Elegância não depende de orçamento

Há um tempo atrás, eu escrevi um post que debatia, de maneira sucinta, como podemos ter um estilo elevado independente do orçamento. Hoje, eu quero entrar um pouco mais nesse debate, trazendo algumas dicas de como vestir-se de maneira mais elegante, seguindo a mesma linha de raciocínio de que ter um estilo polido não tem nada a ver com o seu orçamento.

Antes de entrar nas dicas práticas que podem nos ajudar a desenvolver um vestir mais elegante, eu devo dizer que, na minha humilde opinião, elegância vai muito além do que se veste. Pra mim, ser elegante é algo que está relacionado diretamente ao seu estilo de vida, desde a maneira como você trata as outras pessoas até o jeito de fechar uma gaveta.

Depois desse disclaimer, me sinto pronta pra falar sobre alguns aspectos que definem um estilo elegante.

Tecidos fluidos

Ainda que nem sempre sejam usados nas roupas mais práticas, os tecidos fluidos tem a capacidade de instantaneamente elevar um look. Pense, por exemplo, em blusas/camisas/camisetas de seda e sua fluidez: há uma elegância inata a essas peças.

Pouco contraste entre as cores

Embora looks super coloridos sejam muito interessantes visualmente, em geral eles são menos elegantes do que propostas que apresentam um menor contraste entre as cores. Nesse caso, um look branco e preto (que é altíssimo contraste) é menos elegante do que a combinação cinza e branco, ou azul marinho e preto, por exemplo.

Combinações monocromáticas ou análogas com intensidade suave

Quando a gente pensa que roupa preta é mais chique do que qualquer outra, ou que “preto emagrece”, é porque o nosso pensamento mais básico leva a perceber uma elegância inerente ao que é monocromático. Na verdade, o que tem essa “chiqueza” toda é o uso de uma única cor – o que também é percebido quando escolhemos tons suaves e análogas. Usadas corretamente, combinações monocromáticas podem ter o mesmo efeito “emagrecedor” de uma roupa toda preta, o que é um ótimo recurso para quem não tem preto na cartela.

Tom sobre tom

Uma cartela de cores é muito conveniente na hora de montar um look tom sobre tom, já que muitas delas tem as variações das cores e facilita visualmente a escolha dos tons que mais nos agradam e/ou temos a nossa disposição. Um look tom sobre tom não é só elegante mas pode ser até mesmo “calmante” não só para quem tá usando mas também pra quem encontra conosco – não podemos nos esquecer nunca da psicologia das cores.

Alfaiataria

Ternos, costumes, blazers, calças de corte reto, tailleurs (ou terninhos), vestidos tubinhos ou de outros cortes retos/simples, e até mesmo bermudas de corte reto fazem parte desta categoria de roupas, que tem uma elegância originada na história da alfaiataria, uma vez que essas peças costumavam ser feitas manualmente em oficinas, observando as medidas individuais de cada cliente, com caráter de exclusividade.

Corte e caimento

Uma peça bem cortada, com caimento perfeito, é garantia de elegância. Mas não se engane: não só apenas as peças de alfaiataria que são bem cortadas e/ou tem caimento perfeito. É possível usar uma simples t-shirt de algodão que é super bem cortada e veste perfeitamente, e isso já vai fazer toda a diferença para elevar o seu estilo.

Estampas mais suaves

Em geral, as estampas que tem a capacidade de deixar o seu look mais elegante são as mais suaves como, por exemplo, o tradicional floral Liberty. Estampas de cores análogas ou com intensidade suave também podem entrar nesse grupo.

Acessórios minimalistas

Acessórios em linhas retas/simples, menores, sem muitas cores costumam garantir um visual mais elegante. Pérolas pequenas, brincos discretos, pulseiras e colares mais finos, sem muitos pingentes, são alguns dos exemplos de acessórios minimalistas.

É lógico que você não precisa aplicar todas essas dicas de uma só vez, ou mesmo prender-se ao que eu escrevi aqui. Um dos caminhos da consultoria de estilo e imagem é a estratégia intencional, aplicando as diretrizes em alguns lugares e/ou determinados momentos nos quais o desejo é transmitir determinada mensagem por meio do vestir.

O que é a estratégia intencional na imagem?

Em 2014, eu recebi o meu título de Mestre em Estudos Estratégicos da Defesa Nacional e Segurança Internacional. E o que isso tem a ver com esse post?

Simples: estratégia. Uma das primeiras disciplinas que eu cursei no mestrado versava sobre o pensamento estratégico e diversas maneiras possíveis de aplicá-lo. E é claro que eu aplico o pensamento estratégico que eu aprendi na pós-graduação na construção da imagem e do estilo (também continuo aplicando nos meus estudos de doutorado, mas isso é outra história).

