Musée des Arts Décoratifs: Margiela, les années Hermès

Como parte da programação do curso Paris Style Week, visitamos a exposição Margiela, les annés Hermès, em exibição no Musée des Arts Décoratifs até o dia 22 de setembro de 2018. Esta exposição celebra os anos em que Martin Margiela esteve à frente de uma das principais maisons francesas no escopo da “Saison Margiela 2018 à Paris“!

Entre 1997 e 2003, Margiela comandou a direção criativa da Hermès, e esta homenagem apresenta, pela primeira vez na França, as coleções femininas de prêt-à-porter que o estilista desenhou para a célebre maison parisiense, sem perder a identidade das criações da sua própria maison. Entre a desconstrução inovadora e o luxo atemporal, as silhuetas dialogam entre si, expressando e dando voz à visão particular de Martin Margiela. Estes dois universos, muito próprios desse designer, constituem o ponto de partida da exposição, cuja direção artística é do próprio Margiela.

Considerado um dos criadores mais atípicos e misteriosos da sua geração, Martin Margiela faz parte do seleto grupo de estilistas que radicalizou e renovou bruscamente o universo da moda. Depois de fundar sua própria marca, a Maison Martin Margiela, em 1988, ele decidiu, desde o início, que faria do anonimato uma das suas características essenciais, recusando o aparecimento do seu nome nas suas criações, adotando a etiqueta branca costurada nos quatro cantos como sua marca registrada. O famoso “blanc de Meudon” é escolhido como assinatura dos seus desfiles. Desde o início, Margiela desenvolve um trabalho contra a corrente da época da logomania e da padronização, e se destaca em seu meio. Ele surpreende com seus cortes construídos-desconstruídos, suas silhuetas oversize, seus materiais reciclados, ou mesmo os tecidos monocromáticos, que destacam o aspecto artesanal das suas criações.

Foi em outubro de 1997 que Jean-Louis Dumas, então presidente e diretor artístico da Hermès, convidou Martin Margiela a desenhar as coleções de prêt-à-porter femininas, quando este já era considerado, depois de quase uma década, como uma das figuras vanguardistas mais influentes. Era uma escolha audaciosa, que rompia com as tendências do universo da moda de escolher estilistas estrelados. A maison Hermès tem, então, um fator surpresa ao convidar este criador iconoclasta que ninguém (ou quase ninguém) conhece o rosto, e que dispensa os holofotes e o mundo do entretenimento.

Entre 1997 e 2003, acompanhado da expertise do estúdio e dos ateliês da maison Hermès, da qual compartilhava seus valores, Martin Margiela instaura, por meio de 12 coleções consecutivas, uma visão coerente e profunda de um luxo contemporâneo. Conforto, atemporalidade, sensualidade e autenticidade são as palavras-chave para definir a visão de Margiela da mulher Hermès, associada a um estilo apurado. A nova paleta de cores sóbrias e monocromáticas que ele apresenta estão alinhadas ao universo colorido das estampas da Hermès, suscitando a surpresa da imprensa.

Desde a entrada da exposição, o visitante descobre dois estilos distintos que propõem um diálogo apaixonado entre as roupas que Margiela criou para a Hermès e aquelas que ele criou para sua própria Maison. O conjunto se desenvolve com uma sucessão de sequências temáticas de mais de 100 silhuetas, de fotos e de vídeos num percurso que alterna entre o laranja inconfundível da maison Hermès e o branco da Maison Martin Margiela.

Desse modo, o visitante aprende um pouco do processo criativo que navega sem confusão entre as duas maisons e de cada um dos seus códigos. É a primeira vez que o Musée des Arts Décoratifs se dedica a destacar um ícone da história da moda, com um criador que se desdobra entre as colaborações para as outras Maisons e a sua própria.

Conceitual e subversivo, Martin Margiela revolucionou totalmente o sistema da moda no fim dos anos 1980, e suas criações continuam sendo importantes impressões no universo da moda contemporânea, com uma silhueta vanguardista pautada na desconstrução, a reciclagem e recuperação de materiais. Margiela introduz na Hermès um esboço de cortes e colores com base nos materiais excepcionais da selaria parisiense, e integra numerosas inovações.

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A exposição no Musée des Arts Décoratifs homenageia esta figura única da moda, celebrando o estilista em comunhão com a retrospectiva “Margiela/Galliera, 1989-2009” e, até o dia 15 de julho, é possível comprar o 2º bilhete com tarifa reduzida na apresentação do bilhete da outra exposição. O bilhete integral (plein tarif) para o Musée des Arts Décoratifs custa €11, e o museu está aberto de terças a domingos das 11h às 18h (a bilheteria fecha às 17h15), e às quintas-feiras fica aberto até as 21h (a bilheteria fecha às 20h15).

