Black Friday e o seu armário

Promoção: quem não gosta? Tão bom pagar menos do que o preço regular indicado nas etiquetas, não é? No início do ano, fiz um post com 10 dicas para fazer compras inteligentes nas liquidações, e hoje quero conversar um pouquinho sobre nossos armários e a black friday. Afinal de contas, o que vale mesmo a pena?

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Bem, como tudo na vida, cada um sabe bem onde o seu calo aperta, quais as suas necessidades e quais os seus limites. Particularmente, desde que eu comecei a olhar pro meu armário com mais cuidado e a enxergar mais potencial em cada peça que eu tenho, eu não tenho tido impulsos loucos de comprar coisas que eu realmente não necessito. Nós somos bombardeados o tempo inteiro com propagandas que criam em nós falsas necessidades e, quanto mais conectados ficarmos com nossos armários, quanto mais cientes estivermos das cores e formas que nos favorecem (ou que mais gostamos), essas falsas necessidades terão menos efeito sobre nós.

Aproveitar a Black Friday (ou qualquer promoção verdadeiramente boa) pra comprar uma coisa que se ama e que se tem certeza de que vai usar muito é um super negócio.  Naturalmente, temos que ficar atentos às promoções fajutas, do tipo “pague a metade do dobro”. Ano passado, por exemplo, eu estava em Londres na Black Friday, e consegui comprar uma bota da UGG que já estava na minha wishlist com 40% de desconto. Como eu sinto muito frio nos pés, e atualmente moro num lugar onde o inverno é rigoroso, pra mim fez todo sentido essa compra, e eu economizei boas libras por conta do desconto.

O melhor a se fazer, nesta época e também antes de qualquer compra, é avaliar o seu acervo de peças, notar se falta alguma coisa que vá realmente fazer diferença quando você for vestir-se, e fazer a conta do custo x benefício. Por exemplo:

  • peças de fibra natural, que geralmente custam mais;
  • peças básicas e/ou curingas (atenção: curingas pra você, e não que os outros dizem ser) que ajudem a multiplicar os usos das peças que você já tem;
  • roupas para ocasiões especiais, e aí entra de novo a necessidade de relativizar o que é ocasião especial para você: pode ser festa, pode ser ir à praia, pode ser até um tailleur caso seu guarda-roupa de trabalho seja mais informal;
  • acessórios, que ajudam a compor e até mesmo modificar os looks;
  • sapatos confortáveis e de boa qualidade;
  • peças de marcas que admiramos e que nem sempre entram no orçamento, mas que tem tudo a ver com o nosso estilo.

Também é uma boa aproveitar esse tipo de promoção pra repor ou renovar o enxoval – afinal, lençóis e roupas de banho costumam ficar no armário também, né? Muitas lojas especializadas em artigos para a casa também reduzem significativamente o preços quando é época de promoção, então vale a pena ficar de olho e, depois de avaliar o que já se tem, buscar nos preços mais baixos boas opções para suprir as necessidades.

Não custa lembrar da importância de estar sempre ciente sobre as políticas de troca de cada loja, principalmente em períodos de promoção, antes de fechar a compra. Afinal de contas, não há compra pior do que aquela da qual a gente se arrepende e ainda fica privado da possibilidade de troca ou devolução.

O consumo consciente é resultado da nossa calma e clareza para avaliar se as nossas escolhas estão sendo guiadas por necessidades reais, ou se estamos deixando nos levar pela excitação generalizada!

Os looks da première de Crimes of Grindelwald em Londres

Se ontem teve blue carpet em Londres, é claro que hoje tinha que ter análise por aqui – não só outros integrantes do elenco (e também velhos conhecidos dos filmes da série Harry Potter!) participaram da première londrina, mas também vários dos atores parecem ter lido meu post sobre a première francesa para escolher seus looks de ontem! Brincadeiras a parte, deu pra perceber que muitos corrigiram importantes “erros” cometidos em Paris.

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Vamos de novo começar por J. K. Rowling, porque se não for pra começar pela rainha, a gente nem analisa! Afinal, se não fosse por ela, nem ia ter blue carpet pra analisarmos os looks!

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Tia Jô foi combinando com o blue carpet ao escolher um vestido azul em crepe. Eu amo roupa de crepe, acho esse tecido chique até não poder mais, e acho que a textura leve combinou muito com a ocasião. Azul marinho é o neutro mais democrático de todos e, no caso de Rowling, foi certeiro ao ser repetido nos acessórios.

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Tia Jô nem é gente, é anjo! Reparem só como os olhos da rainha brilham. Lindíssima! Agora imagina tia Jô com esse vestido numa versão verde? Divina.

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Eddie Redmayne (Newt Scamander) foi novamente acompanhado de sua esposa Hannah Bagshawe, que estava um deslumbre com este vestido Alexander McQueen, integrante da coleção de pré-outono de 2015. A golinha alta, as mangas compridas e a renda belíssima deixaram Hannah impecável, e eu amei MUITO o cabelo solto, achei que valorizou muito a beleza natural dela.

 

Agora vamos parar um minuto para analisar os detalhes do look do Eddie, que estava maravilhoso. Primeiro, esse costume vinho de abotoação dupla ficou um desbunde, tá tudo equilibrado e eu achei que a cor ressaltou as sardinhas do nosso querido Newt. O relógio foi o toque final de um look perfeito, a correia era quase da cor do costume, criou-se uma harmonia ímpar. Nota 10 pro truque de styling da gravata preta combinando com os botões pretos do costume e o sapato preto.

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Johnny Depp, como eu estava ansiosa pra te ver nesse blue carpet! Eu sou super fã dele desde os meus 12 anos, e eu fiquei muito muito muito feliz quando ele surgiu como Gellert Grindelwald no final de Fantastic Beasts and Where to Find Them. Depp está acostumado com grandes premières, mas ontem achei que ele estava visivelmente emocionado em ser acolhido pelo fandom do Wizarding World de uma maneira tão calorosa (melhor fandom, né, mores).

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Eu amo o estilo do Johnny Depp, essa coisa meio rockstar meets Captain Jack Sparrow, e achei o styling certeiro ao escolher esse blazer de suede (olha a importância da textura aí, gente) com o mix de colares fazendo as vezes de gravata. Em um dos colares, acho que vi a foto da filha de Depp quando era criança, achei fofo. Eu tenho 99% de certeza de que a cartela do Johnny é inverno profundo, o que explica ele ficar tão bem de preto e com acessórios prateados. Reparem que Depp ainda está com o corte de cabelo que adotou para Grindelwald, e eu fico cada vez mais ansiosa pra ver o que mais ele trouxe pro personagem de maneira brilhante.

