Análise cromática e a Coloração capilar

Ah, o cabelo. O drama de tantas mulheres, e também de alguns homens. A cor do cabelo é algo que nós não deveríamos copiar de ninguém, nem seguir modas ou tendências porque o segredo das cores mais adequadas e que mais valorizam nossa beleza está em nós mesmas! A análise cromática revela a nossa harmonia e contraste naturais de tons de pele, cabelos, sobrancelhas e olhos. É por isso que, na hora da mudança, não devemos nos espelhar em ninguém!

Já sabemos que, quanto mais fiéis somos à nossa cartela de cores, mais amenizamos os efeitos negativos das cores sobre nosso rosto e podemos até mesmo diminuir o uso da maquiagem sem nos arriscar a ouvir que estamos abatidas e/ou cansadas.

fepa
Fernanda Paes Leme e um dos maiores (talvez o maior) erros da história recente da coloração capilar (nada contra FêPa, inclusive admiro desde os tempos de Sandy & Junior na TV)

O cabelo é a moldura do nosso rosto, e isso que minha vó dizia (e provavelmente a sua também) é a mais pura verdade. Quando escolhemos as cores erradas para o cabelo e ignoramos a harmonia e contrastes naturais, caímos numa cilada! Com todo respeito aos profissionais cabeleireiros, muitos simplesmente assassinam a beleza de suas clientes ao tingir com cores frias cabelos que deveriam manter tons quentes, ou que sequer prestam atenção ao contraste.

A análise cromática ajuda muito a evitar esse tipo de erro e garantir que haja coerência no seu rosto. Na consultoria de estilo, devemos nos guiar sempre pelo rosto, pois é o nosso principal cartão de visitas; portanto, é importante valorizar o seu contraste para garantir a harmonia visual 24 horas por dia, 7 dias da semana.

Cabeleireiros, nada contra vocês, muito pelo contrário, sou admiradora do trabalho que realizam nos cabelos das mais diferentes texturas.  Mas, além de garantir a harmonia do rosto das clientes, é preciso que cabelos sejam pensados para a vida real: eu já perdi a conta de quantas vezes cortei meu cabelo e saí com ele belíssimo do salão só pra chegar em casa, lavá-lo e deixá-lo secar naturalmente (quem me acompanha no instagram sabe do ranço que eu tenho de secador!) pra ver que ficou absolutamente diferente do que eu queria e que só funcionaria mesmo arrumado daquele jeito (coisa que jamais fiz). Eu (ainda) não pinto o meu cabelo, então por experiência própria só posso falar dos cortes frustrantes que já fiz; mas, como consultora de estilo, posso avaliar estes erros de coloração e dar meus dois dedinhos de contribuição para que quem pinta o cabelo evite cair nestas ciladas.

weasley
a definição de “ruivo Weasley”

A harmonia do seu rosto tem a ver com todas as suas características físicas. Por exemplo: uma pessoa muito alta provavelmente não ficaria bem com um cabelo chanel, do mesmo modo que uma pessoa muito baixa não ficaria bem com um cabelo ultra longo; uma pessoa de coloração fria e altamente contrastada (pele muito clara + olhos escuros + sobrancelha escura) dificilmente teria sua beleza natural valorizada por um cabelo ruivo Weasley, enquanto uma pessoa de coloração quente tem sua harmonia assassinada por cabelos platinados. Não significa que são cortes ou cores feios, mas é preciso avaliar individualmente qual corte funciona para as suas proporções e os seus traços e feições, se a coloração está compatível com a sua e, principalmente, avaliar se o todo (corte + cor) combina com a sua personalidade e com o seu estilo de vida.

sandy
Sandy, que eu amo desde que me entendo por gente, tem errado muito no contraste! Mesmo com maquiagem, dá pra notar que o cabelo um pouco mais escuro deixa a pele dela mais viçosa e a aparência mais jovem, enquanto as madeixas platinadas a deixam com cara de bem mais velha!