Carnaval 2018: Baile da Vogue

Acordei hoje e o Baile da Vogue 2018 ainda estava rolando! A diferença de +6 horas no fuso horário entre Brasil e Armênia tem dessas coisas: tomei meu café da manhã acompanhando os stories em tempo real e já fui elegendo as minhas fantasias favoritas – e as minhas não tão favoritas também.

O tema do Baile da Vogue 2018 foi “Divino Maravilhoso“, uma celebração do Brasil, das nossas tradições e da nossa cultura. A minha cabeça musical já associa o tema à Gal Costa, Secos e Molhados, Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes. Vamos aos looks?

Baile da Vogue 2018 - Valesca Popozuda

Valesca, essa maravilhosa, eu não esperava nada diferente dela! A fantasia não só é super adequada ao tema, ao celebrar a fauna brasileira, mas também combina muito com a personalidade dela!

Baile da Vogue 2018 - Patrícia Poeta

Patrícia Poeta também celebrou a fauna brasileira num vestido justíssimo e muito elegante. A interpretação dela do tema me pareceu muito condizente com a figura de jornalista/apresentadora/mãe, sensualizando mas sem exageros. Amei o conjunto da obra.

Baile da Vogue 2018 - Dudu Bertholini

Dudu Bertholini de Elke Maravilha é, pra mim, um dos grandes destaques da noite. Os anéis de sol e lua de Elke deram aquele toque pessoal sensacional à fantasia. Elke é patrimônio nacional e a homenagem é mais do que justa.

Baile da Vogue 2018 - Ticiane Pinheiro

Tici Pinheiro foi de brigadeiro! Achei justo: se tem uma coisa do Brasil que é divino and maravilhoso é brigadeiro! E, em todas as fotos/vídeos que eu vi, ela parecia estar mesmo se divertindo, aproveitando cada segundo. Me senti representada: falou em comida, principalmente comida tradicional brasileira, eu já tô celebrando o patrimônio nacional!!

Baile da Vogue 2018 - Débora Nascimento

A gravidíssima Débora Nascimento compareceu representando Oxum, orixá feminino das águas doces, rios, cachoeiras, da riqueza, amor e prosperidade. Achei a fantasia chique, porém tem algo na maquiagem dela que me incomoda – possívelmente a sombra. Em todas as fotos que vi, ela me pareceu pálida, sem o brilho característico da gravidez. Uma pena, porque ela é linda demais!

Baile da Vogue 2018 - Marina Ruy Barbosa

Uma das rainhas do Baile da Vogue, Marina Ruy Barbosa também optou pelo look chique, e a referência lúdica ao tema ficou por conta do cocar adereço da cabeça. Andei lendo por aí que a fantasia era de arara azul, mas achei confuso! Eu adoro a Marina Ruy Barbosa, acho que ela acerta muito nas produções, mas tem algo nesse longo que me pareceu errado – talvez a cor? Se esse vestido fosse de uma cor quente (pensei em vermelho, laranja, dourado), acho que ficaria mais exuberante.

Baile da Vogue 2018 - Thássia Naves

Agora, falando em acertar nas produções, Thássia Naves está sempre de parabéns: ela não erra uma! Chegou no Baile fantasiada de Maria Bonita, e é provavelmente a minha fantasia favorita da noite. Não sei se eu amo mais o “chapéu” ou o cantil; talvez ame os dois igualmente. A fantasia de cangaceira está adequada ao tema, e a sensualidade velada deixou o conjunto da obra ainda mais elegante; a maquiagem tá com cara de saúde, e ela tá brilhando. Eu reciclaria essa fantasia numa boa então, Thássia, pode mandar aqui pra Armênia que eu aceito! Hihihi!

Baile da Vogue 2018 - Lari Duarte

Achei a fantasia da Lari Duarte apenas deslumbrante. A inspiração em Tarsila do Amaral e esse tanto de folhagens verdes resultaram numa fantasia elegantíssima, que também dá pra ver que é muito condizente com o estilo dela. Roupas com transparências de tule me incomodam 98% do tempo, mas não foi o caso nesse vestido: tá tudo em harmonia, e extremamente elegante.

Baile da Vogue 2018 - Helena Bordon

Falando em elegância e fantasia deslumbrante, Helena Bordon sempre incorpora esses adjetivos, e neste ano não foi diferente: a fantasia de arara azul ficou espetacular. Exaltou a fauna brasileira da maneira mais elegante possível, e esse tom de azul é maravilhoso pra ela.

