Afinal, o que é contraste?

Eu já andei falando por aqui sobre contraste em alguns posts, mas esse é um tema que ainda gera muitas dúvidas. Então resolvi escrever um texto exclusivamente para explicar o que é o tal do contraste.

Contraste é a diferença da profundidade entre os olhos + as sobrancelhas + o cabelo e o tom da sua pele. Na análise cromática, a temperatura e o contraste se complementam. Reforço aqui que só é possível ter certeza de qual é a sua cartela de cores e se a sua coloração é quente, fria ou neutra exata com a análise cromática realizada pessoalmente. Além disso, todas as cores tem tonalidades mais quentes e mais frias, então não é que uma pessoa de pele fria não possa usar vermelho ou uma pessoa de pele quente não possa usar cinza.

No entanto, é possível identificar se o seu contraste é alto, baixo ou médio apenas se olhando no espelho – talvez essa seja a única parte da análise cromática que você pode fazer em casa. O contraste é, também, o único aspecto visual que pode mudar longo da vida, porque depende das mudanças capilares, do bronzeamento e de outras intervenções.

A análise cromática existe para indicar quais cores valorizam os traços e características pessoais, e é importante coordenar a cartela de cores individual com o seu contraste. O contraste é uma ferramenta importante na consultoria de imagem porque o personal stylist pode te ensinar a manter o equilíbrio de cores perto do rosto, que é o nosso primeiro “cartão de visitas”. Além disso, o consultor de estilo, com seu olhar treinado, poderá indicar se o seu contraste atual é realmente a sua melhor versão, já que o contraste pode não estar completamente equilibrado. Nesse caso, é possível ajustar o contraste, que depende das mudanças capilares, do bronzeamento, da sobrancelha, etc.

Eu costumo dizer que o contraste natural é “o contraste que Deus te deu”, ou seja: contraste natural é aquele que não teve interferência de tinta de cabelo, por exemplo, ou por bronzeamentos. O seu contraste natural pode ser alto, médio-alto, médio-baixo ou baixo.

O contraste é alto quando a diferença entre cor do cabelo, sobrancelha e olhos em relação ao tom da pele é muito grande; o contraste é baixo quando essa diferença é pequena ou nenhuma; o contraste é médio quando essa diferença não é muito pronunciada, mas ainda visível. Vale destacar que duas pessoas podem ter a mesma cartela de coloração pessoal mas contrastes distintos.

Para ilustrar os tipos de contraste, vamos observar algumas personagens da Disney:

Elsa

Elsa é um típico exemplo de baixo contraste: o tom da pele, a cor dos olhos e do cabelo são muito claros e muito próximos, e quase não vemos diferença na tonalidade dos elementos de contraste. Por acaso, Elsa também tem tonalidade de pele fria (não é por acaso que ela é a rainha do gelo).

Anna

Anna é um bom exemplo de contraste médio-alto: reparem que a pele clara e os olhos claros não destoam muito do tom avermelhado do cabelo e das sobrancelhas.

Jasmine e Aladdin

Por sua vez, Jasmine é um bom exemplo de contraste médio-baixo: há pouca diferença da cor dos olhos + sobrancelhas + cabelo para a pele, porém ainda conseguimos identificar uma diferença de tonalidade (principalmente do cabelo em relação aos outros elementos do contraste). E, já que ele aparece nessa imagem também, Aladdin é um exemplo de contraste baixo (afinal de contas, o contraste dos rapazes também pode e deve ser avaliado and respeitado).

Mulan

Mulan exemplifica bem o contraste alto: a cor do cabelo, das sobrancelhas e dos olhos (bem pretos) é muito diferente do tom de pele (muito clara).

Tiana

Tiana é outro exemplo de contraste baixo: reparem que a cor do cabelo + a cor da sobrancelha + a cor dos olhos é muito próxima do tom de pele dela.

Branca de Neve

E a Branca de Neve? Contraste alto, altíssimo! Reparem como há uma diferença pronunciada principalmente da cor dos cabelos em relação ao tom da pele.

Rapunzel

Rapunzel é dona de um contraste baixo mas, ao contrário da Elsa, ela tem características de tonalidade quente (notem que há um certo rubor na face).

Ariel

E Ariel? Mais um contraste alto! Há uma diferença gritante da cor dos seus cabelos principalmente para a cor dos olhos e tom da pele.

Merida

De uma ruiva pra outra: na minha avaliação, Merida tem um contraste médio-alto. Há sim uma diferença entre os elementos do contraste, mas não tão pronunciadas a ponto de colocá-la na tabela dos contrastes altos.

Pocahontas

Por sua vez, eu diria que Pocahontas tem contraste médio-baixo. Não é exatamente baixo porque notamos uma diferença entre a cor do cabelo e os outros elementos de contraste, porém essa diferença não é muito pronunciada.

Alice

Alice é outro bom exemplo de baixo contraste, principalmente porque o tom do cabelo é muito próximo ao tom da pele.

Cinderella

Cinderella? Mais um baixo contraste pra nossa conta.

Aurora

Já Aurora tem um contraste médio-alto por conta da cor dos olhos, que são bem mais escuros do que o restante dos elementos de contraste que, por sua vez, tem tons bem próximos.

Belle

Por último, mas não menos importante, Belle também integra o time do contraste médio-baixo. Notem que há uma diferença entre o tom de pele e os outros elementos do contraste, mas essa diferença não é pronunciada o suficiente para classificá-la como contraste alto.

E pra que serve o contraste? Bem, a análise cromática pessoal serve, em primeiro lugar, para identificar as tonalidades mais harmônicas para cada pessoa, e cada pessoa tem uma beleza única. Se o objetivo é alcançar uma aparência harmônica, o ideal é repetir a coloração e o contraste na cor do cabelo, na maquiagem, nas roupas, nas estampas, nos acessórios… enfim, em tudo que estiver próximo ao rosto. Quanto mais próximo do rosto, o ideal é respeitar ao máximo o seu contraste e a sua cartela de cores.

