Várias maneiras de usar uma camisa social de acordo com Dior

Estamos chegando perto do final da semana de moda de Paris, a última das semanas de moda desta temporada, e um dos meus desfiles preferidos até agora foi o prêt-à-porter primavera/verão 2020 da Dior.

Sob direção criativa de Maria Grazia Chiuri, a maison francesa (que já teve Yves Saint Laurent no comando) lançou um olhar crítico sobre a crise climática e na sustentabilidade, ao mesmo tempo em que homenageou Catherine Dior (a Miss Dior original), irmã de Monsieur Christian Dior que muito o inspirou durante a sua vida, que era apaixonada por jardinagem. Miss Dior participou da Resistência Francesa e chegou a ficar em um campo de concentração alemão durante a Segunda Guerra Mundial.

O desfile idealizado por Chiuri transformou o Hippodrome de Longchamp em uma verdadeira floresta a partir do trabalho conjunto com o coletivo Coloco (que trabalha com espaços verdes e regeneração urbana) com 160 árvores de origens diversas que serão plantadas em projetos por toda a cidade de Paris. O conceito do desfile revelava, então, que o respeito pela diversidade e pela natureza poderá nos libertar.

Particularmente, eu amei os chapeuzinhos presentes em vários looks, e também sou fã do coturno. Mas o que eu quero trazer do desfile da Dior pra esse nosso cantinho são as diversas maneiras de usar uma camisa social. Sim, uma peça tão básica, clássica e que todos temos no armário apareceu num total de 13 looks de um dos desfiles mais importantes de qualquer temporada de moda, em várias propostas diferentes.

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A camisa social de cor azul foi escolhida pela Dior para compor diversas produções, das mais clássicas até as mais fashionistas. O primeiro look do desfile foi um macaquinho com a camisa social azul. A sobreposição das duas peças é uma alternativa interessante para dias mais frescos.

Alfaiataria com camisa social é uma combinação comum, mas fica mais moderna por conta da cor da camisa.

Por sua vez, quando combinada com saia longa, a camisa social azul ganhou uma vibe meio boho, resultando num look sofisticado, moderno e confortável.

Já com os vestidos acinturados e ligeiramente rodados, a camisa azul ganha ares românticos. Reparem que em 2 dos looks as golas da camisa ficam por dentro dos vestidos, em mais um truque de styling que tira a peça do lugar comum. O coturno faz o contrapeso perfeito ao romantismo do look, deixando tudo muito atual.

Nos looks com casacos mais amplos, a gola da camisa aparecendo é um detalhe que faz toda a diferença. O contraste das cores das peças também traz informação fashionista para o look.

Uma gola alta por cima da camisa, como nos looks acima, deixa todo o destaque para as mangas, num truque de styling muito simples mas que modifica completamente o look.

Pra mim, esse desfile da Dior foi um exemplo perfeito da importância das semanas de moda: muito mais do que querer reinventar a roda, os estilistas e diretores criativos das grandes maisons podem aproveitar seus desfiles para apresentar truques de styling que podem atualizar nossos looks com peças básicas que já temos nos nossos armário.

 

*todas as imagens deste post foram divulgadas no site da Dior.

Em busca do #aerolook perfeito

Bem, pra começo de conversa, a perfeição pode ser discutível; afinal de contas, o que é perfeito pra mim pode não ser perfeito pra você por diversos motivos.

Entretanto, podemos pensar em algumas linhas gerais que ajudam a montar um #aerolook elegante & confortável – afinal de contas, é sempre bom vestir-se com elegância e conforto.

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meu #aerolook voltando do Rio agora em maio

Quando eu penso em #aerolook, penso em confortáveis camadas de roupa, preferencialmente em cores escuras. Já aconteceu de cair bebida, molho e comida nas minhas roupas em vários aviões e aeroportos desse mundo, e roupas de cores escuras escondem melhor esse tipo de acidente, uma vez que a próxima oportunidade de tomar um banho e trocar-se ainda pode estar a horas de distância.

Ao vestir-se para um vôo, as camadas de roupa são úteis porque podemos enfrentar diferentes temperaturas desde a hora que saímos de casa ou do hotel até o momento de chegar ao destino. No verão, por exemplo, eu geralmente viajo de t-shirt de manga curta, com um casaco quentinho sempre à mão. Se o destino for de inverno, o casaco mais pesado já vai na mão/corpo, economizando espaço na mala. Eu lembro de uma época em que o Galeão estava sem ar condicionado funcionando na área de embarque internacional, eu estava levando grupo pra Orlando em janeiro (ou seja, inverno nos EUA), e o único jeito de sobreviver ao calor do Rio em pleno verão foi tirando os casacos e cachecóis até a hora de entrar no avião.

