Black Friday e o seu armário

Promoção: quem não gosta? Tão bom pagar menos do que o preço regular indicado nas etiquetas, não é? No início do ano, fiz um post com 10 dicas para fazer compras inteligentes nas liquidações, e hoje quero conversar um pouquinho sobre nossos armários e a black friday. Afinal de contas, o que vale mesmo a pena?

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Bem, como tudo na vida, cada um sabe bem onde o seu calo aperta, quais as suas necessidades e quais os seus limites. Particularmente, desde que eu comecei a olhar pro meu armário com mais cuidado e a enxergar mais potencial em cada peça que eu tenho, eu não tenho tido impulsos loucos de comprar coisas que eu realmente não necessito. Nós somos bombardeados o tempo inteiro com propagandas que criam em nós falsas necessidades e, quanto mais conectados ficarmos com nossos armários, quanto mais cientes estivermos das cores e formas que nos favorecem (ou que mais gostamos), essas falsas necessidades terão menos efeito sobre nós.

Aproveitar a Black Friday (ou qualquer promoção verdadeiramente boa) pra comprar uma coisa que se ama e que se tem certeza de que vai usar muito é um super negócio.  Naturalmente, temos que ficar atentos às promoções fajutas, do tipo “pague a metade do dobro”. Ano passado, por exemplo, eu estava em Londres na Black Friday, e consegui comprar uma bota da UGG que já estava na minha wishlist com 40% de desconto. Como eu sinto muito frio nos pés, e atualmente moro num lugar onde o inverno é rigoroso, pra mim fez todo sentido essa compra, e eu economizei boas libras por conta do desconto.

O melhor a se fazer, nesta época e também antes de qualquer compra, é avaliar o seu acervo de peças, notar se falta alguma coisa que vá realmente fazer diferença quando você for vestir-se, e fazer a conta do custo x benefício. Por exemplo:

  • peças de fibra natural, que geralmente custam mais;
  • peças básicas e/ou curingas (atenção: curingas pra você, e não que os outros dizem ser) que ajudem a multiplicar os usos das peças que você já tem;
  • roupas para ocasiões especiais, e aí entra de novo a necessidade de relativizar o que é ocasião especial para você: pode ser festa, pode ser ir à praia, pode ser até um tailleur caso seu guarda-roupa de trabalho seja mais informal;
  • acessórios, que ajudam a compor e até mesmo modificar os looks;
  • sapatos confortáveis e de boa qualidade;
  • peças de marcas que admiramos e que nem sempre entram no orçamento, mas que tem tudo a ver com o nosso estilo.

Também é uma boa aproveitar esse tipo de promoção pra repor ou renovar o enxoval – afinal, lençóis e roupas de banho costumam ficar no armário também, né? Muitas lojas especializadas em artigos para a casa também reduzem significativamente o preços quando é época de promoção, então vale a pena ficar de olho e, depois de avaliar o que já se tem, buscar nos preços mais baixos boas opções para suprir as necessidades.

Não custa lembrar da importância de estar sempre ciente sobre as políticas de troca de cada loja, principalmente em períodos de promoção, antes de fechar a compra. Afinal de contas, não há compra pior do que aquela da qual a gente se arrepende e ainda fica privado da possibilidade de troca ou devolução.

O consumo consciente é resultado da nossa calma e clareza para avaliar se as nossas escolhas estão sendo guiadas por necessidades reais, ou se estamos deixando nos levar pela excitação generalizada!

Os looks da première de Crimes of Grindelwald em Londres

Se ontem teve blue carpet em Londres, é claro que hoje tinha que ter análise por aqui – não só outros integrantes do elenco (e também velhos conhecidos dos filmes da série Harry Potter!) participaram da première londrina, mas também vários dos atores parecem ter lido meu post sobre a première francesa para escolher seus looks de ontem! Brincadeiras a parte, deu pra perceber que muitos corrigiram importantes “erros” cometidos em Paris.

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Vamos de novo começar por J. K. Rowling, porque se não for pra começar pela rainha, a gente nem analisa! Afinal, se não fosse por ela, nem ia ter blue carpet pra analisarmos os looks!

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Tia Jô foi combinando com o blue carpet ao escolher um vestido azul em crepe. Eu amo roupa de crepe, acho esse tecido chique até não poder mais, e acho que a textura leve combinou muito com a ocasião. Azul marinho é o neutro mais democrático de todos e, no caso de Rowling, foi certeiro ao ser repetido nos acessórios.

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Tia Jô nem é gente, é anjo! Reparem só como os olhos da rainha brilham. Lindíssima! Agora imagina tia Jô com esse vestido numa versão verde? Divina.

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Eddie Redmayne (Newt Scamander) foi novamente acompanhado de sua esposa Hannah Bagshawe, que estava um deslumbre com este vestido Alexander McQueen, integrante da coleção de pré-outono de 2015. A golinha alta, as mangas compridas e a renda belíssima deixaram Hannah impecável, e eu amei MUITO o cabelo solto, achei que valorizou muito a beleza natural dela.

 

Agora vamos parar um minuto para analisar os detalhes do look do Eddie, que estava maravilhoso. Primeiro, esse costume vinho de abotoação dupla ficou um desbunde, tá tudo equilibrado e eu achei que a cor ressaltou as sardinhas do nosso querido Newt. O relógio foi o toque final de um look perfeito, a correia era quase da cor do costume, criou-se uma harmonia ímpar. Nota 10 pro truque de styling da gravata preta combinando com os botões pretos do costume e o sapato preto.