Um dos caminhos da consultoria de estilo e imagem é a estratégia intencional, na qual são aplicadas certas diretrizes, em algumas situações, em determinados ambientes, com o objetivo de controlar a mensagem transmitida por meio do vestir.

Tudo o que a gente veste conta uma história sobre quem nós somos. Por isso, é tão importante prestarmos atenção a essa história que estamos contando. Ao ter plena consciência da história que estamos contando por meio das nossas roupas, acessórios, sapatos, podemos ter controle sobre essa narrativa visual e garantir que ela seja o mais verdadeira possível.

Essa comunicação do vestir é instantânea: podemos não falar nada e emitir uma mensagem clara do que somos pelas nossas roupas, acessórios, sapatos. Mas essa comunicação não acontece só para os outros, mas também para nós mesmos, no reflexo que vemos nos espelhos, na maneira como nos sentimos. Todas as escolhas que fazemos (cores, cortes, caimentos, texturas) contam um pouco do que somos, construindo uma expectativa. O vestir intencional, consciente, mesmo que para as mais simples atividades diárias, pode nos animar para o dia, dando um gás extra para todos os desafios.

Um armário consciente, bem editado, que atenda bem às demandas do cotidiano individual, certamente contribui para que o vestir intencional se dê de uma maneira mais simples, podendo ser aplicado a mais situações sem que seja necessário passar muito tempo pensando no que vestir.

Vestir-se intencionalmente não tem nada a ver com o tempo que você leva pensando no que vestir; pelo contrário, quanto mais consciente da mensagem que deseja transmitir, mais fácil se torna a aplicação da estratégia intencional e, consequentemente, você leva menos tempo para se arrumar.

Zona de conforto ou look assinatura?

Estamos sempre ouvindo que é preciso sair da zona de conforto – ou melhor, das muitas zonas de conforto: seja no trabalho, no que fazemos em momentos de lazer, no que vestimos, etc. Pois eu venho humildemente contestar esse tipo de afirmação – pelo menos no que diz respeito a ter uma zona de conforto dentro do seu armário.

Não, você não leu errado. Não, eu não to doida. Na verdade, eu acho que o papel de um consultor de imagem e estilo pessoal é justamente ajudar cada indivíduo a encontrar a sua zona de conforto, transformando-a no que podemos chamar de “look assinatura”.

Pensa comigo: quantas vezes você já abriu seu armário abarrotado de roupas e teve a certeza de que não tinha o que vestir? Quantas vezes você comprou um acessório, um sapato ou uma bolsa da moda e acabou não usando? Em meio a todas as tendências de moda que consumimos, é fácil confundir-se e lotar o armário de coisas que simplesmente não fazem sentido para nós. Mas eu também tenho certeza de que, no meio de todas essas roupas que te levam a acreditar que não tem o que vestir, você tem algumas peças do coração, aquelas na direção das quais você sempre gravita, aquelas que te fazem sentir segurança e que te ajudam a ter mais gás pra enfrentar o mundo. Acertei?

Essa seria a sua zona de conforto – ou melhor, as peças que podem compor o seu look assinatura.

Se você ama usar terninho, este pode se tornar seu look assinatura. Se você ama vestidos, eles podem ser seu look assinatura. Se você gosta do comprimento midi, você pode adotá-lo como seu look assinatura. E você também pode ter mais de um look assinatura. Aliás, eu diria que a gente deve ter alguns looks assinatura, algumas combinações de peças que nos dão muita segurança e tranquilidade ao vestir para as mais diversas situações.

Em tempos de quarentena, muita gente tem descoberto a importância do conforto no home office, e tenho certeza de que muitas pessoas vão querer implementar o conforto nos looks de trabalho uma vez que a rotina fora de casa for retomada no “novo normal” (ainda não sei se gosto desse termo). E eu diria que o seu look assinatura deve ser, sim, muito confortável. 

Eu reconheço que tenho alguns looks assinatura, que compõem a minha “zona de conforto” pra facilitar a minha vida. Até mesmo para o home office eu tenho um look assinatura, já que (mesmo antes do coronavirus) eu passo muito tempo estudando, escrevendo e trabalhando de casa: calça de moletom + t-shirt, com um casaco de moletom sempre por perto. Aliás, acho que já falei por aqui que não vejo nada de errado em trabalhar de casa usando moletom; muito pelo contrário, acho a melhor opção desde que esteja num estado decente (no mínimo, sem furos ou rasgos). Para o look do home office, a minha regra é não usar nada que não pudesse usar na rua ou numa chamada de vídeo.

A gente nunca pode confundir conforto com desleixo. É absolutamente possível e nem um pouco difícil montar um look confortável com cara de pensei-muito-me-esforcei-e-o-lookinho-ficou-ótimo sem, de fato, gastar muito tempo pensando no look. Para isso, bastam algumas ferramentas de styling. É lógico que a ajuda de um consultor de imagem profissional será valiosa nesse momento, o que não significa que você não possa aprender alguns truques sozinho.

