Pra vestir e amar o corpo que se tem

Já conversamos muito por aqui sobre as maneiras como a consultoria de imagem pode nos empoderar e garantir um olhar mais gentil com aquela pessoa que nos observa no espelho, e a importância de termos a autoestima bem trabalhada, mas esse é um assunto inesgotável e, por mais que eu tente a cada dia melhorar a minha autoimagem, sempre há o que superar.

Estamos de férias no Brasil e passamos alguns dias em Brasília, e nos hospedamos no Brasília Palace Hotel. Estava um calor de matar e a piscina do hotel era convidativa. Mas e a coragem de colocar o corpo pra jogo, principalmente depois da comilança intensa desde o dia que cheguei ao Brasil?

Em pouco mais de 2 semanas em terras brasilis, eu acho que já engordei uns 3 quilos. Estou me permitindo comer tudo o que eu amo e sinto falta quando estamos na Armênia. Minha barriga está demonstrando isso pra quem quiser ver. Mas eu vesti o maiô e fui pra piscina mesmo assim, sem vergonha nem medo de aproveitar o sol.

E não foi só isso: eu tirei fotos de maiô relaxando à beira da piscina, e ainda tive coragem de postar no Instagram. Sim, coragem. Porque é claro que é preciso coragem pra expor a celulite, a pança proeminente, o bracinho gorducho e as pernas roliças na rede social sem nenhum retoque.

Mas a coragem maior é a aceitação diária do corpo que se tem, e amar incondicionalmente a pele onde se habita. Quanto mais eu respeito o meu corpo e me visto de acordo com as minhas medidas e proporções, mais autêntica é a imagem que eu transmito pro mundo, e mais confiança eu sinto. Da próxima vez que você for se vestir e se olhar no espelho, que tal tentar isso também?

Sophie Fontanel e 9 dicas de estilo

Sophie Fontanel, que está na casa dos 50, é uma jornalista de moda e autora do livro “A Arte de Dormir Sozinha”, tem um jeito único de se vestir, diferente da maioria das francesas. No seu armário, um mix excêntrico de proporções e roupas masculinas renderam mais de 150 mil seguidores no instagram com suas fotos tiradas no espelho. Esse ícone de estilo deu algumas dicas sobre como se vestir bem, comprar peças vintage, e o que significa ser feminina depois dos 40 para a Vogue em 2016, mas são coisas atemporais e que, na verdade, são lições para todas as idades. Achei que valia a pena registrar aqui, e também complementar com as minhas próprias observações, na busca incessante de inspirar e empoderar mulheres a serem cada vez mais autênticas!

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1- Nossas selfies, nós mesmas

Fontanel disse que costumava pensar que ficava horrível em fotos e que não deveria ser fotografada; se achava feia porque, todas as vezes que alguém pedia para tirar uma foto dela, ela tinha medo e a foto acabava ficando ruim. Isso mudou com o primeiro iPhone dela, quando ela começou a tirar fotos de si mesma e descobriu que, na verdade, ela não era feia e conseguiu olhar pra si mesma com gentileza pela primeira vez na vida. Sophie acha que selfies são importantes para a autoaceitação. Quando ela começou a postar suas selfies no instagram, ficou muito surpresa com os elogios que recebia e, aos poucos, aprendeu como descobrir a si mesma.

2- Não há muita diferença entre saber seus melhores ângulos e conhecer a si mesma

Sophie diz que é muito importante saber qual é o seu melhor perfil, e que precisamos ser amigas de nós mesmas, na nossa própria companhia, para enfim nos revelarmos para o mundo. O autoconhecimento surge desses encontros com nós mesmas.

3- Há muito mais sutileza para a sensualidade do que se pensa

Para Fontanel, é impossível vestir-se de maneira abertamente sensual. A sensualidade deve ser algo sutil. Ela diz que o mais importante é sugerir sem mostrar muito: delicadeza, gentileza, senso de humor, inteligência, expressando o seu verdadeiro eu. A sensualidade não precisa ser óbvia se você não fica confortável com uma saia lápis e saltos altos, por exemplo. Muitas mulheres são muito femininas e se vestem de maneira sensual, expressando a feminilidade da maneira que lhes é confortável. Mas Sophie se sente de uma maneira diferente, e não quer ser um objeto sexual em nenhum momento. De acordo com ela, um dos privilégios da idade é que, se ela quiser gostar de si mesma e desligar a luz do desejo sexual, ela consegue. Fontanel diz que, se na idade dela, uma mulher ficar obcecada com uma imagem sexy, sofrerá muito, porque há mulheres muito mais jovens em todos os lugares e a todo o tempo e, ao invés de competir com as mulheres mais jovens, é preciso encontrar o seu jeito próprio de ser sensual, que pode ser invisível.

