Elegância não depende de orçamento

Há um tempo atrás, eu escrevi um post que debatia, de maneira sucinta, como podemos ter um estilo elevado independente do orçamento. Hoje, eu quero entrar um pouco mais nesse debate, trazendo algumas dicas de como vestir-se de maneira mais elegante, seguindo a mesma linha de raciocínio de que ter um estilo polido não tem nada a ver com o seu orçamento.

Antes de entrar nas dicas práticas que podem nos ajudar a desenvolver um vestir mais elegante, eu devo dizer que, na minha humilde opinião, elegância vai muito além do que se veste. Pra mim, ser elegante é algo que está relacionado diretamente ao seu estilo de vida, desde a maneira como você trata as outras pessoas até o jeito de fechar uma gaveta.

Depois desse disclaimer, me sinto pronta pra falar sobre alguns aspectos que definem um estilo elegante.

Tecidos fluidos

Ainda que nem sempre sejam usados nas roupas mais práticas, os tecidos fluidos tem a capacidade de instantaneamente elevar um look. Pense, por exemplo, em blusas/camisas/camisetas de seda e sua fluidez: há uma elegância inata a essas peças.

Pouco contraste entre as cores

Embora looks super coloridos sejam muito interessantes visualmente, em geral eles são menos elegantes do que propostas que apresentam um menor contraste entre as cores. Nesse caso, um look branco e preto (que é altíssimo contraste) é menos elegante do que a combinação cinza e branco, ou azul marinho e preto, por exemplo.

Combinações monocromáticas ou análogas com intensidade suave

Quando a gente pensa que roupa preta é mais chique do que qualquer outra, ou que “preto emagrece”, é porque o nosso pensamento mais básico leva a perceber uma elegância inerente ao que é monocromático. Na verdade, o que tem essa “chiqueza” toda é o uso de uma única cor – o que também é percebido quando escolhemos tons suaves e análogas. Usadas corretamente, combinações monocromáticas podem ter o mesmo efeito “emagrecedor” de uma roupa toda preta, o que é um ótimo recurso para quem não tem preto na cartela.

Tom sobre tom

Uma cartela de cores é muito conveniente na hora de montar um look tom sobre tom, já que muitas delas tem as variações das cores e facilita visualmente a escolha dos tons que mais nos agradam e/ou temos a nossa disposição. Um look tom sobre tom não é só elegante mas pode ser até mesmo “calmante” não só para quem tá usando mas também pra quem encontra conosco – não podemos nos esquecer nunca da psicologia das cores.

Alfaiataria

Ternos, costumes, blazers, calças de corte reto, tailleurs (ou terninhos), vestidos tubinhos ou de outros cortes retos/simples, e até mesmo bermudas de corte reto fazem parte desta categoria de roupas, que tem uma elegância originada na história da alfaiataria, uma vez que essas peças costumavam ser feitas manualmente em oficinas, observando as medidas individuais de cada cliente, com caráter de exclusividade.

Corte e caimento

Uma peça bem cortada, com caimento perfeito, é garantia de elegância. Mas não se engane: não só apenas as peças de alfaiataria que são bem cortadas e/ou tem caimento perfeito. É possível usar uma simples t-shirt de algodão que é super bem cortada e veste perfeitamente, e isso já vai fazer toda a diferença para elevar o seu estilo.

Estampas mais suaves

Em geral, as estampas que tem a capacidade de deixar o seu look mais elegante são as mais suaves como, por exemplo, o tradicional floral Liberty. Estampas de cores análogas ou com intensidade suave também podem entrar nesse grupo.

Acessórios minimalistas

Acessórios em linhas retas/simples, menores, sem muitas cores costumam garantir um visual mais elegante. Pérolas pequenas, brincos discretos, pulseiras e colares mais finos, sem muitos pingentes, são alguns dos exemplos de acessórios minimalistas.

É lógico que você não precisa aplicar todas essas dicas de uma só vez, ou mesmo prender-se ao que eu escrevi aqui. Um dos caminhos da consultoria de estilo e imagem é a estratégia intencional, aplicando as diretrizes em alguns lugares e/ou determinados momentos nos quais o desejo é transmitir determinada mensagem por meio do vestir.

O que é a estratégia intencional na imagem?

Em 2014, eu recebi o meu título de Mestre em Estudos Estratégicos da Defesa Nacional e Segurança Internacional. E o que isso tem a ver com esse post?

Simples: estratégia. Uma das primeiras disciplinas que eu cursei no mestrado versava sobre o pensamento estratégico e diversas maneiras possíveis de aplicá-lo. E é claro que eu aplico o pensamento estratégico que eu aprendi na pós-graduação na construção da imagem e do estilo (também continuo aplicando nos meus estudos de doutorado, mas isso é outra história).

Um dos caminhos da consultoria de estilo e imagem é a estratégia intencional, na qual são aplicadas certas diretrizes, em algumas situações, em determinados ambientes, com o objetivo de controlar a mensagem transmitida por meio do vestir.

Tudo o que a gente veste conta uma história sobre quem nós somos. Por isso, é tão importante prestarmos atenção a essa história que estamos contando. Ao ter plena consciência da história que estamos contando por meio das nossas roupas, acessórios, sapatos, podemos ter controle sobre essa narrativa visual e garantir que ela seja o mais verdadeira possível.

Essa comunicação do vestir é instantânea: podemos não falar nada e emitir uma mensagem clara do que somos pelas nossas roupas, acessórios, sapatos. Mas essa comunicação não acontece só para os outros, mas também para nós mesmos, no reflexo que vemos nos espelhos, na maneira como nos sentimos. Todas as escolhas que fazemos (cores, cortes, caimentos, texturas) contam um pouco do que somos, construindo uma expectativa. O vestir intencional, consciente, mesmo que para as mais simples atividades diárias, pode nos animar para o dia, dando um gás extra para todos os desafios.

Um armário consciente, bem editado, que atenda bem às demandas do cotidiano individual, certamente contribui para que o vestir intencional se dê de uma maneira mais simples, podendo ser aplicado a mais situações sem que seja necessário passar muito tempo pensando no que vestir.