Porque você não deve cortar sua franja na quarentena

De repente, nos últimos dias, parece que todo mundo resolveu cortar o cabelo em casa. E eu perdi a conta de quantas pessoas mostraram nas redes sociais seus novos cortes de cabelo – a grande maioria, cortando uma franja pela primeira vez.

Venho, por meio deste, muito humildemente, como consultora de imagem, aconselhar que você evite cortar seu cabelo em casa e, principalmente, quero apresentar algumas razões para você não cortar uma franja pela primeira vez nessa quarentena.

Eu canso de repetir a seguinte frase: tem gente que nasceu pra usar franja, e tem gente que nasceu pra não usar franja. Parece um exagero, mas é verdade. Eu fico pensando na Sofia Vergara, por exemplo, que é uma visão de mulher, uma instituição, e perdeu muito na imagem quando cortou uma franjinha. Não me entendam mal, ela continuou linda, até porque nada pode tirar a beleza daquela mulher, mas ela fica ainda mais monumental sem franja – tanto que ela deixou crescer de novo.

Cabelo cresce, é verdade. Mas, falando com propriedade – afinal, eu uso franja desde que me entendo por gente -, parece que o cabelo e, principalmente, a franja demoram mais a crescer quando a gente quer que cresça. No meu caso, eu não usei franja por 2 momentos na minha vida – em 2001/começo de 2002 e em 2004/meio de 2005. Eu lembro que demorou muito a crescer o suficiente pra não precisar prender com grampos/arco e, quando enfim cresceu o suficiente pra incorporar ao cabelo, eu vi que aquela imagem não me representava. Desde então, eu já tentei várias vezes deixar minha franja crescer, mas além de perder a paciência rapidamente, eu não me reconheço sem franja. E, veja bem, minha franja cresce igual capim, eu tenho que cortar mais ou menos a cada 2 semanas, mas toda vez que eu penso “acho que vou deixar a franja crescer de vez” parece que ela resolve demorar um século pra crescer.

Quando a gente fala de cabelo, a gente tá pensando na moldura do rosto. Já falei um pouco disso por aqui num post sobre análise cromática e a coloração capilar. Se isso é válido para a cor do cabelo, é ainda mais importante quando pensamos no corte. O corte certo pode elevar seu visual de uma maneira incrível, enquanto um corte errado pode derrubar a sua imagem e, consequentemente, mexer com a sua autoestima de modo negativo.

Pode-se argumentar que existe um tipo de franja para cada formato de rosto. Enquanto isso pode ser verdade, eu ainda me atenho a máxima de que tem gente que, simplesmente, não deve usar franja. Quando se pensa em franja, não pode-se considerar somente o formato do rosto (embora seja aspecto fundamental também): é importantíssimo pensar na textura do cabelo, se tem ou não redemoinho, pra qual lado é a sua risca, etc.

Alguns cabeleireiros chegaram a dar entrevistas com dicas de como cortar uma franja pela primeira vez em casa, o que eu achei algo arriscadíssimo. Eles sugerem que você identifique um triangulo formado entre o topo da cabeça e as pontas das sobrancelhas, e aí faça o corte. Mas o que eles não te contaram é que a quantidade de cabelo pode ser diferente na composição desse triângulo, dependendo da textura e volume, e também do formato do rosto.

Ademais, a franja comunica, de forma geral, uma imagem muito jovial, quase infantil (dependendo da quantidade de cabelo na franja, da textura do cabelo, do corte do cabelo, etc). É sempre importante pensar na mensagem que estamos querendo comunicar com a nossa imagem, lembrando que o rosto é a nossa ferramenta principal.

Eu sei que, em tempos de quarentena, a gente fica querendo inventar coisas pra fazer. No meu caso, por mais atarefada que eu esteja com as atividades do doutorado + afazeres domésticos + produção de conteúdo, eu tenho também meus momentos de tédio e quase desespero. Aqui em casa, já mudamos todos os móveis de lugar e até compramos mais alguns na Ikea que eu montei semana passada pra criar nosso closet. Hoje (21/abril) é meu 51º dia sem sair de casa, e eu sou uma pessoa diagnosticadamente ansiosa – imagina quanta m3rd4 eu já poderia ter feito no meu cabelo nesse tempo todo?! Muita.

Desde que eu saí do Brasil, em janeiro/2017, eu nunca cortei o cabelo fora. Na Armênia, eu simplesmente não confiava no meu russo pra sentar numa cadeira de cabeleireiro, além de não saber se os cabeleireiros de lá saberiam lidar com a textura + volume do meu cabelo (fio muito fino + muito cabelo). Aqui na Suíça, eu não corto simplesmente porque acho muito caro. Ou seja: desde janeiro/2017, eu só corto o meu cabelo quando vou ao Brasil (uma vez ao ano), com meus cabeleireiros de confiança, que me entendem e, mais importante, entendem o meu cabelo.