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Johnny Depp, como eu estava ansiosa pra te ver nesse blue carpet! Eu sou super fã dele desde os meus 12 anos, e eu fiquei muito muito muito feliz quando ele surgiu como Gellert Grindelwald no final de Fantastic Beasts and Where to Find Them. Depp está acostumado com grandes premières, mas ontem achei que ele estava visivelmente emocionado em ser acolhido pelo fandom do Wizarding World de uma maneira tão calorosa (melhor fandom, né, mores).

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Eu amo o estilo do Johnny Depp, essa coisa meio rockstar meets Captain Jack Sparrow, e achei o styling certeiro ao escolher esse blazer de suede (olha a importância da textura aí, gente) com o mix de colares fazendo as vezes de gravata. Em um dos colares, acho que vi a foto da filha de Depp quando era criança, achei fofo. Eu tenho 99% de certeza de que a cartela do Johnny é inverno profundo, o que explica ele ficar tão bem de preto e com acessórios prateados. Reparem que Depp ainda está com o corte de cabelo que adotou para Grindelwald, e eu fico cada vez mais ansiosa pra ver o que mais ele trouxe pro personagem de maneira brilhante.

 

Podia ser só um momento para apreciação da amizade e abraçoes entre Dumbledore e Grindelwald, mas quero mesmo que vocês reparem em duas coisas:

  1. notem os acessórios escolhidos por Depp e Jude Law. Depp tem um acessório azul pendurado na calça, que parece um chaveiro displicentemente colocado no bolso mas que eu tenho certeza de que estava ali cumprindo uma função de styling. Por sua vez, Law escolheu um chapéu fedora marrom para arrematar seu look.
  2. tanto Depp quanto Law optaram pela “terceira peça” com textura diferente, o que é um super truque de styling que não requer muito esforço.
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“You know, Minister, I disagree with Dumbledore on many counts… but you cannot deny he’s got style …” – Phineas Nigellus Black

Então vamos falar dele, Jude Law, que ganhou o prêmio do meu look preferido na première de Paris e não decepcionou em Londres. Já reparamos na textura da jaqueta, e agora vamos focar na cor: beringela. Escolher uma jaqueta beringela foi um ótimo truque pra fugir do preto porque, dependendo da luz, parece preto mas sem trazer o peso da cor para peles quentes. Adorei também a bainha da calça um pouquinho mais curta pra deixar aparecer um pedacinho da meia, é o tipo de truque de styling que dá mais personalidade ao look. De fato, Dumbledore tem muito estilo!

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Ezra Miller (Credence Barebone) acertou em cheio ao vestir-se de Hedwig! Ezra é um espetáculo ambulante, e eu achei muito legal que ele usou as duas oportunidades de première para homenagear personagens do Wizarding World. O look é Givenchy, e nenhuma ave foi machucada para que essa roupa fosse feita (preocupação do ator). Reparem nas mãos de Ezra: além de uma pequena Hedwig, as palmas das mãos do ator tem escrito “Avada Kedavra”, uma das três maldições imperdoáveis. Ezra é muito fã de Harry Potter, já contou isso várias vezes, e vê-lo parte do Wizarding World é praticamente uma realização do sonho de todo Potterhead.

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Quem brilhou muito foi Katherine Waterston (Tina Goldstein): além de escolher uma cor que foi super adequada para seu tom de pele, a atriz revelou sua gravidez! Talvez por isso ela tenha escolhido aquele vestido volumoso para a première de Paris, querendo deixar a surpresa para ser revelada só na última première! Esse vestido amarelo foi lindo, e na transmissão deu pra ver que ela também estava com um trench coat verde bem escuro pra não sentir frio.

 

Zoë Isabella Kravitz (Leta Lestrange) foi de Giorgio Armani fúcsia brilhante (pequenas lantejoulas, de novo), custom-made. O look estava muito glamuroso, bem diva de Hollywood e, o melhor de tudo, não parecia estar sufocando o busto da atriz. Adorei o brinco verde, adoro verde e rosa, viva a Mangueira!

 

Callum Turner (Theseus Scamander) foi de novo correto, mas acho que gostei mais deste costume do que daquele que o ator usou em Paris – talvez seja o bolso duplo, mais característico da tradição britânica, acho elegante. Se eu tivesse que chutar, me parece que Turner tem tom de pele frio; repare como os olhos dele brilham mesmo de camisa branco puro e terno preto!

 

William Nadylan (Yusuf Kama) parece que leu meu post analisando os looks de Paris! Gentes, isso é que é look com interessância pro red blue carpet! Não teve tweed como eu tinha sugerido, mas teve textura de sobra, e muita personalidade. Ele até me pareceu mais feliz, e podem ter certeza de que os nossos outfits influenciam e muito na maneira como nós nos sentimos e expressamos.

 

Lembram que eu disse que a Alison Sudol (Queenie Goldstein) fica muito bem de branco? Olha ela toda maravilhosa com esse MiuMiu longo branco de detalhes prateados! É outra que parece um anjo! Amei o cabelo meio bagunçadinho, com essas ondas quase cariocas de quem foi pra praia e deixou o cabelo secar naturalmente. A make quase nada também valoriza a beleza natural de Alison. Perfeição!

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Claudia Kim (Nagini) acertou de novo no look, com mais um pretinho nada básico e muito perfeito, by Christian Siriano. O que eu realmente quero comentar é a perfeição do único acessório escolhido pela atriz:

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um brinco que parece uma presa! De acordo com minhas investigações, o brinco é Shaun Leane. Tem também um anelzinho bem discreto, mas fato é que com um vestido desses não precisava mesmo de muita coisa, e a escolha do styling de usar o brinco só numa orelha, e ainda com uma forma que faz referência a sua personagem na história, foi truque de mestre!

 

Dan Fogler (Jacob Kowalski) foi certamente o maior upgrade da noite se compararmos os looks das duas premières. Olha que coisa mais linda mais cheia de graça! Estava elegantíssimo com um tux que alongou a silhueta. Não tem nem muito mais o que falar, look perfeito, parabéns pela escolha, nota mil pro rei do Brasil!

