar essas temperaturas com 3 calças (ou mais).

Para esse frio intenso, que muitas vezes vem acompanhado da neve, os casacos precisam ser impermeáveis e forrados. E não é qualquer forro: o forro do frio intenso que segura a onda, ajuda a prevenir doenças e garante que você possa sair por aí e cumprir a agenda do dia é o forro de pelos, muitas vezes também em matelassê.

Sobretudos também se tornam protagonistas, somados aos cachecóis bem quentinhos, preferencialmente de lã mais grossa e em tamanhos maiores (que chegam a parecer mini-cobertores quando abertos).

As roupas térmicas viram mesmo as nossas melhores amigas, e é impossível sair de casa sem elas. No frio intenso, eu uso uma camada de roupa térmica + uma camisa (geralmente de flanela xadrez) e um suéter de lã ou cashmere + calça legging e calça de veludo ou lã ou moletom. Ou seja: 3 camadas de roupa acima da cintura e mais 3 camadas de roupa abaixo da cintura.

As botas waterproof são indispensáveis, com solas antiderrapantes e também forradas de pelos. De novo, eu recomendo a linha da UGG que é pensada pra esse clima extremo. As meias térmicas também ajudam muito pra que nossos pés não congelem.

SAIAS, SHORTS E VESTIDOS NO FRIO

Usar short no inverno é coisa de carioca; seria impensável usar short num frio de verdade, mesmo com muitas camadas de meia calça! Não me levem à mal: eu já usei muito short com meia calça em Orlando, mas é porque o frio por lá é tipo frio do Rio, então até que faz sentido (e pode ser bem mais confortável pra passar um dia no parque temático). E todas as vezes que eu estiver num “frio tropical” eu posso ser tentada a usar e abusar desse styling que faz parte das minhas raízes.

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de saia (Animale) porém com 2 meias calças térmicas – e casaco “boneco da Michelin” – da Uniqlo!

Saias e vestidos conseguem transitar melhor para as baixas temperaturas, com meias calças térmicas e/ou de lã. As texturas e tecidos como neoprene, lã, couro, chamois e suede fazem sentido aqui. Mas eu acho que tudo depende do frio que você sente e das ocasiões que vai frequentar: eu só me sujeito às pernocas “expostas” (entre aspas porque jamais conseguiria sair com menos de 3 meias calças no frio) se for pra um evento muito importante e chique.