Mas o que acontece se uma pessoa adota um contraste diferente do natural? Há vários resultados possíveis: a sua aparência pode ficar abatida, os traços de que você menos gosta podem ficar pronunciados, a sua roupa pode chamar mais atenção do que a pessoa que a veste, etc. Quando nós consultores de imagem falamos em harmonia, estamos destacando que a sua expressão e a sua fisionomia são sempre mais importantes do que a roupa.

Disney x Gucci: um dia na Disneyland

Alessandro Michele não perde tempo e não dá ponto sem nó. 2020 nem começou direito e a Gucci, maison da qual é diretor criativo, lançou uma coleção irresistível em parceria com a Disney para celebrar o ano do rato (Year of the Mouse) do calendário chinês, fotografada e filmada no parque Disneyland.

Ao longo dos últimos anos, os personagens da Disney ganharam visibilidade no mundo da moda e, como tudo que é feito por essa gigante de mercado, a presença generalizada de Mickey e companhia nas passarelas de moda foi meticulosamente planejada, parte de um esforço amplo para aumentar as vendas dos seus itens, provando, mais uma vez, que a Disney é para todos e desperta desejo em todos.

A Disney emprega uma extensa rede de magos do marketing que idealizam novas táticas para manter a marca culturalmente relevante. Entre as estratégias mais efetivas, podemos citar a conexão de conteúdo e comércio com memória afetiva, inclusão, diversificação da experiência da marca, e o uso das mídias sociais como um espelho mágico. Combinadas, estas e outras estratégias criam um duplo arco-íris de retorno e relevância para a audiência moderna da Disney, e iluminam potenciais caminhos para marcas de moda. Ou seja, a moda pode aprender – e muito – com a Disney.

Embora seja uma marca global, que desperta o desejo em pessoas do mundo inteiro, a Gucci está muito atenta ao mercado asiático – e estaria errada em não fazê-lo; basta dizer que, em 2017, 30% das vendas da Gucci foram para o mercado chinês. É prestando atenção aos desejos dos seus grandes consumidores que Michele cria essa coleção em parceria com a Disney: a mistura do logo da Gucci com a figura de Mickey Mouse é praticamente irresistível, principalmente para os consumidores mais jovens – um público alvo da marca. Desde 2015, quando Michele assumiu a direção criativa da marca, a Gucci veio se tornando uma maison cada vez mais valorizada e atraente para os millennials, valorizando os produtos que são chamados de “entry-level” (algo como “produtos de entrada”): por exemplo, cintos, acessórios e bolsas com valores abaixo de mil euros. Do mesmo modo, a Gucci aprendeu a abraçar a cultura chinesa sem caricaturas, dividindo-a globalmente com todos os seus consumidores, em um modelo respeitoso que trata a China como China.

Desde 2018, ano quando Mickey Mouse completou 90 anos, o desenho clássico do rato mais famoso do mundo passou a ganhar cada vez mais espaço nas mais importantes passarelas de moda. Além de uma breve aparição na Gucci, marcas como Rag & Bone, Giggi Burris, Karen Walker, Burberry, Kaia Gerber, Opening Ceremony, Givenchy, Coach e Moschino deram destaque aos personagens do mundo mágico criado por Walt Disney.

Uma estratégia antiga de vendas da Disney pode parecer familiar para as principais marcas de moda hoje: o “Disney Vault”, que reintroduziu clássicos que estavam fora de circulação por anos e depois reintroduzidos (a exemplo de Aladdin, A Bela e a Fera, O Rei Leão, entre outros), é um precursor das edições limitadas e das reedições de clássicos (uma olhadinha nas mais recentes bolsas da Gucci de Michele prova este argumento, já que o diretor criativo tem revisitado constantemente os arquivos da marca para os lançamentos de acessórios-desejo).

A presença de personagens do mundo mágico em produtos de todos os preços e para todos os públicos tem sido uma base do marketing da Disney desde os anos 1930, despertando o desejo de consumo desde tênis Converse até porcelanas.

Em geral, quando as colaborações de moda são pensadas, o time da Disney faz a seguinte pergunta: de que modo podemos manifestar uma ligação emocional por meio de um produto físico? Em geral, a resposta é nostalgia; afinal, todo mundo tem memórias da Disney como parte da infância. Para a Disney, o desafio é conectar-se com as pessoas constantemente na medida em que elas crescem.

Embora a maioria das marcas seja incapaz de usar essa conexão da infância que é intrínseca a identidade da Disney, estas marcas podem usar elementos de fantasia para atrair consumidores do luxo sem perder o seu DNA – e é exatamente isso que a Gucci faz com essa coleção, cujo item mais barato custa 145 euros.

Pode-se, também, especular se a Gucci tem intenção de abrir uma unidade no Disney Springs, o grande espaço dedicado às compras em Orlando dentro do complexo do Walt Disney World Resort e que atrai cada vez mais turistas endinheirados. Para ter um espaço no Disney Springs, as marcas tem que manter pelo menos um item com temática da Disney nas suas coleções. A Coach, por exemplo, que lançou timidamente uma coleção temática em 2016, passou a ter seu espaço no Disney Springs e, com isso, já lançou diversas coleções novas com a Disney desde então. Talvez seja um pouco cedo pra esse tipo de especulação mas, como boa Disney Freak que eu sou, minha imaginação voa longe.

*todas as imagens deste post foram copiadas do site da Gucci. A campanha foi fotografada e filmada no parque Disneyland (Disneyland Resort, Califórnia).