 

Podia ser só um momento para apreciação da amizade e abraçoes entre Dumbledore e Grindelwald, mas quero mesmo que vocês reparem em duas coisas:

  1. notem os acessórios escolhidos por Depp e Jude Law. Depp tem um acessório azul pendurado na calça, que parece um chaveiro displicentemente colocado no bolso mas que eu tenho certeza de que estava ali cumprindo uma função de styling. Por sua vez, Law escolheu um chapéu fedora marrom para arrematar seu look.
  2. tanto Depp quanto Law optaram pela “terceira peça” com textura diferente, o que é um super truque de styling que não requer muito esforço.
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“You know, Minister, I disagree with Dumbledore on many counts… but you cannot deny he’s got style …” – Phineas Nigellus Black

Então vamos falar dele, Jude Law, que ganhou o prêmio do meu look preferido na première de Paris e não decepcionou em Londres. Já reparamos na textura da jaqueta, e agora vamos focar na cor: beringela. Escolher uma jaqueta beringela foi um ótimo truque pra fugir do preto porque, dependendo da luz, parece preto mas sem trazer o peso da cor para peles quentes. Adorei também a bainha da calça um pouquinho mais curta pra deixar aparecer um pedacinho da meia, é o tipo de truque de styling que dá mais personalidade ao look. De fato, Dumbledore tem muito estilo!

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Ezra Miller (Credence Barebone) acertou em cheio ao vestir-se de Hedwig! Ezra é um espetáculo ambulante, e eu achei muito legal que ele usou as duas oportunidades de première para homenagear personagens do Wizarding World. O look é Givenchy, e nenhuma ave foi machucada para que essa roupa fosse feita (preocupação do ator). Reparem nas mãos de Ezra: além de uma pequena Hedwig, as palmas das mãos do ator tem escrito “Avada Kedavra”, uma das três maldições imperdoáveis. Ezra é muito fã de Harry Potter, já contou isso várias vezes, e vê-lo parte do Wizarding World é praticamente uma realização do sonho de todo Potterhead.

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Quem brilhou muito foi Katherine Waterston (Tina Goldstein): além de escolher uma cor que foi super adequada para seu tom de pele, a atriz revelou sua gravidez! Talvez por isso ela tenha escolhido aquele vestido volumoso para a première de Paris, querendo deixar a surpresa para ser revelada só na última première! Esse vestido amarelo foi lindo, e na transmissão deu pra ver que ela também estava com um trench coat verde bem escuro pra não sentir frio.

 

Zoë Isabella Kravitz (Leta Lestrange) foi de Giorgio Armani fúcsia brilhante (pequenas lantejoulas, de novo), custom-made. O look estava muito glamuroso, bem diva de Hollywood e, o melhor de tudo, não parecia estar sufocando o busto da atriz. Adorei o brinco verde, adoro verde e rosa, viva a Mangueira!

 

Callum Turner (Theseus Scamander) foi de novo correto, mas acho que gostei mais deste costume do que daquele que o ator usou em Paris – talvez seja o bolso duplo, mais característico da tradição britânica, acho elegante. Se eu tivesse que chutar, me parece que Turner tem tom de pele frio; repare como os olhos dele brilham mesmo de camisa branco puro e terno preto!

 

William Nadylan (Yusuf Kama) parece que leu meu post analisando os looks de Paris! Gentes, isso é que é look com interessância pro red blue carpet! Não teve tweed como eu tinha sugerido, mas teve textura de sobra, e muita personalidade. Ele até me pareceu mais feliz, e podem ter certeza de que os nossos outfits influenciam e muito na maneira como nós nos sentimos e expressamos.

 

Lembram que eu disse que a Alison Sudol (Queenie Goldstein) fica muito bem de branco? Olha ela toda maravilhosa com esse MiuMiu longo branco de detalhes prateados! É outra que parece um anjo! Amei o cabelo meio bagunçadinho, com essas ondas quase cariocas de quem foi pra praia e deixou o cabelo secar naturalmente. A make quase nada também valoriza a beleza natural de Alison. Perfeição!

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Claudia Kim (Nagini) acertou de novo no look, com mais um pretinho nada básico e muito perfeito, by Christian Siriano. O que eu realmente quero comentar é a perfeição do único acessório escolhido pela atriz:

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um brinco que parece uma presa! De acordo com minhas investigações, o brinco é Shaun Leane. Tem também um anelzinho bem discreto, mas fato é que com um vestido desses não precisava mesmo de muita coisa, e a escolha do styling de usar o brinco só numa orelha, e ainda com uma forma que faz referência a sua personagem na história, foi truque de mestre!

 

Dan Fogler (Jacob Kowalski) foi certamente o maior upgrade da noite se compararmos os looks das duas premières. Olha que coisa mais linda mais cheia de graça! Estava elegantíssimo com um tux que alongou a silhueta. Não tem nem muito mais o que falar, look perfeito, parabéns pela escolha, nota mil pro rei do Brasil!

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Jamie Campbell Bower (jovem Grindelwald) já é velho conhecido do fandom do Wizarding World porque ele já tinha assumido o papel do jovem Grindelwald no filme Harry Potter and the Deathly Hallows pt1! Muito legal vê-lo de volta ao papel, e cruzando o blue carpet com o truque de styling da camisa abotoada até em cima e sem gravata; ficou jovem, moderno e super elegante.

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Outro velho conhecido do fandom é Jason Isaacs! O ator, que desempenhava o papel de Lucius Malfoy nos filmes da série Harry Potter, é fã confesso do Wizarding World e eu fiquei super feliz de vê-lo prestigiando o lançamento de Crimes of Grindelwald. Sobre o look, tá meio desarrumado, né? Como ele não faz parte do elenco, de fato não precisava ir de smoking nem nada assim, mas podia ter rolado um pouquinho mais de esforço. Pra não dizer que não falei de flores, o acerto fica por conta da escolha da cor da jaqueta, que repete o tom de azul dos olhos de Isaacs.

