Como cuidar e prolongar a vida das suas roupas?

Confesso: eu já fui a pessoa que colocava todas as roupas juntas para lavar, ignorando solenemente cores e recomendações nas etiquetas de composição. Já deixei as roupas todas rosas porque coloquei um lenço vermelho pra lavar no meio de um monte de roupa branca (inclusive roupas do marido). Já encolhi muita roupa porque usei o ciclo errado da máquina de lavar e da máquina de secar. Mas isso mudou.

IMG_7774

Entender a importância da etiqueta de composição das roupas vai muito além da relação custo x benefício quando se compra uma peça: ali está o “manual da roupa”, com as indicações básicas de cuidado que você deve ter com aquela peça pra que ela dure muito tempo da melhor forma possível.

Na Armênia, eu tinha uma baita colher de chá na minha rotina de lavagem de roupas, porque o serviço de lavanderia lá era muito barato, então eu basicamente separava as roupas entre as que iam pra lavanderia e as que eu ia lavar em casa (sempre as mais fáceis). Sem contar que, lá, tínhamos um espacinho de lavanderia em casa que realmente permitia deixar um varal aberto 24/7, secando livremente as roupas, além de um mini-tanque.

Aqui na Suíça eu não só não tenho essa colher de chá do serviço de lavanderia como também não tenho um espaço adequado para deixar as roupas secando em varal – o que me faz usar a máquina de secar muito mais do que eu gostaria – e nem mesmo um tanquinho. Então vai tudo direto pra máquina de lavar, e a grande maioria segue direto pra máquina de secar. Quando tem alguma peça que não pode ir pra máquina de secar, eu abro o varal na varanda (que é fechada) e deixo secar (não é o ideal, mas é o jeito).

A verdade é que cada ciclo de secagem na máquina diminui um pouquinho a vida das roupas – ou muito, dependendo dos erros cometidos. É muito mais saudável para os tecidos que eles sequem naturalmente, muito embora a máquina de secar, com seu ar quente, colabore e muito para matar qualquer bactéria remanescente. Também é fato que cada lavagem e secagem em máquinas diminui um pouquinho a vida útil de cada roupa. Pra que os danos sejam controlados, é importantíssimo usar os ciclos corretos, e seguir adequadamente as instruções de limpeza e manutenção tanto da máquina de lavar quanto da máquina de secar.

IMG_7772

Infelizmente, eu lavo bem mais as minhas roupas do que eu gostaria – mesmo ficando muito em casa. Mesmo usando avental, eu sempre me sujo cozinhando – sem contar os dias de faxina da casa -, então dificilmente consigo usar a mesma roupa vários dias seguidos. Por isso, aprendi a ser mais cuidadosa na hora de colocar pra lavar e secar – e tem dado certo! Vamos para as dicas práticas:

  1. Separe por cores: parece óbvio, mas eu sei que pouca gente realmente faz isso, e é o primeiro passo pra cuidar corretamente das roupas.
  2. Separe por tecidos (por exemplo, delicados, sintéticos, etc): a temperatura de lavagem das fibras é diferente, então o ideal é ter sempre esse cuidado.
  3. Explore os ciclos de lavagem e secagem da sua máquina, e adeque o ciclo de lavagem para cada fibra.
  4. Higienize as máquinas de lavar e secar com frequência: quando o tambor não está higienizado, o ambiente é propício para proliferação de bactérias que podem estragar as roupas.
  5. Procure usar o sabão adequado para cada fibra/cor: minha vida mudou desde que comecei a lavar as roupas pretas com sabão de roupa preta.
  6. Caso seu orçamento permita, procure usar produtos que ajudam a preservar as cores e fibras das roupas nas respectivas lavagens e ciclos de secagem.
  7. Para roupas que precisam de limpeza a seco, o ideal é sempre procurar um serviço especializado. Caso não seja possível, uma misturinha de álcool + água + amaciante num spray pode fazer maravilhas.

É claro que cada caso é um caso, e o ideal é que você consiga entender o que funciona pra você na sua rotina de lavagem de roupas. Aqui em casa, temos 2 carrinhos para colocar a roupa usada, ambos com 3 divisórias; mas ao invés de seguir a risca o que está escrito pra cada divisória, estipulei que separaríamos por camisas sociais, peças delicadas, peças íntimas, roupas pretas, roupas coloridas, e roupas brancas. Isso ajuda muito na hora de lavar as roupas e saber qual o melhor ciclo de lavagem, bem como quais produtos atuarão melhor na limpeza e conservação das peças.

Você tem alguma dica para facilitar a lavagem e conservar melhor as roupas? Deixa aqui nos comentários!