4- Saltos altos são ótimos, mas conseguir caminhar é muito melhor

Sophie diz que é obcecada por conseguir caminhar pelas ruas com uma boa allure – que, em francês, se refere ao jeito como você caminha – e ela gosta de se sentir capaz de caminhar facilmente. Se Fontanel usa saltos, ela usa saltos baixos, e diz que gosta de caminhar de um jeito que seria como se um cowboy se misturasse à Audrey Hepburn.

5- Nunca subestime o poder das proporções

Fontanel se define como uma mistura de coisas frágeis, porque gosta de tons de cores bebê, e usa cores muito suaves, ao passo que, de vez em quando, escolhe calças masculinas cinzas. Sophie diz que gosta de comprar roupas muito largas, e que gosta de comprar suas blusas nos flea markets: ela nunca olha os tamanhos, e as vezes podem ser enormes e incríveis. Pra ela, quanto maior, melhor. Ela gosta de cintos porque, com calças e blusas amplas, é preciso um belo cinto para acentuar a sua cintura. Ela diz que pode não ser o melhor estilo de todos, mas que é o estilo dela.

6- Homens morrem de medo das mulheres – devemos usar isso a nosso favor

Sophie diz que as mulheres tem muitos poderes: trabalhamos muito na suavidade nas nossas roupas porque, caso contrário, assustamos muito os homens (e eles se assustam com facilidade). Segundo ela, os homens morrem de medo porque nós mulheres somos pequenas bombas: nós trabalhamos muito, temos ótimos empregos, nos vestimos muito bem, somos comunicativas, divertidas. Isto posto, os homens se perguntam como poderiam contribuir com algo para as nossas vidas, já que somos completas; é por isso que a roupa é tão importante: o ideal é nos vestirmos de modo acolhedor, e não como as guerreiras que somos, porque isso afastaria qualquer pessoa de nós.

7- Saiba como gastar o seu dinheiro

Fontanel gosta de comprar coisas vintage, e cerca de 80% das suas compras são feitas nesse mercado, ao passo que ela compra coisas caras que não são vintages. Compras inteligentes são a chave para um armário prático e completo, deixando a frase “não tenho nada pra vestir” no passado.

8- Aproveite as oportunidades para experimentar

Sophie Fontanel diz que, na França, todos são estilosos, mas o problema é que este estilo pode ser meio chato porque é o mesmo para todas as mulheres: na alta sociedade de Paris, são calças jeans slim, sapatilhas, uma simples t-shirt, um casaco cinza, e um cabelo simples. Essa típica mulher francesa é muito entediante para Sophie, e é por isso que ela se permite tentar de tudo, mesmo se for só pra ver como fica. A jornalista não aceita que a idade dela defina quais os tipos de roupa que ela deve vestir, e incentiva as pessoas a inventar novas versões de si mesmas, sem ter vergonha de experimentar de tudo.

9- Para ser bem vestida, é preciso ser culta

Fontanel é incisiva ao dizer que, para ser bem vestida, é preciso aprender ao assistir filmes antigos, frequentar museus, e também pesquisar na internet. Ela sugere, por exemplo, buscar imagens de Marilyn Monroe, que era muito bem vestida com calças simples. A jornalista destaca a importância de ver outras coisas que vão além das páginas das revistas e editoriais de moda: é preciso ler bons livros, ler poesia, alimentar a sua alma de coisas boas e bonitas, porque só assim você compreende como se vestir bem. Particularmente, eu acho que essa é a dica mais valiosa de todas: afinal, vestir-se é uma parte deliciosa da vida, mas não é tudo o que a gente vive. Muito mais importante do que a roupa que se veste, é a vida que se vive usando cada roupa.

Quebrando a rotina (também) do seu estilo

Muita gente se sente preso numa rotina, e não aproveita as ferramentas de estilo para quebrar as correntes e se libertar. Acredite: não é porque você está se sentindo assim agora que se sentirá assim pra sempre. É por isso que decidi listar algumas sugestões de estilo pra sair da rotina!