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Jamie Campbell Bower (jovem Grindelwald) já é velho conhecido do fandom do Wizarding World porque ele já tinha assumido o papel do jovem Grindelwald no filme Harry Potter and the Deathly Hallows pt1! Muito legal vê-lo de volta ao papel, e cruzando o blue carpet com o truque de styling da camisa abotoada até em cima e sem gravata; ficou jovem, moderno e super elegante.

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Outro velho conhecido do fandom é Jason Isaacs! O ator, que desempenhava o papel de Lucius Malfoy nos filmes da série Harry Potter, é fã confesso do Wizarding World e eu fiquei super feliz de vê-lo prestigiando o lançamento de Crimes of Grindelwald. Sobre o look, tá meio desarrumado, né? Como ele não faz parte do elenco, de fato não precisava ir de smoking nem nada assim, mas podia ter rolado um pouquinho mais de esforço. Pra não dizer que não falei de flores, o acerto fica por conta da escolha da cor da jaqueta, que repete o tom de azul dos olhos de Isaacs.

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Helena Bonham Carter (Bellatrix Lestrange) também compareceu à première londrina para deleite dos potterheads! Infelizmente essa foi a única foto que achei da atriz no blue carpet, mas dá pra ver que ela se manteve fiel ao seu estilo ao escolher um look meio grunge chic, com botas pesadas, tule e renda. Helena é muito amiga de Johnny Depp e achei fofo ela ter ido prestigiar o amigo que agora também faz parte do Wizardig World.

Desde a noite de ontem, o filme Fantastic Beasts: Crimes of Grindelwald está em exibição em algumas (muitas) salas do Brasil em caráter de pré-estreia. Se no Brasil eu ainda morasse, já teria visto o filme! Mas aqui na Armênia o filme só começa a ser exibido amanhã mesmo, então se Deus quiser amanhã estaremos lá no cinema pra matar a curiosidade e acabar com a ansiedade!

Os looks da première mundial de Crimes of Grindelwald em Paris

Pra quem ainda não sabe, eu sou fã confessa do Wizarding World criado por J. K. Rowling, que começou com Harry Potter e agora encanta com a série de filmes Fantastic Beasts. Ontem teve a première mundial do 2º filme da série – Crimes of Grindelwald – em Paris, e venho aqui analisar os looks do elenco que riscou o red carpet montado no 12ème arrondissement! Essa análise pode ser bem enriquecedora quando observamos os truques de styling que vão para o tapete vermelho e que podem ser aplicados no dia a dia!

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Vamos começar por ela, a rainha de tudo, J. K. Rowling, também conhecida como tia Jo! Ela usou um longo verde maravilhoso, que eu tenho 99% de certeza de que está na cartela de cores dela.

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Joanne Rowling é ruiva de nascença e, embora já tenha tido fases mais loira, está assumindo o ruivo com louvor nos últimos anos. Durante a transmissão ao vivo, deu pra ver claramente o quanto o vestido verde acendeu o cabelo ruivo, o olho brilhando, a pele ficou viçosa, e ela ficou ainda mais bonita.

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Tia Jo foi acompanhada do marido, Neil Michael Murray, que escolheu cruzar o red carpete de kilt! Eu particularmente adorei o styling, e amei que o tartan de Neil tem um tom de verde muito próximo da cor do vestido da tia Jo, criando uma harmonia visual entre o casal.

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Outro casal digno de destaque foi Eddie Redmayne (Newt Scamander) e Hannah Bagshawe. Eddie estava super elegante com um terno cinza e casaco caramelo, e o equilíbrio das cores ficou maravilhoso: eu acho que o Eddie tem subtom de pele quente, então a frieza do cinza fica mais aquecida com o casaco caramelo e a gravata vinho. Repare bem como os olhos do Eddie brilham! Hannah, que recentemente deu à luz ao segundo filho do casal, escolheu um Dior couture da coleção de primavera/verão 2018. O vestido é uma verdadeira obra de arte, parte de uma coleção inspirada pelos efeitos ousados do Surrealismo. Só tenho um pouco de dúvidas sobre o penteado escolhido: preso, com certeza, mas acho que um pouco mais de volume talvez tivesse ficado mais interessante!

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Embora eu tenha um pouco de implicância com vestido sobre calça, Katherine Waterston (Tina Goldstein) estava bem chique com esse vestido de tule por cima de calça de alfaiataria. O vestido tinha um volume interessante, que Katherine fazia questão de acentuar para as fotos ao levar as mãos aos bolsos da calça. Durante a transmissão, a atriz confessou que estava sentindo frio, e me solidarizei com ela.

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Zoë Isabella Kravitz (Leta Lestrange) escolheu um Yves Saint Laurent tomara-que-caia preto & rosa de paetês. Por mais que eu ache a Zoë maravilhosa, esse Saint Laurent foi uma escolha bem ruim pra ela, e eu explico: a primeira coisa que a gente nota quando observa a atriz é que o vestido está ultra apertado e provavelmente bastante desconfortável! Fica difícil até de notar a cara da atriz quando os seios estão praticamente pulando pra fora do vestido. Ademais, estamos no meio do outono, e as temperaturas já não pedem ombros de fora assim. Uma pena, porque a Zoë é uma das referências de estilo desse elenco! Vamos ver o que ela vai escolher para a première de Londres na próxima terça-feira!

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Callum Turner (Theseus Scamander) interpreta o par romântico de Zoë no filme, e foi correto de costume. Durante a transmissão, deu pra ver que ele estava claramente se divertindo muito na première, e certamente a escolha de um costume corretamente ajustado ao ator contribuiu para isso – afinal, roupa apertada ou larga demais pode atrapalhar e muito um ser humano!