Não é o ideal, mas é o que eu posso fazer pra evitar que dê ruim na minha imagem. É fato que o ideal é cortar o cabelo ou, pelo menos, aparar as pontas a cada 3 meses. Era isso que eu fazia quando morava no Brasil. Mas as coisas mudaram e eu precisei me adaptar pra sobreviver.

Só que eu uso franja. E aí vocês me perguntam: como eu faço? Tem, pelo menos, 15 anos que eu corto minha franja sozinha a cada duas semanas mais ou menos. Quando eu era criança, a Mivó cortava a minha franja entre uma ida e outra ao cabeleireiro, e a primeira coisa que ela me ensinou foi sobre a importância de ter a tesoura certa pra cortar.

Não pensem que foram 15 anos sem fazer m3rd4. Já fiz bastante besteira na minha franja sim: já cortei torta, já cortei mais do que devia (e aí ela demooooora pra chegar no lugar), já cortei um pedaço do cabelo sem querer… enfim, a lista é longa. É por isso que eu digo, por experiência própria, que é melhor não cortar uma franja pela primeira vez nessa quarentena.

Além de tudo isso que falei até agora, há que se considerar mais um fator: em tempos sem precedentes como este que estamos vivendo, tempos tão difíceis e de tantas incertezas, é melhor não tomar nenhuma atitude radical. Se isso vale pra várias esferas da nossa vida, eu diria que vale, principalmente, para o nosso cabelo. Como eu já escrevi ali em cima, nosso cabelo tem um impacto direto na nossa autoimagem por ser a moldura do rosto. Imagina ficar sabe Deus mais quanto tempo sem sair de casa e encarando uma imagem no espelho que não te agrada, que diminui a sua autoestima, que não contribui positivamente para a sua saúde mental?

Se eu puder te dar um conselho, não corte sua franja em casa. Pense. Repense. Vai ler um livro, ver tv, colorir mandalas, qualquer coisa. Mas não corte sua franja em casa sem certeza absoluta que você está fazendo. Espere a quarentena passar e converse com um cabeleireiro da sua confiança ou, preferencialmente, com um consultor de imagem. Talvez a quarentena seja, inclusive, um bom momento para quem cortou a franja e não curtiu (porque, provavelmente, faz parte do grupo de pessoas que não nasceu pra usar franja) deixá-la crescer.

Afinal, o que é contraste?

Eu já andei falando por aqui sobre contraste em alguns posts, mas esse é um tema que ainda gera muitas dúvidas. Então resolvi escrever um texto exclusivamente para explicar o que é o tal do contraste.

Contraste é a diferença da profundidade entre os olhos + as sobrancelhas + o cabelo e o tom da sua pele. Na análise cromática, a temperatura e o contraste se complementam. Reforço aqui que só é possível ter certeza de qual é a sua cartela de cores e se a sua coloração é quente, fria ou neutra exata com a análise cromática realizada pessoalmente. Além disso, todas as cores tem tonalidades mais quentes e mais frias, então não é que uma pessoa de pele fria não possa usar vermelho ou uma pessoa de pele quente não possa usar cinza.

No entanto, é possível identificar se o seu contraste é alto, baixo ou médio apenas se olhando no espelho – talvez essa seja a única parte da análise cromática que você pode fazer em casa. O contraste é, também, o único aspecto visual que pode mudar longo da vida, porque depende das mudanças capilares, do bronzeamento e de outras intervenções.

A análise cromática existe para indicar quais cores valorizam os traços e características pessoais, e é importante coordenar a cartela de cores individual com o seu contraste. O contraste é uma ferramenta importante na consultoria de imagem porque o personal stylist pode te ensinar a manter o equilíbrio de cores perto do rosto, que é o nosso primeiro “cartão de visitas”. Além disso, o consultor de estilo, com seu olhar treinado, poderá indicar se o seu contraste atual é realmente a sua melhor versão, já que o contraste pode não estar completamente equilibrado. Nesse caso, é possível ajustar o contraste, que depende das mudanças capilares, do bronzeamento, da sobrancelha, etc.

Eu costumo dizer que o contraste natural é “o contraste que Deus te deu”, ou seja: contraste natural é aquele que não teve interferência de tinta de cabelo, por exemplo, ou por bronzeamentos. O seu contraste natural pode ser alto, médio-alto, médio-baixo ou baixo.

O contraste é alto quando a diferença entre cor do cabelo, sobrancelha e olhos em relação ao tom da pele é muito grande; o contraste é baixo quando essa diferença é pequena ou nenhuma; o contraste é médio quando essa diferença não é muito pronunciada, mas ainda visível. Vale destacar que duas pessoas podem ter a mesma cartela de coloração pessoal mas contrastes distintos.