Vestir-se intencionalmente não tem nada a ver com o tempo que você leva pensando no que vestir; pelo contrário, quanto mais consciente da mensagem que deseja transmitir, mais fácil se torna a aplicação da estratégia intencional e, consequentemente, você leva menos tempo para se arrumar.

O que aconteceu com “repensar o sistema de moda”?

No começo da pandemia, principalmente quando o surto tomou conta da Europa, o debate já antigo no mercado da moda sobre reinicializar sua abordagem tradicional de exibição, entrega e desconto de coleções começou a esquentar. Eu mesma escrevi alguns dedos de prosa por aqui sobre o tema. Entretanto, o interesse por essa questão diminuiu, com algumas das maiores marcas do setor, com mentalidades mais tradicionais e interesses significativos na manutenção do status quo, jogando água fria na ideia de uma reinicialização em todo o sistema.

Segundo a reflexão publicada no BoF, repensar as ineficiências do sistema tradicional é, certamente, mais urgente para marcas menores, que estão atualmente sob pressão como nunca antes devido à forte dependência de varejistas terceirizados e à falta de apoio financeiro para absorver choques causados pela pandemia. Mas a abordagem atual da moda está fundamentalmente fora de sincronia com o mundo de hoje e, em última análise, destrói valor para toda a indústria, incluindo as super marcas.

De qualquer forma, já sabemos que não podemos mudar de um mundo passado do “modelo A” para um mundo futuro do “modelo B”, onde todos os jogadores adotam uma abordagem única para desfiles, entregas e descontos. De fato, é mais provável que vejamos o surgimento de modelos de A a Z, com cada marca fazendo o melhor para seus próprios negócios. No entanto, o calendário do setor exige um certo grau de coordenação para funcionar, com atividades desde entregas de lojas de departamentos até semanas de moda. E as pequenas marcas, com mais incentivos para atualizar sua abordagem, terão dificuldade em avançar, a menos que os grandes players também participem.

A mudança claramente não acontecerá da noite para o dia. De acordo com o BoF, muito embora o coronavírus tenha se mostrado um catalisador para a conversa sobre mudanças sistêmicas, a pandemia também criou uma enorme incerteza que pode simultaneamente criar obstáculos à reforma. O ciclo da moda que começa em setembro provavelmente será altamente incomum, com a incerteza programada para continuar até 2021, à medida que as empresas se preparam para a possibilidade de uma segunda (ou terceira) onda de infecções. Com tanta coisa no ar, pode levar de 12 a 24 meses para que as coisas se acalmem e o sistema evolua. Mas, para acompanhar o mundo digitalizado e globalizado, é preciso evoluir.

O que Michael Jordan tem a ver com a moda?

Aqui em casa, assistimos no Netflix a série “Arremesso Final”, que conta um pouco da história do time de basquete da NBA Chicago Bulls até a temporada de 1997-98. Não, você não tá no blog errado. É que eu quero trazer pra cá a reflexão sobre como um super atleta – um dos maiores da NBA – influenciou a moda. Ou melhor, ainda influencia!

Michael Jordan é um daqueles casos especiais, que aparecem de tempos em tempos, que misturam um talento único com uma capacidade incrível de transformar em ouro tudo o que ele toca. Isso é particularmente verdade para os anos em que ele passou no Chicago Bulls, mesmo considerando o interregno em que ele se dedicou ao baseball.

No começo de 1984, Michael Jordan assinou contrato com a Nike, que então produziria o primeiro par de Air Jordan para ele, para que ele usasse nas quadras de basquete. No mesmo ano, o icônico tênis seria produzido também para venda ao público, e renderia milhares de dólares para a empresa que, até então, não tinha tanta força no mercado.

O protótipo para o Air Jordan I, Nike Air Ship, foi desenhado por Peter C. Moore nas cores vermelho e preto. Esta primeira versão foi banida pelo então comissário da NBA David Stern, porque o tênis não tinha branco suficiente (conhecida como “regra dos 51%”, em tradução livre). Depois que o Nike Air Ship foi banido, Michael Jordan e Nike introduziram o Jordan I em cores com mais branco, como os modelos “Chicago” e “Black Toe”. A Nike foi esperta em usar o banimento do Nike Air Ship como ferramenta de promoção do tênis em seus anúncios, insinuando que os sapatos dariam uma vantagem competitiva desleal. O Air Jordan I foi originalmente comercializado entre 1985 e 1986, com relançamentos (conhecidos como “retrôs”) em 1994, 2001-2004, e a partir de 2007.

O sucesso (diga-se de passagem, inesperado) do Air Jordan I encorajou a Nike a lançar um novo Air Jordan em 1986 para a nova temporada de basquete. Desenhado por Peter Moore e Bruce Kilgore, o Air Jordan II original era único, no sentido de que era produzido na Itália. Esse modelo introduziu um melhor amortecimento, com uma entressola de poliuretano e uma bolha de ar Nike encapsulada em comprimento total para o máximo conforto; o Air Jordan II foi o primeiro Jordan a não ter o Nike swoosh na parte superior. Esse modelo foi originalmente vendido por USD100, comercializado entre 1986 e 1987. Mais tarde, foi relançado em 1994, 2004-2005, 2008, 2010, e entre 2014 e 2018.

O Air Jordan III foi desenhado em 1988 por Tinker Hatfield, que trabalha para a Nike como designer de lojas e escritórios. Na época, Michael Jordan estava pronto para deixar a Nike, mas o Jordan III fez com que ele mudasse de ideia: era o primeiro Air Jordan a ter uma unidade de ar visível no calcanhar, o novo logo “Jumpman”, uma estampa de elefante e couro trabalhado para dar uma aparência de luxo. O Air Jordan III ficou famoso pelos seus anúncios bem humorados que traziam o diretor Spike Lee como Mars Blackmon, o personagem que ele fez em seu filme She’s Gotta Have It. Essa campanha ficou conhecida como “Mars and Mike”, e foi uma das campanhas mais bem sucedidas na história da Nike. O Air Jordan III também foi o primeiro modelo da linha a ter o logo “Nike Air” na parte de trás. Em 2007, Jordan Brand colaborou com o diretor Spike Lee para lançar uma edição limitada de Air Jordan III com uma cartela de cores pautada no poster azul-e-amarelo do filme Do the Right Thing. Dois anos depois, a Jordan Brand reintroduziu o Air Jordan III na paleta True Blue, num lançamento internacional que deixou os EUA de fora. Em 2011, a marca lançou o Black History Month Air Jordan III, com uma paleta de cores que celebrava os 35 anos do Mês da História Preta. Outros modelos foram lançados no mesmo ano. Em 2013, Jordan lançou uma edição especial do Jordan III, conhecido como “Air Jordan III Retro ’88”. Em 15 de fevereiro de 2020, foi lançada a versão mais recente, Air Jordan III SE Red Cement, em comemoração a Chicago como cidade anfitriã do 2020 NBA All-Star Game. A marca também lançou uma versão exclusiva de paleta de cores para Chicago. Desde 1994, foram vários os lançamentos de Air Jordan III, a saber: 2001, 2007, 2009, 2011, 2013, 2014, e entre 2016 e 2020.