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Quem também escolheu um modelo Yves Saint Laurent foi Claudia Kim (Nagini). Naturalmente faltou coordenação dos looks entre as atrizes, já que ambas escolheram modelos em paetê preto da mesma maison! Claudia fez uma escolha mais inteligente: o vestido parece que foi feito pra ela, e ao optar por mangas compridas ficou mais adequado à temperatura outonal (compreendo as pernas de fora, tem muita gente que ainda está andando assim mesmo com os termômetros marcando 6ºC!). Eu particularmente gostaria de vê-la com uma roupa verde escura no red carpet! Quem sabe na première de Londres?!

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Ezra Miller (Credence Barebone) não surpreendeu ao surpreender! Calma, eu explico: Ezra é certamente o mais excêntrico do elenco, e os looks dele sempre fogem do óbvio. Por isso eu não fiquei surpresa ao vê-lo com um look Moncler que seria super adequado para temperaturas baixíssimas e muita neve, embora essa saia(?) talvez fosse um pouco inconveniente. Pra mim, Ezra compareceu vestido de Obscurus, que, no universo criado por Rowling, é uma força mágica das trevas parasitária, desenvolvida por um bruxo quando tem sua magia suprimida física ou psicologicamente. No primeiro filme da série (Fantastic Beasts & Where to Find Them), nós vimos que Credence é hospedeiro de um Obscurus!

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Entre as estrelas femininas, o meu look favorito da noite foi certamente o da Alison Sudol (Queenie Goldstein). Alison foi de Lanvin e eu achei que ela ficou uma visão com essa roupa, cabelo e maquiagem! Eu tenho um palpite de que Alison tenha subtom de pele frio e seja inverno puro (ela fica MUITO bem de branco, o que pode ser um indicativo da cartela de cores da atriz e cantora), e a escolha do azul marinho metalizado próximo (mas nem tanto) do rosto foi muito inteligente: repara como o olho dela BRILHA!

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Dan Fogler (Jacob Kowalski) também não quis passar frio e jogou um casaco por cima do costume. A solução seria ótima (basta ver como Eddie fez o mesmo e acertou em cheio), se o restante do look estivesse correto. A impressão que eu tive durante a transmissão, e que fica reforçada com essa foto, é de que o costume não estava adequadamente ajustado: o paletó parece um pouco apertado (a ponto de não abotoar mais um botão?!), e parece que faltou bainha na calça. O caimento perfeito teria beneficiado – e muito – o nosso querido Dan!

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Aparentemente também que faltou ajuste pra William Nadylan (Yusuf Kama)! O paletó parecia bem apertado. Eu também tenho um pouco de problema com costume sem gravata, sei lá, parece que fica faltando alguma coisa. Uma solução ótima teria sido trocar o paletó de costume por um blazer usado aberto; um tweed em tons frios talvez? Eu tenho a impressão de que ia ficar bem melhor.

Na minha humilde opinião, o campeão no styling foi Jude Law (Albus Dumbledore). O ator misturou várias texturas, o que enriquece o visual, e usou essa scarf, que tem sido sua marca registrada, a seu favor; tem truque de styling ao dar esse nó quase de gravata! O blazer de veludo azul repete a cor dos olhos do ator, o que é um truque de styling excelente e faz não só os olhos brilharem mas a pele também fica com mais cara de saúde. Ainda sobre o blazer, eu adorei o detalhe da gola levantada para mostrar a estampa.

A Croácia e a história da gravata

Dia 18 de outubro é comemorado o dia da gravata. Mas o que isso tem a ver com a Croácia?

A gravata foi uma invenção Croata: a antecessora da gravata moderna foi usada pioneiramente como item de vestuário pelos soldados croatas no século XVII, durante a guerra dos 30 anos na França.

O Rei Louis XIII contratou mercenários croatas que usavam um lenço vermelho em volta do pescoço como parte do uniforme. Enquanto estas primeiras gravatas cumpriam uma função ao amarrar as golas das jaquetas, também cumpriam função decorativa, e criavam um look do qual o Rei gostava. Na verdade, ele gostou tanto que ele transformou estas gravatas em acessório obrigatório nos encontros reais, e, para honrar os soldados croatas, batizou esta peça do vestuário como La Cravate.

O registro mais antigo de uma pessoa usando uma gravata é uma pintura do grande poeta croata Ivan Gundulic que data de 1622, na qual Gundulic usa um lenço em torno do pescoço usado como uma cravat.

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A palavra em francês “cravate” é uma derivação de “Croate”. Por sua vez, a palavra “cravat” como foi adotada pelos croatas deriva do nome francês da gravata. A cravat é um símbolo croata, conhecido e reconhecido em todo o mundo e, desde 2008, o dia 18 de outubro celebra a cravat, como declarado pela Academia Cravatica.

Pelas ruas de Zagreb, os monumentos estão adornados com gravatas vermelhas, incluindo as estátuas do Rei Tomislav e Ban Josip Jelacic.

Musée Yves Saint Laurent em Paris

Estava devendo este post faz tempo! Em março, visitei o Musée Yves Saint Laurent, inaugurado recentemente em Paris. Desde outubro de 2017, o endereço 5 avenue Marceau abriga um museu dedicado à vida e aos trabalhos desse verdadeiro artista da moda, no lugar onde, outrora, funcionava a maison de couture de Saint Laurent.

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Yves Mathieu-Saint-Laurent nasceu em 1º de agosto de 1936 em Oran, na Argélia. Filho de Lucienne e Charles Mathieu-Saint-Laurent, que dirigia uma companhia de seguros e era dono de uma cadeia de cinemas. Yves e suas duas irmãs, Michèle e Brigitte, cresceram no coração da brilhante sociedade de Oran. Nos bancos da escola primária e nas cadeiras do colégio, o jovem rapaz tímido e sensível consumia com assiduidade a literatura e as revistas de moda da sua mãe.