Para ilustrar os tipos de contraste, vamos observar algumas personagens da Disney:

Elsa

Elsa é um típico exemplo de baixo contraste: o tom da pele, a cor dos olhos e do cabelo são muito claros e muito próximos, e quase não vemos diferença na tonalidade dos elementos de contraste. Por acaso, Elsa também tem tonalidade de pele fria (não é por acaso que ela é a rainha do gelo).

Anna

Anna é um bom exemplo de contraste médio-alto: reparem que a pele clara e os olhos claros não destoam muito do tom avermelhado do cabelo e das sobrancelhas.

Jasmine e Aladdin

Por sua vez, Jasmine é um bom exemplo de contraste médio-baixo: há pouca diferença da cor dos olhos + sobrancelhas + cabelo para a pele, porém ainda conseguimos identificar uma diferença de tonalidade (principalmente do cabelo em relação aos outros elementos do contraste). E, já que ele aparece nessa imagem também, Aladdin é um exemplo de contraste baixo (afinal de contas, o contraste dos rapazes também pode e deve ser avaliado and respeitado).

Mulan

Mulan exemplifica bem o contraste alto: a cor do cabelo, das sobrancelhas e dos olhos (bem pretos) é muito diferente do tom de pele (muito clara).

Tiana

Tiana é outro exemplo de contraste baixo: reparem que a cor do cabelo + a cor da sobrancelha + a cor dos olhos é muito próxima do tom de pele dela.

Branca de Neve

E a Branca de Neve? Contraste alto, altíssimo! Reparem como há uma diferença pronunciada principalmente da cor dos cabelos em relação ao tom da pele.

Rapunzel

Rapunzel é dona de um contraste baixo mas, ao contrário da Elsa, ela tem características de tonalidade quente (notem que há um certo rubor na face).

Ariel

E Ariel? Mais um contraste alto! Há uma diferença gritante da cor dos seus cabelos principalmente para a cor dos olhos e tom da pele.

Merida

De uma ruiva pra outra: na minha avaliação, Merida tem um contraste médio-alto. Há sim uma diferença entre os elementos do contraste, mas não tão pronunciadas a ponto de colocá-la na tabela dos contrastes altos.

Pocahontas

Por sua vez, eu diria que Pocahontas tem contraste médio-baixo. Não é exatamente baixo porque notamos uma diferença entre a cor do cabelo e os outros elementos de contraste, porém essa diferença não é muito pronunciada.

Alice

Alice é outro bom exemplo de baixo contraste, principalmente porque o tom do cabelo é muito próximo ao tom da pele.

Cinderella

Cinderella? Mais um baixo contraste pra nossa conta.

Aurora

Já Aurora tem um contraste médio-alto por conta da cor dos olhos, que são bem mais escuros do que o restante dos elementos de contraste que, por sua vez, tem tons bem próximos.

Belle

Por último, mas não menos importante, Belle também integra o time do contraste médio-baixo. Notem que há uma diferença entre o tom de pele e os outros elementos do contraste, mas essa diferença não é pronunciada o suficiente para classificá-la como contraste alto.

E pra que serve o contraste? Bem, a análise cromática pessoal serve, em primeiro lugar, para identificar as tonalidades mais harmônicas para cada pessoa, e cada pessoa tem uma beleza única. Se o objetivo é alcançar uma aparência harmônica, o ideal é repetir a coloração e o contraste na cor do cabelo, na maquiagem, nas roupas, nas estampas, nos acessórios… enfim, em tudo que estiver próximo ao rosto. Quanto mais próximo do rosto, o ideal é respeitar ao máximo o seu contraste e a sua cartela de cores.

Mas o que acontece se uma pessoa adota um contraste diferente do natural? Há vários resultados possíveis: a sua aparência pode ficar abatida, os traços de que você menos gosta podem ficar pronunciados, a sua roupa pode chamar mais atenção do que a pessoa que a veste, etc. Quando nós consultores de imagem falamos em harmonia, estamos destacando que a sua expressão e a sua fisionomia são sempre mais importantes do que a roupa.

Várias maneiras de usar uma camisa social de acordo com Dior

Estamos chegando perto do final da semana de moda de Paris, a última das semanas de moda desta temporada, e um dos meus desfiles preferidos até agora foi o prêt-à-porter primavera/verão 2020 da Dior.

Sob direção criativa de Maria Grazia Chiuri, a maison francesa (que já teve Yves Saint Laurent no comando) lançou um olhar crítico sobre a crise climática e na sustentabilidade, ao mesmo tempo em que homenageou Catherine Dior (a Miss Dior original), irmã de Monsieur Christian Dior que muito o inspirou durante a sua vida, que era apaixonada por jardinagem. Miss Dior participou da Resistência Francesa e chegou a ficar em um campo de concentração alemão durante a Segunda Guerra Mundial.

