Porque você não deve cortar sua franja na quarentena

De repente, nos últimos dias, parece que todo mundo resolveu cortar o cabelo em casa. E eu perdi a conta de quantas pessoas mostraram nas redes sociais seus novos cortes de cabelo – a grande maioria, cortando uma franja pela primeira vez.

Venho, por meio deste, muito humildemente, como consultora de imagem, aconselhar que você evite cortar seu cabelo em casa e, principalmente, quero apresentar algumas razões para você não cortar uma franja pela primeira vez nessa quarentena.

Eu canso de repetir a seguinte frase: tem gente que nasceu pra usar franja, e tem gente que nasceu pra não usar franja. Parece um exagero, mas é verdade. Eu fico pensando na Sofia Vergara, por exemplo, que é uma visão de mulher, uma instituição, e perdeu muito na imagem quando cortou uma franjinha. Não me entendam mal, ela continuou linda, até porque nada pode tirar a beleza daquela mulher, mas ela fica ainda mais monumental sem franja – tanto que ela deixou crescer de novo.

Cabelo cresce, é verdade. Mas, falando com propriedade – afinal, eu uso franja desde que me entendo por gente -, parece que o cabelo e, principalmente, a franja demoram mais a crescer quando a gente quer que cresça. No meu caso, eu não usei franja por 2 momentos na minha vida – em 2001/começo de 2002 e em 2004/meio de 2005. Eu lembro que demorou muito a crescer o suficiente pra não precisar prender com grampos/arco e, quando enfim cresceu o suficiente pra incorporar ao cabelo, eu vi que aquela imagem não me representava. Desde então, eu já tentei várias vezes deixar minha franja crescer, mas além de perder a paciência rapidamente, eu não me reconheço sem franja. E, veja bem, minha franja cresce igual capim, eu tenho que cortar mais ou menos a cada 2 semanas, mas toda vez que eu penso “acho que vou deixar a franja crescer de vez” parece que ela resolve demorar um século pra crescer.

Quando a gente fala de cabelo, a gente tá pensando na moldura do rosto. Já falei um pouco disso por aqui num post sobre análise cromática e a coloração capilar. Se isso é válido para a cor do cabelo, é ainda mais importante quando pensamos no corte. O corte certo pode elevar seu visual de uma maneira incrível, enquanto um corte errado pode derrubar a sua imagem e, consequentemente, mexer com a sua autoestima de modo negativo.

Pode-se argumentar que existe um tipo de franja para cada formato de rosto. Enquanto isso pode ser verdade, eu ainda me atenho a máxima de que tem gente que, simplesmente, não deve usar franja. Quando se pensa em franja, não pode-se considerar somente o formato do rosto (embora seja aspecto fundamental também): é importantíssimo pensar na textura do cabelo, se tem ou não redemoinho, pra qual lado é a sua risca, etc.

Alguns cabeleireiros chegaram a dar entrevistas com dicas de como cortar uma franja pela primeira vez em casa, o que eu achei algo arriscadíssimo. Eles sugerem que você identifique um triangulo formado entre o topo da cabeça e as pontas das sobrancelhas, e aí faça o corte. Mas o que eles não te contaram é que a quantidade de cabelo pode ser diferente na composição desse triângulo, dependendo da textura e volume, e também do formato do rosto.

Ademais, a franja comunica, de forma geral, uma imagem muito jovial, quase infantil (dependendo da quantidade de cabelo na franja, da textura do cabelo, do corte do cabelo, etc). É sempre importante pensar na mensagem que estamos querendo comunicar com a nossa imagem, lembrando que o rosto é a nossa ferramenta principal.

Eu sei que, em tempos de quarentena, a gente fica querendo inventar coisas pra fazer. No meu caso, por mais atarefada que eu esteja com as atividades do doutorado + afazeres domésticos + produção de conteúdo, eu tenho também meus momentos de tédio e quase desespero. Aqui em casa, já mudamos todos os móveis de lugar e até compramos mais alguns na Ikea que eu montei semana passada pra criar nosso closet. Hoje (21/abril) é meu 51º dia sem sair de casa, e eu sou uma pessoa diagnosticadamente ansiosa – imagina quanta m3rd4 eu já poderia ter feito no meu cabelo nesse tempo todo?! Muita.