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Helena Bonham Carter (Bellatrix Lestrange) também compareceu à première londrina para deleite dos potterheads! Infelizmente essa foi a única foto que achei da atriz no blue carpet, mas dá pra ver que ela se manteve fiel ao seu estilo ao escolher um look meio grunge chic, com botas pesadas, tule e renda. Helena é muito amiga de Johnny Depp e achei fofo ela ter ido prestigiar o amigo que agora também faz parte do Wizardig World.

Desde a noite de ontem, o filme Fantastic Beasts: Crimes of Grindelwald está em exibição em algumas (muitas) salas do Brasil em caráter de pré-estreia. Se no Brasil eu ainda morasse, já teria visto o filme! Mas aqui na Armênia o filme só começa a ser exibido amanhã mesmo, então se Deus quiser amanhã estaremos lá no cinema pra matar a curiosidade e acabar com a ansiedade!

Os looks da première mundial de Crimes of Grindelwald em Paris

Pra quem ainda não sabe, eu sou fã confessa do Wizarding World criado por J. K. Rowling, que começou com Harry Potter e agora encanta com a série de filmes Fantastic Beasts. Ontem teve a première mundial do 2º filme da série – Crimes of Grindelwald – em Paris, e venho aqui analisar os looks do elenco que riscou o red carpet montado no 12ème arrondissement! Essa análise pode ser bem enriquecedora quando observamos os truques de styling que vão para o tapete vermelho e que podem ser aplicados no dia a dia!

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Vamos começar por ela, a rainha de tudo, J. K. Rowling, também conhecida como tia Jo! Ela usou um longo verde maravilhoso, que eu tenho 99% de certeza de que está na cartela de cores dela.

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Joanne Rowling é ruiva de nascença e, embora já tenha tido fases mais loira, está assumindo o ruivo com louvor nos últimos anos. Durante a transmissão ao vivo, deu pra ver claramente o quanto o vestido verde acendeu o cabelo ruivo, o olho brilhando, a pele ficou viçosa, e ela ficou ainda mais bonita.

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Tia Jo foi acompanhada do marido, Neil Michael Murray, que escolheu cruzar o red carpete de kilt! Eu particularmente adorei o styling, e amei que o tartan de Neil tem um tom de verde muito próximo da cor do vestido da tia Jo, criando uma harmonia visual entre o casal.

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Outro casal digno de destaque foi Eddie Redmayne (Newt Scamander) e Hannah Bagshawe. Eddie estava super elegante com um terno cinza e casaco caramelo, e o equilíbrio das cores ficou maravilhoso: eu acho que o Eddie tem subtom de pele quente, então a frieza do cinza fica mais aquecida com o casaco caramelo e a gravata vinho. Repare bem como os olhos do Eddie brilham! Hannah, que recentemente deu à luz ao segundo filho do casal, escolheu um Dior couture da coleção de primavera/verão 2018. O vestido é uma verdadeira obra de arte, parte de uma coleção inspirada pelos efeitos ousados do Surrealismo. Só tenho um pouco de dúvidas sobre o penteado escolhido: preso, com certeza, mas acho que um pouco mais de volume talvez tivesse ficado mais interessante!

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Embora eu tenha um pouco de implicância com vestido sobre calça, Katherine Waterston (Tina Goldstein) estava bem chique com esse vestido de tule por cima de calça de alfaiataria. O vestido tinha um volume interessante, que Katherine fazia questão de acentuar para as fotos ao levar as mãos aos bolsos da calça. Durante a transmissão, a atriz confessou que estava sentindo frio, e me solidarizei com ela.

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Zoë Isabella Kravitz (Leta Lestrange) escolheu um Yves Saint Laurent tomara-que-caia preto & rosa de paetês. Por mais que eu ache a Zoë maravilhosa, esse Saint Laurent foi uma escolha bem ruim pra ela, e eu explico: a primeira coisa que a gente nota quando observa a atriz é que o vestido está ultra apertado e provavelmente bastante desconfortável! Fica difícil até de notar a cara da atriz quando os seios estão praticamente pulando pra fora do vestido. Ademais, estamos no meio do outono, e as temperaturas já não pedem ombros de fora assim. Uma pena, porque a Zoë é uma das referências de estilo desse elenco! Vamos ver o que ela vai escolher para a première de Londres na próxima terça-feira!

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Callum Turner (Theseus Scamander) interpreta o par romântico de Zoë no filme, e foi correto de costume. Durante a transmissão, deu pra ver que ele estava claramente se divertindo muito na première, e certamente a escolha de um costume corretamente ajustado ao ator contribuiu para isso – afinal, roupa apertada ou larga demais pode atrapalhar e muito um ser humano!

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Quem também escolheu um modelo Yves Saint Laurent foi Claudia Kim (Nagini). Naturalmente faltou coordenação dos looks entre as atrizes, já que ambas escolheram modelos em paetê preto da mesma maison! Claudia fez uma escolha mais inteligente: o vestido parece que foi feito pra ela, e ao optar por mangas compridas ficou mais adequado à temperatura outonal (compreendo as pernas de fora, tem muita gente que ainda está andando assim mesmo com os termômetros marcando 6ºC!). Eu particularmente gostaria de vê-la com uma roupa verde escura no red carpet! Quem sabe na première de Londres?!

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Ezra Miller (Credence Barebone) não surpreendeu ao surpreender! Calma, eu explico: Ezra é certamente o mais excêntrico do elenco, e os looks dele sempre fogem do óbvio. Por isso eu não fiquei surpresa ao vê-lo com um look Moncler que seria super adequado para temperaturas baixíssimas e muita neve, embora essa saia(?) talvez fosse um pouco inconveniente. Pra mim, Ezra compareceu vestido de Obscurus, que, no universo criado por Rowling, é uma força mágica das trevas parasitária, desenvolvida por um bruxo quando tem sua magia suprimida física ou psicologicamente. No primeiro filme da série (Fantastic Beasts & Where to Find Them), nós vimos que Credence é hospedeiro de um Obscurus!

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Entre as estrelas femininas, o meu look favorito da noite foi certamente o da Alison Sudol (Queenie Goldstein). Alison foi de Lanvin e eu achei que ela ficou uma visão com essa roupa, cabelo e maquiagem! Eu tenho um palpite de que Alison tenha subtom de pele frio e seja inverno puro (ela fica MUITO bem de branco, o que pode ser um indicativo da cartela de cores da atriz e cantora), e a escolha do azul marinho metalizado próximo (mas nem tanto) do rosto foi muito inteligente: repara como o olho dela BRILHA!