Um cabelo que requer alta manutenção (babyliss, escova, etc) jamais funcionaria para mim porque eu simplesmente não tenho paciência. Acho que foi por isso que fiquei tão frustrada da última vez que cortei meu cabelo curtinho: ele só ficava bom com babyliss ou quando usava o secador para dar volume, e é óbvio que se eu me dei esse trabalho 3 vezes foi muito. Esse corte foi feito em outubro de 2016, e foi só em janeiro que eu comecei a gostar do corte, porque o cabelo já tinha crescido um pouco e harmonizava melhor com as minhas feições e estilo de vida.

Eu tenho a ligeira impressão de que erros de cortes são mais fáceis de contornar porque “cabelo cresce”, enquanto corrigir um erro de tintura pode agredir e comprometer a saúde do seu cabelo. É claro que esperar o cabelo crescer requer paciência (ou extensões dos fios), mas não compromete a saúde dos seus fios, e você não precisa ficar horas sentada numa cadeira de salão.

Se você pode fazer a análise cromática e pode ter a ajuda de um consultor de estilo na hora de mudar a cor dos cabelos, maravilha. Mas se você ainda não sabe sua cartela de cores, uma dica fácil para saber se um determinado tom de cabelo ou de reflexos fica bom para você é observar os outros fatores que determinam o seu contraste em relação ao seu tom de pele: as cores dos seus olhos e suas sobrancelhas. O contraste é a única parte da análise cromática que pode ser identificada imediatamente, sem uso de material ou luz especial, e que pode mudar longo da vida, porque depende das mudanças capilares, do bronzeamento e de outras intervenções.

Já falei por aqui, mas não custa lembrar: o contraste é a diferença entre cor do cabelo, sobrancelha e olhos em relação ao tom da pele. O contraste é alto quando essa diferença é muito grande; o contraste é baixo quando essa diferença é pequena ou nenhuma; além disso, existe também o contraste médio. Pensando em mudar a cor do cabelo, restam os outros três fatores a serem analisados, levando-se em consideração se você é uma pessoa que se bronzeia muito e/ou com facilidade (porque aí seu tom de pele muda com alguma frequência e pode influenciar no seu contraste) e aí você pode ter um direcionamento para qual tom de cabelo favorecerá mais a sua beleza natural!

Sempre prove as roupas!

Tem muita gente que não gosta de provar roupas. Já vi muitas pessoas entrarem em lojas e simplesmente pegarem as peças, olharem o tamanho e se dirigirem direto ao caixa; ao questioná-las, me responderam que “já sabiam sua numeração” e “não precisavam perder tempo provando as peças”.

IMG_1049
no provador da Eva, um dos mais fotogênicos do Brasil!

Muita gente considera provar roupa, sapatos ou acessórios uma perda de tempo. Olha a peça na arara ou na prateleira, gostou, acha que vai vestir bem, é do tamanho que está habituado a comprar, vai direto pro caixa pagar. Ignorando os provadores, leva a roupa pra casa sem experimentar. E aí, quando vai vestir em casa, muitas vezes muito tempo depois de ter expirado o prazo pra troca, ou sem nem mesmo saber onde foi parar a nota fiscal, ou ainda na hora de sair de casa para algum evento, se dá conta de que a roupa não era bem aquilo que se esperava.

Além da falta de tempo (a desculpa mais comum), não gostar dos provadores de lojas pode ser resultado de vários fatores: iluminação e espelhos ruins que parecem ressaltar apenas as coisas que ainda não aprendemos a gostar em nós (ou mesmo que queremos mudar), equipe de vendas despreparada para lidar com o público, cabines apertadas e/ou pouco confortáveis, e até mesmo provadores e espelhos sujos (eca!), entre outros.

As compras online são uma alternativa interessante para provarmos as roupas com calma, na nossa casa, combinando com as nossas outras roupas (que também devemos experimentar!), tendo a opção de trocarmos ou ainda de devolvermos e sermos reembolsados.

Experimentar o que se pretende comprar é parte fundamental do processo de escolha e compra. Os provadores das lojas não devem ser lugares de muitas dúvidas ou de nos deixarmos levar pela emoção ou pela pressa. Se já sabemos o que nos veste bem e quais as cores nos favorecem, por exemplo, nossos critérios ficam mais objetivos, tanto quanto se tivermos uma lista do que realmente precisamos, tornando o processo um hábito automático porém consciente. Assim, fica mais fácil e mais rápido passar pelos provadores das lojas!

