O “french tuck” e a sua silhueta

Aproveitando que estamos falando sobre o je ne sais quoi francês por aqui, queria abordar um truque de styling muito simples que pode fazer maravilhas pela sua silhueta: o french tuck ou tucking in. Infelizmente eu não conheço uma tradução perfeita dessa expressão para o português, mas significa, simplesmente, enfiar apenas um pedacinho da sua camisa/blusa pra dentro da calça/saia/short/bermuda, geralmente na direção do umbigo.

Eu já falei por aqui que a silhueta mais proporcional, no caso feminino, é a ampulheta e, no caso masculino, trapezóide. Em geral, na consultoria de imagem, um dos objetivos principais é criar uma silhueta proporcional, que resulta num visual mais harmônico. É claro que este objetivo, como qualquer outro propósito dentro da consultoria de imagem (que, como eu sempre reforço, é algo absolutamente pessoal), pode ser ajustado de acordo com a projeção de imagem desejada.

Numa sociedade que está constantemente nos lembrando de que estamos fora do padrão e que precisamos nos encaixar, é muito comum que, tão logo ganhemos uns quilinhos a mais, recorramos a roupas mais largas, porque anos e anos de opressão nos levaram a acreditar que isso disfarça o que queremos esconder. Se você ainda não sabia, isso é uma mentira gigantesca.

Quando você usa roupas maiores e mais largas, o efeito causado é justamente o oposto: ao esconder a sua silhueta verdadeira, você perde perde a oportunidade de ressaltar as suas melhores características e apropriar-se de quem você é.

Eu mesma devo confessar que tenho passado por uma fase estranha quanto a isso: por ter um bumbum acima da média europeia, e por ter engordado um bocadinho durante o período de isolamento, precisei comprar algumas calças e shorts novos (meu closet definitivamente não estava preparado pro calorão que fez no verão por aqui). Ao comprar calças/bermudas/shorts, eu muitas vezes recorro a tamanhos maiores que podem de fato acomodar as minhas características físicas mas que, ao mesmo tempo, acabam adicionando volume onde não existe de verdade. Ideal seria se eu mandasse ajustá-las – fica aqui a nota mental para mim mesma.

E é aí que o french tuck também se torna uma ferramenta poderosa porque permite realçar a parte mais fina do meu corpo – que, em geral, é a parte mais fina do corpo de muita gente, mesmo que você não perceba isso em si mesmo.

Se você, como eu, tem uma barriguinha cultivada com carinho, uma pancinha charmosa de quem não se priva de um chocolate ou de um vinho, ou simplesmente ganhou uns quilinhos no período de isolamento, estou aqui para te dizer que, ao esconder o seu corpo dentro de roupas largas, você pode parecer até 2 tamanhos maiores do que você realmente é.

Não acredita? Então vou te propor um exercício: vá para a frente do espelho. Deixe a sua camisa/blusa pra fora da calça/short e faça uma nota mental – ou, melhor ainda, tire uma foto – de como a sua silhueta se apresenta. Agora coloque um pedacinho da camisa/blusa pra dentro da calça/short/saia e repita a nota menta/foto. O que você vê? Eu tenho certeza de que a imagem projetada é de uma silhueta mais enxuta, menorzinha. E também tenho certeza de que, se você adotar esse truque na próxima vez que sair de casa, ninguém vai notar a sua barriguinha charmosa. Na verdade, na maior parte do tempo, a gente costuma se preocupar demais com umas partes do nosso corpo que as outras pessoas nem notam.

Por fim, eu proponho mais um exercício: toda vez que você se olhar no espelho, imagine que está falando com um amigo/amiga. Coloque nessa conversa o mesmo amor, carinho e gentileza que você tem com outras pessoas e seus corpos. A linguagem que usamos para falar com aquela imagem refletida no espelho é tão importante quanto a linguagem que usamos ao conversar com outras pessoas. Eu prometo que, se você se olhar no espelho todos os dias focando sua energia em duas ou três coisas que você ama em você e/ou no seu corpo, ao invés de direcionar seus pensamentos somente para as coisas que você gostaria de mudar, a sua mentalidade, confiança e autoimagem vão melhorar muitíssimo.

Alongando a silhueta sem usar preto

Já conversamos um pouquinho por aqui sobre os tipos físicos, e hoje quero mostrar pra vocês um truque que eu uso muito pra criar um efeito de silhueta alongada sem usar preto. Nós também já conversamos um pouquinho sobre análise cromática e, ao contrário do que fomos induzidos a acreditar a vida inteira, preto não é uma cor universal. Muitas vezes apostamos no “pretinho básico” porque queremos aparentar uma silhueta mais alongada, mas o efeito real que conseguimos é um envelhecimento das nossas feições se a cor for usada muito próxima ao rosto!