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“As modas passam, o estilo é eterno.”

Aos 13 anos, na sua cidade natal, Yves assistiu a uma apresentação da Escola Feminina, junto de Louis Jouvet. As decorações eram de Christian Bérard, um artista-prodígio, e que foi para Yves um grande choque. Na época, existiam turnês teatrais de qualidade extraordinária, e foi assim que o jovem Yves pode descobrir “La Machine Infernale” de Jean Cocteau, com Jean Marais, Elvire Popesco e Jean-Pierre Aumont, com as decorações de Bérard. Em seguida à tais descobertas, Yves constrói seu “Illustre Petit Théâtre”, uma miniatura sobre a qual os personagens de papel vestiam os trajes inventados pelo jovem rapaz. Essa paixão se junta ao seu amor pela literatura, e ele escreve seus primeiros poemas. Foi durante a adolescência que Yves Saint Laurent descobriu, com admiração, a obra de Marcel Proust, que continuaria a fascinar-lhe por toda a sua vida. Os primeiros croquis de figurinos de Yves Saint Laurent deixaram claros o seu dom para o desenho.

Entre 1953 e 1954, Yves começa a imaginar a maison de couture dos seus sonhos: “Yves Mathieu Saint Laurent Haute Couture Place Vendôme”. As revistas de moda preferidas de Lucienne, sua mãe, passam a ser recortadas por Yves, que selecionava as silhuetas das suas manequins preferidas e cria um guarda-roupas inteiro de papel, usando também guache e/ou aquarela.

Em 1953, aos 17 anos, Yves Saint Laurent participou do concurso anual do Secretariado Internacional da Lã, com um juri composto de célebres couturiers como Hubert de Givenchy e Christian Dior. O Secrétariat International de la Laine representava os produtores de lã do Hemisfério Sul, e se incumbia de promover o material, natural ou sintético. Este concurso contemplava três categorias: casacos, alfaiataria e vestidos. Yves Saint Laurent recebe o prêmio de terceiro lugar na categoria de vestidos, que ele vai receber em Paris acompanhado de sua mãe. Na sua primeira visita à capital francesa, Yves se encontra com Michel de Brunhoff, redator chefe da revista Vogue, que era conhecido de seu pai. A influência de seu pai será decisiva ao encorajá-lo a perseverar em tudo enquanto se aplicava para tornar-se bacharel.

Em setembro de 1954, Yves Saint Laurent se instala em um pequeno quarto no número 209 do Boulevard Pereire em Paris, e começa a estudar na Câmara Sindical de Costura. Em novembro do mesmo ano, ele participa em outro concurso do Secrétariat International de la Laine e, desta vez, ganha o primeiro e o terceiro prêmios na categoria de vestidos, entre os 6000 desenhos anônimos enviados. O modelo que ganhou o primeiro prêmio – um vestido coquetel em crepe preto – foi costurado nos ateliês de Hubert de Givenchy. Karl Lagerfeld, com 21 anos, ganhou o primeiro prêmio na categoria de casacos daquele mesmo concurso.

Yves e Michel de Brunhoff continuaram se correspondendo. Em junho de 1955, o jovem apresenta a Brunhoff alguns croquis. O redator chefe da Vogue Paris fica estupefato com a semelhança dos traços desenhados por Christian Dior, e decide mostrá-los a ele. Em 20 de junho de 1955, Yves Saint Laurent se encontra com Christian Dior no número 30 da Avenue Montaigne. Igualmente impressionado pelo talento do jovem, Dior o contrata imediatamente para trabalhar com ele. Um dos primeiros vestidos de Yves Saint Laurent na Dior foi imortalizado por Richard Avedon na famosa foto “Dovima et les éléphants”, fotografada no Cirque d’Hiver. Naquela época, Saint Laurent reencontra as manequins-vedettes Victoire Doutreleau e Anne-Marie Muñoz, que se tornaria sua colaboradora no estúdio depois da criação da sua maison de couture.

Ao longo de pouco mais de dois anos, Yves Saint Laurent vai aprender, ao lado do mestre Christian Dior, todos os segredos do meio do couturier. Entre desenhos de croquis e peças piloto, eles criaram juntos coleções de cerca de 200 modelos. Fica confiada à Yves a tarefa de decorar as boutiques, além de participar da confecção de muitos vestidos de alta costura. Yves Saint Laurent ganha rapidamente a confiança de Christian Dior, que lhe confia mais responsabilidades.

Em 24 de outubro de 1957, Christian Dior morre de ataque cardíaco enquanto se tratava em Montecatini, na Itália. Conforme tinha sonhado, Yves Saint Laurent, com apenas 21 anos, sucede M. Dior e é nomeado diretor artístico da maison de couture. Se, naquela época, eles ainda não se conheciam, Yves Saint Laurent e Pierre Bergé estiveram no enterro de Christian Dior. Pierre Bergé era amigo íntimo de Dior. Poucos meses depois, Yves e Pierre se conhecem.

Enquanto o mundo ainda chorava a morte de Dior, Yves Saint Laurent não tinha muito mais do que alguns meses para preparar a coleção de primavera/verão de 1958, com apresentação prevista para o dia 30 de janeiro. Ele volta para Oran, como era seu hábito, para desenhar os croquis que apresentaria em seguida: em 15 dias, ele tinha mais de 600 desenhos.

