Eu uso óculos!

O título deste post é, sim, um dos versos da célebre música “Óculos”, dos Paralamas do Sucesso, e outros versos da mesma música vão permear este texto. E, se você quiser dar o play na música e deixar tocando enquanto lê o que eu escrevi, vai em frente, fique à vontade!

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aos 4 anos de idade, os óculos eram apenas uma brincadeira! 6 anos depois, eles passaram a fazer parte do meu dia a dia.

Eu tenho miopia e astigmatismo desde os 10 anos de idade. Ou seja: no momento em que este post está sendo escrito, eu já contabilizo 18 anos usando óculos de grau. Por conta disso, posso dizer, por experiência própria, que aceitar os óculos de grau como parte do seu estilo pessoal não é uma tarefa fácil; é preciso fazer uma jornada de autoconhecimento, e também de algumas doses de empoderamento.

“Era mais fácil se eu tentasse fazer charme de intelectual

Meus óculos já foram motivo de muito deboche na escola, e foram muitas consultas aos oftalmologistas pedindo (ou melhor, implorando) para usar lentes de contato, ouvindo sempre a mesma resposta: você tem alergia. Minhas alergias não se restringem ao sistema respiratório: estão também nos olhos e na pele (o que também restringe meu uso de maquiagens). Na época do combo óculos + aparelho fixo, entre meus 10 e 14 anos, eu sofria muito com a minha autoimagem, e tudo se agravava pelo bullying sério na escola (não entrarei em detalhes, mas fica aqui o resumo da ópera: era tão pesado que eu troquei de escola na metade do 1º ano do Ensino Médio).

Tem gente que consegue usar óculos só pra ler, ou só no computador; esse nunca foi o meu caso. Eu sempre fui super dependente dos óculos, e eu sinto o incômodo físico quando meu grau está mudando. Foi aos 18 anos que uma oftalmologista me liberou para usar lentes de contato cautelosamente (porque a alergia persistia): sempre com um colírio específico em mãos, sempre com o óculos na bolsa, sempre por pouco tempo. Então, dos 18 aos 25 anos, eu fui habituando meus olhos às lentes, e, com acompanhamento oftalmológico constante, a alergia foi amenizando e eu gradativamente aumentei o tempo de uso diário das lentes de contato. Devo confessar que me sentia muito aliviada por não usar óculos 24 horas por dia os 7 dias da semana, e ficava bastante frustrada quando não conseguia colocar as lentes nos períodos de agravamento da alergia e tinha que sair de casa usando óculos.

“Se eu to alegre, eu ponho os óculos e vejo tudo bem”

Em 2015, aos 25 anos, minha rotina louca, que me fazia viajar de avião entre Brasília e RJ semanalmente, fez minha imunidade cair, e é claro que a alergia ocular também piorou. Era quase impossível usar lentes de contato; meus olhos ardiam e eu não simplesmente não conseguia usá-las por mais do que 1 hora. Foi naquele ano que eu voltei a assumir os óculos de grau, deixando as lentes de contato só pra alguma festa ou pra fazer exercícios físicos. Ao reassumir a minha imagem com óculos de grau, eu passei a me reconhecer de novo quando me olhava no espelho: o par franja + armação faz parte de mim, é a minha marca registrada, e, hoje, me faz ter orgulho de quem eu sou. Combino meus óculos com meus chapéus, boinas, gorros, e com o meu humor.

Se a minha primeira armação de óculos mais ousada foi um Marc Jacobs vermelho, nos idos de 2013, desde então passei a entender gradativamente que óculos não precisa ser discreto – aliás, óculos não deve ser discreto. Os óculos são acessórios que revelam muito da nossa personalidade, e eu entendi, ao longo do tempo, que precisava parar de ver os óculos de grau como inimigos da minha imagem. Pouco a pouco, eu passei a enxergá-los como aliados importantes na construção e definição do meu estilo.

Eu comecei a me divertir com as armações legais que as óticas oferecem, me aventurando com as marcas, cores e estilos. De lá pra cá, já foi um Prada colorido de base azul, um Dior gatinho (um dos meus favoritos, tô pensando em ressuscitá-lo), um Dolce & Gabbana preto (o mais difícil de abandonar), um Chanel cinza (a minha pior escolha), e um Tom Ford tartaruga com ponte dourada (o mais recente). Se para meus óculos escuros escolho sempre Ray Ban (qualidade ótima e preço justo), eu me permito brincar muito mais com as armações que emolduram meu rosto 95% do meu dia – afinal, se é pra gastar uma grana, que seja em algo que eu vou usar muito, que tem uma qualidade incrível e que vai me fazer me sentir poderosa o tempo todo.