Então como conseguir alongar a silhueta com as nossas roupas sem usar preto? Semana passada eu usei 2 looks muito parecidos que colocam esse truque em prática, e eu vou explicar pra vocês o porquê.

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casaco Luigi Bertolli, suéter de cashmere Uniqlo, cachecol Heattech Uniqlo, calça de veludo Uniqlo, tênis Vans, bolsa Zara, óculos Ray Ban e colar Filho do Céu

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casaco Luigi Bertolli, suéter de gola alta Stradivarius, calça de veludo Uniqlo, bota Uno Shoes, óculos Ray Ban, mochila Uncle K

Como vocês podem ver, eu repeti o meu casaco velho de guerra nas duas ocasiões (esse casaco é um xodó; há quem diga que ele já tá precisando de uma aposentadoria mas tô cuidando dele com o maior carinho pra ele poder continuar na minha vida por mais tempo!). Mas o que eu quero que vocês prestem atenção mesmo é nas cores das calças e dos sapatos que eu usei!

Ambos os looks foram bem coloridos, sem usar nenhuma peça preta. No primeiro look, a calça goiaba se junta ao tênis vinho; no segundo look, a calça mostarda faz dupla com a bota caramelo. Repararam que as cores são as mesmas, apenas em tons diferentes?

O meu tipo físico é o triângulo (ou pera), e eu tenho 1,63m de altura. Ou seja: eu sou baixa e não tenho uma silhueta naturalmente proporcional. O ideal é que, pra equilibrar as curvas que eu tenho abaixo da cintura, eu use peças que chamem atenção para a região acima da cintura, como blusas coloridas e casacos com ombros estruturados, entre outros, e opte por calças de cores mais escuras. Mas eu estou de calças coloridas e mesmo assim consegui o efeito alongador!

Isso é para mostrar que há muito mais truques na manga de um personal stylist do que a se pensa! Além disso, um consultor de imagem e estilo que consegue pensar fora da caixa, considerando a personalidade e a individualidade, compreende que não há verdadeiramente regras, mas sim linhas gerais para ajudar todo mundo a se vestir e sempre alcançar o melhor possível, de acordo com as preferências pessoais. E é justamente por isso que se trata de um serviço tão pessoal: cada indivíduo é único e merece ter suas necessidades e expectativas respeitadas. Guidelines, not rules! 

Ao usar a calça e o sapato em tons próximos de uma mesma cor, eu alongo a silhueta, porque há uma suave transição visual entre calça e sapato. O mesmo seria válido com uma calça e botas pretas, ou tênis preto, mas muito menos divertido. Eu amo preto e uso muito! Já falei isso aqui e vou repetir sempre: amo preto! Mas eu também adoro cores e amo roupas de inverno coloridas, que não só fogem do mar de preto que tomam as ruas mas também injetam mais cor em dias frios e que costumam ser cinzas. Além disso, uma das coisas que aprendi com a análise cromática e a psicologia das cores é que, ao escolhermos as cores adequadas, podemos nos sentir mais dispostos para enfrentar as tarefas do dia, enquanto o preto pode drenar a nossa energia – principalmente se não fizer parte da cartela de cores individual.

Nas outras estações, em que não usamos calças compridas e botas, o truque de tons próximos de uma mesma cor continua valendo: sandálias e sapatilhas que tenham tons próximos da sua pele também criarão uma silhueta mais harmônica e alongada. É claro que, com as pernocas de fora, há outros truques para conseguir uma silhueta alongada, mas isso será assunto para outro post!

silhueta achatada
casaco Zara, calça de veludo Uniqlo, botas UGG, cachecol de cashmere Uniqlo, bolsa Prada, boina Stradivarius, óculos Tom Ford, guarda chuva Primark

Coloquei aqui também um exemplo de outro look que eu usei, com a mesma calça mostarda, pra que vocês possam comparar. O resultado é uma silhueta achatada! Eu pareço muito menor do que eu já sou, por conta do corte visual entre a calça e a bota preta! E olha que estou de casaco preto – o que, supostamente, criaria a ilusão de uma silhueta alongada! Eu não só pareço menor mas também minhas pernas parecem bem mais roliças!

Tenho escolhido fotos minhas para usar como exemplos para poder apontar todos os erros sem medo. Assim, posso explicar pra vocês quais são as melhores ferramentas para sempre atingirmos um look impecável e mostrarmos para o mundo a melhor versão de nós mesmos!