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Dan Fogler (Jacob Kowalski) também não quis passar frio e jogou um casaco por cima do costume. A solução seria ótima (basta ver como Eddie fez o mesmo e acertou em cheio), se o restante do look estivesse correto. A impressão que eu tive durante a transmissão, e que fica reforçada com essa foto, é de que o costume não estava adequadamente ajustado: o paletó parece um pouco apertado (a ponto de não abotoar mais um botão?!), e parece que faltou bainha na calça. O caimento perfeito teria beneficiado – e muito – o nosso querido Dan!

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Aparentemente também que faltou ajuste pra William Nadylan (Yusuf Kama)! O paletó parecia bem apertado. Eu também tenho um pouco de problema com costume sem gravata, sei lá, parece que fica faltando alguma coisa. Uma solução ótima teria sido trocar o paletó de costume por um blazer usado aberto; um tweed em tons frios talvez? Eu tenho a impressão de que ia ficar bem melhor.

Na minha humilde opinião, o campeão no styling foi Jude Law (Albus Dumbledore). O ator misturou várias texturas, o que enriquece o visual, e usou essa scarf, que tem sido sua marca registrada, a seu favor; tem truque de styling ao dar esse nó quase de gravata! O blazer de veludo azul repete a cor dos olhos do ator, o que é um truque de styling excelente e faz não só os olhos brilharem mas a pele também fica com mais cara de saúde. Ainda sobre o blazer, eu adorei o detalhe da gola levantada para mostrar a estampa.

Quebrando a rotina (também) do seu estilo

Muita gente se sente preso numa rotina, e não aproveita as ferramentas de estilo para quebrar as correntes e se libertar. Acredite: não é porque você está se sentindo assim agora que se sentirá assim pra sempre. É por isso que decidi listar algumas sugestões de estilo pra sair da rotina!

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1- Faça exercícios físicos

Eu não sou o maior exemplo de vida fitness que você vai encontrar por aí – na verdade, eu tô mais pro oposto disso – e parece até uma piada que eu fale disso antes de qualquer outra coisa. Mas a verdade é que exercitar o corpo é um dos melhores jeitos de mudar o jeito como você se sente e se enxerga! Encontre uma atividade física da qual você goste e mexa-se, nem que seja por 15 minutos. Isso é uma maneira eficaz de refrescar suas ideias e ajudar a fazer com que você enxergue as coisas de uma nova perspectiva – inclusive suas roupas.

2- Desconecte-se um pouco

Ah, o mundo conectado. Que faca de dois gumes! O instagram, por exemplo, é um dos melhores lugares para encontrar inspirações de moda, mas pode ser tóxico se você não estiver se sentindo confortável com seu estilo e confiante com suas escolhas. Pra verdade, eu acho que a rede pode ser um verdadeiro campo minado se você estiver muito incerto sobre o seu estilo: nas redes sociais, você acaba se perdendo por muitas direções e nem sabe mais ao certo do que você realmente gosta. Nessas horas, uma boa ideia é ser old school: compre uma revista e tome um café folheando as páginas. Há publicações excelentes de moda disponíveis que podem render grandes inspirações de uma maneira menos opressiva e que pode te dar uma ideia mais clara das tendências da estação disponíveis nas lojas.

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3- Organize seu armário (ou faça um closet editing com um profissional)

Se você acha que está usando as mesmas roupas todos os dias, é melhor recuar e reavaliar as peças que estão habitando no seu armário. Há grandes chances de que você esteja escolhendo as mesmas coisas porque são mais convenientes e fáceis! Ao reorganizar as peças do seu armário, não tenha pena de se desfazer das peças de que você não gosta ou simplesmente não usa. Se você mora em um lugar onde as estações do ano são bem definidas, tente guardar o que não é da estação num outro lugar, desocupando espaço e diminuindo a quantidade de informações na hora de se vestir. Dedique um tempo para avaliar tudo o que você tem, e pense nos diferentes jeitos de usar as coisas de que você gosta. Repensar as roupas que você já tem no armário certamente rende novos looks. Já comentei por aqui algumas vezes que o personal stylist tem um papel importante na edição e organização do armário porque, somando seu conhecimento profissional à isenção de sentimentalismos, poderá opinar e sugerir honestamente o que deve ficar e o que deve sair do seu armário, ainda que a decisão final seja sempre sua.

4- Tente evitar o jeans

Aqui, o ditado “casa de ferreiro, espeto de pau” faz todo sentido: afinal de contas, eu passei ANOS da minha vida usando calças jeans todos os dias. Sim, eu amo jeans, e é difícil viver sem eles, mas confesso que, nos últimos tempos, tenho procurado várias alternativas igualmente confortáveis (e, no inverno, muito mais quentinhas) ao bom e velho jeans. Para altas temperaturas, as calças de linho são muito mais elegantes e talvez até mais confortáveis. Para temperaturas frescas, meias calças pretas. Para o frio intenso, calças de lã. É uma questão de pensar fora da caixinha e encontrar alternativas que vão nos tirar da rotina e nos colocar numa direção mais divertida.

5- Atualize seu jeans

Isto posto, já concordamos que é difícil viver sem jeans e uma maneira interessante de mantê-los como bons atores do seu armário é atualizá-los. São muitos os modelos disponíveis (skinny, boot cut, reta, flare, boyfriend, mom, etc) e muitas lavagens diferentes para escolher. A simples mudança do corte do jeans que você está usando pode transformar o jeito como você se sente nas suas roupas. É claro que há um tipo ideal de jeans pra cada tipo físico, mas por aqui nós já estamos desconstruindo um pouco essas ideias de tipo físico e priorizando a alegria e a criatividade na hora de se vestir. Se você for comprar um novo par de calças jeans pra 2018, eu recomendaria evitar as calças skinny (que já viraram substantivo comum) e optar por modelos de cintura mais alta com pernas mais amplas, ou retas e ligeiramente cropped. O importante é que a sua calça jeans não achate o seu bumbum, não aperte a sua cintura e, principalmente, que não seja desconfortável.