Parte do processo é, por exemplo, observar a etiqueta interna e ler a composição do tecido, bem como quais cuidados específicos aquela peça requer. Eu, por exemplo, já leio a etiqueta de composição antes mesmo de olhar o preço ou remover a peça da arara: assim, se ela não corresponde aos meus desejos, eu já descarto. Só aí eu olho o valor cobrado, e faço mentalmente a conta do custo x benefício, para então tirar a peça da arara e ir para o provador.

Este processo também fica mais fácil se você conhece a sua cartela de cores. A cartela de cores não serve para limitar, mas sim para guiar suas escolhas para um armário mais coerente, com combinações mais fáceis. Conhecendo as suas cores, fica mais fácil escolher o que levar pro provador. Se as cores das suas roupas se coordenam facilmente, você invariavelmente consegue se arrumar mais rápido no dia a dia.

Observar o caimento é outra questão importantíssima no provador. Ao analisar se a roupa vestiu adequadamente, você também avalia se precisará considerar ajustes; se a loja tiver uma costureira, ótimo, mas se não tem, você invariavelmente vai gastar um pouco mais com aquela peça. É importante notar se as costuras dos ombros estão onde deviam estar (essa parte é dificílima de ajustar!), se a gola fica no lugar, se os botões estão bem presos ou mesmo se deixam espaço aberto entre as casas, se me aperta em algum lugar ou se limita meus movimentos.

E aí vamos para os detalhes: observar se a costura está bem feita, se o acabamento é bem executado, se as costuras laterais se encontram nas estampas ou não, se tem alguma transparência, se o forro tem o tamanho correto,  se eu me sinto acolhida pela peça, se tem alguma imperfeição (manchas, furos, rasgos), etc.

Outra coisa importante no provador é ter um olhar criterioso para o que os vendedores nos oferecem. Já virou praxe que os vendedores das lojas tragam para o provador muito mais do que pedimos, então é preciso termos clareza do nosso estilo e do que verdadeiramente queremos para fazermos escolhas coerentes com nosso estilo de vida e com nosso bolso. Ademais, é fundamental não comprar simplesmente porque passou muito tempo nos provadores e sentiu constrangimento por ocupar o vendedor: não podemos ter vergonha de simplesmente agradecer pela ajuda e dizer que vamos pensar mais um pouco, caso seja exatamente isso que queremos fazer. Se você sentir algum tipo de pressão, agradeça e explique que é uma pessoa minuciosa, atenta aos detalhes, e que precisa daquele tempo para realizar uma compra verdadeiramente satisfatória. Do mesmo modo, o ideal é evitar fazer compras com outra pessoa, a menos que seja um personal stylist que está ali para te atender: o profissional deve ter calma no atendimento e respeitar o seu tempo.

Experimentar as roupas que já temos em casa também é importantíssimo. Por vezes, pode ser muito produtivo e também divertido abrir seu armário e provar suas roupas como se você estivesse numa loja. Coloca uma música que você goste e, peça por peça, você reflete: eu compraria essa peça hoje? Eu estou realmente usando isso? Esta roupa mostra para o mundo quem eu realmente sou? É esta imagem que eu quero projetar? Esta peça precisa de algum ajuste para atender melhor minhas necessidades? Está faltando alguma coisa no meu armário? Consigo ver todas as minhas peças? Uso tudo o que eu tenho?

Claro que algumas dessas perguntas são mais facilmente respondidas com a ajuda de um consultor de estilo, mas você também é capaz de refletir e responder a algumas destas perguntas numa jornada de autoconhecimento. Ao provar as peças que estão no seu armário, você valoriza o que você já tem e não precisa fazer compras por hábito ou simplesmente para se distrair, além de ter a chance de escolher algumas peças para doar ou até vender, deixando a energia circular no seu armário e consumindo de maneira consciente.