A escolha e compra de uma nova armação de óculos acabou se tornando uma jornada de autoconhecimento e fortalecimento da minha autoimagem, com ensaio e erro, e tá tudo bem, porque os erros também ensinam muito (a armação Chanel cinza, por exemplo, foi a minha pior escolha de óculos: me deixa com cara de cansada. Foi só depois que fiz o curso de personal styling e comecei a estudar análise cromática que descobri o porquê: aquele tom de cinza é péssimo pra mim).

Muito mais do que corretores ópticos, por meio das suas linhas, cores e materiais, os óculos nos ajudam a transmitir as mensagens desejadas para a nossa imagem. Na hora de escolher uma nova armação de óculos, saber qual é a sua cartela de cores será uma ferramenta muito útil: afinal, é justamente no rosto que as cores revelam seus efeitos principais na nossa aparência. Tanto quanto na cor da armação, esse conhecimento também ajuda na hora de escolher a cor das lentes dos óculos escuros.

“Por trás dessa lente também bate um coração”

Se, antes, eu tentava me livrar dos óculos, hoje eu os prefiro muito mais do que as lentes de contato – mesmo em festas e/ou eventos formais. Por uma questão de praticidade e mobilidade, as lentes de contato só ganham dos óculos na hora de fazer exercícios físicos, ou pra andar em montanhas-russas; mas confesso que elas me incomodam e eu já fico doida pra voltar pros meus óculos rapidinho.

Meus óculos fazem parte do meu estilo, e me ajudam a traduzir a minha personalidade. Se ao usar óculos eu chamo atenção para o meu rosto, eu estou dizendo pro mundo que eu tenho segurança de quem eu sou e das escolhas que eu faço na minha vida.

É revolucionário encontrar uma armação de óculos de grau que te faça sentir conforto e confiança: os óculos deixam de ser um escudo e passam a ser uma grande ferramenta de estilo.

 

Como fazer uma versão real do Armário Cápsula?

Muito tem-se ouvido falar em capsule wardrobe, essa ideia que apareceu nos anos 1970, em Londres. Susie Faux, dona da boutique “Wardrobe” que ficava no West End, pensou num grupo de peças essenciais, e que nunca saem de moda, para ser um fundamento do guarda-roupa funcional e que poderiam ser usadas em todas as estações. Esse grupo de peças seria atualizado com peças sazonais, garantindo que seria possível vestir-se bem para qualquer ocasião sem precisar comprar muitas novas peças de roupa. Susie Faux sugeria que o guarda-roupa feminino fosse composto de, pelo menos, 2 pares de calças, um vestido ou uma saia, uma jaqueta, um casaco, um tricô, 2 pares de sapatos e 2 bolsas. Anos depois, em 1985, Donna Karan, designer americana, lançou uma coleção cápsula com 7 peças de trabalho que combinavam entre si, chamada “7 Easy Pieces” (ou, em bom português, 7 peças fáceis). O objetivo de Donna Karan era criar um guarda-roupa prático e estiloso para a mulher trabalhadora.

Ao longo dos anos, o conceito de capsule wardrobe tem sido revisitado com fórmulas prontas, sugerindo montar um guarda-roupa super completo com 30 a 37 peças. Particularmente, eu acho que o guarda-roupa cápsula não precisa ficar encaixotado num número limitado de peças ou categorias prontas: a partir do closet editing, é possível montar um armário só com itens que a gente ama, que funcionam bem pra nossa vida e pro nosso corpo. Além disso, no caso de um país tropical como o Brasil, o armário cápsula não precisa ser refeito a cada 3 meses como em países onde as estações do ano são bem definidas e, consequentemente, as temperaturas variam muito: a partir de um bom e bem pensado closet editing, qualquer conjunto de peças poderá ser incrementado de acordo com necessidades específicas, não se atrelando necessariamente às estações do ano. Mas se você, como eu, mora em um país onde as estações do ano são bem definidas, é possível também pensar em capsule wardrobes sazonais.

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se eu fizesse um capsule wardrobe de inverno pra mim, estas seriam as minhas roupas!