Em 1989, a Nike lançou o Air Jordan IV, com design de Tinker Hatfield. Este foi o primeiro Air Jordan a ser lançado no mercado global, com quatro paletas de cores: preto/branco, preto/cinza, branco/fogo vermelho-preto, e off White/azul marinho. A Nike trouxe novamente Spike Lee para os comerciais, e Lee também colocou os Air Jordan IV no seu filme Do the Right Thing. Foi esse sapato que Michael Jordan usou quando fez “The Shot”, que foi uma jogada de basquete ocorrida durante um jogo de playoff da NBA entre o Chicago Bulls e o Cleveland Cavaliers em 1989. “The Shot” ocorreu durante o decisivo jogo 5 da série First Round da Conferência Leste, em Ohio. Cada um dos times tinha vencido dois jogos, ou seja, estavam empatados, e o Cavaliers liderava o jogo por um ponto. Faltando três segundos para o final do 5º jogo, Michael Jordan recebeu um passe inbound e fez um passe buzzer-beater que deu ao Bull uma vitória por 101-100, e a vitória da Conferência Leste. Somente nesse jogo, Michael Jordan fez 44 pontos, e The Shot é considerado um dos seus maiores momentos, e esse jogo é considerado um clássico. O Air Jordan IV foi relançado em 1999, 2000, 2004, 2006, 2008, entre 2010 e 2013, e entre 2015 e 2020, mais recentemente com o lançamento da paleta de cores “Black Cat” (um dos muitos apelidos de Jordan).

Além dos vários relançamentos destes modelos, ainda há os Air Jordan V, VI, VII, VIII, IX, X, XI, XII, XIII, XIV, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXI, XXII (ou XX2), XX3, 2009, 2010, 2011, 2012, XX8, XX9, XXX, XXXI, XXXII, e XXXIII (o primeiro Air Jordan sem cadarço).

O Air Jordan V ficou muito popular porque Will Smith usou modelos da linha várias vezes na série “Um Maluco no Pedaço” (ou, no original, “The Fresh Prince of Bei-Air“), principalmente nas paletas de cores “Metallic Silver”, “Grape”, e “Fire Red”. Para homenagear ator e personagem, Jordan lançou o Air Jordan 5 Bel Air em 2013.

E, hoje, eu recebi um email da Dior anunciando o Air Dior. De acordo com o email, muito em breve, a tradicional Maison lançará a edição limitada Air Jordan 1 OG sneakers. A parceria entre Dior, Kim Dones e Jordan Brand resultou na edição limitada do tênis Air Jordan 1 High OG Dior, e uma coleção de roupas prêt-à-porter e acessórios completam a colaboração.

Contei essa história toda para exemplificar como um branding pessoal bem feito, numa época em que não se podia contar com os meios de divulgação que temos hoje e a globalização ainda era insipiente, transformou um sapato em um ícone de estilo, muito desejado por sinal. Na série “Arremesso Final”, é possível ver a história de que o tênis Air Jordan foi o primeiro item de vestimenta esportiva (sports wear) a transitar para o guarda-roupa que se veste no dia a dia, fora das quadras esportivas, muito por conta das suas aparições em filmes e seriados de TV. Até então, o uso de tênis era realmente muito limitado às atividades esportivas, e era algo impensável usar um tênis com vestido, por exemplo. Por tudo isso, pode-se dizer que hoje usamos tênis com basicamente qualquer peça de roupa graças ao Michael Jordan!

Como cuidar e prolongar a vida das suas roupas?

Confesso: eu já fui a pessoa que colocava todas as roupas juntas para lavar, ignorando solenemente cores e recomendações nas etiquetas de composição. Já deixei as roupas todas rosas porque coloquei um lenço vermelho pra lavar no meio de um monte de roupa branca (inclusive roupas do marido). Já encolhi muita roupa porque usei o ciclo errado da máquina de lavar e da máquina de secar. Mas isso mudou.

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Entender a importância da etiqueta de composição das roupas vai muito além da relação custo x benefício quando se compra uma peça: ali está o “manual da roupa”, com as indicações básicas de cuidado que você deve ter com aquela peça pra que ela dure muito tempo da melhor forma possível.

Na Armênia, eu tinha uma baita colher de chá na minha rotina de lavagem de roupas, porque o serviço de lavanderia lá era muito barato, então eu basicamente separava as roupas entre as que iam pra lavanderia e as que eu ia lavar em casa (sempre as mais fáceis). Sem contar que, lá, tínhamos um espacinho de lavanderia em casa que realmente permitia deixar um varal aberto 24/7, secando livremente as roupas, além de um mini-tanque.

Aqui na Suíça eu não só não tenho essa colher de chá do serviço de lavanderia como também não tenho um espaço adequado para deixar as roupas secando em varal – o que me faz usar a máquina de secar muito mais do que eu gostaria – e nem mesmo um tanquinho. Então vai tudo direto pra máquina de lavar, e a grande maioria segue direto pra máquina de secar. Quando tem alguma peça que não pode ir pra máquina de secar, eu abro o varal na varanda (que é fechada) e deixo secar (não é o ideal, mas é o jeito).