Às 10h da manhã do dia 30 de janeiro de 1958, uma quinta-feira, a primeira coleção de Yves Saint Laurent para Christian Dior estava prestes a ser apresentada; todos estavam impacientes, desde a imprensa internacional até Pierre Bergé que assistia, ao lado de Bernard Buffet, ao seu primeiro desfile de moda. Uma hora mais tarde, Yves foi ovacionado. A imprensa estava eufórica em imortalizar os primeiros passos do “Petit Prince de la mode”, o mais jovem couturier do mundo enquanto admiradoras choravam de felicidade. Os modelos eram refinados com linhas geométricas. A silhueta era diferente daquele New Look definido por Dior em 1947. Os vestidos não seguiam mais os corpos: eles flutuavam e se apoiavam mais nos ombros do que na silhueta – e eram, portanto, mais leves.

O reencontro entre Pierre Bergé e Yves Saint Laurent aconteceu alguns dias mais tarde, em um jantar organizado por Marie-Louise Bousquet, diretora da edição francesa da revista americana Harper’s Bazaar. Poucos meses depois, Pierre e Bernard Buffet terminam seu relacionamento, e o casal fora de série Yves e Pierre nunca mais se separa. Essa verdadeira comunhão de vida formará a base para a fundação da maison de couture de Yves Saint Laurent em 1961.

Depois de comandar seis coleções na maison Dior, em setembro de 1960, o conflito na Argélia se intensifica e Yves Saint Laurent é convocado aos frontes de batalha. Tomado por uma depressão, ele é hospitalizado no Val-de-Grâce. A maison Dior decide removê-lo de seu cargo, escolhendo Marc Bohan para substituí-lo. Quando Pierre Bergé contou a Yves esta decisão da maison Dior, Saint Laurent lhe disse que eles criariam uma maison de couture juntos, e que Pierre seria o diretor.

Assim, Pierre Bergé começou a coletar os fundos necessários para fundar uma maison de couture. Ele vendeu seu apartamento na Île Saint-Louis, e assinou um contrato com um investidor americano. Enquanto isso, Yves Saint Laurent já dava suas primeiras entrevistas antes mesmo da abertura da sua maison. Em seguida, a maison se instala no número 11 da rue Jean-Goujon, nos antigos ateliês Manguin, onde Christian Dior, em 1945, pensou em abrir sua própria maison antes de decidir pelo número 30 da Avenue Montaigne. As instalações na rue Jean-Goujon são provisórias, esperando que as obras no número 30 bis da rue Spontini terminem para abrigar definitivamente a maison, no antigo hôtel particulier do artista Jean-Louis Forain. No dia 4 de dezembro de 1961, a maison abre as suas portas, e o primeiro vestido, chamado “00001”, é entregue à Patricia Lopez-Willshaw, personalidade importante do Café Society no pós-guerra.

Desde o começo, Yves Saint Laurent buscava inspiração no vestuário masculino. Em 1962, ele busca o caban, um casaco de lã usado pelos oficiais da marinha para proteger-lhes do frio. Era uma peça de vestuário prática, de formas simples que esculpiam a silhueta. O fato de que o caban não era ajustado e que cobria os quadris era uma vantagem para as mulheres que não ousavam usar calças compridas e buscavam uma silhueta mais feminina.

O caban abre o desfile de 1962 como a primeira peça a ser apresentada. A manequim vestia o caban combinado a uma calça de shantung branca e mules. Esse look definia o estilo Saint Laurent, que pegava emprestado peças do vestiário masculino para dar às mulheres mais conforto e confiança. O couturier continuaria a desenvolver o navy look de maneira elegante, e de maneira mais notável na coleção de 1966.

O trench coat é outro exemplo do estilo de Saint Laurent, que mais uma vez toma emprestado do vestuário masculino uma peça a ser incorporada no guarda-roupa feminino. Yves Saint Laurent conserva as mangas raglan, a abotoação dupla e o cinto que passa a acentuar a silhueta feminina. Por sua vez, Yves reinventa o tamanho do trench coat, que, originalmente, cobria as panturrilhas. O trench coat passa a vestir e acentuar as curvas do corpo feminino, e é até hoje uma peça essencial do vestiário feminino.

Em 1964, a maison Yves Saint Laurent lança seu primeiro perfume, Y. Em 1965, o diálogo com a arte é traduzido numa coleção de vestidos que homenageavam Piet Mondrian.  O jersey de lã, trabalhado com detalhes, nunca tinha aparecido em outra coleção de couture, e permitia a Yves Saint Laurent transpor a matéria artística pintada em material têxtil, destacando o senso geométrico do pintor holandês. Para esta coleção, Saint Laurent desenhou sapatos que foram feitos por Roger Viver: eram scarpins pretos enfeitados por uma grande fivela quadrada em metal dourado ou prateado. Estes sapatos foram escolhidos para Catherine Deneuve no papel de protagonista do filme Belle de Jour, e o sucesso foi tamanho que os sapatos passaram a ser conhecidos pelo nome do filme.

No ano de 1966, Yves Saint Laurent e Pierre Bergé visitam o Marrocos pela primeira vez. O casal se apaixona pelo país imediatamente, a ponto de apresentar uma proposta de compra para uma pequena casa na medina de Marrakesh, Dar el-Hanch (a casa da serpente). A partir de então, Yves passará a visitar o Marrocos várias vezes por ano para desenhar suas coleções. Em 1974, o casal consegue finalmente comprar Dar el-Hanch, situada próxima ao Jardin Majorelle. Em 1980, o casal decide comprar também a Villa Oasis e o Jardin Marjorelle.