Ao invés de estabelecer um número específico de peças que ficarão no armário, e que será invariavelmente arbitrário – afinal, cada pessoa é única, tem necessidades específicas, gostos e preferências únicos, e estilo individual – um armário cápsula real deve começar pela diminuição de todos os excessos, deixando só o que tem uma qualidade sensacional, o que tem um caimento impecável, o que realmente funciona no seu estilo de vida, e o que se ama sem ressalva alguma. Pra isso, é preciso experimentar tudo, absolutamente TUDO o que está no armário, e fazer uma triagem honesta. Pense que você entrou numa loja, pegou um item de cada peça disponível, e levou tudo pro provador; já que a gente não deve comprar nada sem experimentar antes, será como se você estivesse fazendo compras no seu próprio armário.

Não se atenha à números, mas sim tente pensar no que cada peça de roupa te faz sentir quando você veste e se olha no espelho (mas se olhe com amor, ok? Afinal, esta deve ser uma experiência para fazer você se sentir melhor consigo). Nesta triagem honesta, é preciso ficar de olho no que pode e deve ser ajustado, obedecendo às premissas do armário cápsula. Do excesso retirado, a gente separa o que pode ser doado ou vendido, e o que pode ser guardado longe dos olhos para reavaliar depois, seja numa mudança de temperatura ou só até ganhar segurança pra doar ou vender. Nessas horas, o personal stylist tem papel fundamental: munido dos seus conhecimentos e informações profissionais, e isento dos sentimentalismos que nos atrelam às nossas próprias coisas, poderá opinar e sugerir honestamente o que deve ficar e o que deve sair do seu armário – lembrando que a decisão final será sempre sua.

O primeiro fundamento do armário cápsula é ter menos coisas, e o segundo é ter variedade: pra este conceito, não adianta ter bem menos coisas mas ter peças repetidas ou equivalentes. Nesse sentido, é melhor ter 1 tricô, 1 camisa, 1 camiseta, 1 calça jeans, 1 blusa, 1 short, 1 saia, 1 vestido, do que várias de cada uma dessas peças, mesmo que em cores diferentes. No armário cápsula, é muito eficaz ter proporcionalmente mais tops (partes de cima) do que bottoms (partes de baixo), diversificando ao máximo as combinações, e também com modelagens variadas já que o terceiro fundamento do capsule wardrobe é, exatamente, restringir o grupo de cores pra facilitar a coordenação entre as peças. Nesse ponto, o armário cápsula se parece muito com a mala inteligente, onde a gente só coloca peças que realmente ama e vai poder usar várias e várias vezes durante a viagem; no caso do armário cápsula, a viagem é o nosso dia a dia!

Quando a gente restringe as cores que se usa, montamos um grupo coerente de peças que funcionam entre si na sua plenitude: tudo combina com tudo. Nessa escolha, se a gente puder levar em consideração as cores que mais favorecem o nosso rosto, melhor ainda. Ao escolher as cores do grupo coerente de peças, é bom pensar num grupo de cores de base, num grupo de cores de suporte, e num grupo de cores pra pontuar. É claro que isso vai variar de pessoa pra pessoa: uma pessoa pode preferir tons neutros enquanto outra prefere tons coloridos, tons claros ou tons escuros. Do mesmo modo, tem gente que gosta mais de peças lisas, enquanto outros preferem estampas. É essa personalização que tornará o seu capsule wardrobe único e funcional para a sua vida!

O armário cápsula precisa atender ao seu estilo de vida, em todas as suas individualidades e preferências, com uma quantidade proporcional de peças do tipo que você mais usa para as atividades que preenchem a sua vida. É interessante pensar na sua rotina de se vestir, e identificar quais atividades tomam mais tempo dos seus dias, pensando também em ocasiões não muito frequentes, mas que, quando acontecem, são importantes. Se o seu dia a dia é preenchido por muitas horas de trabalho e poucas horas de lazer, seu armário cápsula terá mais peças de trabalho do que de lazer; se você mora num lugar onde as temperaturas costumam ser mais altas e o frio menos constante, seu armário cápsula terá mais peças de calor do que de frio. Se você é uma mãe que cuida dos filhos em tempo integral, seu armário cápsula deverá ter mais peças confortáveis e práticas (e não menos lindas). Se você trabalha em home office, seu armário cápsula deverá ter mais peças adequadas pra essa rotina do que para reuniões formais. Todas as suas atividades tem que estar representadas no seu armário cápsula, em quantidade proporcional à frequência de cada uma delas.