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óculos escuros + casaco quentinho + tricô + calça de moletom + all star

Eu SEMPRE viajo de calça porque, além de ser friorenta, acho que as calças nos dão mais liberdade de movimento nesse lugar desconfortável que é o avião. Entretanto, eu particularmente não gosto de viajar de calça jeans; prefiro calças de moletom (tenho sempre uma ou duas calças de moletom pretas da Hering novinhas em casa!), ou de tencel, ou outros tecidos molinhos e quentinhos. E eu sempre carrego uma echarpe/cachecol dentro da bolsa, que eu consiga pegar fácil e rapidamente, que faz as vezes de manta quando o ar condicionado do avião está gelado demais.

Roupas muito apertadas não são amigas de longos vôos, porque nós costumamos inchar enquanto voamos. Quando inchamos, roupas apertadas não só incomodam como também atrapalham a circulação – que já sofre nas alturas. Para garantir o bem-estar do nosso corpo, outra boa dica é escolher tecidos respiráveis (alô fibra natural!) que, além de garantirem o conforto, reduzem as chances de odores indesejados e são mais elegantes. E, falando em elegância, as roupas apertadas não só são menos práticas como também são escolhas menos elegantes.

Saltos altos não tem espaço na minha vida por conta de uma dor crônica que eu tenho no tornozelo direito, mas mesmo pra quem pode andar de salto eu não recomendo essa escolha para encarar aeroportos e aviões. Nos aeroportos, a gente nunca sabe o quanto vai andar, ou quanto tempo vai ficar em pé, e nem mesmo se vai conseguir um carrinho para empurrar as malas. Para viajar, é preferível usar tênis, ou então optar por sapatilhas. Se você for sair do avião direto pra um compromisso profissional e você queira muito usar salto, recomendo ir de sapatilha e levar o salto na bolsa.

Outro item indispensável num #aerolook é um bom par de óculos escuros. Além de proteger do sol, inclusive nas alturas durante os vôos diurnos, pode esconder as olheiras depois de uma noite mal dormida (ou nada dormida).

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Particularmente, eu não gosto de viajar de mochila, porque me cansa muito mais rápido; já que eu tenho MUITA dificuldade de dormir em avião, eu tento salvar toda a energia que eu puder guardar nessa “rotina de aeroporto”. Isso não significa que eu não viaje de mochila, pelo contrário, tem acontecido até com frequência ultimamente. Mas o jeitinho que eu mais gosto de carregar minhas coisinhas na bagagem de mão é numa mala de rodinhas (preferencialmente daquelas que giram 360˚) com uma bolsa Longchamp Le Pliage, que vai embaixo do banco da frente. Eu sou MUITO FÃ do modelo Le Pliage da Longchamp, tenho de várias cores e tamanhos porque eu uso MUITO; eu confesso que fico até meio perdida quando viajo sem uma delas!

Para os homens, o  #aerolook também deve seguir a máxima do conforto + elegância, e a dica das cores escuras nas roupas também tá valendo. Carregar seus itens pessoais numa bela mochila de couro pode elevar seu look, e também não esqueça seus óculos escuros.

Os looks da première de Crimes of Grindelwald em Londres

Se ontem teve blue carpet em Londres, é claro que hoje tinha que ter análise por aqui – não só outros integrantes do elenco (e também velhos conhecidos dos filmes da série Harry Potter!) participaram da première londrina, mas também vários dos atores parecem ter lido meu post sobre a première francesa para escolher seus looks de ontem! Brincadeiras a parte, deu pra perceber que muitos corrigiram importantes “erros” cometidos em Paris.

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Vamos de novo começar por J. K. Rowling, porque se não for pra começar pela rainha, a gente nem analisa! Afinal, se não fosse por ela, nem ia ter blue carpet pra analisarmos os looks!

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Tia Jô foi combinando com o blue carpet ao escolher um vestido azul em crepe. Eu amo roupa de crepe, acho esse tecido chique até não poder mais, e acho que a textura leve combinou muito com a ocasião. Azul marinho é o neutro mais democrático de todos e, no caso de Rowling, foi certeiro ao ser repetido nos acessórios.

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Tia Jô nem é gente, é anjo! Reparem só como os olhos da rainha brilham. Lindíssima! Agora imagina tia Jô com esse vestido numa versão verde? Divina.