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1- Faça exercícios físicos

Eu não sou o maior exemplo de vida fitness que você vai encontrar por aí – na verdade, eu tô mais pro oposto disso – e parece até uma piada que eu fale disso antes de qualquer outra coisa. Mas a verdade é que exercitar o corpo é um dos melhores jeitos de mudar o jeito como você se sente e se enxerga! Encontre uma atividade física da qual você goste e mexa-se, nem que seja por 15 minutos. Isso é uma maneira eficaz de refrescar suas ideias e ajudar a fazer com que você enxergue as coisas de uma nova perspectiva – inclusive suas roupas.

2- Desconecte-se um pouco

Ah, o mundo conectado. Que faca de dois gumes! O instagram, por exemplo, é um dos melhores lugares para encontrar inspirações de moda, mas pode ser tóxico se você não estiver se sentindo confortável com seu estilo e confiante com suas escolhas. Pra verdade, eu acho que a rede pode ser um verdadeiro campo minado se você estiver muito incerto sobre o seu estilo: nas redes sociais, você acaba se perdendo por muitas direções e nem sabe mais ao certo do que você realmente gosta. Nessas horas, uma boa ideia é ser old school: compre uma revista e tome um café folheando as páginas. Há publicações excelentes de moda disponíveis que podem render grandes inspirações de uma maneira menos opressiva e que pode te dar uma ideia mais clara das tendências da estação disponíveis nas lojas.

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3- Organize seu armário (ou faça um closet editing com um profissional)

Se você acha que está usando as mesmas roupas todos os dias, é melhor recuar e reavaliar as peças que estão habitando no seu armário. Há grandes chances de que você esteja escolhendo as mesmas coisas porque são mais convenientes e fáceis! Ao reorganizar as peças do seu armário, não tenha pena de se desfazer das peças de que você não gosta ou simplesmente não usa. Se você mora em um lugar onde as estações do ano são bem definidas, tente guardar o que não é da estação num outro lugar, desocupando espaço e diminuindo a quantidade de informações na hora de se vestir. Dedique um tempo para avaliar tudo o que você tem, e pense nos diferentes jeitos de usar as coisas de que você gosta. Repensar as roupas que você já tem no armário certamente rende novos looks. Já comentei por aqui algumas vezes que o personal stylist tem um papel importante na edição e organização do armário porque, somando seu conhecimento profissional à isenção de sentimentalismos, poderá opinar e sugerir honestamente o que deve ficar e o que deve sair do seu armário, ainda que a decisão final seja sempre sua.

4- Tente evitar o jeans

Aqui, o ditado “casa de ferreiro, espeto de pau” faz todo sentido: afinal de contas, eu passei ANOS da minha vida usando calças jeans todos os dias. Sim, eu amo jeans, e é difícil viver sem eles, mas confesso que, nos últimos tempos, tenho procurado várias alternativas igualmente confortáveis (e, no inverno, muito mais quentinhas) ao bom e velho jeans. Para altas temperaturas, as calças de linho são muito mais elegantes e talvez até mais confortáveis. Para temperaturas frescas, meias calças pretas. Para o frio intenso, calças de lã. É uma questão de pensar fora da caixinha e encontrar alternativas que vão nos tirar da rotina e nos colocar numa direção mais divertida.

5- Atualize seu jeans

Isto posto, já concordamos que é difícil viver sem jeans e uma maneira interessante de mantê-los como bons atores do seu armário é atualizá-los. São muitos os modelos disponíveis (skinny, boot cut, reta, flare, boyfriend, mom, etc) e muitas lavagens diferentes para escolher. A simples mudança do corte do jeans que você está usando pode transformar o jeito como você se sente nas suas roupas. É claro que há um tipo ideal de jeans pra cada tipo físico, mas por aqui nós já estamos desconstruindo um pouco essas ideias de tipo físico e priorizando a alegria e a criatividade na hora de se vestir. Se você for comprar um novo par de calças jeans pra 2018, eu recomendaria evitar as calças skinny (que já viraram substantivo comum) e optar por modelos de cintura mais alta com pernas mais amplas, ou retas e ligeiramente cropped. O importante é que a sua calça jeans não achate o seu bumbum, não aperte a sua cintura e, principalmente, que não seja desconfortável.