Final de ano é uma boa hora para reconciliar-se consigo mesmo

Final de ano, verão no Brasil, aquele calorão, todo mundo querendo aproveitar as belas praias. Por aqui, eu tô só no frio, mas acompanhando pela internet as altíssimas temperaturas brasileiras! Mas, em qualquer lugar do mundo, muita gente costuma aproveitar este período para rever o que aconteceu de bom e de ruim, e estabelecer suas metas e objetivos para o novo ano.

metas & objetivos para o ano novo

No verão, o natural é que as roupas diminuam para deixar mais pele à mostra, mas tem muita gente que sofre com essas questões porque vivemos uma cultura de construção de imagens que privilegia a “boa forma”, com incontáveis formas de emagrecimento e alternativas para que alcancemos o “corpo perfeito”.

As mulheres, naturalmente, são as que mais sofrem com estas imposições de buscar uma perfeição corporal inexistente. Quanto mais perto do verão, mais aumenta a pressão para alcançar o “corpo do verão”: barriga zerada, celulite zero, bumbum durinho, braço magrinho, pernas definidas (se esqueci de alguma parte do corpo, complete nos comentários!). Com isso, progressivamente deixamos de amar a nós mesmas e passamos muito tempo da nossa vida brigando com nossos corpos.

“A aparência do corpo exerce grande influência em nossas vidas, afinal, a forma como nos apresentamos para os outros determina a maneira como nos relacionamos, as oportunidades que temos socialmente, as reações e atitudes dos outros para conosco, bem como nossa vida afetiva e profissional”

(Stenzel IN Nunes e Appolinario, Transtornos Alimentares e Obesidade, Artmed, 2006).

Os padrões de beleza impostos pela nossa sociedade e a consequente escravização a que nos sujeitamos tem sido um dos principais fatores associados ao aumento da incidência de transtornos alimentares como a anorexia e a bulimia. E podemos afirmar, com segurança, que as redes sociais tem contribuído muito para este movimento. Se, antigamente, éramos influenciados apenas pela televisão e pelas celebridades que estampavam as revistas, hoje vemos “corpos perfeitos” e “vidas perfeitas” nas telas dos nossos celulares.

Nas redes sociais, seguimos perfis de homens e mulheres com corpos esculturais e uma beleza dentro do “padrão” que, em geral, aproveitam para vender os segredos para que todos nos tornemos belos dentro destes mesmos padrões. O desejo da padronização torna a sociedade cada vez mais frustrada e doente, porque simplesmente não conseguimos alcançar aquela imagem. E aí nos torturamos porque comemos uma sobremesa, jantamos uma massa e tomamos um vinho.

Quem me segue no instagram viu nos meus stories semana passada um alerta sobre esse tipo de cobrança que nos fazemos, e que muitos influenciadores acabam postando em seus perfis. Se você ainda não viu, estes vídeos estão salvos nos meus destaques. Essa minha reflexão foi desencadeada por ter ouvido uma pessoa que eu sigo dizer que foi “um horror” jantar massa, tomar vinho e comer um tiramisù de sobremesa. Foi aí que eu propus a reflexão de que comida nunca é um horror, mas é sempre um privilégio. Nós vivemos num mundo com tanta gente passando fome! Não podemos nos dar ao luxo de achar nenhuma comida um horror.

A nossa relação com a comida está diretamente relacionada ao modo como enxergamos nosso corpo. Toda vez que comemos algo que foge do que é saudável, nos condenamos, e a nossa insatisfação com nosso corpo parece aumentar progressivamente. Chegamos ao ponto de nos perguntar, por exemplo, quanto tempo precisamos andar/correr na esteira para poder comer um hambúrguer.  Nossa insatisfação com nosso corpo influencia a maneira como os outros nos vêem: se estamos felizes e satisfeitos com as pessoas que somos, naturalmente teremos uma imagem mais leve e transmitiremos segurança, e os outros vão nos perceber também desta maneira. Estamos constantemente oscilando entre o olhar ruim que nos destrói, e o olhar bom, que nos constrói. Isso tudo tem um enorme peso, também, na construção da nossa imagem e estilo pessoal.

“Por uma internet mais verdadeira
Com menos maquiagem 
Com mais comida de verdade
Com menos culpa
Com mais amor próprio 
Com menos padrões inatingíveis 
Com mais empatia e muito mais sorrisos sinceros”

Cada corpo tem sua potencialidade, e reflete todas as experiências que vivemos. Não podemos querer vestir um corpo que não temos, mas podemos vestir da melhor maneira possível o corpo que nós temos e amamos. Não precisamos responder a um padrão imposto para que nossos corpos sejam os melhores possíveis: o melhor possível não pode ser o que a mídia ou as redes sociais impõem, mas o que nos deixa verdadeiramente felizes.