Mala Inteligente = viagem feliz

Foi-se o tempo em que viajar com uma mala grande, lotada de roupas e sapatos, foi sinônimo de segurança. Eu mesma já perdi a conta de quantas vezes voltei pra casa com várias peças de roupa que sequer saíram da mala durante uma viagem, e não existe nada pior do que ter peso morto em viagem.

E o que é um peso morto numa viagem? É tudo aquilo que a gente carrega sem necessidade, que usa uma única vez ou acaba nem mesmo usando, que toma espaço desnecessário dentro da mala e que aumenta o peso inoportunamente.

Pensa aqui comigo: você vai fazer aquele sonhado tour pela Europa nas suas férias, viajando de trem entre uma capital e outra. Enquanto carrega sua mala de um lado pro outro, tomando metrô, subindo escada, o peso parece que vai ficando insuportável, e você começa a listar mentalmente todas as coisas que estão ali dentro, até que se lembra daquela peça extra que você colocou na mala “para o caso de uma necessidade” (pode ser uma calça jeans a mais, uma saia, uma t-shirt, etc). Você vai desejar com todas as suas forças que pudesse voltar no tempo e não colocar aquela peça ali, só pra aliviar o peso que está carregando. Acredite, eu já passei por isso. O mesmo acontece na hora de pegar um vôo e ver que a balança acusou excesso de peso na bagagem; e lá vamos nós pagar taxas exorbitantes cobradas pelas companhias aéreas.

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mala inteligente: planejamento é tudo!

É por isso que eu sou uma veemente defensora da mala inteligente, e tenho tentado diminuir, a cada viagem, o número de coisas que vão pra minha mala e pra mala do marido. O planejamento é uma parte fundamental pra que tudo dê certo: nas nossas últimas férias, eu sabia que ia comprar roupas de inverno (inclusive roupas e meias térmicas), então eu saí de casa com menos de 10 peças, contando a roupa do corpo. Se eu ia comprar até meia, eu não levaria nada que pudesse se tornar um peso morto!

Quanto menos coisas a gente leva, menor a confusão na hora de se vestir, e também na hora de trocar de hotel, se este for o caso (como, por exemplo, no cenário do tour europeu que eu falei ali em cima). É claro que, pra mala inteligente funcionar, é preciso fazer um exercício na hora de organizar a mala, pensando muito bem nas peças escolhidas para que elas combinem entre si e possam ser usadas de maneiras diferentes. No(s) destino(s), pode ser que seja preciso lavar as roupas, dependendo do tempo de viagem em questão.

Para que a mala inteligente dê certo, é importante acertar não só na quantidade de peças mas também na proporção: mais partes de cima do que de baixo. Além disso, ao escolher um grupo de cores coeso, tudo vai combinar com tudo (acredite, é mais fácil do que parece). E eu também sugeriria olhar essa listinha com ideias para uma manutenção bem fácil das suas roupas on the go, elaborada segundo as minhas últimas experiências viajando com menos coisas – e, consequentemente, sendo mais feliz por carregar menos peso de um lado pro outro.

LAVAR A ROUPA NO CHUVEIRO

Essa é a mais básica de todas as dicas: sujou? Então já entra no chuveiro de roupa e tudo. Durante o banho, ensaboa a roupa pra soltar qualquer sujeira ou cheirinho, e, depois de tirar, esfrega rapidinho o que for preciso, e enxágua. Se você achar que aquela peça precisa de um amaciante, é só usar um pouquinho do seu condicionador! Depois que acabar o seu banho, tire o excesso de água (mas cuidado: torcer é ruim pra qualquer roupa! Geralmente eu vou apertando as peças cuidadosamente pra tirar esse excesso de água), pendura num cabide e deixa ventilar. Até em casa eu gosto de deixar as roupas secarem no cabide, porque aí elas já secam esticadas, e evita em 95% dos casos o uso do ferro de passar. Se der pra improvisar um varal no próprio banheiro, melhor ainda. Tudo isso vale também principalmente para as roupas íntimas.