6- Invista na terceira peça

A tal “terceira peça” é milagrosa, e o milagre já começa porque ela pode ser um cardigan, uma jaqueta, um casaco, um trench coat, um lenço, um cachecol, um colete, uma capa de chuva (tendência que tá firme desde o ano passado e mais forte ainda pro inverno/2018 no Brasil), e mais uma infinidade de peças. Se você morar num lugar onde o inverno é real, investir em bons casacos e cachecóis é fundamental: e, sim, eu usei o plural porque vai ser mais fácil sair da rotina no quesito estilo se você tiver pelo menos 2 opções entre as quais escolher. E nada de preto: pense em cores! Se você souber qual a sua cartela de cores, melhor ainda, já que poderá escolher os tons de cores que mais favorecem o seu rosto. Se você mora “num país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza”, a terceira peça ainda pode (e deve) existir no seu dia a dia, mesmo nos dias mais quentes: lenços de seda são frescos de usar e atualizam o look, enquanto capas de chuva protegem e incrementam o seu visual.

7- Preste atenção aos detalhes e use mais acessórios

Até os 7 anos de idade, eu não tinha as orelhas furadas. Mas, desde então, eu não saio de casa sem meus brincos! Aliás, eu nem costumo tirar os brincos pra dormir, já que eles são pequenos e não me incomodam. Isso é um exemplo de detalhe que faz a diferença, tanto quanto a bainha no tamanho certo. Usar acessórios é uma chave para levar seu estilo para outros níveis. Cintos mais largos costumam dar personalidade, e mudar de bolsa ajuda muito para mudar o visual e injetar confiança. Chapéus, óculos escuros, ou mesmo um broche com história podem tornar uma roupa sem graça num look digno de capa de revista!

8- Evite preto e cinza

Outro item meio “casa de ferreiro, espeto de pau”, mas que eu tô me esforçando pra mudar. Se ali em cima eu já falei sobre evitar o preto na terceira peça, agora é hora de reforçar a importância de dar um descanso para essa cor, e também para os tons de cinza. Quando estamos presos numa rotina, geralmente isso se traduz no nosso armário como uma pilha de roupas cinzas e pretas – afinal, estas são as cores que nos cativam quando não estamos muito inspirados e queremos alguma segurança. Mas estas cores também nos fecham um pouco e podem até prejudicar nossa produtividade. Ao evitar o preto e o cinza, você olhará para as outras cores; isso não significa que você vai se vestir de mil cores da cabeça aos pés, ou começar a usar estampas chamativas da noite pro dia. O importante é você sair um pouquinho da sua zona de conforto. E, ao usar uma cor que favoreça as suas feições, você se sentirá mais confiante e ainda ouvirá alguns (muitos) elogios.

9- Vá numa loja onde você geralmente não compra

Todos nós temos as nossas lojas favoritas, e sempre tendemos a fazer nossas compras nessas mesmas lojas. Ao mesmo tempo em que ter lojas favoritas revelam um traço firme das nossas preferências, frequentar sempre as mesmas lojas pode transformar o nosso armário num loop eterno de peças iguais. Explorar uma loja nova, onde você geralmente não compra, pode abrir um mundo de possibilidades de formas e cores! Misturando diferentes marcas e designers, criamos um estilo único ao invés de reproduzir o que está num lookbook e expressamos, de fato, a nossa personalidade. Ao se desafiar a usar algo diferente e, possivelmente, fora da sua zona de conforto, você vai se divertir muito e terá a possibilidade de descobrir novas versões de si mesmo.

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10- Mude o seu corte de cabelo

Embora essa dica também seja válida para os homens, esse item é direcionado principalmente para as mulheres. Se tem uma coisa que eu não entendo é o apego da mulher brasileira ao comprimento do cabelo, enquanto não tem medo nenhum de pintar os fios! Se 99% das vezes as brasileiras pintam o cabelo com um loiro que muito provavelmente está no tom errado para a pele, a síndrome de Rapunzel impede que exploremos plenamente nosso potencial de beleza! Cortar o cabelo pode ser revolucionário em tantos aspectos! Além de ter a possibilidade de criar um visual no qual você se reconheça plenamente, um corte de cabelo novo pode ser muito empoderador. Para as mamães de plantão, acho muito recomendável diminuir o comprimento dos fios para ganhar agilidade e praticidade no dia a dia (afinal, ninguém merece ficar de cabelo preso o dia inteiro). E, o que vale pra todas, é que cabelo curto dá menos trabalho, demora menos pra secar e a gente fica muito mais chique. Da minha experiência pessoal, posso contar que cortei meu cabelo bem curtinho 2 vezes num período de menos de 2 anos, doando mais de 20cm de cabelo em cada corte pra instituições que fazem perucas pra mulheres e crianças que perderam os cabelos no tratamento contra o câncer, e eu me sentia tão poderosa! Cortes de cabelo são transformadores, meninas. Acreditem em mim.

 

O que vestir quando se trabalha em Home Office?

Trabalhar em Home Office tem se tornado algo cada vez mais comum, e requer bastante disciplina porque testa todos os nossos limites: entre tantos outros, as vontades de assaltar a geladeira e/ou tirar uma (ou várias) sonecas ao longo do dia, resolver questões profissionais fora do ambiente de trabalho, deixar a TV ligada e, principalmente, ficar de pijama o dia inteiro. Faz algum tempo que eu trabalho em Home Office: desde o período do Mestrado, em que eu passava muito mais tempo no meu escritório em casa escrevendo a dissertação do que em qualquer outro lugar, e principalmente depois que mudamos pra Armênia quando acabei me aventurando pelo universo da escrita (de livros e blogs).

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calça de moletom da Hering, blusa de moletom da Cantão, meia roubada do meu pai

É por isso que, ao abordar o assunto Home Office, eu falo com a propriedade de quem tem conhecimento de causa: quando o marido veste o terno e sai pra trabalhar, eu também visto as minhas roupas de trabalho e entro no meu escritório, que é, pra mim, um lugar sagrado de trabalho. Inclusive, eu procuro obedecer a um horário de trabalho, que é pra não exagerar nem pra mais nem pra menos. Quem não trabalha em Home Office pode até ter dificuldade em compreender a sacralidade do ambiente e do horário de trabalho, mas a gente precisa ter tudo muito claro e prezar muito pela rotina. É justamente pelo meu conhecimento de causa que tirei algumas fotos pra ilustrar este post com looks que eu de fato uso em casa pra trabalhar com conforto e dignidade.