Olhar para si mesmo com carinho é o primeiro passo para reconciliar-se consigo mesmo, ganhar auto-confiança e construir o seu estilo verdadeiro. É importante identificar quem eu realmente sou, e não aquilo que eu acho que o outro pensa sobre mim. É importante olhar no espelho e amar cada pedacinho do que somos, cada marca individual que temos, pois isso nos torna únicos. A construção de uma boa auto-estima não é um caminho fácil ou rápido de se percorrer, mas é importante darmos o primeiro passo.

No final de cada ano, muita gente costuma estabelecer metas e objetivos para o ano que vai começar. Eu proponho que você comece hoje mesmo a realizar a importante meta de reconciliar-se consigo, amando quem você é por inteiro.

Midi, o comprimento mais chique

Que me perdoem os curtos e os longos, mas o midi é o comprimento mais chique para os nossos looks! Se o tecido tiver um belo caimento, o visual sofisticado está garantido, mesmo que façamos escolhas simples e práticas! Quer ver?

img_1775
chapéu Parfois, t-shirt Zara, óculos Ray Ban, saia Forever 21, tênis Converse All Star (e mochila Fjällräven Kånken)

No último final de semana, fizemos uma road trip até Tbilisi, a capital da Geórgia. Mais do que aplicar os conceitos da mala inteligente, eu realmente não queria levar muita coisa pra um final de semana rapidinho de verão! Então advinha qual foi a peça chave que eu escolhi? Isso mesmo, uma saia midi!!

Essa saia midi azul marinho da Forever 21, que eu comprei há uns 3 anos, tem a cintura de elástico (= conforto!) e umas pregas bem suaves, que garantem o caimento perfeito do tricoline. E ela tem bolsos, que são sempre bem vindos em viagens!

img_1751
chapéu Parfois, óculos Ray Ban, t-shirt Alhma, bolsa Gucci, saia Forever 21, sandália Usaflex

Nessa outra foto, a mesma saia (e o mesmo chapéu) com outra t-shirt e outro sapato, num combo escolhido pra ficar super confortável no carro (a viagem entre Yerevan e Tbilisi dura cerca de 5h!!) e que ficou bastante adequado pra paradinha que fizemos no Lago Sevan.

 “Ah, mas midi é um comprimento ingrato! Nem todo mundo pode usar!”

Gentes, eu tenho 1,62m – ou seja, não sou exatamente alta! – e adoro usar saia midi! E minhas pernocas são bem roliças também. O comprimento midi definitivamente faz parte da minha vida, e se encaixa perfeitamente no meu estilo e no meu dia a dia. Para escolher o midi correto pra você, aqui estão algumas dicas interessantes, que independem do seu tipo físico:

  • escolha um comprimento que fique ligeiramente acima da metade da sua panturrilha;
  • opte por um tecido leve e com caimento perfeito, que não adicionará muito peso ao seu look. Nesse caso, é melhor evitar malhas! As malhas costumam ser mais pesadas e marcar tudo o que (geralmente) queremos esconder;
  • marque a sua cintura! Mesmo se você pensar que não tem uma cintura, ela existe, e está só esperando ser descoberta;
  • e escolha uma silhueta A, que costuma ficar bem em todo mundo e cria uma silhueta perfeita com muita elegância.

Ao escolher uma saia ou um vestido midi, você garante uma certa elegância sem precisar de muito esforço. O comprimento midi chama a atenção positivamente, mesmo sem muitos acessórios! É como se fosse um atalho para um look chique!