Desde que eu saí do Brasil, em janeiro/2017, eu nunca cortei o cabelo fora. Na Armênia, eu simplesmente não confiava no meu russo pra sentar numa cadeira de cabeleireiro, além de não saber se os cabeleireiros de lá saberiam lidar com a textura + volume do meu cabelo (fio muito fino + muito cabelo). Aqui na Suíça, eu não corto simplesmente porque acho muito caro. Ou seja: desde janeiro/2017, eu só corto o meu cabelo quando vou ao Brasil (uma vez ao ano), com meus cabeleireiros de confiança, que me entendem e, mais importante, entendem o meu cabelo.

Não é o ideal, mas é o que eu posso fazer pra evitar que dê ruim na minha imagem. É fato que o ideal é cortar o cabelo ou, pelo menos, aparar as pontas a cada 3 meses. Era isso que eu fazia quando morava no Brasil. Mas as coisas mudaram e eu precisei me adaptar pra sobreviver.

Só que eu uso franja. E aí vocês me perguntam: como eu faço? Tem, pelo menos, 15 anos que eu corto minha franja sozinha a cada duas semanas mais ou menos. Quando eu era criança, a Mivó cortava a minha franja entre uma ida e outra ao cabeleireiro, e a primeira coisa que ela me ensinou foi sobre a importância de ter a tesoura certa pra cortar.

Não pensem que foram 15 anos sem fazer m3rd4. Já fiz bastante besteira na minha franja sim: já cortei torta, já cortei mais do que devia (e aí ela demooooora pra chegar no lugar), já cortei um pedaço do cabelo sem querer… enfim, a lista é longa. É por isso que eu digo, por experiência própria, que é melhor não cortar uma franja pela primeira vez nessa quarentena.

Além de tudo isso que falei até agora, há que se considerar mais um fator: em tempos sem precedentes como este que estamos vivendo, tempos tão difíceis e de tantas incertezas, é melhor não tomar nenhuma atitude radical. Se isso vale pra várias esferas da nossa vida, eu diria que vale, principalmente, para o nosso cabelo. Como eu já escrevi ali em cima, nosso cabelo tem um impacto direto na nossa autoimagem por ser a moldura do rosto. Imagina ficar sabe Deus mais quanto tempo sem sair de casa e encarando uma imagem no espelho que não te agrada, que diminui a sua autoestima, que não contribui positivamente para a sua saúde mental?

Se eu puder te dar um conselho, não corte sua franja em casa. Pense. Repense. Vai ler um livro, ver tv, colorir mandalas, qualquer coisa. Mas não corte sua franja em casa sem certeza absoluta que você está fazendo. Espere a quarentena passar e converse com um cabeleireiro da sua confiança ou, preferencialmente, com um consultor de imagem. Talvez a quarentena seja, inclusive, um bom momento para quem cortou a franja e não curtiu (porque, provavelmente, faz parte do grupo de pessoas que não nasceu pra usar franja) deixá-la crescer.

O exercício diário de vestir-se

Vestir-se é um exercício diário, que nos permite aprofundar o autoconhecimento e detectar traços da nossa personalidade que são externalizados nas peças que escolhemos usar. Esse exercício diário nos propõe criar, a partir do que temos no armário, os looks que reflitam muito mais do que tendências ou modismos, mas sim o nosso verdadeiro estilo.

Definir seu próprio estilo pode não ser tarefa simples, seja porque você se identifica com mais de um estilo universal ou mais de uma categoria de estilo contemporâneo, seja porque você precisa de uma ajudinha nessa caminhada (e ninguém melhor do que um personal stylist para te dar a mão nesse processo).

Um armário recheado pode ser uma faca de dois gumes na hora do exercício diário de vestir-se. Se você já se conhece muito bem e sabe exatamente quais estilos formam o seu próprio estilo, tudo ótimo, fica muito fácil se arrumar para qualquer ambiente ou ocasião. Mas se você ainda não consegue ter clareza do seu estilo individual, um armário abarrotado pode mais confundir do que ajudar.