Quem trabalha em Home Office precisa observar, no mínimo, 2 regras principais: ter um espaço destinado unicamente ao seu trabalho, e não ficar de pijama o dia todo. Definir um ambiente de trabalho – seja um cômodo, como é o meu caso, ou mesmo só uma escrivaninha num canto específico – faz toda a diferença pra quem trabalha de casa.

Do mesmo modo, vestir-se adequadamente para trabalhar em casa afeta diretamente a sua produtividade e disposição pra trabalhar. É óbvio que você não vai vestir terno e gravata pra trabalhar em Home Office: existe um meio termo entre o pijama e o terno.

Nada de peças que possam restringir seus movimentos: afinal, você está em casa, e pode se dar ao luxo de trabalhar com conforto. Isso não significa trabalhar de roupa velha e/ou rasgada e/ou desleixada. Se quem trabalha fora compra roupa de trabalho, quem trabalha em Home Office também tem o direito de comprar roupa pra trabalhar! Pensa comigo: toca a campainha, e você ainda tá de pijama e nem penteou o cabelo desde que saiu da cama. Vergonhoso, não é? Mas você não vai passar vergonha nenhuma se tiver opções de vestimenta adequadas pra trabalhar de casa.

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camisa Zara, calça Marisa, chinelo memory foam Matalan

Home office com camisa social? Se for uma camisa bem confortável e que não cause restrições aos seus movimentos, será uma das suas melhores opções. Essa que estou usando na foto veio diretamente do armário do marido.

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look da esquerda: blusa de algodão Farm, calça moletom Hering, meia Trifil, sapatilha memory foam Matalan                                                                                                                                                  look da direita: blusa de linho Zara, calça moletom Gap, meia Trifil, chinelo memory foam Matalan

Calça de moletom tem passe livre no inverno, preferencialmente com bolsos (afinal, pijamas não costumam ter bolsos). Ainda pensando nos climas mais frios, combinar a calça de moletom com uma blusa de manga comprida de algodão, e deixar um cardigã de lã à mão garantirá um look digno e quentinho para trabalhar. Leggings também são uma ótima opção para as mulheres, principalmente se combinadas com blusas mais compridas, ou um tricô longo bem quentinho.

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look da esquerda: blusa dos Beatles, calça legging Farm, sapatilha memory foam Matalan        look da direita: blusa Animale, calça legging Mercatto, chinelo memory foam Matalan

No verão, aproveite que você é dona do seu espaço de trabalho e deixe as pernocas de fora: shorts de linho, algodão e tencel são super confortáveis. Homens, o mesmo vale pra vocês: tá permitido trabalhar de bermuda no seu Home Office. T-shirts de algodão evitam que o calor seja absorvido pelo corpo, então opte por elas, preferencialmente sem muitas estampas e em cores neutras, que ajudam a focar no trabalho.

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short Gap, t-shirts Zara, sapatilha memory foam Matalan

Em qualquer estação, é bom usar sapatos em casa pra trabalhar: afinal, você não trabalharia descalço se estivesse num escritório fora da sua casa. No verão, naqueles dias muito quentes, dá até pra fazer uma concessão e permitir as Havaianas, mas tente deixar um par específico para este fim. Eu gosto muito desses sapatinhos de memory foam porque são super confortáveis, mas eu também uso Crocs em casa, por recomendação do ortopedista. Aliás, se tem um único lugar onde tá mais do que liberado usar Crocs é em casa!

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look da esquerda: camiseta Shop 126, short Farm, casaquinho Marisa, sapatilha memory foam Matalan                                                                                                                                                               look da direita: camiseta Marisa, short Forever 21, casaquinho Marisa, sapatilha memory foam Matalan

No quesito acessórios, acho importante usar relógio mesmo trabalhando em casa. Pra mim, ao usar meu relógio, eu tenho a sensação de que tô realmente desempenhando meu trabalho, controlando meu horário – e é só “acabar o expediente” que eu tiro meu relógio e me sinto livre pra descansar.

A roupa ideal pra quem trabalha em home office é aquela que oferece conforto mas que poderia também ser usada na rua caso haja alguma emergência e você precise sair rápido sem se trocar. Trabalhar de casa vestindo uma roupa digna não só contribui pra sua produtividade como também influencia diretamente na sua autoestima, além de ser mais uma oportunidade de exercer a sua criatividade e aumentar o autoconhecimento ao se vestir. Pode acreditar: faz toda a diferença separar o que é traje de trabalho do que é traje de relaxar em casa, e até o seu pijama parecerá mais confortável depois que você fizer essa distinção.

Pro meu armário de home office, eu misturo peças compradas pra esse objetivo com peças que eu ainda gosto mas que já não são minhas principais opções pra usar na hora de escolher um look pra sair. Estas peças do coração fazem essa transição, prolongando o uso da roupa que eu poderia usar fora de casa sem me sentir inadequadamente vestida.

Trabalhar de casa traz uma enorme facilidade: não há necessidade de se arrumar muito todos os dias. Mas trabalhar de casa não significa necessariamente que você vai passar o dia inteiro em casa: você pode sair pra resolver algumas coisas, ou participar de reuniões e eventos. O ideal é que você seja capaz de estar pronto para qualquer uma dessas situações sem muito esforço. Também é bom não deixar de lado uma rotina de cuidados pessoais: o mínimo a se fazer é pentear o cabelo e passar protetor solar, mesmo se não for sair de casa. Não há nada de errado em manter o armário de home office casual e confortável, desde que a gente sempre tenha em mente de que estamos TRABALHANDO em casa.

Vestir-se: exercício de criatividade e autoconhecimento

Há muito tempo, quando eu nem sonhava em me tornar personal stylist, eu já acreditava que vestir-se é um exercício de criatividade e autoconhecimento constante – e que nem sempre é muito fácil. No provador de uma loja ou em frente ao espelho de casa, podemos experimentar um misto de emoções, ou até mesmo uma catarse, reconhecendo, no visual que apresentamos para o mundo, a versão mais profunda de nós mesmos.

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casaco e calça Zara, blusa de gola alta Uniqlo, cachecol Kuna, tênis Vans, óculos Ray Ban, pingente de Nossa Senhora de Fáti

Outro dia postei essa foto no instagram, mostrando o meu #lookdodia, e um dos comentários que recebi dizia que esta roupa era a minha cara. Quem escreveu isso foi uma pessoa que me conheceu quando eu tinha 16 anos. É uma alegria imensa saber que eu consegui transmitir a minha personalidade para as peças que eu estou vestindo, e que não só eu me reconheço ao me olhar no espelho, mas que também sou reconhecida pelos outros no meu estilo.