Melania Trump e a mensagem que as nossas roupas transmitem

Não se falou em outra coisa nessa última sexta feira (ok, talvez o assunto tenha dividido um pouco os holofotes depois da vitória sofrida do Brasil) a não ser sobre o casaco que Melania Trump, Primeira Dama dos Estados Unidos, usou para visitar os abrigos onde estão as crianças imigrantes que foram separadas de seus pais enquanto tentavam cruzar a fronteira dos EUA. O famigerado casaco – uma peça de US$39 da Zara – traz, nas costas, a mensagem “I really don’t care. Do u?” (ou, em bom português, “Eu realmente não me importo. E você?”).

casaco zara Melania.jpg

Todas as roupas que nós usamos comunicam uma mensagem. Em menos de 3 segundos, a nossa imagem causa um impacto visual e, se não temos controle absoluto da mensagem que queremos transmitir com o que estamos vestindo, podemos ser percebidos da maneira errada. Isso vale para qualquer pessoa, pública ou anônima, em qualquer ambiente.

A assessora de comunicações da Sra. Trump, Stephanie Grisham, disse, em comunicado a imprensa, que era “apenas uma jaqueta” e que “não havia mensagem oculta.” De fato, a mensagem não estava oculta; estava ESTAMPADA e muito VISÍVEL para todo o mundo (literalmente). Se foi uma escolha deliberada ou não, fato é que foi um erro grotesco. Aliás, na minha humilde opinião, eu acho que o erro começa pela Primeira Dama dos EUA ter essa peça no armário dela – não pelo preço ou por ser de uma marca fast fashion, mas justamente pela mensagem que a peça comunica.

Captura de Tela 2018-06-23 às 16.48.54

A diretora de moda do New York Times, Vanessa Friedman, deu uma entrevista ao The Guardian dizendo que não tem dúvidas de que esse episódio não foi um acidente, e que Melania tomou a decisão de usar aquela jaqueta. Friedman ainda nota que é sabido que a Primeira Dama dos EUA compra suas próprias roupas, e dá a palavra final sobre seus looks, mesmo se forem selecionados por um stylist.

Toda a polêmica envolvida nos serve para refletir, mais uma vez, sobre a importância das decisões e escolhas que fazemos quando nos vestimos. Neste episódio infeliz, a frase “I really don’t care. Do u?” se tornou ainda mais inadequada pelo contexto político em que está inserida – mas, na verdade, não acho uma mensagem como essa adequada para ninguém porque nós sempre temos algo (ou alguém) com o que nos importar.

Captura de Tela 2018-06-23 às 16.31.21
arte de @justinteodoro

Melania Trump já foi muito criticada pelas suas escolhas de roupas, muitas vezes tidas como inacessíveis, o que tornaria a própria Primeira Dama dos EUA inacessível. No caso dela, em meio de um closet recheado de marcas de luxo, um toque de fast fashion pode fazer bem como estratégia de aproximação – e, certamente, não foi o que esse casaco fez.

Seja uma camisa da Balmain de US$1.380 ou uma jaqueta da Zara de US$39, devemos  sempre fazer uma escolha consciente do que entra no nosso armário e do que nos veste. Assim, poderemos nos expressar, de maneira autêntica, por meio das peças que escolhemos, assumindo o controle da nossa imagem e tendo a certeza de que o mundo nos enxergará do jeito que nós queremos ser vistos.

O nosso armário tem que atender às necessidades do nosso dia a dia

Roupas bonitas não necessariamente significam que são as roupas certas para a nossa vida. Ter uma identidade visual segura e consistente não significa usar a mesma coisa todos os dias, como se fosse um uniforme, mas também não significa ter as roupas mais fantásticas do mundo que não saem de dentro do armário. Um armário bom tem que combinar com a vida que a gente leva!

@chapolinsincero

Um bom armário tem um monte de peças lindas, que a gente ama usar, e que combinam de verdade com a vida que a gente leva. Se o seu armário é cheio de peças incríveis, mas vestir-se toda manhã é um martírio, o diagnóstico pra isso é um só: tem muita gente que compra roupas pra vida que gostaria de viver, e não pra vida que vive! Quando este é o caso, acabamos usando sempre as mesmas 5 ou 10 peças que realmente se adequam à vida que vivemos e, quanto mais compramos, menos opções temos.