No mesmo ano, Yves Saint Laurent se torna o primeiro couturier a abrir uma boutique de prêt-à-porter com seu próprio nome. Durante os anos 1960, a evolução da sociedade tornava cada vez mais obsoletas as regras impostas pela alta costura, e um número crescente de mulheres desejava se vestir de maneira elegante e acessível. Yves Saint Laurent dá voz à sua vontade de criar roupas para todos, e não apenas para aqueles mais ricos, abrindo a sua primeira loja no dia 26 de setembro de 1966 no número 21 da rue de Tournon, no 6e arrondissement de Paris (SAINT LAURENT rive gauche). Ele não fazia do prêt-à-porter um derivado da alta costura com preço mais baixo, mas sim lança uma linha completa à qual ele dedicou a mesma atenção. O sucesso é incontestável: em 1968, abre sua primeira boutique além-mar em Nova Iorque, e no ano seguinte em Londres. Em 1969, Yves Saint Laurent abre sua primeira boutique de prêt-à-porter para os homens.

Na coleção de outono-inverno de 1966, Saint Laurent introduz a peça mais icônica do seu estilo: o smoking. Originalmente, era uma vestimenta masculina reservada ao ambiente de fumo, com o objetivo de proteger as outras peças de roupa do cheiro do cigarro. O smoking Saint Laurent não era uma simples cópia da peça masculina: ele utiliza todos os códigos para adaptar a peça ao corpo feminino. Muito inovador, a princípio não fez muito sucesso com os clientes da haute couture, passando muito tempo sem vender um único exemplar. Paradoxalmente, foi um sucesso de vendas na versão SAINT LAURENT rive gauche. A clientela mais jovem amou aquela inovação. O smoking se tornou, então, um clássico, revisitado em todas as suas coleções até 2002.

Yves Saint Laurent introduz a primeira saharienne nos desfiles de 1967, mas era um modelo único fora de coleção, imaginado para uma reportagem fotográfica da revista Vogue Paris, o que consagrou aquela peça rapidamente como um clássico. Com a saharienne, Yves Saint Laurent afirma a definição do seu estilo que pega emprestado dos códigos de vestimenta masculinos para revolucionar a moda feminina. Para a saharienne, ele se inspira pelo equipamento da Afrikakorps e, de maneira geral, dos modelos vestidos pelos homens ocidentais na África. A saharienne, em gabardine de algodão, é uma peça confortável e adaptada ao calor. Com Yves Saint Laurent, ela se torna um símbolo perfeito de libertação, impulsionado pelos anos 1960, mas também uma nova forma de sedução. Desde 1969, a saharienne está disponível em prêt-à-porter na boutique SAINT LAURENT rive gauche, e seu sucesso é imediato.

Como a saharienne, o macacão faz sua primeira aparição na apresentação da coleção de primavera-verão de 1968. Saint Laurent se inspira a partir de uma vestimenta funcional dos aviadores. Na versão masculina, há bolsos práticos e uma silhueta que não revela as formas. Yves inova ao criar um macacão que destaca as formas do corpo feminino: o macacão ajustado desenha uma silhueta muito elegante.

Não se pode falar em Yves Saint Laurent e não lembrar da coleção escandalosa de 1971. Em 29 de janeiro daquele ano, Saint Laurent apresenta a coleção chamada “Libération” ou “Quarante”, inspirada pela moda dos anos 1940, marcada pela guerra. Paloma Picasso inspira o couturier, porque ela se vestia com roupas mais velhas e de brechó. Vestidos curtos, solas baixas, ombros quadrados, maquiagem borrada, referencias à Paris da época da ocupação: tudo isso foi um escândalo. Violentamente criticado pela imprensa, a coleção dá eco à corrente retrô que tomará rapidamente as ruas.

Em 1974, a maison de couture Yves Saint Laurent, situada desde a sua criação em 1961 na rue Spontini, se muda para um hôtel particulier no número 5 da avenue Marceau. Este endereço vivia de acordo com o ritmo das coleções. A maison abrigava o estúdio onde trabalhava Yves Saint Laurent com seis ou sete colaboradores, e os ateliês de couture onde as criações eram realizadas por cerca de 200 costureiros e costureiras. No piso térreo, nos salões, as clientes eram recebidas individualmente para encomendar os modelos que desejavam.

Em 7 de janeiro de 2002, Yves Saint Laurent anuncia, numa coletiva de imprensa, que ele encerrava ali a sua carreira e fecha a maison de couture. Dois anos mais tardes, depois de muitos trabalhos, a Fundation Pierre Bergé – Yves Saint Laurent abre suas portas naquele mesmo endereço, abrigando o Musée Yves Saint Laurent Paris a partir de outubro de 2017.

No dia 1º de junho de 2008, Yves Saint Laurent morre em Paris, aos 71 anos. Seu velório foi organizado na Igreja Saint-Roche, contando com a presença de muitas personalidades políticas e culturais, como o então Presidente da República Francesa Nicolas Sarkozy. Foram instalados muitos telões na área externa para que todos os admiradores pudessem homenagear e se despedir deste grande ícone. Pierre Bergé fez um discurso emocionado sobre aquele que foi seu companheiro de vida por 50 anos.

 

 

Tecido plano X Malha

Já conversamos por aqui sobre a importância de ler a etiqueta de composição do que já temos no nosso armário, e do que estamos pensando em incorporar ao nosso guarda-roupas. Esse conhecimento é muito útil e definitivamente nos ajuda a fazer escolhas melhores na hora das compras, mas a experiência fica muito mais completa quando sabemos diferenciar tipos de tecidos para além das etiquetas de composição.

Se as etiquetas de composição contam uma história para nós (de onde a peça veio, com qual fibra foi feita, quais os cuidados devemos ter com ela), os tecidos contam uma história para o mundo – afinal, as pessoas não vêem o que está escrito na etiqueta interna das nossas peças, e sim a própria peça que vestimos.

