7 dicas para investir no luxo de maneira inteligente

Quem me segue no Instagram já notou que meus looks do dia costumam ser pontuados por bolsinhas lindas de algumas das renomadas maisons de luxo. Isso porque, desde 2010, eu comecei a “investir na bolsa” e escolher com cautela cada acessório que entra no meu armário, que é pra usar muito as coisas que tem uma qualidade singular e que podem durar muito muito muito tempo na minha vida (preferencialmente, para sempre).

Sou uma entusiasta desse tipo de compra, e gosto de pesquisar modelos incríveis que poderão fazer a diferença no meu vestir diário, mas cada compra desse tipo é feita de maneira super consciente! Resolvi dividir aqui com vocês um pouquinho do meu processo que leva a cada compra de luxo, em 7 dicas para investir de maneira inteligente.

1- Conheça o seu armário

Mais uma vez, a dica de ouro, fundamental pra qualquer compra inteligente: é preciso conhecer o seu armário, saber o que vai fazer a real diferença na hora de montar seus looks. Se isso vale pra qualquer compra, para compras de luxo isso é ainda mais importante, já que a meta é ter a tal peça para sempre e usar muito. Se a sua compra de luxo se encaixar perfeitamente no seu estilo de vida e combinar com tudo do seu armário, você certamente multiplicará os usos, o que diminui o custo por uso daquela peça.

2- Namore MUITO o que você quer antes de comprar

Você TEM QUE AMAR MUITO aquela coisa que você quer comprar, porque é um investimento. Quando você compra uma coisa cara, de luxo, a meta deve ser ter aquela peça PARA SEMPRE e pra usar MUITO – o que não significa comprar só coisas básicas (até porque o conceito de básico é subjetivo). Na minha opinião, é mais fácil aplicar esse princípio aos acessórios, por isso eu prefiro as bolsas. Pesquise muito sobre o item que você quer comprar, inclusive indo na loja pra ver ao vivo e experimentar. Não tenha vergonha de entrar numa loja de luxo e pedir para experimentar uma coisa (ou duas, ou três) e não comprar imediatamente. Olhe-se no espelho vestindo aquela peça, tire fotos, e depois saia pra dar uma volta antes de fazer a compra definitiva.

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experimentando a nano belt na Céline do Le Bon Marché

Já aconteceu comigo, por exemplo, de namorar muito uma bolsa da Céline – a mini luggage -, definir que queria comprá-la e, quando eu cheguei na loja e a experimentei, ela simplesmente ficou horrível pra mim. O formato da bolsa e o tamanho da alça crossbody ficaram péssimos pra minha altura e tipo físico, e então eu acabei não comprando a bolsa. No mesmo dia, experimentei a nano belt mas decidi não comprar naquele momento; quando voltei na loja 2 dias depois, experimentei a nano belt de novo e também a large trio, e foi justamente a large trio que ganhou meu coração e voltou comigo pra casa. Não é que eu não tenha gostado da nano belt, eu gostei e, inclusive, quando vejo essa foto me dá vontade de comprar uma, talvez um dia quem sabe (mas em outra cor) mas, naquele momento, foi a large trio que fez meu coração de fato bater mais forte. Aliás, nessas horas, tirar foto portando a peça (conselho: sempre peça autorização ao vendedor, por uma questão de cortesia e educação) é muito útil, porque você pode rever aquela foto muito tempo depois e considerar se ainda seria uma compra inteligente, se ainda combina com o seu estilo e o seu armário.

3- Pense o propósito da sua compra

Investir numa peça de luxo não pode ser uma compra leviana – aliás, nenhuma compra deveria ser leviana, porém quanto mais dinheiro envolvido na peça, aí é que a gente precisa pensar mesmo na compra. Itens de luxo costumam ter informação de moda, mas um acessório com informação de moda em excesso pode complicar os seus usos no dia a dia. Por isso, as dicas 1 + 2 + 3 andam muito juntinhas, já que conhecer o seu armário e namorar a peça que você quer ajudarão a definir o propósito da sua compra, aumentando as chances de acertar em cheio e não se arrepender nem por um segundo.