A importância da etiqueta de composição

Sabe aquela etiqueta interna que vem em todas as suas peças de roupa, e que também está presente nas bolsas e nos lençóis que a gente compra? Sim, aquela etiqueta que pode “pinicar” ou “fazer cosquinha” e que muita gente ignora solenemente, ou até mesmo acaba cortando fora? E se eu te falar que a etiqueta de composição é da maior importância?

A etiqueta interna de cada peça é um verdadeiro manual de instruções: nela, você vê escrita desde a composição do tecido até quais os cuidados que você terá que ter com aquele item. Quem corta essa etiqueta fora, ou simplesmente ignora estas informações, possivelmente está diminuindo a vida útil daquela peça!! Isso sem contar a relação custo x benefício que você já pode calcular quando estiver dentro da loja!

Você não precisa se tornar um especialista em tecidos e na composição de cada material, mas é bom ter uma noção do que é fibra natural e do que é fibra sintética. Assim, você terá mais uma ferramenta para consumir de maneira mais inteligente, compreendendo o que é melhor pra cada ocasião e estação, e no que vale a pena gastar mais ou menos dinheiro. Eu não levo uma única de peça de roupa pro provador de uma loja sem antes olhar, ali na arara mesmo, o que tá escrito na etiqueta de composição! Em alguns casos, eu olho a etiqueta de composição antes mesmo de ver o preço!

As fibras naturais são encontradas prontas na natureza: é o caso do algodão, do linho, da seda, do couro e da lã. As fibras artificiais são produzidas quimicamente a partir de matérias-primas naturais, geralmente a partir da celulose: a viscose, o cupro, o tencel/liocel, o rayon e o acetato fazem parte deste grupo. Por sua vez, as fibras sintéticas são produzidas a partir de matérias-primas não-naturais, principalmente petróleo: poliéster, poliamida, acrílico, nylon e elastano são materiais sintéticos.

Quando estamos comprando uma peça de roupa ou um sapato/bolsa, geralmente os reconhecemos por outros nomes: peças de seda, malhas, crepes, microfibras, tafetás, tricôs podem ser feitos a partir de fibras naturais, artificiais ou sintéticas. E é na etiqueta interna que está a descrição certinha dos fios que compõem aquele tecido, com direito à porcentagem de cada uma destas fibras, e poderemos avaliar melhor se o preço cobrado corresponde mesmo ao material usado.

As peças feitas a partir de fibras naturais tem geralmente um toque mais agradável à nossa pele e são mais gostosas de vestir, além de terem um caimento melhor. Os tecidos naturais acabam conferindo à peça uma aparência mais refinada e clássica. Embora o algodão, o linho, a seda e a lã sejam fáceis de amassar, desamassam com o próprio uso, o que acaba garantindo um look impecável por mais tempo. O look impecável também se garante porque as fibras naturais são sempre mais fresquinhas e, no calor, esquentam menos do que as peças sintéticas. As fibras naturais são mais resistentes, o que garante uma maior durabilidade das peças, desde que sejam cuidadas com o carinho que merecem (e todas as informações necessárias pra fazer sua peça durar bastante tempo tão linda quanto no momento em que ela saiu da loja estão ali, na etiqueta de composição!).

Já as fibras sintéticas tem um toque mais áspero, mesmo quando maleáveis: o teste infalível é comparar seda sintética com seda natural, e dá pra notar a diferença imediatamente. Estes materiais não-naturais costumam ter um brilho extra (que vem do plástico usado para sua produção), o que dá um aspecto bem menos sofisticado. Toda regra tem sua exceção, e existem alguns materiais sintéticos muito tecnológicos que, dependendo do design, ficam muito elegantes. Para o frio, as fibras sintéticas são muito úteis, já que aquecem mais sem precisar de muito volume (a menos que você more num lugar onde faz -20ºC, ou menos, e aí eu acho que será inevitável usar muitas e muitas camadas de roupa). As fibras sintéticas criam bolinhas com mais facilidade, e precisam de cuidado e atenção extra na hora de lavar e passar, já que um ferro super quente pode deixar marcas na sua peça, ou até mesmo derreter e queimar.

E o preço? Acho que, a partir destas informações, podemos concordar que o valor cobrado é justificado na proporção de material natural que foi usado para confeccionar aquela peça. O preço tem que ser compatível com o material e com o design da peça. Afinal, as fibras que são encontradas diretamente na natureza são recursos naturais, com processos de obtenção e desenvolvimento mais específicos. Um exemplo prático: uma t-shirt 100% algodão que custe R$100 tem um custo x benefício muito melhor do que uma t-shirt de poliéster ou viscose que custe R$20. Quando vamos comprar uma peça de fibra não-natural, temos que avaliar se o valor é justo considerando o design, o caimento e a função (de novo, é difícil sobreviver ao inverno sem fibras sintéticas). Além disso, um tecido natural requer menos processos industrializados, demandando menos do meio-ambiente, o que é mais um motivo pelo qual as fibras naturais acabam sendo uma opção mais sustentável.