6- Invista na terceira peça

A tal “terceira peça” é milagrosa, e o milagre já começa porque ela pode ser um cardigan, uma jaqueta, um casaco, um trench coat, um lenço, um cachecol, um colete, uma capa de chuva (tendência que tá firme desde o ano passado e mais forte ainda pro inverno/2018 no Brasil), e mais uma infinidade de peças. Se você morar num lugar onde o inverno é real, investir em bons casacos e cachecóis é fundamental: e, sim, eu usei o plural porque vai ser mais fácil sair da rotina no quesito estilo se você tiver pelo menos 2 opções entre as quais escolher. E nada de preto: pense em cores! Se você souber qual a sua cartela de cores, melhor ainda, já que poderá escolher os tons de cores que mais favorecem o seu rosto. Se você mora “num país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza”, a terceira peça ainda pode (e deve) existir no seu dia a dia, mesmo nos dias mais quentes: lenços de seda são frescos de usar e atualizam o look, enquanto capas de chuva protegem e incrementam o seu visual.

7- Preste atenção aos detalhes e use mais acessórios

Até os 7 anos de idade, eu não tinha as orelhas furadas. Mas, desde então, eu não saio de casa sem meus brincos! Aliás, eu nem costumo tirar os brincos pra dormir, já que eles são pequenos e não me incomodam. Isso é um exemplo de detalhe que faz a diferença, tanto quanto a bainha no tamanho certo. Usar acessórios é uma chave para levar seu estilo para outros níveis. Cintos mais largos costumam dar personalidade, e mudar de bolsa ajuda muito para mudar o visual e injetar confiança. Chapéus, óculos escuros, ou mesmo um broche com história podem tornar uma roupa sem graça num look digno de capa de revista!

8- Evite preto e cinza

Outro item meio “casa de ferreiro, espeto de pau”, mas que eu tô me esforçando pra mudar. Se ali em cima eu já falei sobre evitar o preto na terceira peça, agora é hora de reforçar a importância de dar um descanso para essa cor, e também para os tons de cinza. Quando estamos presos numa rotina, geralmente isso se traduz no nosso armário como uma pilha de roupas cinzas e pretas – afinal, estas são as cores que nos cativam quando não estamos muito inspirados e queremos alguma segurança. Mas estas cores também nos fecham um pouco e podem até prejudicar nossa produtividade. Ao evitar o preto e o cinza, você olhará para as outras cores; isso não significa que você vai se vestir de mil cores da cabeça aos pés, ou começar a usar estampas chamativas da noite pro dia. O importante é você sair um pouquinho da sua zona de conforto. E, ao usar uma cor que favoreça as suas feições, você se sentirá mais confiante e ainda ouvirá alguns (muitos) elogios.

9- Vá numa loja onde você geralmente não compra

Todos nós temos as nossas lojas favoritas, e sempre tendemos a fazer nossas compras nessas mesmas lojas. Ao mesmo tempo em que ter lojas favoritas revelam um traço firme das nossas preferências, frequentar sempre as mesmas lojas pode transformar o nosso armário num loop eterno de peças iguais. Explorar uma loja nova, onde você geralmente não compra, pode abrir um mundo de possibilidades de formas e cores! Misturando diferentes marcas e designers, criamos um estilo único ao invés de reproduzir o que está num lookbook e expressamos, de fato, a nossa personalidade. Ao se desafiar a usar algo diferente e, possivelmente, fora da sua zona de conforto, você vai se divertir muito e terá a possibilidade de descobrir novas versões de si mesmo.

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10- Mude o seu corte de cabelo

Embora essa dica também seja válida para os homens, esse item é direcionado principalmente para as mulheres. Se tem uma coisa que eu não entendo é o apego da mulher brasileira ao comprimento do cabelo, enquanto não tem medo nenhum de pintar os fios! Se 99% das vezes as brasileiras pintam o cabelo com um loiro que muito provavelmente está no tom errado para a pele, a síndrome de Rapunzel impede que exploremos plenamente nosso potencial de beleza! Cortar o cabelo pode ser revolucionário em tantos aspectos! Além de ter a possibilidade de criar um visual no qual você se reconheça plenamente, um corte de cabelo novo pode ser muito empoderador. Para as mamães de plantão, acho muito recomendável diminuir o comprimento dos fios para ganhar agilidade e praticidade no dia a dia (afinal, ninguém merece ficar de cabelo preso o dia inteiro). E, o que vale pra todas, é que cabelo curto dá menos trabalho, demora menos pra secar e a gente fica muito mais chique. Da minha experiência pessoal, posso contar que cortei meu cabelo bem curtinho 2 vezes num período de menos de 2 anos, doando mais de 20cm de cabelo em cada corte pra instituições que fazem perucas pra mulheres e crianças que perderam os cabelos no tratamento contra o câncer, e eu me sentia tão poderosa! Cortes de cabelo são transformadores, meninas. Acreditem em mim.