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Eddie Redmayne (Newt Scamander) foi novamente acompanhado de sua esposa Hannah Bagshawe, que estava um deslumbre com este vestido Alexander McQueen, integrante da coleção de pré-outono de 2015. A golinha alta, as mangas compridas e a renda belíssima deixaram Hannah impecável, e eu amei MUITO o cabelo solto, achei que valorizou muito a beleza natural dela.

 

Agora vamos parar um minuto para analisar os detalhes do look do Eddie, que estava maravilhoso. Primeiro, esse costume vinho de abotoação dupla ficou um desbunde, tá tudo equilibrado e eu achei que a cor ressaltou as sardinhas do nosso querido Newt. O relógio foi o toque final de um look perfeito, a correia era quase da cor do costume, criou-se uma harmonia ímpar. Nota 10 pro truque de styling da gravata preta combinando com os botões pretos do costume e o sapato preto.

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Johnny Depp, como eu estava ansiosa pra te ver nesse blue carpet! Eu sou super fã dele desde os meus 12 anos, e eu fiquei muito muito muito feliz quando ele surgiu como Gellert Grindelwald no final de Fantastic Beasts and Where to Find Them. Depp está acostumado com grandes premières, mas ontem achei que ele estava visivelmente emocionado em ser acolhido pelo fandom do Wizarding World de uma maneira tão calorosa (melhor fandom, né, mores).

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Eu amo o estilo do Johnny Depp, essa coisa meio rockstar meets Captain Jack Sparrow, e achei o styling certeiro ao escolher esse blazer de suede (olha a importância da textura aí, gente) com o mix de colares fazendo as vezes de gravata. Em um dos colares, acho que vi a foto da filha de Depp quando era criança, achei fofo. Eu tenho 99% de certeza de que a cartela do Johnny é inverno profundo, o que explica ele ficar tão bem de preto e com acessórios prateados. Reparem que Depp ainda está com o corte de cabelo que adotou para Grindelwald, e eu fico cada vez mais ansiosa pra ver o que mais ele trouxe pro personagem de maneira brilhante.

 

Podia ser só um momento para apreciação da amizade e abraçoes entre Dumbledore e Grindelwald, mas quero mesmo que vocês reparem em duas coisas:

  1. notem os acessórios escolhidos por Depp e Jude Law. Depp tem um acessório azul pendurado na calça, que parece um chaveiro displicentemente colocado no bolso mas que eu tenho certeza de que estava ali cumprindo uma função de styling. Por sua vez, Law escolheu um chapéu fedora marrom para arrematar seu look.
  2. tanto Depp quanto Law optaram pela “terceira peça” com textura diferente, o que é um super truque de styling que não requer muito esforço.
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“You know, Minister, I disagree with Dumbledore on many counts… but you cannot deny he’s got style …” – Phineas Nigellus Black

Então vamos falar dele, Jude Law, que ganhou o prêmio do meu look preferido na première de Paris e não decepcionou em Londres. Já reparamos na textura da jaqueta, e agora vamos focar na cor: beringela. Escolher uma jaqueta beringela foi um ótimo truque pra fugir do preto porque, dependendo da luz, parece preto mas sem trazer o peso da cor para peles quentes. Adorei também a bainha da calça um pouquinho mais curta pra deixar aparecer um pedacinho da meia, é o tipo de truque de styling que dá mais personalidade ao look. De fato, Dumbledore tem muito estilo!

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Ezra Miller (Credence Barebone) acertou em cheio ao vestir-se de Hedwig! Ezra é um espetáculo ambulante, e eu achei muito legal que ele usou as duas oportunidades de première para homenagear personagens do Wizarding World. O look é Givenchy, e nenhuma ave foi machucada para que essa roupa fosse feita (preocupação do ator). Reparem nas mãos de Ezra: além de uma pequena Hedwig, as palmas das mãos do ator tem escrito “Avada Kedavra”, uma das três maldições imperdoáveis. Ezra é muito fã de Harry Potter, já contou isso várias vezes, e vê-lo parte do Wizarding World é praticamente uma realização do sonho de todo Potterhead.

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Quem brilhou muito foi Katherine Waterston (Tina Goldstein): além de escolher uma cor que foi super adequada para seu tom de pele, a atriz revelou sua gravidez! Talvez por isso ela tenha escolhido aquele vestido volumoso para a première de Paris, querendo deixar a surpresa para ser revelada só na última première! Esse vestido amarelo foi lindo, e na transmissão deu pra ver que ela também estava com um trench coat verde bem escuro pra não sentir frio.

 

Zoë Isabella Kravitz (Leta Lestrange) foi de Giorgio Armani fúcsia brilhante (pequenas lantejoulas, de novo), custom-made. O look estava muito glamuroso, bem diva de Hollywood e, o melhor de tudo, não parecia estar sufocando o busto da atriz. Adorei o brinco verde, adoro verde e rosa, viva a Mangueira!