A verdade é que cada ciclo de secagem na máquina diminui um pouquinho a vida das roupas – ou muito, dependendo dos erros cometidos. É muito mais saudável para os tecidos que eles sequem naturalmente, muito embora a máquina de secar, com seu ar quente, colabore e muito para matar qualquer bactéria remanescente. Também é fato que cada lavagem e secagem em máquinas diminui um pouquinho a vida útil de cada roupa. Pra que os danos sejam controlados, é importantíssimo usar os ciclos corretos, e seguir adequadamente as instruções de limpeza e manutenção tanto da máquina de lavar quanto da máquina de secar.

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Infelizmente, eu lavo bem mais as minhas roupas do que eu gostaria – mesmo ficando muito em casa. Mesmo usando avental, eu sempre me sujo cozinhando – sem contar os dias de faxina da casa -, então dificilmente consigo usar a mesma roupa vários dias seguidos. Por isso, aprendi a ser mais cuidadosa na hora de colocar pra lavar e secar – e tem dado certo! Vamos para as dicas práticas:

  1. Separe por cores: parece óbvio, mas eu sei que pouca gente realmente faz isso, e é o primeiro passo pra cuidar corretamente das roupas.
  2. Separe por tecidos (por exemplo, delicados, sintéticos, etc): a temperatura de lavagem das fibras é diferente, então o ideal é ter sempre esse cuidado.
  3. Explore os ciclos de lavagem e secagem da sua máquina, e adeque o ciclo de lavagem para cada fibra.
  4. Higienize as máquinas de lavar e secar com frequência: quando o tambor não está higienizado, o ambiente é propício para proliferação de bactérias que podem estragar as roupas.
  5. Procure usar o sabão adequado para cada fibra/cor: minha vida mudou desde que comecei a lavar as roupas pretas com sabão de roupa preta.
  6. Caso seu orçamento permita, procure usar produtos que ajudam a preservar as cores e fibras das roupas nas respectivas lavagens e ciclos de secagem.
  7. Para roupas que precisam de limpeza a seco, o ideal é sempre procurar um serviço especializado. Caso não seja possível, uma misturinha de álcool + água + amaciante num spray pode fazer maravilhas.

É claro que cada caso é um caso, e o ideal é que você consiga entender o que funciona pra você na sua rotina de lavagem de roupas. Aqui em casa, temos 2 carrinhos para colocar a roupa usada, ambos com 3 divisórias; mas ao invés de seguir a risca o que está escrito pra cada divisória, estipulei que separaríamos por camisas sociais, peças delicadas, peças íntimas, roupas pretas, roupas coloridas, e roupas brancas. Isso ajuda muito na hora de lavar as roupas e saber qual o melhor ciclo de lavagem, bem como quais produtos atuarão melhor na limpeza e conservação das peças.

Você tem alguma dica para facilitar a lavagem e conservar melhor as roupas? Deixa aqui nos comentários!

Consumo pós-pandemia: mais dois dedos de prosa

De ontem pra hoje, estava conversando com uma amiga sobre novos padrões de consumo pós-pandemia – se é que a gente já pode pensar em pós-pandemia ou mesmo falar em novos padrões de consumo. E é claro que essa conversa acabou virando post, complementando/aprofundando/continuando o post que publiquei aqui há pouco mais de um mês atrás. De novo, tudo o que eu escrevo aqui em relação a pandemia é uma previsão, considerando diferentes circunstâncias, tentando interpretar o que já está acontecendo e projetando possíveis cenários. É, também, um convite a pensar – a caixa de comentários está aberta pra gente conversar! 

A reabertura do comércio aqui na Suíça começou no dia 27 de abril, com lojas de segmentos específicos (material de construção, DIY, e afins) – e desde o dia 11 de maio todas as lojas (de todos os segmentos) estão abertas. No primeiro dia de reabertura, foram registradas filas quilométricas do lado de fora das boutiques das principais maisons de luxo tanto em Zurique quanto em Genebra – sem falar nas lojas de departamento e fast fashion. Desde então, algumas maisons tem mandado email para seus clientes pedindo gentilmente que as visitas sejam agendadas previamente, evitando a aglomeração nas boutiques.

Esse tipo de comportamento – principalmente se considerarmos que o povo suíço não é lá o mais ávido consumidor de peças de luxo – me leva a crer que, em geral, os padrões de consumo não vão mudar muito no pós-pandemia.

Eu realmente acho que algumas pessoas passarão a consumir moda de uma maneira mais consciente. Mas consumo consciente pode significar desde gastar menos a comprar menos – afinal, pode-se comprar menos e gastar mais, dependendo das escolhas. Outras pessoas provavelmente aumentarão o consumo (correspondendo ao “revenge buying“), compensando tudo o que não consumiram no período de privações e limitações. Mas, na minha opinião, a maioria das pessoas continuará com os mesmos hábitos de consumo. 

É claro que essa minha análise considera uma manutenção da renda, sem perda salarial ou descontos imprevistos. Para as pessoas que perderem renda por conta da pandemia, é muito provável que o consumo de moda não estará entre as prioridades (ou, pelo menos, não deveria estar), podendo ser cortado do orçamento por tempo indeterminado.

O que eu acho muito provável que aconteça é que as pessoas modifiquem um pouco muito o seu modo de vestir por terem percebido neste período que nada é melhor nem mais importante do que o conforto. Estar confortavelmente vestido ajuda, inclusive, a aumentar a produtividade – e, em tempos de home office, o conforto no vestir-se tornou-se fundamental. As vendas online, que tem sido a saída para a maioria dos lojistas do mundo inteiro, registram um aumento significativo na busca por roupas confortáveis e bonitas (incluindo loungewear/pijamas), e eu tenho a impressão de que a tendência é  de que as pessoas busquem cada mais esse conforto também nas “roupas de sair/trabalhar”, impulsionando a indústria a produzir peças assim – um caso simples de demanda x oferta.

E, por falar em vendas online, no pico da pandemia (por aqui, a curva já está achatada), todas as lojas online da Suíça tinham um disclaimer avisando que as demandas estavam excepcionalmente altas e que, por esta razão, as compras poderiam demorar mais do que o normal para ser postadas e entregues – afinal, os correios e transportadoras também estavam sobrecarregados. Isso é um testemunho de que as pessoas simplesmente não param de consumir porque o comércio não está aberto – simplesmente há uma modificação na maneira de consumir; nesse caso, cabe aos lojistas identificar uma maneira sustentável de continuar vendendo e cumprindo com suas responsabilidades – principalmente pagando seus funcionários. A economia só para de girar quando há má vontade para adaptar-se a novos tempos.