Baile da Vogue 2018 - Lu Tranchesi

Lu Tranchesi acertou muito na fantasia de Jaci (a deusa da Lua na mitologia Tupi),  que cria a ilusão de uma pintura corporal Tupi. Tá linda, tá chique, e ela mesma contou que se fantasiou de índia muitas e muitas vezes na infância: ou seja, tem memória afetiva envolvida, e isso certamente deixa tudo mais especial.

Baile da Vogue 2018 - Camila Coutinho

Essa fantasia da Camila Coutinho me deu preguiça, e pareceu que ela também teve preguiça ao pensar no look carnavalesco. A justificativa é o sincretismo religioso e a fé brasileira, mas pra mim foi mais uma vontade de sensualizar ao extremo do que seguir o tema e/ou fantasiar-se. Talvez se trocasse a capa por uma saia armada, ainda que desta mesma renda transparente, eu conseguiria ver uma baiana carnavalesca, que também tem essa tradição de sincretismo religioso, e ficaria menos incomodada.

Baile da Vogue 2018 - Julia Faria

Julia Faria escolheu homenagear a Timbalada, e eu gostei bastante: tá adequada ao tema e ainda faz referência à Bahia que ela tanto ama.

Baile da Vogue 2018 - Rafaella Brites e Felipe Andreoli

Rafa Brites, acompanhada do marido Felipe Andreoli, também foi de cangaceira. Essa fantasia de cangaceira tá bem mais roots do que a da Thássia, e não menos bela. Tem sensualidade na medida certa, e tá bem elegante. E ela, que é super gente como a gente, disse que prefere abraçar as coisas deliciosas da vida do que vestir tamanho 36. Maravilhosa!

Baile da Vogue 2018 - Thaila Ayala e Renato Góes

Mas no quesito casal, não tem pra ninguém: Thaila Ayala e Renato Góes arrasaram como Rita Lee e Sergio Dias! A referência aos Mutantes foi um tiro certo, eles ficaram extremamente elegantes e eu adoro quando os homens entram no clima e também vão além do smoking. Thaila ainda teve o bônus da franjinha, que cortou recentemente para interpretar uma Letícia no cinema (franja é tão Letícia, gente hihihi), e que é uma marca registrada da Rita Lee. Esses aí tão mesmo divinos e maravilhosos, exaltando uma das maiores parcerias do rock nacional, meus parabéns.

Baile da Vogue 2018 - Sabrina Sato

E é claro que eu tinha que deixar o melhor para o final: ela, Sabrina Sato, fantasiada de Miss Amazonas, é uma visão deslumbrante. Essa fantasia poderia facilmente ser um dos seus trajes como rainha de bateria: está luxosa, sexy, exuberante. Eu confesso que tenho um girl crush na Sabrina desde que a vi sambando pela Sapucaí pela primeira vez, lá nos idos de 2012, principalmente porque ela ama mesmo o carnaval e nunca decepciona nas fantasias, na alegria e no rebolado. Ela veste mesmo a fantasia que escolhe, brilha muito, bota o corpão pra jogo, e deixa todo mundo no chinelo. É como eu sempre digo: Sabrina é rainha, o resto é princesinha.

O Baile da Vogue 2018 contou com um super buffet com diversas comidas tradicionais brasileiras, e eu confesso que fiquei babando, morrendo de saudade de um torresminho, uma goiabada, uma bolinha de queijo, uma coxinha, um pão de queijo e, principalmente, de uma água de côco!

Moda tradicional da Geórgia

A Geórgia, país vizinho da Armênia, também tem uma cultura riquíssima (e uma culinária deliciosa!). Embora ainda não tenhamos visitado o país, a proximidade entre eles nos permite conhecer bastante da cultura georgiana mesmo do lado de cá da fronteira. E foi um pouquinho disso que aconteceu dia desses, quando fomos a uma exibição de roupas tradicionais georgianas, organizado pela Embaixada da Geórgia na Armênia.

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Na exibição, pude aprender um pouquinho mais sobre os trajes tradicionais georgianos, de acordo com as regiões históricas do país.

Mtskheta-Mitianeti

As roupas femininas eram relativamente lisas, com predominância da cor preta, e o tecido tingido naturalmente. O padrão de costura dos vestidos era em formato de túnica, com a frente decorada com longas peças prateadas, e o conjunto das roupas femininas era inimaginável sem acessórios prateados. Na cabeça, um lenço duplo de lã; para sobreposição, uma capa quente com mangas falsas; nos pés, meias listradas de lã.