Vestir-se bem e com elegância vai muito além de saber o que cai bem no seu corpo ou de quanto foi gasto numa determinada peça de roupa; há muito mais elegância num jeans + t-shirt branca usados com a segurança de quem se reconhece naquelas peças do que num look super elaborado e grifado.

O exercício de se vestir é constante porque nós mudamos o tempo todo: nossas convicções, opiniões e nossos valores de hoje podem não ser iguais há 5 anos atrás, e talvez não sejam os mesmos daqui a 5 ou 10 anos. É normal que as nossas vontades e ambições mudem, e isso vai exigir esforços diferentes para que alcancemos nossos objetivos. Do mesmo modo, é normal que tenhamos algumas constantes na nossa vida, que marcam características profundas da nossa personalidade e se revelam nas nossas escolhas.

Escolher o que se veste é decidir qual a imagem que escolhemos mostrar para o mundo. Ao olhar-se no espelho, é importante reconhecer quem olha você de volta, porque esta imagem está dizendo para os outros quem é você, como você quer que o mundo te enxergue. Reconhecer-se dentro das roupas, sapatos e acessórios que escolheu usar é o que vai dar a segurança que você precisa para enfrentar as suas atividades diárias. Quando eu falo em reconhecimento, eu me refiro de fato à identificação e da certeza de que a nossa aparência é verdadeiramente uma externalização de quem somos.

No caso das mulheres, o reconhecimento diário ao olhar-se no espelho é um passo enorme para o nosso empoderamento: ao entendermos o que nós esperamos de nós mesmas, podemos passar essa mensagem para o mundo por meio das nossas roupas. Se, ao nos olharmos no espelho, formos mais gentis com aquela mulher que nos olha de volta, poderemos parar de querer quem não somos e amarmos mais o nosso corpo. Se nos propusermos a parar de procurar nas araras das lojas as roupas que possam consertar um pedaço do nosso corpo ou disfarçar uma parte do que somos, escolhendo o que amamos e o que nos faz sorrir, desconstruiremos, paulatinamente, os mitos que criamos sobre nós mesmas. Ao nos olharmos com mais gentileza a cada dia, seremos capazes de amar quem verdadeiramente somos, e assumirmos com mais segurança a nossa personalidade. Não é fácil: estamos sujeitas a uma sociedade machista há muito tempo e, por mais feministas que nos tornemos, ou por mais bem resolvidas que sejamos, será difícil alcançar a libertação total para fazer escolhas de moda completamente livres de julgamentos e conceitos tão enraizados.

Já ouvi muita gente dizendo que precisamos usar a moda a nosso favor, e essa ideia do que é “usar a moda a nosso favor” também é mutável ao longo dos anos: por muito tempo, a moda favorável para a mulher era aquela que nos deixava mais feminina e delicada; depois, a moda favorável passou a ser aquela que criava a silhueta ampulheta, “a silhueta perfeitamente proporcional”. Ainda bem que, hoje, as mulheres se sentem muito mais livres para usar a moda a favor das suas personalidades: muito mais do que considerar qual o seu tipo físico ou as cores que mais favorecem o seu tom de pele, a moda que favorece as mulheres é aquela que expressa o nosso verdadeiro eu (eu = centro da personalidade, instância interna), nos torna únicas, e que conta uma história com as peças que escolhemos.

Vestir-se de maneira adequada, bonita, favorável e elegante sempre foi uma questão importante para as mulheres – e, graças a Deus, tem se tornado importante para os homens também, que passam a cuidar mais da imagem que apresentam para o mundo e também expressam a personalidade no modo de se vestir. Por conta desse nosso desejo de estarmos bem vestidos, é natural que fossem criadas regras e padrões, relacionando os tipos de corpos e seus formatos com as roupas que são ideais para cada um deles.

O que estas regras e padrões não consideram é que nossos corpos precisam e devem ser vestidos de acordo com as nossas necessidades, vontades e preferências, tornando a nossa rotina mais fácil e prazerosa porque nossa autoestima está lá em cima e temos a segurança necessária pra enfrentar o mundo lá fora; o que nós vestimos deve revelar quem somos por dentro. É aí que o personal stylist tem que dar o pulo do gato: o bom profissional não ensina ninguém a se vestir de acordo com o que as regras e padrões ditam, mas sim dá as ferramentas necessárias para fazer funcionar até o que poderia parecer impossível, atendendo aos gostos e preferências individuais, adequando o armário à rotina e injetando confiança.

A única maneira de aprender como se vestir de maneira adequada, bonita, favorável e elegante é experimentando todos os modelos, cores, tecidos e formatos de roupas, acessórios e sapatos disponíveis. Ao experimentarmos tudo, compreenderemos o que cabe não no nosso corpo, mas sim na nossa personalidade, no nosso verdadeiro eu. Sabendo o que se encaixa no nosso estilo de vida, o que facilita o nosso dia a dia, o que nos traz alegria, o que nos aconchega (porque roupa também é um carinho pro nosso corpo), nós definimos nossas próprias regras, construímos o nosso estilo, e sabemos bem como vestir cada um dos nossos humores com segurança.

E não podemos esquecer daquele ditado que diz que as regras foram feitas para serem quebradas: sejam as regras da moda, ou as regras que estabelecemos para nós mesmas (ou nós mesmos), somos livres para explorar, de modo criativo, as nossas preferências. Aprender a quebrar as regras com sabedoria é a principal peça no armário de qualquer pessoa – e é exatamente isso que eu mais gosto de ensinar na consultoria de imagem e estilo. Seu estilo é construído a partir da sua personalidade e da sua história. Não é você que tem que se adequar à moda: é a moda que tem que ser divertida pra você. Mas isso só vai funcionar se nós nos olharmos no espelho com gentileza, procurando enaltecer as nossas qualidades ao invés de destacar os nossos defeitos. É por isso que eu me proponho a fazer esse exercício diário de ser mais gentil comigo mesma – e convido você a fazer o mesmo.

Eu uso óculos!