LAVAR SÓ A ÁREA ONDE SUJOU

Caiu um tiquinho de molho na blusa/calça, ou só o cós da calça/short/macacão e/ou o sovaquinho da blusa/vestido estão precisando de uma refrescada? Lava só aquela área na pia do banheiro: vai ser mais rápido pra lavar e pra secar. Aliás, use o secador de cabelo pra secar a área molhada: secar uma peça encharcada com o secador demoraria uma eternidade, mas, nesse caso, vai levar apenas alguns minutinhos. Essa dica de lavar só uma área pequena da roupa pode ser um pouco mais difícil se a peça for delicada e/ou colorida. O que me leva para a próxima dica…

USE OS SERVIÇOS DE LAVANDERIA DO HOTEL

Se uma peça é delicada, ou se você está com medo de estragar, não tema: use os serviços de lavanderia do hotel. Em geral, são bem menos caros do que a gente pensa, e os hotéis costumam entregar tudo limpinho e passadinho em 24h.

ESCOLHA UM HOTEL COM LAVANDERIA

Essa também faz parte do planejamento: quando estiver escolhendo sua hospedagem, tente optar por um hotel que ofereça lavanderia para os hóspedes (Guest Laundry). Isso é principalmente comum nos EUA, mas já vi em alguns hotéis pela Europa também. Geralmente, as lavanderias para uso dos hóspedes contam com lavadora e secadora de roupas, e algumas já disponibilizam sabão e amaciante.

DESCUBRA QUAL A LAVANDERIA MAIS PRÓXIMA 

Você se hospedou em um lugar onde não tem lavanderia para hóspedes, ou mesmo está hospedado na casa de um amigo/parente (pedir pra lavar roupa na casa dos outros é uma tremenda deselegância): pega o Google Maps e já faz a busca pela lavanderia (launderette) mais próxima. Nas nossas andanças, eu e o marido já gastamos o equivalente a menos de R$20 pra lavar e secar 2 máquinas de roupa. Acredite: vale muito mais a pena pagar pra lavar a roupa e separar umas horinhas da programação de férias pra essa atividade do que carregar malas abarrotadas.

MAIS BLUSAS, CAMISAS E/OU CAMISETAS

Se o destino é frio, ou tem temperatura amena, levar camisetas extras para fazer sobreposições ou mesmo usar como segunda-pele vai fazer render qualquer peça que vá por cima. Se o destino for calorento, partes de cima ocupam menos espaço na mala e são mais leves do que partes de baixo.

ESTRUTURE AS OCASIÕES

Saber a programação da viagem, nem que seja mais ou menos, permite organizar uma estrutura para o uso de roupas. Por exemplo: uma única blusa pode ser, primeiro, usada num jantar mais arrumado ou numa ida ao teatro e, depois, usada de dia, pra passear. Se o seu destino for de praia ou incluir uma piscininha, a mesma blusa pode ter um terceiro uso: complemento de praia/piscina.

 

COISAS QUE EU AINDA NÃO TESTEI, JÁ LI SOBRE E QUE PARECEM FUNCIONAR

LEVE UM MINI-STEAMER

Acho que isso é válido principalmente para uma viagem de negócios: o steamer (ferro de passar roupas à vapor) vai deixar sempre sua roupa impecável e cheirosa, e hoje em dia existem vários pequenininhos, próprios pra carregar em viagens. O steamer não só alisa a roupa, mas também higieniza a peça, o que colabora com a sensação de frescor.

DESODORANTE DE ROUPAS

Hoje em dia, existem desodorantes de roupas líquidos ou em folhas, como se fossem lenços umedecidos. Isso pode ser uma boa alternativa para multiplicar o uso das roupas durante as viagens, antes de precisar lavá-las de fato. No caso do líquido, o ideal seria colocar uma quantidade num borrifador – e, caso viaje só com mala de mão, lembre-se sempre de prestar atenção ao limite de 100ml.

 

DICA COMPLEMENTAR

LEVE UMA ROUPA EXTRA

Sim, eu sei que eu falei lá em cima sobre como é horrível carregar peso morto e como é importante evitar carregar o que não é absolutamente necessário. Mas, se tem uma coisa que as minhas viagens me ensinaram, é que a gente nunca sabe o que pode rolar, por mais que a programação esteja bem definida. E, no fim das contas, uma mala inteligente também significa precaver-se para enfrentar qualquer situação com o melhor look possível. Mesmo que eu não tenha nada programado nesse sentido, eu não deixo de levar uma roupa mais arrumada (seja um vestido, ou uma blusa mais elegante), pro caso de uma ocasião importante e inesperada surgir. Numa viagem de inverno, acho importante levar sempre uma roupa de banho (biquíni/maiô/sunga): vai que o hotel tem uma piscina interna ou uma jacuzzi pra aproveitar? E, claro, numa viagem de verão, não abra mão de um casaquinho leve e uma calça comprida (pense em jeans, linho, tencel…): vai que a temperatura cai, ou tem um destino mais frio no meio do caminho? Quem faz uma mala inteligente, está sempre prevenido para tudo!