As roupas masculinas, por sua vez, consistiam de uma blusa (juba) e um casaco, que parece uma túnica do Cáucaso. A vestimenta é decorada com bordados. Tecidos coloridos, com apliques, listras e cruzes. No inverno, os pachiches eram usados para aquecer e proteger os joelhos, costurados com lã e decorados com bordados. Na cabeça, um chapéu de pele de ovelhas, típico dos pastores.

Os criadores deste tipo de roupa tentaram fazê-las de uma maneira prática, bonita e que refletisse o seu espírito de mundo e a natureza que os cercava.

Kakheti

As roupas da região de Kakheti, tradicionalmente de viticultura e vinícolas, é caracterizada principalmente pelas saias masculinas relativamente curtas, ajustada logo abaixo da cintura, e presas por um cinto. Na cabeça, um pequeno chapéu preto. Era a roupa dos habitantes de uma região fazendeira, adequada para os trabalhos na vinícola.

Samtskhe-Javakheti

As roupas tradicionais são inspiradas nos retratos seculares preservados nas pinturas medievais Georgianas, com pedaços característicos de plásticos, e as roupas da corte real da Geórgia, principalmente da Rainha Tamar, registrada em afrescos.

Achara

A silhueta dos vestidos femininos é simples, ajustada ao corpo, marcando a cintura, com uma ampla saia, e frente triangular. A estampa do vestido é tipicamente Georgiana, mas abaixo da cintura é enrolado decorativamente de modo efetivo, amarrado na cintura com uma longa corda multicolorida. Na cabeça, o bashlyk (qabalakhi) é usado amarrado em torno da cabeça. Este tipo de adereço é usado pelos homens nas regiões de Achara e Guria.

Guria

Os homens usavam, em geral, a chakura, uma túnica curta, e calças com um amplo gancho, e peças especiais para os joelhos costurados nesta altura. A estampa tradicional é parecida com as roupas tradicionais dos homens na região de Achara. As roupas eram costuradas a partir de lã, linho ou veludo. Estas roupas eram sempre usadas com um bakhlyk, decorado com outro e prata.

Samegrelo-Zemo Svaneti

As roupas das mulheres de Megrelian consistiam de duas partes: um colete curto de veludo, com longas mangas falsas e fechos prateados (chaprastes) eram usados com uma longa saia, com mais tecido na parte de trás. Nas cabeças, em geral usavam apenas um véu, livremente colocado sobre a cabeça.

Kvemo Kartli

A chokha também era muito usada nessa região, e pode ser considerada a sucessora dos vestidos masculinos. Na Geórgia, existem variedades de chokhas, diferenciadas de acordo com as regiões, seus comprimentos, número de lapelas, formato das mangas, bolsos de pólvora decorativos, etc. O material das chokhas é a lã, geralmente nas cores preta, terra, azul, ou outros tons escuros. Em Kartli, a chokha era costurada com uma estampa mais festiva. Era usada com o cinto de couro, decorado com prata, e atributos necessários como espada ou adaga.

Os vestidos femininos tinham uma frente lisa que, para ocasiões festivas ou casamentos, eram ajustados na cintura e decorados com bordados ou pedras preciosas. A principal decoração do vestido é o cinto. Uma jaqueta curta, feita basicamente de veludo, com mangas falsas, era por vezes usada sobre o vestido. Um dos principais elementos dos vestidos femininos era a chikhiti-kopi, uma peça usada na cabeça como uma faixa, geralmente feita de veludo e brocados. Acima desta feita, usava-se um lenço ou véu, comumente feito de seda ou outro tecido fino.

  

Imereti

Um grande casaco chokha era o tipo de roupa mais comumente usado em todo o Cáucaso. Tornou-se uma roupa secular no século 17. Na Geórgia Ocidental, as chokhas eram mais compridas, usadas com um cinto prateado ou de couro para ajustada-las. Alguns acessórios necessários para o casaco eram bolsos para cartuchos, que, antigamente, eram usados para armazenar pólvora e, posteriormente, se tornaram apenas adereço decorativo das chokhas. Por baixo das chokhas, usava-se uma túnica com botões e ajustada ao corpo.

Shida Kartli 

Diversas peças compunham os trajes femininos. Uma saia e uma jaqueta longa e com mangas falsas; as mãos eram cobertas com um fino tecido transparente; nas cabeças, um chapéu alto, decorado com bordados, e um véu ou um longo pedaço de seda ou cetim, decorado com pedras aplicadas ou bordados. Acessórios de prata eram sempre usados com esse tipo de roupa na região.