Esse exercício diário de vestir-se se torna mais prazeroso quando a gente começa a questionar cada etapa do processo, começando pela busca do autoconhecimento: quem eu sou? Essa roupa mostra quem eu sou? O que essa roupa fala de mim? Como eu estou me sentindo hoje? Qual a mensagem que eu quero passar para o mundo?

No mundo globalizado em que vivemos, é claro que tendências e modismos sempre vão interferir na nossa maneira de pensar sobre as roupas que vestimos. Um olhar crítico para o nosso próprio armário faz parte desse exercício diário, que nos ajuda a nos vestir de acordo com o que somos de verdade. Roupas e acessórios são muito mais do que o que se veste, mas o que de fato demonstram as suas vivências e a sua personalidade da maneira mais adequada possível para o resto do mundo; isso é estilo.

Muito mais importante do que usar uma tendência, é analisar se ela combina com você ou não, se ela pode ser adequadamente incorporada ao seu dia a dia sem que você se torne uma caricatura do que está na moda (ou seja, sem que você se torne um fashion victim que consome desenfreadamente sem refletir).

O exercício diário de vestir-se requer, além do autoconhecimento, paciência e bom humor. Escolher no seu armário o que você vai vestir pode ser uma experiência completamente diferente se você começa pela escolha de uma calça ou se o seu ponto de partida é um cinto, por exemplo. Se a gente entende que óculos (escuros ou não) são muito mais do que lentes corretoras e/ou protetoras contra raios UV, podemos usar esse acessório para nos expressar. Quando a gente se veste, é bom perder um pouco o medo de ousar e permitir-se externar pro mundo quem nós somos de verdade aqui dentro.

Você não deve beleza a ninguém

Você não tem que ser bonito/bonita, porque você não deve beleza a ninguém.

Em um mundo onde cada vez mais há uma ditadura da beleza, você não deve beleza a ninguém.

Não é que você não deva ser bonito(a) ou não queira ser bonito(a). Você deve colocar o seu bem-estar em primeiro lugar, sempre. É divertido ser bonito(a), se arrumar pra ficar mais bonito(a), se sentir bonito(a). O legal é se olhar no espelho e sorrir com o que se vê.

É, acho que o legal mesmo é ser feliz com a imagem que se vê no espelho. É legal seguir o seu instinto ao se arrumar, não pensando exatamente em ficar bonito(a), mas para ficar mais feliz. É deixar que o seu interior fique refletido na imagem que o resto do mundo vê. É buscar a felicidade, e deixar que ela te faça uma pessoa mais bonita.

Final de ano é uma boa hora para reconciliar-se consigo mesmo

Final de ano, verão no Brasil, aquele calorão, todo mundo querendo aproveitar as belas praias. Por aqui, eu tô só no frio, mas acompanhando pela internet as altíssimas temperaturas brasileiras! Mas, em qualquer lugar do mundo, muita gente costuma aproveitar este período para rever o que aconteceu de bom e de ruim, e estabelecer suas metas e objetivos para o novo ano.

metas & objetivos para o ano novo

No verão, o natural é que as roupas diminuam para deixar mais pele à mostra, mas tem muita gente que sofre com essas questões porque vivemos uma cultura de construção de imagens que privilegia a “boa forma”, com incontáveis formas de emagrecimento e alternativas para que alcancemos o “corpo perfeito”.

As mulheres, naturalmente, são as que mais sofrem com estas imposições de buscar uma perfeição corporal inexistente. Quanto mais perto do verão, mais aumenta a pressão para alcançar o “corpo do verão”: barriga zerada, celulite zero, bumbum durinho, braço magrinho, pernas definidas (se esqueci de alguma parte do corpo, complete nos comentários!). Com isso, progressivamente deixamos de amar a nós mesmas e passamos muito tempo da nossa vida brigando com nossos corpos.