Moda X Estilo? Estilo + Moda!

Tenho recebido alguns pedidos por email/inbox/direct/etc para fazer uma lista de coisas a serem evitadas na hora de fazer compras, ou até mesmo abordar questões muito específicas que dependem do tipo de vida de cada um (por exemplo, o que serve para uma pessoa que trabalha em home office certamente não vai servir para quem trabalha em um ambiente corporativo altamente formal; ou o que serve para uma mãe e/ou uma gestante pode não dar certo para todas; etc).

Como eu sempre tento destacar, o trabalho de um personal stylist é muito pessoal – tá no nome! – e fica difícil ditar regras gerais do que evitar ou o que adotar. O armário vai variar de acordo com cada tipo físico, cartela de cores e, principalmente, rotina e gostos pessoais. É por isso que, antes de qualquer consultoria, o ideal é que haja interação entre o personal stylist e o cliente, seja apenas por meio dos formulários que o profissional enviará para que sejam preenchidos, seja para um café, seja por uma amizade estabelecida há anos. É muito importante que o cliente saiba exatamente quem é o profissional que está contratando e qual a metodologia usada.

O personal stylist bem treinado não vai dizer o que você tem que fazer e nem deixará que o gosto pessoal interfira na consultoria de imagem e estilo: o papel do profissional é apresentar quais são as melhores opções disponíveis para que você seja sempre a sua melhor versão, de acordo com a sua personalidade, seus gostos pessoais e seu estilo de vida, mas quem vai fazer a escolha final do que entra ou não entra na sua vida será sempre você.

“A roupa veste, a moda comunica e o estilo personifica.” – Alice Ferraz

Tem gente que tem medo da moda, e acaba perdendo uma parte muito divertida do processo de descoberta do seu estilo pessoal: identificar, entre as muitas tendências ofertadas nas passarelas e que chegam até as fast fashions, o que se adequa ao seu estilo e o que é melhor deixar de fora da sua vida.

Não existe uma guerra entre moda e estilo: ao contrário, a moda deve complementar o estilo harmonicamente, pra que você possa se sentir mais confiante e se divertir quando está se vestindo. Seu estilo será a manifestação visual da sua personalidade, enquanto a moda deverá ser usada, a seu favor, com itens sazonais que darão um frescor ao seu armário, respeitando o seu estilo.

A moda poderá acrescentar ao seu estilo, mas o seu estilo é resultado de um treino diário, em que a sua personalidade se manifesta na imagem que o mundo vê. É neste quesito que o consultor de imagem pode ajudar muito: por conta da experiência, este profissional está capacitado para instruir o cliente, de um modo divertido e funcional, como expressar a sua personalidade através das suas roupas.

Uma vez que você estiver confortável com o seu estilo, saberá vestir-se com mais segurança, confiará mais nas suas escolhas, tendo a certeza de que tudo o que está no seu armário está de acordo com a sua própria personalidade e humor. Seu estilo ficará claro nas suas roupas de trabalho, nas suas roupas de festa, e até mesmo nas roupas que você usa pra ficar em casa.

Ao invés de ter um armário cheio de roupas das quais você não gosta e falar constantemente a célebre frase “não tenho nada pra vestir”, você terá um armário que verdadeiramente reflete quem você é, com peças que você ama e que contribuem pra sua autoestima ficar sempre lá em cima. Outro dia, uma cliente me perguntou sobre o que eu achava de ter muitas cores de uma mesma peça; na minha resposta sincera, disse pra ela que, se é uma peça que você realmente ama e usa muito, com uma modelagem incrível, com um tecido de qualidade, e que de fato usa todas as cores disponíveis, não tem o menor problema: é uma manifestação legítima do quão segura esta pessoa é sobre os seus gostos, preferências e estilo. É claro que um armário cheio de peças repetidas tem sua versatilidade reduzida, e eu não recomendaria isso numa fase inicial de definição do seu estilo, como no closet cleaning e na consultoria de imagem e estilo.