 

Callum Turner (Theseus Scamander) foi de novo correto, mas acho que gostei mais deste costume do que daquele que o ator usou em Paris – talvez seja o bolso duplo, mais característico da tradição britânica, acho elegante. Se eu tivesse que chutar, me parece que Turner tem tom de pele frio; repare como os olhos dele brilham mesmo de camisa branco puro e terno preto!

 

William Nadylan (Yusuf Kama) parece que leu meu post analisando os looks de Paris! Gentes, isso é que é look com interessância pro red blue carpet! Não teve tweed como eu tinha sugerido, mas teve textura de sobra, e muita personalidade. Ele até me pareceu mais feliz, e podem ter certeza de que os nossos outfits influenciam e muito na maneira como nós nos sentimos e expressamos.

 

Lembram que eu disse que a Alison Sudol (Queenie Goldstein) fica muito bem de branco? Olha ela toda maravilhosa com esse MiuMiu longo branco de detalhes prateados! É outra que parece um anjo! Amei o cabelo meio bagunçadinho, com essas ondas quase cariocas de quem foi pra praia e deixou o cabelo secar naturalmente. A make quase nada também valoriza a beleza natural de Alison. Perfeição!

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Claudia Kim (Nagini) acertou de novo no look, com mais um pretinho nada básico e muito perfeito, by Christian Siriano. O que eu realmente quero comentar é a perfeição do único acessório escolhido pela atriz:

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um brinco que parece uma presa! De acordo com minhas investigações, o brinco é Shaun Leane. Tem também um anelzinho bem discreto, mas fato é que com um vestido desses não precisava mesmo de muita coisa, e a escolha do styling de usar o brinco só numa orelha, e ainda com uma forma que faz referência a sua personagem na história, foi truque de mestre!

 

Dan Fogler (Jacob Kowalski) foi certamente o maior upgrade da noite se compararmos os looks das duas premières. Olha que coisa mais linda mais cheia de graça! Estava elegantíssimo com um tux que alongou a silhueta. Não tem nem muito mais o que falar, look perfeito, parabéns pela escolha, nota mil pro rei do Brasil!

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Jamie Campbell Bower (jovem Grindelwald) já é velho conhecido do fandom do Wizarding World porque ele já tinha assumido o papel do jovem Grindelwald no filme Harry Potter and the Deathly Hallows pt1! Muito legal vê-lo de volta ao papel, e cruzando o blue carpet com o truque de styling da camisa abotoada até em cima e sem gravata; ficou jovem, moderno e super elegante.

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Outro velho conhecido do fandom é Jason Isaacs! O ator, que desempenhava o papel de Lucius Malfoy nos filmes da série Harry Potter, é fã confesso do Wizarding World e eu fiquei super feliz de vê-lo prestigiando o lançamento de Crimes of Grindelwald. Sobre o look, tá meio desarrumado, né? Como ele não faz parte do elenco, de fato não precisava ir de smoking nem nada assim, mas podia ter rolado um pouquinho mais de esforço. Pra não dizer que não falei de flores, o acerto fica por conta da escolha da cor da jaqueta, que repete o tom de azul dos olhos de Isaacs.

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Helena Bonham Carter (Bellatrix Lestrange) também compareceu à première londrina para deleite dos potterheads! Infelizmente essa foi a única foto que achei da atriz no blue carpet, mas dá pra ver que ela se manteve fiel ao seu estilo ao escolher um look meio grunge chic, com botas pesadas, tule e renda. Helena é muito amiga de Johnny Depp e achei fofo ela ter ido prestigiar o amigo que agora também faz parte do Wizardig World.

Desde a noite de ontem, o filme Fantastic Beasts: Crimes of Grindelwald está em exibição em algumas (muitas) salas do Brasil em caráter de pré-estreia. Se no Brasil eu ainda morasse, já teria visto o filme! Mas aqui na Armênia o filme só começa a ser exibido amanhã mesmo, então se Deus quiser amanhã estaremos lá no cinema pra matar a curiosidade e acabar com a ansiedade!

Os looks da première mundial de Crimes of Grindelwald em Paris

Pra quem ainda não sabe, eu sou fã confessa do Wizarding World criado por J. K. Rowling, que começou com Harry Potter e agora encanta com a série de filmes Fantastic Beasts. Ontem teve a première mundial do 2º filme da série – Crimes of Grindelwald – em Paris, e venho aqui analisar os looks do elenco que riscou o red carpet montado no 12ème arrondissement! Essa análise pode ser bem enriquecedora quando observamos os truques de styling que vão para o tapete vermelho e que podem ser aplicados no dia a dia!