O desfile idealizado por Chiuri transformou o Hippodrome de Longchamp em uma verdadeira floresta a partir do trabalho conjunto com o coletivo Coloco (que trabalha com espaços verdes e regeneração urbana) com 160 árvores de origens diversas que serão plantadas em projetos por toda a cidade de Paris. O conceito do desfile revelava, então, que o respeito pela diversidade e pela natureza poderá nos libertar.

Particularmente, eu amei os chapeuzinhos presentes em vários looks, e também sou fã do coturno. Mas o que eu quero trazer do desfile da Dior pra esse nosso cantinho são as diversas maneiras de usar uma camisa social. Sim, uma peça tão básica, clássica e que todos temos no armário apareceu num total de 13 looks de um dos desfiles mais importantes de qualquer temporada de moda, em várias propostas diferentes.

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A camisa social de cor azul foi escolhida pela Dior para compor diversas produções, das mais clássicas até as mais fashionistas. O primeiro look do desfile foi um macaquinho com a camisa social azul. A sobreposição das duas peças é uma alternativa interessante para dias mais frescos.

Alfaiataria com camisa social é uma combinação comum, mas fica mais moderna por conta da cor da camisa.

Por sua vez, quando combinada com saia longa, a camisa social azul ganhou uma vibe meio boho, resultando num look sofisticado, moderno e confortável.

Já com os vestidos acinturados e ligeiramente rodados, a camisa azul ganha ares românticos. Reparem que em 2 dos looks as golas da camisa ficam por dentro dos vestidos, em mais um truque de styling que tira a peça do lugar comum. O coturno faz o contrapeso perfeito ao romantismo do look, deixando tudo muito atual.

Nos looks com casacos mais amplos, a gola da camisa aparecendo é um detalhe que faz toda a diferença. O contraste das cores das peças também traz informação fashionista para o look.

Uma gola alta por cima da camisa, como nos looks acima, deixa todo o destaque para as mangas, num truque de styling muito simples mas que modifica completamente o look.

Pra mim, esse desfile da Dior foi um exemplo perfeito da importância das semanas de moda: muito mais do que querer reinventar a roda, os estilistas e diretores criativos das grandes maisons podem aproveitar seus desfiles para apresentar truques de styling que podem atualizar nossos looks com peças básicas que já temos nos nossos armário.

 

*todas as imagens deste post foram divulgadas no site da Dior.

Caí na tinta: looks monocromáticos

A tendência dos looks monocromáticos está em alta já há algumas temporadas, o que nos leva a crer que é uma trend que chegou para ficar. Particularmente, eu curto muito, e acho bastante prático também, principalmente se o seu armário for organizado por cores; certamente você será capaz de vestir-se em pouquíssimos minutos!

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Os looks monocromáticos costumam ser uma porta de entrada pra quem gosta de cor mas não curte muito, por exemplo, colour blocking. Um look colorido é sempre mais jovial e moderno, ao mesmo tempo que transmite uma mensagem de sofisticação e refinamento.

Muita gente, inclusive, corre pro look todo preto na intenção de alongar a silhueta, quando poderia fazer o mesmo usando cores!! Muito mais divertido e transmite muito mais personalidade ao look. Para alongar a silhueta com monocromia, basta escolher tons semelhantes ou com a mesma profundidade. Isso criará uma linha vertical, alongando toda vida.

Para quem quer uma dose extra de personalidade, criando um look visualmente muito interessante, uma ideia é combinar tons de características opostas: quentes e frios, claros e escuros, brilhantes e foscos. Pareceu complicado? Aguenta aí que eu explico: imagina uma camisa vermelho-tomate com uma calça vermelho-cereja. Imaginou? Pronto, misturou tons de características opostas!

Mas, Letícia, eu gosto de neutros. Como faz?

Ninguém falou que você precisa abrir mão dos neutros para criar looks monocromáticos! Pelo contrário: tons como bege, caramelo, marinho e cinza enriquecem os looks monocromáticos. Preto e branco também criam looks monocromáticos incríveis.

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Se o uso de cores ainda parece muito ousado para o seu estilo, você pode começar usando tons neutros, como falei ali em cima, ou tons fechados, como o marinho (sempre ele!), mostarda ou verde garrafa.

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monocromático com estampa

Para quem já está num nível avançado de monocromia nas peças lisas, é possível começar a compor looks monocromáticos com estampas. O segredo está na escolha de cores comuns nas peças, ainda que as estampas sejam diferentes, pois é a cartela cromática que vai harmonizar o visual.