E adaptar-se aos novos tempos requer, também, a praticidade no vestir-se – e eu acho que as pessoas vão dar especial valor para a praticidade das suas roupas. Ao compreender a importância de lavar as roupas com maior frequência como prevenção contra o coronavírus, creio que haverá uma busca cada vez maior por peças com fácil manutenção, que sejam fáceis de lavar e, preferencialmente, que não precisem ser passadas a cada lavagem. Acho que caminhamos para uma maior valorização dos tecidos orgânicos, reforçando uma tendência que já estava em curso, já que costumam ser mais fáceis de cuidar e, em geral, também são mais confortáveis e gostosos de vestir. Para completar, acho que as pessoas vão dar mais valor ao que estão consumindo, procurando construir um guarda roupa mais atemporal, que possa atendê-las nas mais diversas circunstâncias.

Desde o último post sobre consumo x coronavírus, a Saint Laurent (comandada por Anthony Vaccarello) e a Gucci (sob comando de Alessandro Michele) anunciaram que não vão mais seguir os calendários de moda como nós conhecemos (ou conhecíamos). Essas decisões provavelmente terão impactos fortíssimos na indústria da moda como um todo, e não só no mercado de luxo. Ao adotarem esta postura, estes dois diretores criativos, que transformaram completamente as respectivas maisons nos últimos anos, lançando tendências copiadas e replicadas pelos mais diversos setores, propõem uma mudança no pensamento da indústria como um todo, e até mesmo uma desaceleração (necessária) nas produções de coleções. 

Caso realmente aconteça, a desaceleração da indústria da moda será benéfica em vários fronts – pra começar, desacelerar as produções de novas coleções impactará positivamente no meio ambiente. De mãos dadas com a demanda por peças de segunda-mão (que vem vindo numa crescente nos últimos anos), desacelerar a produção de novas peças, que demandam sempre bastante matéria-prima, pode ser o início de uma (nova) revolução industrial, partindo da moda e que poderá ser implementada também por outros setores industriais, com a consciência ambiental como norte.

Zona de conforto ou look assinatura?

Estamos sempre ouvindo que é preciso sair da zona de conforto – ou melhor, das muitas zonas de conforto: seja no trabalho, no que fazemos em momentos de lazer, no que vestimos, etc. Pois eu venho humildemente contestar esse tipo de afirmação – pelo menos no que diz respeito a ter uma zona de conforto dentro do seu armário.

Não, você não leu errado. Não, eu não to doida. Na verdade, eu acho que o papel de um consultor de imagem e estilo pessoal é justamente ajudar cada indivíduo a encontrar a sua zona de conforto, transformando-a no que podemos chamar de “look assinatura”.

Pensa comigo: quantas vezes você já abriu seu armário abarrotado de roupas e teve a certeza de que não tinha o que vestir? Quantas vezes você comprou um acessório, um sapato ou uma bolsa da moda e acabou não usando? Em meio a todas as tendências de moda que consumimos, é fácil confundir-se e lotar o armário de coisas que simplesmente não fazem sentido para nós. Mas eu também tenho certeza de que, no meio de todas essas roupas que te levam a acreditar que não tem o que vestir, você tem algumas peças do coração, aquelas na direção das quais você sempre gravita, aquelas que te fazem sentir segurança e que te ajudam a ter mais gás pra enfrentar o mundo. Acertei?

Essa seria a sua zona de conforto – ou melhor, as peças que podem compor o seu look assinatura.

Se você ama usar terninho, este pode se tornar seu look assinatura. Se você ama vestidos, eles podem ser seu look assinatura. Se você gosta do comprimento midi, você pode adotá-lo como seu look assinatura. E você também pode ter mais de um look assinatura. Aliás, eu diria que a gente deve ter alguns looks assinatura, algumas combinações de peças que nos dão muita segurança e tranquilidade ao vestir para as mais diversas situações.

Em tempos de quarentena, muita gente tem descoberto a importância do conforto no home office, e tenho certeza de que muitas pessoas vão querer implementar o conforto nos looks de trabalho uma vez que a rotina fora de casa for retomada no “novo normal” (ainda não sei se gosto desse termo). E eu diria que o seu look assinatura deve ser, sim, muito confortável. 

Eu reconheço que tenho alguns looks assinatura, que compõem a minha “zona de conforto” pra facilitar a minha vida. Até mesmo para o home office eu tenho um look assinatura, já que (mesmo antes do coronavirus) eu passo muito tempo estudando, escrevendo e trabalhando de casa: calça de moletom + t-shirt, com um casaco de moletom sempre por perto. Aliás, acho que já falei por aqui que não vejo nada de errado em trabalhar de casa usando moletom; muito pelo contrário, acho a melhor opção desde que esteja num estado decente (no mínimo, sem furos ou rasgos). Para o look do home office, a minha regra é não usar nada que não pudesse usar na rua ou numa chamada de vídeo.

A gente nunca pode confundir conforto com desleixo. É absolutamente possível e nem um pouco difícil montar um look confortável com cara de pensei-muito-me-esforcei-e-o-lookinho-ficou-ótimo sem, de fato, gastar muito tempo pensando no look. Para isso, bastam algumas ferramentas de styling. É lógico que a ajuda de um consultor de imagem profissional será valiosa nesse momento, o que não significa que você não possa aprender alguns truques sozinho.

Porque você não deve cortar sua franja na quarentena

De repente, nos últimos dias, parece que todo mundo resolveu cortar o cabelo em casa. E eu perdi a conta de quantas pessoas mostraram nas redes sociais seus novos cortes de cabelo – a grande maioria, cortando uma franja pela primeira vez.

Venho, por meio deste, muito humildemente, como consultora de imagem, aconselhar que você evite cortar seu cabelo em casa e, principalmente, quero apresentar algumas razões para você não cortar uma franja pela primeira vez nessa quarentena.