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Vamos começar por ela, a rainha de tudo, J. K. Rowling, também conhecida como tia Jo! Ela usou um longo verde maravilhoso, que eu tenho 99% de certeza de que está na cartela de cores dela.

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Joanne Rowling é ruiva de nascença e, embora já tenha tido fases mais loira, está assumindo o ruivo com louvor nos últimos anos. Durante a transmissão ao vivo, deu pra ver claramente o quanto o vestido verde acendeu o cabelo ruivo, o olho brilhando, a pele ficou viçosa, e ela ficou ainda mais bonita.

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Tia Jo foi acompanhada do marido, Neil Michael Murray, que escolheu cruzar o red carpete de kilt! Eu particularmente adorei o styling, e amei que o tartan de Neil tem um tom de verde muito próximo da cor do vestido da tia Jo, criando uma harmonia visual entre o casal.

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Outro casal digno de destaque foi Eddie Redmayne (Newt Scamander) e Hannah Bagshawe. Eddie estava super elegante com um terno cinza e casaco caramelo, e o equilíbrio das cores ficou maravilhoso: eu acho que o Eddie tem subtom de pele quente, então a frieza do cinza fica mais aquecida com o casaco caramelo e a gravata vinho. Repare bem como os olhos do Eddie brilham! Hannah, que recentemente deu à luz ao segundo filho do casal, escolheu um Dior couture da coleção de primavera/verão 2018. O vestido é uma verdadeira obra de arte, parte de uma coleção inspirada pelos efeitos ousados do Surrealismo. Só tenho um pouco de dúvidas sobre o penteado escolhido: preso, com certeza, mas acho que um pouco mais de volume talvez tivesse ficado mais interessante!

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Embora eu tenha um pouco de implicância com vestido sobre calça, Katherine Waterston (Tina Goldstein) estava bem chique com esse vestido de tule por cima de calça de alfaiataria. O vestido tinha um volume interessante, que Katherine fazia questão de acentuar para as fotos ao levar as mãos aos bolsos da calça. Durante a transmissão, a atriz confessou que estava sentindo frio, e me solidarizei com ela.

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Zoë Isabella Kravitz (Leta Lestrange) escolheu um Yves Saint Laurent tomara-que-caia preto & rosa de paetês. Por mais que eu ache a Zoë maravilhosa, esse Saint Laurent foi uma escolha bem ruim pra ela, e eu explico: a primeira coisa que a gente nota quando observa a atriz é que o vestido está ultra apertado e provavelmente bastante desconfortável! Fica difícil até de notar a cara da atriz quando os seios estão praticamente pulando pra fora do vestido. Ademais, estamos no meio do outono, e as temperaturas já não pedem ombros de fora assim. Uma pena, porque a Zoë é uma das referências de estilo desse elenco! Vamos ver o que ela vai escolher para a première de Londres na próxima terça-feira!

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Callum Turner (Theseus Scamander) interpreta o par romântico de Zoë no filme, e foi correto de costume. Durante a transmissão, deu pra ver que ele estava claramente se divertindo muito na première, e certamente a escolha de um costume corretamente ajustado ao ator contribuiu para isso – afinal, roupa apertada ou larga demais pode atrapalhar e muito um ser humano!

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Quem também escolheu um modelo Yves Saint Laurent foi Claudia Kim (Nagini). Naturalmente faltou coordenação dos looks entre as atrizes, já que ambas escolheram modelos em paetê preto da mesma maison! Claudia fez uma escolha mais inteligente: o vestido parece que foi feito pra ela, e ao optar por mangas compridas ficou mais adequado à temperatura outonal (compreendo as pernas de fora, tem muita gente que ainda está andando assim mesmo com os termômetros marcando 6ºC!). Eu particularmente gostaria de vê-la com uma roupa verde escura no red carpet! Quem sabe na première de Londres?!

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Ezra Miller (Credence Barebone) não surpreendeu ao surpreender! Calma, eu explico: Ezra é certamente o mais excêntrico do elenco, e os looks dele sempre fogem do óbvio. Por isso eu não fiquei surpresa ao vê-lo com um look Moncler que seria super adequado para temperaturas baixíssimas e muita neve, embora essa saia(?) talvez fosse um pouco inconveniente. Pra mim, Ezra compareceu vestido de Obscurus, que, no universo criado por Rowling, é uma força mágica das trevas parasitária, desenvolvida por um bruxo quando tem sua magia suprimida física ou psicologicamente. No primeiro filme da série (Fantastic Beasts & Where to Find Them), nós vimos que Credence é hospedeiro de um Obscurus!