O título deste post é, sim, um dos versos da célebre música “Óculos”, dos Paralamas do Sucesso, e outros versos da mesma música vão permear este texto. E, se você quiser dar o play na música e deixar tocando enquanto lê o que eu escrevi, vai em frente, fique à vontade!

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aos 4 anos de idade, os óculos eram apenas uma brincadeira! 6 anos depois, eles passaram a fazer parte do meu dia a dia.

Eu tenho miopia e astigmatismo desde os 10 anos de idade. Ou seja: no momento em que este post está sendo escrito, eu já contabilizo 18 anos usando óculos de grau. Por conta disso, posso dizer, por experiência própria, que aceitar os óculos de grau como parte do seu estilo pessoal não é uma tarefa fácil; é preciso fazer uma jornada de autoconhecimento, e também de algumas doses de empoderamento.

“Era mais fácil se eu tentasse fazer charme de intelectual

Meus óculos já foram motivo de muito deboche na escola, e foram muitas consultas aos oftalmologistas pedindo (ou melhor, implorando) para usar lentes de contato, ouvindo sempre a mesma resposta: você tem alergia. Minhas alergias não se restringem ao sistema respiratório: estão também nos olhos e na pele (o que também restringe meu uso de maquiagens). Na época do combo óculos + aparelho fixo, entre meus 10 e 14 anos, eu sofria muito com a minha autoimagem, e tudo se agravava pelo bullying sério na escola (não entrarei em detalhes, mas fica aqui o resumo da ópera: era tão pesado que eu troquei de escola na metade do 1º ano do Ensino Médio).

Tem gente que consegue usar óculos só pra ler, ou só no computador; esse nunca foi o meu caso. Eu sempre fui super dependente dos óculos, e eu sinto o incômodo físico quando meu grau está mudando. Foi aos 18 anos que uma oftalmologista me liberou para usar lentes de contato cautelosamente (porque a alergia persistia): sempre com um colírio específico em mãos, sempre com o óculos na bolsa, sempre por pouco tempo. Então, dos 18 aos 25 anos, eu fui habituando meus olhos às lentes, e, com acompanhamento oftalmológico constante, a alergia foi amenizando e eu gradativamente aumentei o tempo de uso diário das lentes de contato. Devo confessar que me sentia muito aliviada por não usar óculos 24 horas por dia os 7 dias da semana, e ficava bastante frustrada quando não conseguia colocar as lentes nos períodos de agravamento da alergia e tinha que sair de casa usando óculos.

“Se eu to alegre, eu ponho os óculos e vejo tudo bem”

Em 2015, aos 25 anos, minha rotina louca, que me fazia viajar de avião entre Brasília e RJ semanalmente, fez minha imunidade cair, e é claro que a alergia ocular também piorou. Era quase impossível usar lentes de contato; meus olhos ardiam e eu não simplesmente não conseguia usá-las por mais do que 1 hora. Foi naquele ano que eu voltei a assumir os óculos de grau, deixando as lentes de contato só pra alguma festa ou pra fazer exercícios físicos. Ao reassumir a minha imagem com óculos de grau, eu passei a me reconhecer de novo quando me olhava no espelho: o par franja + armação faz parte de mim, é a minha marca registrada, e, hoje, me faz ter orgulho de quem eu sou. Combino meus óculos com meus chapéus, boinas, gorros, e com o meu humor.

Se a minha primeira armação de óculos mais ousada foi um Marc Jacobs vermelho, nos idos de 2013, desde então passei a entender gradativamente que óculos não precisa ser discreto – aliás, óculos não deve ser discreto. Os óculos são acessórios que revelam muito da nossa personalidade, e eu entendi, ao longo do tempo, que precisava parar de ver os óculos de grau como inimigos da minha imagem. Pouco a pouco, eu passei a enxergá-los como aliados importantes na construção e definição do meu estilo.

Eu comecei a me divertir com as armações legais que as óticas oferecem, me aventurando com as marcas, cores e estilos. De lá pra cá, já foi um Prada colorido de base azul, um Dior gatinho (um dos meus favoritos, tô pensando em ressuscitá-lo), um Dolce & Gabbana preto (o mais difícil de abandonar), um Chanel cinza (a minha pior escolha), e um Tom Ford tartaruga com ponte dourada (o mais recente). Se para meus óculos escuros escolho sempre Ray Ban (qualidade ótima e preço justo), eu me permito brincar muito mais com as armações que emolduram meu rosto 95% do meu dia – afinal, se é pra gastar uma grana, que seja em algo que eu vou usar muito, que tem uma qualidade incrível e que vai me fazer me sentir poderosa o tempo todo.

A escolha e compra de uma nova armação de óculos acabou se tornando uma jornada de autoconhecimento e fortalecimento da minha autoimagem, com ensaio e erro, e tá tudo bem, porque os erros também ensinam muito (a armação Chanel cinza, por exemplo, foi a minha pior escolha de óculos: me deixa com cara de cansada. Foi só depois que fiz o curso de personal styling e comecei a estudar análise cromática que descobri o porquê: aquele tom de cinza é péssimo pra mim).

Muito mais do que corretores ópticos, por meio das suas linhas, cores e materiais, os óculos nos ajudam a transmitir as mensagens desejadas para a nossa imagem. Na hora de escolher uma nova armação de óculos, saber qual é a sua cartela de cores será uma ferramenta muito útil: afinal, é justamente no rosto que as cores revelam seus efeitos principais na nossa aparência. Tanto quanto na cor da armação, esse conhecimento também ajuda na hora de escolher a cor das lentes dos óculos escuros.

“Por trás dessa lente também bate um coração”

Se, antes, eu tentava me livrar dos óculos, hoje eu os prefiro muito mais do que as lentes de contato – mesmo em festas e/ou eventos formais. Por uma questão de praticidade e mobilidade, as lentes de contato só ganham dos óculos na hora de fazer exercícios físicos, ou pra andar em montanhas-russas; mas confesso que elas me incomodam e eu já fico doida pra voltar pros meus óculos rapidinho.

Meus óculos fazem parte do meu estilo, e me ajudam a traduzir a minha personalidade. Se ao usar óculos eu chamo atenção para o meu rosto, eu estou dizendo pro mundo que eu tenho segurança de quem eu sou e das escolhas que eu faço na minha vida.

É revolucionário encontrar uma armação de óculos de grau que te faça sentir conforto e confiança: os óculos deixam de ser um escudo e passam a ser uma grande ferramenta de estilo.