 

Sobre autoestima feminina

Feliz dia internacional da mulher! Aqui na Armênia o dia 8 de março é feriado: isso é um legado do período Soviético já que, em 1917, foi instituído o feriado nacional em comemoração às mulheres. A data foi celebrada predominantemente pelo movimento socialista e pelos países comunistas, até que a Organização das Nações Unidas adotou a comemoração em 1975. Hoje é um dia para celebrarmos nossas conquistas individuais e coletivas, e também para refletirmos sobre o quanto ainda precisamos avançar nas nossas lutas pelos nossos direitos.

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foto: @emmawatson

Acho que todas podemos concordar que uma das maiores lutas pra qualquer mulher é contra o espelho: nós temos dificuldade de reconhecer a nossa beleza e a nossa força, e a nossa autoestima costuma ficar bem abaixo do nível do mar. Em determinadas conjunturas, os resultados acumulados na nossa vida não são positivos porque nos enxergamos de uma forma muito negativa. Quando nos enxergamos por uma ótica negativa, é impossível crescer e estimular nossos talentos corretamente; ainda que sem perceber, quem se enxerga com olhos depreciativos acaba revogando um número infinito de possibilidades, afastando inúmeras conquistas e vitórias que poderiam ser escritas na sua história.

A autoestima é o resultado final de um conjunto de percepções que a pessoa tem de si, abrangendo a forma de pensar, agir e sentir, que podem ser negativas ou positivas, oscilando de acordo com o que vivemos. Se não conseguimos perceber que somos merecedoras de coisas boas, que somos capazes e que as nossas habilidades podem nos levar aonde quisermos chegar, tendemos a nos enxergar e compreender o nosso eu de forma depreciativa e até mesmo desrespeitosa; o resultado pode ser a propagação de uma forma amarga e insegura de se viver e se perceber. Nessas circunstâncias, a mulher pode desenvolver um quadro de auto rejeição em que ela não aceita a si mesma, vivendo em busca da aprovação e do elogio dos outros para poder se sentir bem.

Há coisas que precisamos desenvolver dentro de nós, que não podem ser conquistadas por elogios ou aprovação alheia. A reconstrução da nossa autoimagem deve partir do nosso eu, resgatando a verdade das nossas virtudes e belezas, com um olhar gentil e carinhoso pra nós mesmas, e jamais depender das vozes distorcidas que ouvimos ou dos traumas que nos marcaram.

Infelizmente, muitas mulheres alimentam uma autoimagem distorcida, em que a autodesvalorização nos impede de olhar com gentileza pra nós mesmas. É verdade que todo ser humano tem defeitos e falhas, mas não é isso que nos define. A mulher poderá trazer o seu melhor à tona, emanando a luz que vem de dentro de nós, depois de passar por um trajeto de cura: nesse trajeto, transformamos o significado que damos às experiências que nos impediam de enxergar a nossa beleza, a nossa capacidade de amar e de concretizar nossos sonhos. Nós somos poderosas, e um dos jeitos de impulsionar a nossa autoestima é trabalhando com o real e o imaginário, aproximando, tanto quanto for possível, o nosso ideal do que é factível.

Algumas perguntas objetivas podem nos ajudar a refletir e converter o ideal em real, e as respostas nos ajudam a construir nossa autoestima de maneira positiva. Por exemplo: Você sabe o que a faz feliz? Quais são as suas metas para esse ano? Quais são os seus projetos de vida? O que me faz me sentir realizada? No que eu gasto a maior parte do meu tempo?

Muitas vezes, passamos grande parte do nosso tempo cumprindo atividades que não nos proporcionam prazer nem realização. Mas é importante que nossas atividades diárias nos tragam felicidade, mesmo que seja nas menores coisas: ao sabermos o que nos faz felizes e realizadas, podemos investir mais tempo nisso e nos sentirmos satisfeitas com nossas escolhas, passando a nos enxergar como uma mulher que sabe pra qual direção a vida está indo, dona do seu destino.

Nós somos fortes, bonitas, poderosas e audaciosas, e nós temos o direito a esse autorreconhecimento. A coragem em reconhecer as nossas qualidades nos torna ainda mais capazes de transformarmos nossos sonhos em objetivos, e os objetivos em realidades. Nossa independência e liberdade só depende de nós mesmas. A audácia nos leva longe.