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Entre as estrelas femininas, o meu look favorito da noite foi certamente o da Alison Sudol (Queenie Goldstein). Alison foi de Lanvin e eu achei que ela ficou uma visão com essa roupa, cabelo e maquiagem! Eu tenho um palpite de que Alison tenha subtom de pele frio e seja inverno puro (ela fica MUITO bem de branco, o que pode ser um indicativo da cartela de cores da atriz e cantora), e a escolha do azul marinho metalizado próximo (mas nem tanto) do rosto foi muito inteligente: repara como o olho dela BRILHA!

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Dan Fogler (Jacob Kowalski) também não quis passar frio e jogou um casaco por cima do costume. A solução seria ótima (basta ver como Eddie fez o mesmo e acertou em cheio), se o restante do look estivesse correto. A impressão que eu tive durante a transmissão, e que fica reforçada com essa foto, é de que o costume não estava adequadamente ajustado: o paletó parece um pouco apertado (a ponto de não abotoar mais um botão?!), e parece que faltou bainha na calça. O caimento perfeito teria beneficiado – e muito – o nosso querido Dan!

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Aparentemente também que faltou ajuste pra William Nadylan (Yusuf Kama)! O paletó parecia bem apertado. Eu também tenho um pouco de problema com costume sem gravata, sei lá, parece que fica faltando alguma coisa. Uma solução ótima teria sido trocar o paletó de costume por um blazer usado aberto; um tweed em tons frios talvez? Eu tenho a impressão de que ia ficar bem melhor.

Na minha humilde opinião, o campeão no styling foi Jude Law (Albus Dumbledore). O ator misturou várias texturas, o que enriquece o visual, e usou essa scarf, que tem sido sua marca registrada, a seu favor; tem truque de styling ao dar esse nó quase de gravata! O blazer de veludo azul repete a cor dos olhos do ator, o que é um truque de styling excelente e faz não só os olhos brilharem mas a pele também fica com mais cara de saúde. Ainda sobre o blazer, eu adorei o detalhe da gola levantada para mostrar a estampa.

Como fazer uma versão real do Armário Cápsula?

Muito tem-se ouvido falar em capsule wardrobe, essa ideia que apareceu nos anos 1970, em Londres. Susie Faux, dona da boutique “Wardrobe” que ficava no West End, pensou num grupo de peças essenciais, e que nunca saem de moda, para ser um fundamento do guarda-roupa funcional e que poderiam ser usadas em todas as estações. Esse grupo de peças seria atualizado com peças sazonais, garantindo que seria possível vestir-se bem para qualquer ocasião sem precisar comprar muitas novas peças de roupa. Susie Faux sugeria que o guarda-roupa feminino fosse composto de, pelo menos, 2 pares de calças, um vestido ou uma saia, uma jaqueta, um casaco, um tricô, 2 pares de sapatos e 2 bolsas. Anos depois, em 1985, Donna Karan, designer americana, lançou uma coleção cápsula com 7 peças de trabalho que combinavam entre si, chamada “7 Easy Pieces” (ou, em bom português, 7 peças fáceis). O objetivo de Donna Karan era criar um guarda-roupa prático e estiloso para a mulher trabalhadora.

Ao longo dos anos, o conceito de capsule wardrobe tem sido revisitado com fórmulas prontas, sugerindo montar um guarda-roupa super completo com 30 a 37 peças. Particularmente, eu acho que o guarda-roupa cápsula não precisa ficar encaixotado num número limitado de peças ou categorias prontas: a partir do closet editing, é possível montar um armário só com itens que a gente ama, que funcionam bem pra nossa vida e pro nosso corpo. Além disso, no caso de um país tropical como o Brasil, o armário cápsula não precisa ser refeito a cada 3 meses como em países onde as estações do ano são bem definidas e, consequentemente, as temperaturas variam muito: a partir de um bom e bem pensado closet editing, qualquer conjunto de peças poderá ser incrementado de acordo com necessidades específicas, não se atrelando necessariamente às estações do ano. Mas se você, como eu, mora em um país onde as estações do ano são bem definidas, é possível também pensar em capsule wardrobes sazonais.

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se eu fizesse um capsule wardrobe de inverno pra mim, estas seriam as minhas roupas!