Eu canso de repetir a seguinte frase: tem gente que nasceu pra usar franja, e tem gente que nasceu pra não usar franja. Parece um exagero, mas é verdade. Eu fico pensando na Sofia Vergara, por exemplo, que é uma visão de mulher, uma instituição, e perdeu muito na imagem quando cortou uma franjinha. Não me entendam mal, ela continuou linda, até porque nada pode tirar a beleza daquela mulher, mas ela fica ainda mais monumental sem franja – tanto que ela deixou crescer de novo.

Cabelo cresce, é verdade. Mas, falando com propriedade – afinal, eu uso franja desde que me entendo por gente -, parece que o cabelo e, principalmente, a franja demoram mais a crescer quando a gente quer que cresça. No meu caso, eu não usei franja por 2 momentos na minha vida – em 2001/começo de 2002 e em 2004/meio de 2005. Eu lembro que demorou muito a crescer o suficiente pra não precisar prender com grampos/arco e, quando enfim cresceu o suficiente pra incorporar ao cabelo, eu vi que aquela imagem não me representava. Desde então, eu já tentei várias vezes deixar minha franja crescer, mas além de perder a paciência rapidamente, eu não me reconheço sem franja. E, veja bem, minha franja cresce igual capim, eu tenho que cortar mais ou menos a cada 2 semanas, mas toda vez que eu penso “acho que vou deixar a franja crescer de vez” parece que ela resolve demorar um século pra crescer.

Quando a gente fala de cabelo, a gente tá pensando na moldura do rosto. Já falei um pouco disso por aqui num post sobre análise cromática e a coloração capilar. Se isso é válido para a cor do cabelo, é ainda mais importante quando pensamos no corte. O corte certo pode elevar seu visual de uma maneira incrível, enquanto um corte errado pode derrubar a sua imagem e, consequentemente, mexer com a sua autoestima de modo negativo.

Pode-se argumentar que existe um tipo de franja para cada formato de rosto. Enquanto isso pode ser verdade, eu ainda me atenho a máxima de que tem gente que, simplesmente, não deve usar franja. Quando se pensa em franja, não pode-se considerar somente o formato do rosto (embora seja aspecto fundamental também): é importantíssimo pensar na textura do cabelo, se tem ou não redemoinho, pra qual lado é a sua risca, etc.

Alguns cabeleireiros chegaram a dar entrevistas com dicas de como cortar uma franja pela primeira vez em casa, o que eu achei algo arriscadíssimo. Eles sugerem que você identifique um triangulo formado entre o topo da cabeça e as pontas das sobrancelhas, e aí faça o corte. Mas o que eles não te contaram é que a quantidade de cabelo pode ser diferente na composição desse triângulo, dependendo da textura e volume, e também do formato do rosto.

Ademais, a franja comunica, de forma geral, uma imagem muito jovial, quase infantil (dependendo da quantidade de cabelo na franja, da textura do cabelo, do corte do cabelo, etc). É sempre importante pensar na mensagem que estamos querendo comunicar com a nossa imagem, lembrando que o rosto é a nossa ferramenta principal.

Eu sei que, em tempos de quarentena, a gente fica querendo inventar coisas pra fazer. No meu caso, por mais atarefada que eu esteja com as atividades do doutorado + afazeres domésticos + produção de conteúdo, eu tenho também meus momentos de tédio e quase desespero. Aqui em casa, já mudamos todos os móveis de lugar e até compramos mais alguns na Ikea que eu montei semana passada pra criar nosso closet. Hoje (21/abril) é meu 51º dia sem sair de casa, e eu sou uma pessoa diagnosticadamente ansiosa – imagina quanta m3rd4 eu já poderia ter feito no meu cabelo nesse tempo todo?! Muita.

Desde que eu saí do Brasil, em janeiro/2017, eu nunca cortei o cabelo fora. Na Armênia, eu simplesmente não confiava no meu russo pra sentar numa cadeira de cabeleireiro, além de não saber se os cabeleireiros de lá saberiam lidar com a textura + volume do meu cabelo (fio muito fino + muito cabelo). Aqui na Suíça, eu não corto simplesmente porque acho muito caro. Ou seja: desde janeiro/2017, eu só corto o meu cabelo quando vou ao Brasil (uma vez ao ano), com meus cabeleireiros de confiança, que me entendem e, mais importante, entendem o meu cabelo.

Não é o ideal, mas é o que eu posso fazer pra evitar que dê ruim na minha imagem. É fato que o ideal é cortar o cabelo ou, pelo menos, aparar as pontas a cada 3 meses. Era isso que eu fazia quando morava no Brasil. Mas as coisas mudaram e eu precisei me adaptar pra sobreviver.

Só que eu uso franja. E aí vocês me perguntam: como eu faço? Tem, pelo menos, 15 anos que eu corto minha franja sozinha a cada duas semanas mais ou menos. Quando eu era criança, a Mivó cortava a minha franja entre uma ida e outra ao cabeleireiro, e a primeira coisa que ela me ensinou foi sobre a importância de ter a tesoura certa pra cortar.

Não pensem que foram 15 anos sem fazer m3rd4. Já fiz bastante besteira na minha franja sim: já cortei torta, já cortei mais do que devia (e aí ela demooooora pra chegar no lugar), já cortei um pedaço do cabelo sem querer… enfim, a lista é longa. É por isso que eu digo, por experiência própria, que é melhor não cortar uma franja pela primeira vez nessa quarentena.

Além de tudo isso que falei até agora, há que se considerar mais um fator: em tempos sem precedentes como este que estamos vivendo, tempos tão difíceis e de tantas incertezas, é melhor não tomar nenhuma atitude radical. Se isso vale pra várias esferas da nossa vida, eu diria que vale, principalmente, para o nosso cabelo. Como eu já escrevi ali em cima, nosso cabelo tem um impacto direto na nossa autoimagem por ser a moldura do rosto. Imagina ficar sabe Deus mais quanto tempo sem sair de casa e encarando uma imagem no espelho que não te agrada, que diminui a sua autoestima, que não contribui positivamente para a sua saúde mental?