Vestir-se: exercício de criatividade e autoconhecimento

Há muito tempo, quando eu nem sonhava em me tornar personal stylist, eu já acreditava que vestir-se é um exercício de criatividade e autoconhecimento constante – e que nem sempre é muito fácil. No provador de uma loja ou em frente ao espelho de casa, podemos experimentar um misto de emoções, ou até mesmo uma catarse, reconhecendo, no visual que apresentamos para o mundo, a versão mais profunda de nós mesmos.

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casaco e calça Zara, blusa de gola alta Uniqlo, cachecol Kuna, tênis Vans, óculos Ray Ban, pingente de Nossa Senhora de Fáti

Outro dia postei essa foto no instagram, mostrando o meu #lookdodia, e um dos comentários que recebi dizia que esta roupa era a minha cara. Quem escreveu isso foi uma pessoa que me conheceu quando eu tinha 16 anos. É uma alegria imensa saber que eu consegui transmitir a minha personalidade para as peças que eu estou vestindo, e que não só eu me reconheço ao me olhar no espelho, mas que também sou reconhecida pelos outros no meu estilo.

Vestir-se bem e com elegância vai muito além de saber o que cai bem no seu corpo ou de quanto foi gasto numa determinada peça de roupa; há muito mais elegância num jeans + t-shirt branca usados com a segurança de quem se reconhece naquelas peças do que num look super elaborado e grifado.

O exercício de se vestir é constante porque nós mudamos o tempo todo: nossas convicções, opiniões e nossos valores de hoje podem não ser iguais há 5 anos atrás, e talvez não sejam os mesmos daqui a 5 ou 10 anos. É normal que as nossas vontades e ambições mudem, e isso vai exigir esforços diferentes para que alcancemos nossos objetivos. Do mesmo modo, é normal que tenhamos algumas constantes na nossa vida, que marcam características profundas da nossa personalidade e se revelam nas nossas escolhas.

Escolher o que se veste é decidir qual a imagem que escolhemos mostrar para o mundo. Ao olhar-se no espelho, é importante reconhecer quem olha você de volta, porque esta imagem está dizendo para os outros quem é você, como você quer que o mundo te enxergue. Reconhecer-se dentro das roupas, sapatos e acessórios que escolheu usar é o que vai dar a segurança que você precisa para enfrentar as suas atividades diárias. Quando eu falo em reconhecimento, eu me refiro de fato à identificação e da certeza de que a nossa aparência é verdadeiramente uma externalização de quem somos.

No caso das mulheres, o reconhecimento diário ao olhar-se no espelho é um passo enorme para o nosso empoderamento: ao entendermos o que nós esperamos de nós mesmas, podemos passar essa mensagem para o mundo por meio das nossas roupas. Se, ao nos olharmos no espelho, formos mais gentis com aquela mulher que nos olha de volta, poderemos parar de querer quem não somos e amarmos mais o nosso corpo. Se nos propusermos a parar de procurar nas araras das lojas as roupas que possam consertar um pedaço do nosso corpo ou disfarçar uma parte do que somos, escolhendo o que amamos e o que nos faz sorrir, desconstruiremos, paulatinamente, os mitos que criamos sobre nós mesmas. Ao nos olharmos com mais gentileza a cada dia, seremos capazes de amar quem verdadeiramente somos, e assumirmos com mais segurança a nossa personalidade. Não é fácil: estamos sujeitas a uma sociedade machista há muito tempo e, por mais feministas que nos tornemos, ou por mais bem resolvidas que sejamos, será difícil alcançar a libertação total para fazer escolhas de moda completamente livres de julgamentos e conceitos tão enraizados.

Já ouvi muita gente dizendo que precisamos usar a moda a nosso favor, e essa ideia do que é “usar a moda a nosso favor” também é mutável ao longo dos anos: por muito tempo, a moda favorável para a mulher era aquela que nos deixava mais feminina e delicada; depois, a moda favorável passou a ser aquela que criava a silhueta ampulheta, “a silhueta perfeitamente proporcional”. Ainda bem que, hoje, as mulheres se sentem muito mais livres para usar a moda a favor das suas personalidades: muito mais do que considerar qual o seu tipo físico ou as cores que mais favorecem o seu tom de pele, a moda que favorece as mulheres é aquela que expressa o nosso verdadeiro eu (eu = centro da personalidade, instância interna), nos torna únicas, e que conta uma história com as peças que escolhemos.

Vestir-se de maneira adequada, bonita, favorável e elegante sempre foi uma questão importante para as mulheres – e, graças a Deus, tem se tornado importante para os homens também, que passam a cuidar mais da imagem que apresentam para o mundo e também expressam a personalidade no modo de se vestir. Por conta desse nosso desejo de estarmos bem vestidos, é natural que fossem criadas regras e padrões, relacionando os tipos de corpos e seus formatos com as roupas que são ideais para cada um deles.