Ao invés de estabelecer um número específico de peças que ficarão no armário, e que será invariavelmente arbitrário – afinal, cada pessoa é única, tem necessidades específicas, gostos e preferências únicos, e estilo individual – um armário cápsula real deve começar pela diminuição de todos os excessos, deixando só o que tem uma qualidade sensacional, o que tem um caimento impecável, o que realmente funciona no seu estilo de vida, e o que se ama sem ressalva alguma. Pra isso, é preciso experimentar tudo, absolutamente TUDO o que está no armário, e fazer uma triagem honesta. Pense que você entrou numa loja, pegou um item de cada peça disponível, e levou tudo pro provador; já que a gente não deve comprar nada sem experimentar antes, será como se você estivesse fazendo compras no seu próprio armário.

Não se atenha à números, mas sim tente pensar no que cada peça de roupa te faz sentir quando você veste e se olha no espelho (mas se olhe com amor, ok? Afinal, esta deve ser uma experiência para fazer você se sentir melhor consigo). Nesta triagem honesta, é preciso ficar de olho no que pode e deve ser ajustado, obedecendo às premissas do armário cápsula. Do excesso retirado, a gente separa o que pode ser doado ou vendido, e o que pode ser guardado longe dos olhos para reavaliar depois, seja numa mudança de temperatura ou só até ganhar segurança pra doar ou vender. Nessas horas, o personal stylist tem papel fundamental: munido dos seus conhecimentos e informações profissionais, e isento dos sentimentalismos que nos atrelam às nossas próprias coisas, poderá opinar e sugerir honestamente o que deve ficar e o que deve sair do seu armário – lembrando que a decisão final será sempre sua.

O primeiro fundamento do armário cápsula é ter menos coisas, e o segundo é ter variedade: pra este conceito, não adianta ter bem menos coisas mas ter peças repetidas ou equivalentes. Nesse sentido, é melhor ter 1 tricô, 1 camisa, 1 camiseta, 1 calça jeans, 1 blusa, 1 short, 1 saia, 1 vestido, do que várias de cada uma dessas peças, mesmo que em cores diferentes. No armário cápsula, é muito eficaz ter proporcionalmente mais tops (partes de cima) do que bottoms (partes de baixo), diversificando ao máximo as combinações, e também com modelagens variadas já que o terceiro fundamento do capsule wardrobe é, exatamente, restringir o grupo de cores pra facilitar a coordenação entre as peças. Nesse ponto, o armário cápsula se parece muito com a mala inteligente, onde a gente só coloca peças que realmente ama e vai poder usar várias e várias vezes durante a viagem; no caso do armário cápsula, a viagem é o nosso dia a dia!

Quando a gente restringe as cores que se usa, montamos um grupo coerente de peças que funcionam entre si na sua plenitude: tudo combina com tudo. Nessa escolha, se a gente puder levar em consideração as cores que mais favorecem o nosso rosto, melhor ainda. Ao escolher as cores do grupo coerente de peças, é bom pensar num grupo de cores de base, num grupo de cores de suporte, e num grupo de cores pra pontuar. É claro que isso vai variar de pessoa pra pessoa: uma pessoa pode preferir tons neutros enquanto outra prefere tons coloridos, tons claros ou tons escuros. Do mesmo modo, tem gente que gosta mais de peças lisas, enquanto outros preferem estampas. É essa personalização que tornará o seu capsule wardrobe único e funcional para a sua vida!

O armário cápsula precisa atender ao seu estilo de vida, em todas as suas individualidades e preferências, com uma quantidade proporcional de peças do tipo que você mais usa para as atividades que preenchem a sua vida. É interessante pensar na sua rotina de se vestir, e identificar quais atividades tomam mais tempo dos seus dias, pensando também em ocasiões não muito frequentes, mas que, quando acontecem, são importantes. Se o seu dia a dia é preenchido por muitas horas de trabalho e poucas horas de lazer, seu armário cápsula terá mais peças de trabalho do que de lazer; se você mora num lugar onde as temperaturas costumam ser mais altas e o frio menos constante, seu armário cápsula terá mais peças de calor do que de frio. Se você é uma mãe que cuida dos filhos em tempo integral, seu armário cápsula deverá ter mais peças confortáveis e práticas (e não menos lindas). Se você trabalha em home office, seu armário cápsula deverá ter mais peças adequadas pra essa rotina do que para reuniões formais. Todas as suas atividades tem que estar representadas no seu armário cápsula, em quantidade proporcional à frequência de cada uma delas.

Alongando a silhueta sem usar preto

Já conversamos um pouquinho por aqui sobre os tipos físicos, e hoje quero mostrar pra vocês um truque que eu uso muito pra criar um efeito de silhueta alongada sem usar preto. Nós também já conversamos um pouquinho sobre análise cromática e, ao contrário do que fomos induzidos a acreditar a vida inteira, preto não é uma cor universal. Muitas vezes apostamos no “pretinho básico” porque queremos aparentar uma silhueta mais alongada, mas o efeito real que conseguimos é um envelhecimento das nossas feições se a cor for usada muito próxima ao rosto!