“A aparência do corpo exerce grande influência em nossas vidas, afinal, a forma como nos apresentamos para os outros determina a maneira como nos relacionamos, as oportunidades que temos socialmente, as reações e atitudes dos outros para conosco, bem como nossa vida afetiva e profissional”

(Stenzel IN Nunes e Appolinario, Transtornos Alimentares e Obesidade, Artmed, 2006).

Os padrões de beleza impostos pela nossa sociedade e a consequente escravização a que nos sujeitamos tem sido um dos principais fatores associados ao aumento da incidência de transtornos alimentares como a anorexia e a bulimia. E podemos afirmar, com segurança, que as redes sociais tem contribuído muito para este movimento. Se, antigamente, éramos influenciados apenas pela televisão e pelas celebridades que estampavam as revistas, hoje vemos “corpos perfeitos” e “vidas perfeitas” nas telas dos nossos celulares.

Nas redes sociais, seguimos perfis de homens e mulheres com corpos esculturais e uma beleza dentro do “padrão” que, em geral, aproveitam para vender os segredos para que todos nos tornemos belos dentro destes mesmos padrões. O desejo da padronização torna a sociedade cada vez mais frustrada e doente, porque simplesmente não conseguimos alcançar aquela imagem. E aí nos torturamos porque comemos uma sobremesa, jantamos uma massa e tomamos um vinho.

Quem me segue no instagram viu nos meus stories semana passada um alerta sobre esse tipo de cobrança que nos fazemos, e que muitos influenciadores acabam postando em seus perfis. Se você ainda não viu, estes vídeos estão salvos nos meus destaques. Essa minha reflexão foi desencadeada por ter ouvido uma pessoa que eu sigo dizer que foi “um horror” jantar massa, tomar vinho e comer um tiramisù de sobremesa. Foi aí que eu propus a reflexão de que comida nunca é um horror, mas é sempre um privilégio. Nós vivemos num mundo com tanta gente passando fome! Não podemos nos dar ao luxo de achar nenhuma comida um horror.

A nossa relação com a comida está diretamente relacionada ao modo como enxergamos nosso corpo. Toda vez que comemos algo que foge do que é saudável, nos condenamos, e a nossa insatisfação com nosso corpo parece aumentar progressivamente. Chegamos ao ponto de nos perguntar, por exemplo, quanto tempo precisamos andar/correr na esteira para poder comer um hambúrguer.  Nossa insatisfação com nosso corpo influencia a maneira como os outros nos vêem: se estamos felizes e satisfeitos com as pessoas que somos, naturalmente teremos uma imagem mais leve e transmitiremos segurança, e os outros vão nos perceber também desta maneira. Estamos constantemente oscilando entre o olhar ruim que nos destrói, e o olhar bom, que nos constrói. Isso tudo tem um enorme peso, também, na construção da nossa imagem e estilo pessoal.

“Por uma internet mais verdadeira
Com menos maquiagem 
Com mais comida de verdade
Com menos culpa
Com mais amor próprio 
Com menos padrões inatingíveis 
Com mais empatia e muito mais sorrisos sinceros”

Cada corpo tem sua potencialidade, e reflete todas as experiências que vivemos. Não podemos querer vestir um corpo que não temos, mas podemos vestir da melhor maneira possível o corpo que nós temos e amamos. Não precisamos responder a um padrão imposto para que nossos corpos sejam os melhores possíveis: o melhor possível não pode ser o que a mídia ou as redes sociais impõem, mas o que nos deixa verdadeiramente felizes.

Olhar para si mesmo com carinho é o primeiro passo para reconciliar-se consigo mesmo, ganhar auto-confiança e construir o seu estilo verdadeiro. É importante identificar quem eu realmente sou, e não aquilo que eu acho que o outro pensa sobre mim. É importante olhar no espelho e amar cada pedacinho do que somos, cada marca individual que temos, pois isso nos torna únicos. A construção de uma boa auto-estima não é um caminho fácil ou rápido de se percorrer, mas é importante darmos o primeiro passo.

No final de cada ano, muita gente costuma estabelecer metas e objetivos para o ano que vai começar. Eu proponho que você comece hoje mesmo a realizar a importante meta de reconciliar-se consigo, amando quem você é por inteiro.