O que estas regras e padrões não consideram é que nossos corpos precisam e devem ser vestidos de acordo com as nossas necessidades, vontades e preferências, tornando a nossa rotina mais fácil e prazerosa porque nossa autoestima está lá em cima e temos a segurança necessária pra enfrentar o mundo lá fora; o que nós vestimos deve revelar quem somos por dentro. É aí que o personal stylist tem que dar o pulo do gato: o bom profissional não ensina ninguém a se vestir de acordo com o que as regras e padrões ditam, mas sim dá as ferramentas necessárias para fazer funcionar até o que poderia parecer impossível, atendendo aos gostos e preferências individuais, adequando o armário à rotina e injetando confiança.

A única maneira de aprender como se vestir de maneira adequada, bonita, favorável e elegante é experimentando todos os modelos, cores, tecidos e formatos de roupas, acessórios e sapatos disponíveis. Ao experimentarmos tudo, compreenderemos o que cabe não no nosso corpo, mas sim na nossa personalidade, no nosso verdadeiro eu. Sabendo o que se encaixa no nosso estilo de vida, o que facilita o nosso dia a dia, o que nos traz alegria, o que nos aconchega (porque roupa também é um carinho pro nosso corpo), nós definimos nossas próprias regras, construímos o nosso estilo, e sabemos bem como vestir cada um dos nossos humores com segurança.

E não podemos esquecer daquele ditado que diz que as regras foram feitas para serem quebradas: sejam as regras da moda, ou as regras que estabelecemos para nós mesmas (ou nós mesmos), somos livres para explorar, de modo criativo, as nossas preferências. Aprender a quebrar as regras com sabedoria é a principal peça no armário de qualquer pessoa – e é exatamente isso que eu mais gosto de ensinar na consultoria de imagem e estilo. Seu estilo é construído a partir da sua personalidade e da sua história. Não é você que tem que se adequar à moda: é a moda que tem que ser divertida pra você. Mas isso só vai funcionar se nós nos olharmos no espelho com gentileza, procurando enaltecer as nossas qualidades ao invés de destacar os nossos defeitos. É por isso que eu me proponho a fazer esse exercício diário de ser mais gentil comigo mesma – e convido você a fazer o mesmo.

Eu uso óculos!

O título deste post é, sim, um dos versos da célebre música “Óculos”, dos Paralamas do Sucesso, e outros versos da mesma música vão permear este texto. E, se você quiser dar o play na música e deixar tocando enquanto lê o que eu escrevi, vai em frente, fique à vontade!

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aos 4 anos de idade, os óculos eram apenas uma brincadeira! 6 anos depois, eles passaram a fazer parte do meu dia a dia.

Eu tenho miopia e astigmatismo desde os 10 anos de idade. Ou seja: no momento em que este post está sendo escrito, eu já contabilizo 18 anos usando óculos de grau. Por conta disso, posso dizer, por experiência própria, que aceitar os óculos de grau como parte do seu estilo pessoal não é uma tarefa fácil; é preciso fazer uma jornada de autoconhecimento, e também de algumas doses de empoderamento.

“Era mais fácil se eu tentasse fazer charme de intelectual

Meus óculos já foram motivo de muito deboche na escola, e foram muitas consultas aos oftalmologistas pedindo (ou melhor, implorando) para usar lentes de contato, ouvindo sempre a mesma resposta: você tem alergia. Minhas alergias não se restringem ao sistema respiratório: estão também nos olhos e na pele (o que também restringe meu uso de maquiagens). Na época do combo óculos + aparelho fixo, entre meus 10 e 14 anos, eu sofria muito com a minha autoimagem, e tudo se agravava pelo bullying sério na escola (não entrarei em detalhes, mas fica aqui o resumo da ópera: era tão pesado que eu troquei de escola na metade do 1º ano do Ensino Médio).

Tem gente que consegue usar óculos só pra ler, ou só no computador; esse nunca foi o meu caso. Eu sempre fui super dependente dos óculos, e eu sinto o incômodo físico quando meu grau está mudando. Foi aos 18 anos que uma oftalmologista me liberou para usar lentes de contato cautelosamente (porque a alergia persistia): sempre com um colírio específico em mãos, sempre com o óculos na bolsa, sempre por pouco tempo. Então, dos 18 aos 25 anos, eu fui habituando meus olhos às lentes, e, com acompanhamento oftalmológico constante, a alergia foi amenizando e eu gradativamente aumentei o tempo de uso diário das lentes de contato. Devo confessar que me sentia muito aliviada por não usar óculos 24 horas por dia os 7 dias da semana, e ficava bastante frustrada quando não conseguia colocar as lentes nos períodos de agravamento da alergia e tinha que sair de casa usando óculos.