Então como conseguir alongar a silhueta com as nossas roupas sem usar preto? Semana passada eu usei 2 looks muito parecidos que colocam esse truque em prática, e eu vou explicar pra vocês o porquê.

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casaco Luigi Bertolli, suéter de cashmere Uniqlo, cachecol Heattech Uniqlo, calça de veludo Uniqlo, tênis Vans, bolsa Zara, óculos Ray Ban e colar Filho do Céu
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casaco Luigi Bertolli, suéter de gola alta Stradivarius, calça de veludo Uniqlo, bota Uno Shoes, óculos Ray Ban, mochila Uncle K

Como vocês podem ver, eu repeti o meu casaco velho de guerra nas duas ocasiões (esse casaco é um xodó; há quem diga que ele já tá precisando de uma aposentadoria mas tô cuidando dele com o maior carinho pra ele poder continuar na minha vida por mais tempo!). Mas o que eu quero que vocês prestem atenção mesmo é nas cores das calças e dos sapatos que eu usei!

Ambos os looks foram bem coloridos, sem usar nenhuma peça preta. No primeiro look, a calça goiaba se junta ao tênis vinho; no segundo look, a calça mostarda faz dupla com a bota caramelo. Repararam que as cores são as mesmas, apenas em tons diferentes?

O meu tipo físico é o triângulo (ou pera), e eu tenho 1,63m de altura. Ou seja: eu sou baixa e não tenho uma silhueta naturalmente proporcional. O ideal é que, pra equilibrar as curvas que eu tenho abaixo da cintura, eu use peças que chamem atenção para a região acima da cintura, como blusas coloridas e casacos com ombros estruturados, entre outros, e opte por calças de cores mais escuras. Mas eu estou de calças coloridas e mesmo assim consegui o efeito alongador!

Isso é para mostrar que há muito mais truques na manga de um personal stylist do que a se pensa! Além disso, um consultor de imagem e estilo que consegue pensar fora da caixa, considerando a personalidade e a individualidade, compreende que não há verdadeiramente regras, mas sim linhas gerais para ajudar todo mundo a se vestir e sempre alcançar o melhor possível, de acordo com as preferências pessoais. E é justamente por isso que se trata de um serviço tão pessoal: cada indivíduo é único e merece ter suas necessidades e expectativas respeitadas. Guidelines, not rules! 

Ao usar a calça e o sapato em tons próximos de uma mesma cor, eu alongo a silhueta, porque há uma suave transição visual entre calça e sapato. O mesmo seria válido com uma calça e botas pretas, ou tênis preto, mas muito menos divertido. Eu amo preto e uso muito! Já falei isso aqui e vou repetir sempre: amo preto! Mas eu também adoro cores e amo roupas de inverno coloridas, que não só fogem do mar de preto que tomam as ruas mas também injetam mais cor em dias frios e que costumam ser cinzas. Além disso, uma das coisas que aprendi com a análise cromática e a psicologia das cores é que, ao escolhermos as cores adequadas, podemos nos sentir mais dispostos para enfrentar as tarefas do dia, enquanto o preto pode drenar a nossa energia – principalmente se não fizer parte da cartela de cores individual.

Nas outras estações, em que não usamos calças compridas e botas, o truque de tons próximos de uma mesma cor continua valendo: sandálias e sapatilhas que tenham tons próximos da sua pele também criarão uma silhueta mais harmônica e alongada. É claro que, com as pernocas de fora, há outros truques para conseguir uma silhueta alongada, mas isso será assunto para outro post!

silhueta achatada
casaco Zara, calça de veludo Uniqlo, botas UGG, cachecol de cashmere Uniqlo, bolsa Prada, boina Stradivarius, óculos Tom Ford, guarda chuva Primark

Coloquei aqui também um exemplo de outro look que eu usei, com a mesma calça mostarda, pra que vocês possam comparar. O resultado é uma silhueta achatada! Eu pareço muito menor do que eu já sou, por conta do corte visual entre a calça e a bota preta! E olha que estou de casaco preto – o que, supostamente, criaria a ilusão de uma silhueta alongada! Eu não só pareço menor mas também minhas pernas parecem bem mais roliças!

Tenho escolhido fotos minhas para usar como exemplos para poder apontar todos os erros sem medo. Assim, posso explicar pra vocês quais são as melhores ferramentas para sempre atingirmos um look impecável e mostrarmos para o mundo a melhor versão de nós mesmos!