Looks monocromáticos podem ajudar a valorizar a beleza natural do rosto quando as peças de roupa combinam com a sua coloração pessoal: quem tem pele rosada pode usar e abusar dos tons de rosa, azul, lilás e marinho; quem tem pele dourada vai se pivilegiar de tons terrosos, verde-folha e vermelho aberto; para quem tem alto contraste (cabelos e olhos escuros + pele clara) pode abusar de roupas altamente contrastantes, pois elas tendem a valorizar a beleza natural sem abater; por sua vez, quem tem baixo contraste terá sua beleza valorizada por tons que acompanhem o contraste.

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texturas trazendo interessância para o look monocromático!

Outra dica de ouro: qualquer look monocromático fica mais interessante com texturas! Texturas sempre dão interessância ao look, então considere as rendas, relevos, tecidos brilhantes, transparências e elasticidade dos tecidos quando estiver criando seu look monocromático.

Pra finalizar, o mais importante de tudo: olhe-se no espelho e reconheça o quão incrível você está!

* todas as imagens deste post foram retiradas do site da Zara (BR e CH).

O exercício diário de vestir-se

Vestir-se é um exercício diário, que nos permite aprofundar o autoconhecimento e detectar traços da nossa personalidade que são externalizados nas peças que escolhemos usar. Esse exercício diário nos propõe criar, a partir do que temos no armário, os looks que reflitam muito mais do que tendências ou modismos, mas sim o nosso verdadeiro estilo.

Definir seu próprio estilo pode não ser tarefa simples, seja porque você se identifica com mais de um estilo universal ou mais de uma categoria de estilo contemporâneo, seja porque você precisa de uma ajudinha nessa caminhada (e ninguém melhor do que um personal stylist para te dar a mão nesse processo).

Um armário recheado pode ser uma faca de dois gumes na hora do exercício diário de vestir-se. Se você já se conhece muito bem e sabe exatamente quais estilos formam o seu próprio estilo, tudo ótimo, fica muito fácil se arrumar para qualquer ambiente ou ocasião. Mas se você ainda não consegue ter clareza do seu estilo individual, um armário abarrotado pode mais confundir do que ajudar.

Esse exercício diário de vestir-se se torna mais prazeroso quando a gente começa a questionar cada etapa do processo, começando pela busca do autoconhecimento: quem eu sou? Essa roupa mostra quem eu sou? O que essa roupa fala de mim? Como eu estou me sentindo hoje? Qual a mensagem que eu quero passar para o mundo?

No mundo globalizado em que vivemos, é claro que tendências e modismos sempre vão interferir na nossa maneira de pensar sobre as roupas que vestimos. Um olhar crítico para o nosso próprio armário faz parte desse exercício diário, que nos ajuda a nos vestir de acordo com o que somos de verdade. Roupas e acessórios são muito mais do que o que se veste, mas o que de fato demonstram as suas vivências e a sua personalidade da maneira mais adequada possível para o resto do mundo; isso é estilo.

Muito mais importante do que usar uma tendência, é analisar se ela combina com você ou não, se ela pode ser adequadamente incorporada ao seu dia a dia sem que você se torne uma caricatura do que está na moda (ou seja, sem que você se torne um fashion victim que consome desenfreadamente sem refletir).

O exercício diário de vestir-se requer, além do autoconhecimento, paciência e bom humor. Escolher no seu armário o que você vai vestir pode ser uma experiência completamente diferente se você começa pela escolha de uma calça ou se o seu ponto de partida é um cinto, por exemplo. Se a gente entende que óculos (escuros ou não) são muito mais do que lentes corretoras e/ou protetoras contra raios UV, podemos usar esse acessório para nos expressar. Quando a gente se veste, é bom perder um pouco o medo de ousar e permitir-se externar pro mundo quem nós somos de verdade aqui dentro.

Você não deve beleza a ninguém

Você não tem que ser bonito/bonita, porque você não deve beleza a ninguém.

Em um mundo onde cada vez mais há uma ditadura da beleza, você não deve beleza a ninguém.

Não é que você não deva ser bonito(a) ou não queira ser bonito(a). Você deve colocar o seu bem-estar em primeiro lugar, sempre. É divertido ser bonito(a), se arrumar pra ficar mais bonito(a), se sentir bonito(a). O legal é se olhar no espelho e sorrir com o que se vê.

É, acho que o legal mesmo é ser feliz com a imagem que se vê no espelho. É legal seguir o seu instinto ao se arrumar, não pensando exatamente em ficar bonito(a), mas para ficar mais feliz. É deixar que o seu interior fique refletido na imagem que o resto do mundo vê. É buscar a felicidade, e deixar que ela te faça uma pessoa mais bonita.