“Se eu to alegre, eu ponho os óculos e vejo tudo bem”

Em 2015, aos 25 anos, minha rotina louca, que me fazia viajar de avião entre Brasília e RJ semanalmente, fez minha imunidade cair, e é claro que a alergia ocular também piorou. Era quase impossível usar lentes de contato; meus olhos ardiam e eu não simplesmente não conseguia usá-las por mais do que 1 hora. Foi naquele ano que eu voltei a assumir os óculos de grau, deixando as lentes de contato só pra alguma festa ou pra fazer exercícios físicos. Ao reassumir a minha imagem com óculos de grau, eu passei a me reconhecer de novo quando me olhava no espelho: o par franja + armação faz parte de mim, é a minha marca registrada, e, hoje, me faz ter orgulho de quem eu sou. Combino meus óculos com meus chapéus, boinas, gorros, e com o meu humor.

Se a minha primeira armação de óculos mais ousada foi um Marc Jacobs vermelho, nos idos de 2013, desde então passei a entender gradativamente que óculos não precisa ser discreto – aliás, óculos não deve ser discreto. Os óculos são acessórios que revelam muito da nossa personalidade, e eu entendi, ao longo do tempo, que precisava parar de ver os óculos de grau como inimigos da minha imagem. Pouco a pouco, eu passei a enxergá-los como aliados importantes na construção e definição do meu estilo.

Eu comecei a me divertir com as armações legais que as óticas oferecem, me aventurando com as marcas, cores e estilos. De lá pra cá, já foi um Prada colorido de base azul, um Dior gatinho (um dos meus favoritos, tô pensando em ressuscitá-lo), um Dolce & Gabbana preto (o mais difícil de abandonar), um Chanel cinza (a minha pior escolha), e um Tom Ford tartaruga com ponte dourada (o mais recente). Se para meus óculos escuros escolho sempre Ray Ban (qualidade ótima e preço justo), eu me permito brincar muito mais com as armações que emolduram meu rosto 95% do meu dia – afinal, se é pra gastar uma grana, que seja em algo que eu vou usar muito, que tem uma qualidade incrível e que vai me fazer me sentir poderosa o tempo todo.

A escolha e compra de uma nova armação de óculos acabou se tornando uma jornada de autoconhecimento e fortalecimento da minha autoimagem, com ensaio e erro, e tá tudo bem, porque os erros também ensinam muito (a armação Chanel cinza, por exemplo, foi a minha pior escolha de óculos: me deixa com cara de cansada. Foi só depois que fiz o curso de personal styling e comecei a estudar análise cromática que descobri o porquê: aquele tom de cinza é péssimo pra mim).

Muito mais do que corretores ópticos, por meio das suas linhas, cores e materiais, os óculos nos ajudam a transmitir as mensagens desejadas para a nossa imagem. Na hora de escolher uma nova armação de óculos, saber qual é a sua cartela de cores será uma ferramenta muito útil: afinal, é justamente no rosto que as cores revelam seus efeitos principais na nossa aparência. Tanto quanto na cor da armação, esse conhecimento também ajuda na hora de escolher a cor das lentes dos óculos escuros.

“Por trás dessa lente também bate um coração”

Se, antes, eu tentava me livrar dos óculos, hoje eu os prefiro muito mais do que as lentes de contato – mesmo em festas e/ou eventos formais. Por uma questão de praticidade e mobilidade, as lentes de contato só ganham dos óculos na hora de fazer exercícios físicos, ou pra andar em montanhas-russas; mas confesso que elas me incomodam e eu já fico doida pra voltar pros meus óculos rapidinho.

Meus óculos fazem parte do meu estilo, e me ajudam a traduzir a minha personalidade. Se ao usar óculos eu chamo atenção para o meu rosto, eu estou dizendo pro mundo que eu tenho segurança de quem eu sou e das escolhas que eu faço na minha vida.

É revolucionário encontrar uma armação de óculos de grau que te faça sentir conforto e confiança: os óculos deixam de ser um escudo e passam a ser uma grande ferramenta de estilo.