Se eu puder te dar um conselho, não corte sua franja em casa. Pense. Repense. Vai ler um livro, ver tv, colorir mandalas, qualquer coisa. Mas não corte sua franja em casa sem certeza absoluta que você está fazendo. Espere a quarentena passar e converse com um cabeleireiro da sua confiança ou, preferencialmente, com um consultor de imagem. Talvez a quarentena seja, inclusive, um bom momento para quem cortou a franja e não curtiu (porque, provavelmente, faz parte do grupo de pessoas que não nasceu pra usar franja) deixá-la crescer.

Consumo e Coronavírus: o que podemos esperar?

Em tempos tão difíceis e tão incertos, prever qualquer coisa fica difícil. No entanto, eu sempre gostei de construir cenários, então resolvi tentar imaginar como serão os padrões de consumo na moda depois dessa pandemia.

Há muitos prognósticos de que a crise do coronavírus vai impulsionar os consumidores de moda a repensarem seus valores e redirecionar seus gastos, evitando fast fashion e o luxo exacerbado das grandes marcas, priorizando a sustentabilidade e uma certa sobriedade. Alguns argumentam que os padrões de consumo atuais, principalmente no que diz respeito ao consumo fast fashion, são muito recentes e já vinham sendo repensados por uma grande parcela dos consumidores, que já cobravam das grandes redes um posicionamento mais sustentável e já desaceleravam o seu consumo. De acordo com estes prognósticos, vamos consumir menos e de maneira mais responsável.

No entanto, isso pode não ser uma verdade absoluta. De fato, em tempos de crise os consumidores re-priorizam suas necessidades. ⁠Mas também é verdade que, uma vez que uma crise passa, os consumidores de modo geral retomam seus antigos padrões de consumo.

O consumo de moda é altamente direcionado pela necessidade fundamental de símbolos de projeção social, que afirmam aspectos da personalidade, e os gigantes da indústria da moda se tornaram, com o passar dos anos, incrivelmente hábeis em atender a essas necessidades. De modo geral, as pessoas consomem a moda como uma distração quando se sentem bem, e uma terapia quando se sentem mal. Esse padrão de comportamento tem sido mantido por décadas, e talvez não modifique após a pandemia.

É claro que diferentes contextos econômicos e sociais determinam padrões de comportamento e diferentes cenários surgem. A diminuição do consumo em tempos de crise conduz as marcas de moda a um esforço para continuar mantendo um certo fluxo de vendas ao propor promoções diárias em suas lojas online. Muitos negócios estão adotando grandes descontos para evitar que seus inventários fiquem sobrecarregados de mercadorias. Segundo alguns analistas, é apenas uma questão de tempo até que as vendas alcancem os profundos níveis de períodos de recessão. Entretanto, dar desconto por desconto pode não ser o suficiente para engajar os consumidores: as marcas de moda devem adotar uma abordagem criativa e disciplinada para ajudar a vender seu inventário sem destruir o perfil da marca.

Alguns especialistas recomendam às marcas de luxo que elas “adormeçam” neste ano, restringindo a manufatura e cortando custos sem demitir seus empregados ou fechar lojas, como uma forma de não acumular mais mercadoria que forçosamente receberia preços promocionais uma vez que as lojas reabram. A Chanel, por exemplo, anunciou que parou toda a sua produção (espalhada entre França, Itália e Suíça) neste período.

A recente recessão de 2008 conduziu a um minimalismo generalizado, traduzido nas marcas de luxo pela abordagem prática de Phoebe Philo na Céline e a riqueza furtiva das bolsas sem logo da Bottega Veneta, por exemplo. Desde que os EUA se tornaram o epicentro da pandemia do coronavírus, pode-se confirmar uma nova transição na moda. A mudança já estava no ar: até mesmo a Gucci já estava simplificando seu estilo barroco nas coleções recentes. Depois de uma década, não é uma coincidência que as tendências estejam seguindo caminhos parecidos. Em tempos de incerteza, os consumidores priorizam roupas profissionais e são mais reflexivos sobre suas compras. Porém, desde as tendências ao consumismo, muita coisa mudou desde a última vez que a indústria da moda viu uma mudança tão dramática.

Por sua vez, muita gente ainda está consumindo – principalmente os millennials que desfrutam de segurança salarial. Jovens consumidores já são mais propensos a fazer compras online e, como estão passando mais tempo online por conta do home office, consequentemente passam mais tempo mexendo nas mídias sociais, o que influencia o consumo. Os efeitos psicológicos da pandemia no comportamento dos consumidores é multi-facetado: enquanto o auto-isolamento e a tristeza podem conduzir alguns consumidores que normalmente já destinam parte da sua renda para retail therapy (terapia de compras), outros evitam. Outros, por estarem presos em casa sem ter onde vestir suas novas compras, simplesmente não enxergam razão para comprar. Alguns outros ficam eticamente conflitados, uma vez que entregas em casa requerem que as pessoas que trabalham nos centros de distribuição e nas entregas saiam de casa num momento em que sabemos que o isolamento social (ou seja, ficar em casa) é a melhor maneira de conter a disseminação do vírus. No entanto, outros se sentem numa obrigação moral de gastar para manter a economia girando da maneira que dá.

Como eu falei lá em cima, é muito difícil prever qualquer coisa em tempos de tanta incerteza, principalmente depois da notícia recente de que a Hermès bateu recorde de vendas na reabertura da sua loja em Guangzhou, o que indica uma forte recuperação do consumo de luxo no país pós-coronavírus. O recorde de vendas da Hermès na China (US$2,7 milhões em um único dia) é uma ótima notícia também para outras marcas, principalmente para as luxuosas maisons que encontram nos chineses os seus mais ávidos consumidores. Entretanto, antes de antecipar um revenge buying generalizado pelo mundo, há que se considerar, além de questões culturais, o crescimento econômico ininterrupto da China nos últimos anos, o que coloca o país em um contexto muito diferente de outras nações: o quadro pode ser bem diferente em países que já vinham de um cenário de crise e desvalorização da moeda, e as marcas que não são internacionalizadas podem sofrer – e muito – depois da pandemia.

Afinal, o que é contraste?

Eu já andei falando por aqui sobre contraste em alguns posts, mas esse é um tema que ainda gera muitas dúvidas. Então resolvi escrever um texto exclusivamente para explicar o que é o tal do contraste.