Um rápido guia dos Estilos Contemporâneos

Já conversamos aqui sobre os 7 estilos universais, e agora quero dar um panorama pra vocês dos estilos contemporâneos. A classificação dos estilos contemporâneos foi criada para complementar as classificações dos estilos universais, como um desdobramento das categorias criadas a partir dos primeiros estudos teóricos sobre o tema.

URBANO

O estilo urbano é adotado por pessoas que priorizam o conforto, principalmente para poder explorar os espaços urbanos sem que uma peça de roupa interfira na programação. O estilo urbano permite uma mistura de muitos estilos, gosta de misturar peças hi-lo, chique com casual, com uma pitada de esporte. A nova trend dos tênis, que agora circulam nos mais diversos ambientes dando uma cara de fashionista aos looks que poderiam ser mais formais, é um dos exemplos dessa mistura que caracteriza o estilo urbano.

As pessoas que curtem o estilo urbano precisam estar cientes de que podem parecer um pouco informais dependendo da ocasião, sendo preciso dosar e equilibrar a mensagem que se quer transmitir. A informalidade inerente ao estilo urbano acaba dando uma cara mais jovem e despojada aos looks, o que transmite também uma mensagem de pessoa receptiva.

CLÁSSICO MODERNO

O estilo clássico moderno mistura peças de alfaiataria com corte impecável, bolsas e acessórios de qualidade com pitadas de atualidade nos looks, transmitindo a mensagem de que está antenada com as tendências. Um look clássico moderno pode ser minimalista, monocromático, monocromático com acessórios coloridos, com um belo tênis, e assim por diante. O clássico moderno é facilmente identificado por um único elemento que quebra o que seria um look absolutamente certinho.

O clássico moderno pode ser uma mão na roda para pessoas jovens que estão iniciando suas carreiras no mercado de trabalho, já que transmite uma mensagem de maior seriedade e confiabilidade.

DIVERTIDO CASUAL

As tendências divertidas entraram na moda há tempo, misturando, por exemplo, estampas de desenhos animados a saias plissadas (alô Prada S/S 2018). As cores vivas, estampas e frases divertidas se encaixam nessa categoria, que facilitam composições práticas e criam um look leve.

Assim como a categoria urbana, é preciso ter cuidado com os ambientes onde se circula com esse estilo, pois o divertido casual, por ter características muito jovens, pode resultar numa perda de credibilidade nos momentos mais sérios. Por outro lado, é um estilo ideal para quem trabalha em áreas onde a criatividade é determinante, demonstrando toda a sua alegria.

FASHIONISTA

Homens e mulheres apaixonados por tendências de moda são os típicos fashionistas. Essas pessoas gostam de consumir tudo o que é mostrado nas passarelas com rapidez, e costumam consumir muito em lojas do tipo fast fashion. O fashionista costuma demonstrar muita segurança e confiança por meio do seu estilo. Entretanto, por conta de vestir-se de acordo com as tendências, o fashionista precisa ter cuidado para não virar refém da moda e esquecer-se do seu próprio estilo. O equilíbrio entre usar o que está na moda e o que realmente se encaixa no seu estilo é tênue, mas é possível com uma boa dose de autoconhecimento.

MODERNO CHIQUE

Estar bem vestido é uma prioridade para quem se encaixa nessa categoria. A sofisticação e a elegância se encontram com toques atuais e tendências que se adequam a este estilo. Peças de cortes impecáveis ajudam a demonstrar confiança, embora seja necessário cuidado para não parecer pra frentex demais em alguns ambientes.

PREPPY GEEK

O estilo preppy geek mistura elementos divertidos, muitas vezes relacionados ao universo dos desenhos animados e super heróis, com peças de estampas clássicas como o xadrez e cortes de alfaiataria, abusando de camisas sociais e suéteres. Para quem usa óculos, um dos elementos que ajuda a dar muita personalidade ao estilo preppy geek são as armações de acetado, que dão um destaque excelente o rosto.

GRUNGE

Não adianta fugir, o grunge sempre estará rodando a moda. Muito além de camisas xadrez e calças rasgadas, o grunge inspira coleções que desfilam nas principais semanas de moda do mundo. Marc Jacobs costuma fazer muitas coleções com toques grunge, e até mesmo Anthony Vacarello (na frente da  direção criativa da maison YSL) tem adotado elementos grunges nas coleções, com várias peças que misturam couro e renda a recortes inusitados. A coleção A/W 2020 de Maria Grazia Chiuri também traz muitos elementos grunges para peças clássicas da Dior, como o xadrez, couro, cintos amplos e chapéus misturados a pérolas e peças da alta joalheria.

ROMÂNTICO COOL

Esta é uma categoria identificável predominantemente entre as mulheres. Romântico cool é caracterizado por um look fluido, com babados, rendas, detalhes e estampas delicados. Devidamente dosado, ajuda a transmitir leveza em profissões que exigem tremenda seriedade e por vezes tornam a mulher inacessível.