Vamos começar por um conceito bem simples: todo tecido que não estica quando a gente puxa duas pontas em direções opostas é um tecido plano, enquanto um tecido que “deforma” e “cresce” quando esticado é malha. Tecidos planos e malhas podem ser feitos tanto de fibras naturais e não-naturais. Mas qual é a utilidade prática de saber diferenciar malhas de tecidos planos?

Bem, esses dois tipos de tecidos tem efeitos diferentes na nossa silhueta, e esses efeitos variam de acordo com as partes que cobrem, além de render sensações diferentes para quem os usa! Ademais, cada um tem uma função a desempenhar, e cada um desses tecidos se encaixa melhor em alguns ambientes e situações do que em outros.

As peças em malha são extremamente maleáveis e acompanham as formas de quem veste, podendo marcar mais quaisquer gordurinhas e volumes extras. Já as peças em tecido plano tem um caimento mais reto (mesmo quando são maleáveis, como a seda), e por isso criam formas mais lisas e estruturadas, que podem ser ideais para quem quer disfarças as próprias formas, “desarredondando” a silhueta.

Os tecidos planos quase sempre parecem mais sofisticados e formais, enquanto as malhas parecem ser sempre mais confortáveis e esportivas. Eventos elegantes, como festas e casamentos, e ambientes profissionais muito formais não são lugares adequados para se usar peças em malhas, ao passo que as peças feitas de tecido plano podem ir para qualquer lugar – e, de quebra, garantir um visual sempre mais sofisticado.

Mas não se assuste: a malha não é vilã nem inimiga do povo! Na verdade, são inúmeras as situações em que ela é o investimento mais certo. Por ser maleável e mais confortável, a malha é uma ótima companheira de viagem, uma vez que amassa menos e é mais fácil de “desamassar” do que tecidos planos. A malha também veste bem em momentos quando todo o resto do armário nos aperta, sendo especialmente boa para as grávidas, pra quem tá amamentando, pra quem se movimenta muito em função dos filhos e/ou animais de estimação, etc. A malha é também o tecido perfeito para o homewear. As peças de malha geralmente são (ou, pelo menos, deveriam ser) mais baratinhas.

Existem, também, algumas maneiras de deixar a malha mais refinada. As peças em malha podem ter modelagens mais interessantes, ou podem ser mais fininhas e ter uma leve transparência, ou podem ter cores mais neutras. Pode reparar que quase todas as marcas mais caras fazem camisetas em malhas finas, com cortes e recortes que as transformam em algo além de uma simples camiseta.

Já as peças em tecido plano, que em geral são bem mais elegantes e mais refinadas, podem também parecer mais modernas quando as modelagens são menos óbvias e/ou menos clássicas, tem mais cores e/ou estampas, e também mais texturas. As peças em tecido plano geralmente custam mais, mas também duram muito mais se adotarmos os cuidados indicados na etiqueta de composição.

Misturar peças de malha e tecido plano em um único look é uma outra maneira bastante interessante de refinar um pouco mais a malha e circular por diversos ambientes sem estar desarrumada ou arrumada demais. É o tipo de truque que pode, por exemplo, fazer render ainda mais uma mala inteligente!

Midi, o comprimento mais chique

Que me perdoem os curtos e os longos, mas o midi é o comprimento mais chique para os nossos looks! Se o tecido tiver um belo caimento, o visual sofisticado está garantido, mesmo que façamos escolhas simples e práticas! Quer ver?

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chapéu Parfois, t-shirt Zara, óculos Ray Ban, saia Forever 21, tênis Converse All Star (e mochila Fjällräven Kånken)

No último final de semana, fizemos uma road trip até Tbilisi, a capital da Geórgia. Mais do que aplicar os conceitos da mala inteligente, eu realmente não queria levar muita coisa pra um final de semana rapidinho de verão! Então advinha qual foi a peça chave que eu escolhi? Isso mesmo, uma saia midi!!

Essa saia midi azul marinho da Forever 21, que eu comprei há uns 3 anos, tem a cintura de elástico (= conforto!) e umas pregas bem suaves, que garantem o caimento perfeito do tricoline. E ela tem bolsos, que são sempre bem vindos em viagens!

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chapéu Parfois, óculos Ray Ban, t-shirt Alhma, bolsa Gucci, saia Forever 21, sandália Usaflex

Nessa outra foto, a mesma saia (e o mesmo chapéu) com outra t-shirt e outro sapato, num combo escolhido pra ficar super confortável no carro (a viagem entre Yerevan e Tbilisi dura cerca de 5h!!) e que ficou bastante adequado pra paradinha que fizemos no Lago Sevan.

 “Ah, mas midi é um comprimento ingrato! Nem todo mundo pode usar!”

Gentes, eu tenho 1,62m – ou seja, não sou exatamente alta! – e adoro usar saia midi! E minhas pernocas são bem roliças também. O comprimento midi definitivamente faz parte da minha vida, e se encaixa perfeitamente no meu estilo e no meu dia a dia. Para escolher o midi correto pra você, aqui estão algumas dicas interessantes, que independem do seu tipo físico:

  • escolha um comprimento que fique ligeiramente acima da metade da sua panturrilha;
  • opte por um tecido leve e com caimento perfeito, que não adicionará muito peso ao seu look. Nesse caso, é melhor evitar malhas! As malhas costumam ser mais pesadas e marcar tudo o que (geralmente) queremos esconder;
  • marque a sua cintura! Mesmo se você pensar que não tem uma cintura, ela existe, e está só esperando ser descoberta;
  • e escolha uma silhueta A, que costuma ficar bem em todo mundo e cria uma silhueta perfeita com muita elegância.

Ao escolher uma saia ou um vestido midi, você garante uma certa elegância sem precisar de muito esforço. O comprimento midi chama a atenção positivamente, mesmo sem muitos acessórios! É como se fosse um atalho para um look chique!