A definição do seu estilo ajudará a comprar menos e menor, peneirando as ofertas da moda e adotando somente o que verdadeiramente complementa o seu estilo.

Ternos e suas heranças

Se terno não é tudo igual, as diferenças significativas de um terno para outro podem revelar qual a herança de cada um deles! Por conta das suas tradições em alfaiataria, os estilos britânico, italiano e americano conseguem ser facilmente identificados pelas suas silhuetas.

 

Cada uma destas tradições apresenta diferentes formas e dimensões, e por isso é interessante conhecer cada uma delas, escolhendo a herança mais adequada para cada tipo físico. Um terno slim fit, escolhido por muitos homens, pode se encaixar em qualquer uma destas heranças. No Brasil, há uma preferência pela alfaiataria italiana, mas é comum que uma mesma loja venda ternos das três tradições. Por isso, é sempre interessante saber como identificar cada uma das três heranças.

HERANÇA BRITÂNICA

A herança (ou tradição) britânica é percebida naqueles ternos com mais estrutura, com o paletó bem ajustado junto ao tronco e na cintura, com foco moderado nos ombros mas destacando a área do tórax. Estes ternos destacam os ombros fortes e a cintura definida. Os paletós da tradição britânica costumam apresentar fendas laterais um pouquinho armadas, para criar um pouco de volume no quadril. Tudo isso faz sentido quando pensamos no homem médio britânico, que costuma não ter muito quadril. Os paletós podem ter abotoamento simples ou duplo (double-breasted). A costura dos ternos de herança britânica não é aparente nem nas mangas e nem nas calças de caimento reto, com tecidos mais pesados que conferem ao terno um visual firme, digno da realeza. Esta herança tem forte influência dos uniformes militares, com o paletó mais longo e bem ajustado, o que cria, de maneira sutil, uma silhueta ampulheta. Ternos com abotoamento duplo costumam ficar ótimos para homens muito magros, pois criam uma silhueta mais forte no torso.

Os ternos da Burberry respeitam claramente esta tradição, e os filmes Kingsman também celebram a herança britânica nos figurinos dos personagens de Colin Firth (Harry Hart) e Taron Egerton (Eggsy).

HERANÇA ITALIANA

A herança (ou tradição) italiana é muito diferente, e em geral tem um caimento mais relaxado do que os ternos de tradição britânica. Esta tradição também é conhecida como continental e costuma valorizar as tendências de moda em alfaiataria. Estes ternos são modernos e apresentam uma silhueta muito estilosa. Os ombros tem uma estrutura menos rígida, e há uma ênfase na cintura. Os paletós abotoam criando um claro formato V. Originalmente, os paletós italianos não tinham fendas, mas a tradição foi atualizada com 2 fendas. Os tecidos costumam ser mais leves, e de alta qualidade, como seda e cashmere. As mangas dos paletós são mais curtas, deixando os punhos das camisas bem  mais aparentes do que os ternos britânicos, mas menos do que os americanos. As calças italianas tem a cintura afinada, mais justas ao corpo e com a bainha mais curta, geralmente deixando os tornozelos à mostra. Os ternos italianos geralmente seguem as tendências da estação, e podem não ter tanta durabilidade.

A grife Dolce & Gabbana é uma referência importante na alfaiataria de herança continental. Um estilista que combina a tradição britânica à tradição italiana com maestria é Tom Ford, escolhendo os melhores atributos de cada herança e misturando-os para criar belos ternos.

HERANÇA AMERICANA

A herança (ou tradição) americana tem tem origem no século XIX, a partir do trabalho dos alfaiates  das lojas Brooks Brothers e J. Press. Os ternos atuais derivam das décadas de 1920/1930, bastante largos e com caimento muito reto, o que torna fácil notar que há um excesso de tecido numa silhueta nada marcada.

Os paletós dão grande visibilidade aos colarinhos e punhos das camisas. Em geral, os paletós que carregam esta herança tem abotoamento simples, com 2 ou 3 botões. Os ombros não são nada destacados, e nem sempre estes paletós tem ombreiras ou mesmo ênfase na cintura. Prezando pelas linhas retas, os bolsos também apresentam abas retas. As gravatas mais grossas são características desta tradição. A herança americana preza muito pelo conforto e, ao longo dos anos, nota-se uma pequena adaptação no caimento para que ficasse mais ajustado, ainda que continue com linhas bastante retas. Homens do tipo físico largo ficam ótimos em ternos de herança americana.