4- Estude as marcas e procure aquela com a qual você mais se identifica

Se você quer comprar alguma coisa bacana, mas você ainda não sabe exatamente o que você quer, pense na marca. Saber um pouquinho de história de cada maison de luxo pode ser um ótimo meio de saber se aquela peça se encaixa na sua vida, se tem a ver com o seu estilo, se você se identifica. Essas compras mais pensadas precisam envolver pesquisa. Por exemplo, quando o Alessandro Michele entrou na Gucci, ele revolucionou a marca e foi um boom de Gucci por tudo quanto é lado: lembro que, quando comprei minha primeira bolsa da maison italiana (lá nos idos de 2010), a marca não tinha a mesma potência fashion que tem hoje, tanto que eu escolhi um modelo bem basicão; já a minha última compra da Gucci, no ano passado, foi uma bolsa cheia de informação de moda, em camurça azul com couro vermelho no modelo Ophidia, que foi resgatado pelo Michele nos arquivos da maison de Florença da década de 1970 e tem uma pegada vintage que eu adoro.

5- Faça a matemática do custo por uso

Se você compra uma coisa muito barata e não usa nunca, o custo por uso desta peça foi altíssimo. Se você compra uma coisa cara (do tipo do investimento que estamos falando aqui) e usa muito, o custo por uso dessa peça cai. Eu gosto de pensar no custo por uso como uma versão aprimorada do custo-benefício porque, na verdade, custo-benefício é uma coisa ainda mais relativa e que eu acho que não presta muito para compras de luxo. Por sua vez, o custo por uso é bem mais objetivo: se eu compro uma bolsa de US$1000 e uso 100 vezes, o custo por uso foi US$10; mas se eu compro uma bolsa de US$50 e uso duas vezes, o custo por uso foi de US$25.

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A vasta maioria das minhas bolsas tem um custo por uso baixíssimo, porque eu as uso muito, e eu compreendi que, particularmente, não adianta eu ficar comprando bolsas muito baratinhas, porque eu perco o interesse rápido e o custo por uso delas fica muito alto; já as bolsas mais caras, que tem uma qualidade superior e costumam carregar uma história herdada da maison, despertam muito mais o meu interesse e me fazem ter muito mais vontade de escrever a minha própria história tendo-as como acessórios. O mesmo aconteceu com meu trench coat da Burberry (por enquanto, minha única roupa de luxo): ele foi caro sim, porém o custo por uso dele ficou baixíssimo já nos 5 primeiros meses, pois eu o uso muito desde que o comprei.

6- Não descarte os outlets

Seja em viagens ou mesmo no Brasil (que agora tem marcas renomadas em alguns outlets pelo país), não deixe de pesquisar nos outlets as muitas opções de luxo. De novo, a compra tem que ser pensada, estudada, que tenha um propósito na sua vida e, preferencialmente, com um custo por uso maneiro. Se a ideia é ter aquela peça para a vida toda, não precisa comprar na loja com preço cheio, e o outlet tem a redução do preço simplesmente porque não são mais da estação, enquanto as peças continuam sendo incríveis. É fato que no outlet é mais difícil de planejar tanto, porque nem sempre a gente sabe o que vai encontrar por lá, e aí o conhecimento profundo do seu armário vai te ajudar e muito a definir se a compra vai encaixar no seu estilo de vida.

7- Se o orçamento permitir, siga o seu coração

É, eu sei, eu falei tanto no planejamento, na importância de pesquisar, etc, etc, pra agora falar pra você simplesmente seguir o seu coração? Sim, e isso é absolutamente coerente com todo o resto que escrevi! Basta olhar o exemplo que dei na dica nº 2: eu experimentei 3 bolsas na Céline (me recuso a escrever sem o acento agudo) pra acabar comprando aquela que, no fim das contas, fez o meu coração bater mais forte. É lógico que eu fiz isso porque já tinha pesquisado a história da maison, estava querendo há muito tempo adicionar uma bolsa dessa marca francesa ao meu armário, mas no fim das contas o modelo que eu tinha planejado comprar não funcionaria pra mim e, ao invés de simplesmente desistir da compra, experimentei outros modelos e deixei meu coração decidir – tudo dentro do orçamento, sem a menor chance de me deixar no vermelho.

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o meu chapéu da D’ESTRËE

Algo semelhante aconteceu com o chapéu da D’ESTRËE que é o meu xodó. Eu amo chapéus desde que me entendo por gente e, ao conhecer essa marca francesa super chique e cool, eu não resisti e comprei um chapéu azul. Naquele dia, eu não tinha a menor intenção de comprar mais um chapéu pra minha coleção, muito menos um de uma marca de luxo, mas ele era lindo demais e combinava demais com as outras coisas que moram no meu armário pra eu simplesmente ignorar as palpitações do meu coração ao experimentá-lo. Mesmo tendo sido uma compra cara, o custo por uso dele já se tornou baixíssimo porque eu o uso muito. Por isso que é importante, também, seguir o coração se o orçamento permitir. Assim, a sua compra ainda será consciente e inteligente, e você viverá a sensação luxuosa de comprar algo incrível sem tanto planejamento.