Vivi uma época assim, de armário abarrotado de peças lindas que ficavam apenas lá, desperdiçando espaço e dinheiro. Muitas roupas foram doadas ou vendidas ainda com etiqueta, porque elas simplesmente não se encaixavam no meu estilo de vida! É por isso que uma edição de armário é tão importante: é muito mais fácil um consultor de estilo enxergar que essas roupas não terão oportunidades reais de sair de casa, porque não temos o envolvimento emocional! Do mesmo modo, o consultor de estilo orienta as suas compras para o que realmente será funcional, ao invés de continuarmos insistindo em comprar o que não cabe no nosso estilo de vida.

Se você é uma mulher com uma carreira que toma conta de grande parte da sua vida, não adianta só comprar peças confortáveis de usar no final de semana. Se você é uma mulher que mal sai à noite, não adianta lotar o armário com peças de noitada. Se você trabalha em home office, não vale a pena encher o armário de roupas formais. Ou ainda: se você é uma mulher que não gosta muito das próprias coxas, não adianta ter só saias, vestidos e shorts curtos. Se você é um homem que trabalha de terno e não suporta usar camisa social aos finais de semana, não adianta ter o armário cheio de opções assim. É um pouco daquela conversa que já tivemos sobre o armário cápsula, já que é preciso avaliar cada atividade da nossa rotina pra que o nosso armário atenda às necessidades do dia a dia e facilite o nosso vestir.

Mais uma vez, nós precisamos fazer um exercício de autoconhecimento. Pra construir um armário que funcione de verdade pra gente, é bom começar fazendo as seguintes perguntas:

  • qual é a vida que eu levo?
  • qual é o “código de vestir” do meu trabalho?
  • quais são as minhas atividades aos finais de semana?
  • eu sinto mais frio ou calor?
  • onde eu moro, as estações do ano são bem definidas?
  • eu sou mais do dia ou da noite?

Tudo isso não significa que uma pessoa que é workaholic precise ter somente roupas cinzas e pretas e chatas, ou que quem passa seus finais de semana cercado de crianças não possa ter um pouco de glamour nas suas roupas casuais, ou quem adora uma noitada só vai ter sapatos de saltos altíssimos. O importante é, como sempre, encontrar o equilíbrio pra não desperdiçar e nem acumular o que não tem necessidade!

Esses são alguns exemplos de uma linha de raciocínio pra fazer com que a gente reflita e analise o nosso estilo de vida junto com a nossa personalidade e o nosso gosto pessoal. Desse modo, será mais fácil montar um armário inteligente, que funcione de verdade pro nosso dia a dia, sem deixar de lado o que faz o coração bater mais forte e o olho brilhar, mantendo o foco na função e na versatilidade!

Pra vestir e amar o corpo que se tem

Já conversamos muito por aqui sobre as maneiras como a consultoria de imagem pode nos empoderar e garantir um olhar mais gentil com aquela pessoa que nos observa no espelho, e a importância de termos a autoestima bem trabalhada, mas esse é um assunto inesgotável e, por mais que eu tente a cada dia melhorar a minha autoimagem, sempre há o que superar.

Estamos de férias no Brasil e passamos alguns dias em Brasília, e nos hospedamos no Brasília Palace Hotel. Estava um calor de matar e a piscina do hotel era convidativa. Mas e a coragem de colocar o corpo pra jogo, principalmente depois da comilança intensa desde o dia que cheguei ao Brasil?

Em pouco mais de 2 semanas em terras brasilis, eu acho que já engordei uns 3 quilos. Estou me permitindo comer tudo o que eu amo e sinto falta quando estamos na Armênia. Minha barriga está demonstrando isso pra quem quiser ver. Mas eu vesti o maiô e fui pra piscina mesmo assim, sem vergonha nem medo de aproveitar o sol.

E não foi só isso: eu tirei fotos de maiô relaxando à beira da piscina, e ainda tive coragem de postar no Instagram. Sim, coragem. Porque é claro que é preciso coragem pra expor a celulite, a pança proeminente, o bracinho gorducho e as pernas roliças na rede social sem nenhum retoque.

Mas a coragem maior é a aceitação diária do corpo que se tem, e amar incondicionalmente a pele onde se habita. Quanto mais eu respeito o meu corpo e me visto de acordo com as minhas medidas e proporções, mais autêntica é a imagem que eu transmito pro mundo, e mais confiança eu sinto. Da próxima vez que você for se vestir e se olhar no espelho, que tal tentar isso também?