Notem o ex-presidente dos EUA, Barack Obama, com um terno de herança americana ligeiramente slim fit: há uma sobra de tecido notável nas mangas, as lapelas são bem grossas, não há um V definido pelo abotoamento, e o colarinho da camisa está em destaque.

E O BRASIL?

No Brasil, o principal estilista de alfaiataria é Ricardo Almeida, que tem forte influência da herança italiana. Os ternos da Vila Romana, Brooksfield e Via Venetto, entre outras lojas brasileiras especializadas em roupa masculina, também costumam priorizar a alfaiataria continental.

Em terras tupiniquins, é mais comum encontrarmos ternos de tecidos de fibra sintética, como o poliéster, ou, quando são de fibra natural, de lã fria – ou mesmo uma composição mista de fibra sintética com fibra natural.

Os ternos de lã fria são classificados de acordo com a espessura dos fios: os fios Super 100 tem as tramas mais grossas, passando pelos fios Super 120, Super 130, Super 150 e, finalmente, o Super 180, que tem a trama mais fina o que, consequentemente, proporciona mais conforto e confere um melhor caimento. Tá aí mais um exemplo da importância de prestar atenção na etiqueta de composição!

Terno não é tudo igual!

Falar de vestuário masculino é um desafio porque a vasta maioria dos homens não se interessa (muito) pelo que veste. Mas, durante o curso de personal stylist na London College of Style, e também nas experiências que eu tive montando looks para rapazes, eu me diverti MUITO trabalhando com vestuário masculino. Talvez por esse desinteresse que os homens costumam ter, a experiência de consultoria de imagem e estilo seja muito gratificante. Então, rapazes, hoje o papo é com vocês!

Todo homem usa terno – seja no dia a dia pra trabalhar, ou pra alguma ocasião especial. E, se é um traje tão usado pela população masculina, é bom entender um pouquinho mais sobre esse potencial uniforme. A análise cromática também é muito útil para os homens neste momento, já que é difícil fugir das cores muito escuras como o preto, cinza e azul marinho para os ternos: uma gravata na cor certa pode equilibrar o visual por completo, fazendo este homem parecer mais jovem e atraente – e também mais confiante.

O terno é o conjunto da calça, paletó e colete, mas é raro que se veja homens usando colete no dia a dia: o terno passou a ser socialmente aceito como o conjunto apenas da calça com o paletó. Eu já vi muitos vendedores brasileiros diferenciando “terno” e “costume”, adotando o termo “terno” para identificar o conjunto completo (calça + paletó + colete), e “costume” para o traje simplificado (calça + paletó). Na verdade, “terno” e “costume” são sinônimos (tanto quanto “fato”, no português de Portugal).

E ternos (ou costumes, ou fatos) não são todos iguais, ainda que as peças sejam sempre as mesmas: há algumas diferenças significativas de um terno para outro, que podem revelar qual a herança de cada um deles! Um terno pode ter herança britânica, italiana ou americana, e um terno slim fit pode se encaixar em qualquer uma destas heranças.

Um terno com caimento correto cria uma silhueta forte e um visual elegante. Muito mais do que a cor e o tecido, é preciso observar a estrutura dos ombros, a escolha da lapela e da altura do recorte, a quantidade e a posição dos botões (simples ou dupla?), onde ficam os bolsos e se devem ser mais ou menos aparentes, quanta ênfase se quer dar à cintura, o número de fendas na parte traseira do paletó, o tamanho das mangas, as costuras e o forro, as pregas nas calças. Além disso tudo, é preciso observar a regra do polegar!

rule of thumb - manga

A regra do polegar é um jeito fácil de saber qual é a altura correta da manga do paletó com relação à camisa: o correto é que só apareça uma parte do punho da camisa, equivalente a um polegar (deitado, é claro), como mostra a ilustração acima.

O tamanho da gravata também pode variar, mas é importante que ela sempre preencha o espaço existente do colarinho. Os ternos podem variar de acordo com as heranças e/ou tendências e, numa consultoria de imagem e estilo, o personal stylist ajudará a compreender e a escolher o melhor tamanho de gravata, o melhor caimento para cada tipo físico, e também quais tendências cada tipo físico pode e deve incorporar ou evitar.