Contraste é a diferença da profundidade entre os olhos + as sobrancelhas + o cabelo e o tom da sua pele. Na análise cromática, a temperatura e o contraste se complementam. Reforço aqui que só é possível ter certeza de qual é a sua cartela de cores e se a sua coloração é quente, fria ou neutra exata com a análise cromática realizada pessoalmente. Além disso, todas as cores tem tonalidades mais quentes e mais frias, então não é que uma pessoa de pele fria não possa usar vermelho ou uma pessoa de pele quente não possa usar cinza.

No entanto, é possível identificar se o seu contraste é alto, baixo ou médio apenas se olhando no espelho – talvez essa seja a única parte da análise cromática que você pode fazer em casa. O contraste é, também, o único aspecto visual que pode mudar longo da vida, porque depende das mudanças capilares, do bronzeamento e de outras intervenções.

A análise cromática existe para indicar quais cores valorizam os traços e características pessoais, e é importante coordenar a cartela de cores individual com o seu contraste. O contraste é uma ferramenta importante na consultoria de imagem porque o personal stylist pode te ensinar a manter o equilíbrio de cores perto do rosto, que é o nosso primeiro “cartão de visitas”. Além disso, o consultor de estilo, com seu olhar treinado, poderá indicar se o seu contraste atual é realmente a sua melhor versão, já que o contraste pode não estar completamente equilibrado. Nesse caso, é possível ajustar o contraste, que depende das mudanças capilares, do bronzeamento, da sobrancelha, etc.

Eu costumo dizer que o contraste natural é “o contraste que Deus te deu”, ou seja: contraste natural é aquele que não teve interferência de tinta de cabelo, por exemplo, ou por bronzeamentos. O seu contraste natural pode ser alto, médio-alto, médio-baixo ou baixo.

O contraste é alto quando a diferença entre cor do cabelo, sobrancelha e olhos em relação ao tom da pele é muito grande; o contraste é baixo quando essa diferença é pequena ou nenhuma; o contraste é médio quando essa diferença não é muito pronunciada, mas ainda visível. Vale destacar que duas pessoas podem ter a mesma cartela de coloração pessoal mas contrastes distintos.

Para ilustrar os tipos de contraste, vamos observar algumas personagens da Disney:

Elsa

Elsa é um típico exemplo de baixo contraste: o tom da pele, a cor dos olhos e do cabelo são muito claros e muito próximos, e quase não vemos diferença na tonalidade dos elementos de contraste. Por acaso, Elsa também tem tonalidade de pele fria (não é por acaso que ela é a rainha do gelo).

Anna

Anna é um bom exemplo de contraste médio-alto: reparem que a pele clara e os olhos claros não destoam muito do tom avermelhado do cabelo e das sobrancelhas.

Jasmine e Aladdin

Por sua vez, Jasmine é um bom exemplo de contraste médio-baixo: há pouca diferença da cor dos olhos + sobrancelhas + cabelo para a pele, porém ainda conseguimos identificar uma diferença de tonalidade (principalmente do cabelo em relação aos outros elementos do contraste). E, já que ele aparece nessa imagem também, Aladdin é um exemplo de contraste baixo (afinal de contas, o contraste dos rapazes também pode e deve ser avaliado and respeitado).

Mulan

Mulan exemplifica bem o contraste alto: a cor do cabelo, das sobrancelhas e dos olhos (bem pretos) é muito diferente do tom de pele (muito clara).

Tiana

Tiana é outro exemplo de contraste baixo: reparem que a cor do cabelo + a cor da sobrancelha + a cor dos olhos é muito próxima do tom de pele dela.

Branca de Neve

E a Branca de Neve? Contraste alto, altíssimo! Reparem como há uma diferença pronunciada principalmente da cor dos cabelos em relação ao tom da pele.

Rapunzel

Rapunzel é dona de um contraste baixo mas, ao contrário da Elsa, ela tem características de tonalidade quente (notem que há um certo rubor na face).

Ariel

E Ariel? Mais um contraste alto! Há uma diferença gritante da cor dos seus cabelos principalmente para a cor dos olhos e tom da pele.

Merida

De uma ruiva pra outra: na minha avaliação, Merida tem um contraste médio-alto. Há sim uma diferença entre os elementos do contraste, mas não tão pronunciadas a ponto de colocá-la na tabela dos contrastes altos.

Pocahontas

Por sua vez, eu diria que Pocahontas tem contraste médio-baixo. Não é exatamente baixo porque notamos uma diferença entre a cor do cabelo e os outros elementos de contraste, porém essa diferença não é muito pronunciada.

Alice

Alice é outro bom exemplo de baixo contraste, principalmente porque o tom do cabelo é muito próximo ao tom da pele.

Cinderella

Cinderella? Mais um baixo contraste pra nossa conta.

Aurora

Já Aurora tem um contraste médio-alto por conta da cor dos olhos, que são bem mais escuros do que o restante dos elementos de contraste que, por sua vez, tem tons bem próximos.

Belle

Por último, mas não menos importante, Belle também integra o time do contraste médio-baixo. Notem que há uma diferença entre o tom de pele e os outros elementos do contraste, mas essa diferença não é pronunciada o suficiente para classificá-la como contraste alto.

E pra que serve o contraste? Bem, a análise cromática pessoal serve, em primeiro lugar, para identificar as tonalidades mais harmônicas para cada pessoa, e cada pessoa tem uma beleza única. Se o objetivo é alcançar uma aparência harmônica, o ideal é repetir a coloração e o contraste na cor do cabelo, na maquiagem, nas roupas, nas estampas, nos acessórios… enfim, em tudo que estiver próximo ao rosto. Quanto mais próximo do rosto, o ideal é respeitar ao máximo o seu contraste e a sua cartela de cores.

Mas o que acontece se uma pessoa adota um contraste diferente do natural? Há vários resultados possíveis: a sua aparência pode ficar abatida, os traços de que você menos gosta podem ficar pronunciados, a sua roupa pode chamar mais atenção do que a pessoa que a veste, etc. Quando nós consultores de imagem falamos em harmonia, estamos destacando que a sua expressão e a sua fisionomia são sempre mais importantes do que a roupa.