Típos físicos (Bodyshape)

Compreender e analisar os tipos físicos é o ponto de partida mais importante na consultoria de imagem, quando o personal stylist começará a trabalhar com o seu cliente usando as peças de roupa certas para atingir o melhor senso de estilo pessoal possível.

Cada cliente tem potencial para ficar incrível, e se sentir confiante com sua aparência, a partir da ajuda profissional do personal stylist. É importante enfatizar a personalidade do cliente, e transformar os diferentes atributos corporais em verdadeiros triunfos pessoais.

O objetivo primário de um personal stylist é criar uma silhueta proporcional para seus clientes, independente do tamanho na etiqueta de uma roupa. Pouquíssimas pessoas tem uma silhueta naturalmente proporcional: uma mulher pode ter mais quadril do que busto, ou nenhuma cintura e quadris estreitos, ou mais busto do que quadril; um homem pode ser alto ou baixo, ter os ombros e cintura do mesmo tamanho, magro, largo ou atlético (ombros mais largos do que a cintura). Cada pessoa é diferente, e não há nada de errado nisso!

Mas, uma vez que o personal stylist analisa o tipo físico do seu cliente e usa os estilos, estampas e cores mais adequados para cada indivíduo, ajustando qualquer desproporção, o cliente terá a alegria de olhar no espelho e ver uma silhueta proporcional, resultando numa pessoa mais confiante.

É claro que o estilo pessoal precisa de consistência e equilíbrio. Quando um personal stylist trabalha com os tipos físicos, ele já tem uma compreensão de quais estilos funcionam melhor para cada tipo físico, mas o estilo de vida, os gostos individuais e as atividades pessoais influenciarão diretamente nos conselhos que o profissional oferecerá ao seu cliente. É por isso que chama estilo pessoal, e o personal stylist é treinado para lidar com cada indivíduo, respeitando a diversidade.

Em geral, são 5 tipos físicos femininos, e outros 5 tipos físicos masculinos. Os tipos físicos não tem necessariamente a ver com peso ou o número do manequim de cada indivíduo.

típos físicos femininos

  • TIPOS FÍSICOS FEMININOS
    • RETÂNGULO
      • é aquele corpo sem curvas ou cintura. É um tipo físico proporcional, mas esta mulher pode querer criar mais curvas a partir das suas roupas.
    • TRIÂNGULO
      • é aquele corpo com mais curvas na cintura, quadris, coxas, sem muita barriga. O ideal é criar proporção usando mais formas e roupas estruturadas acima da cintura, aumentando os ombros estreitos.
    • AMPULHETA
      • é aquele corpo com uma cintura muito definida, geralmente com um busto proporcional ao bumbum, que contrastam com a cintura fina. É, certamente, a silhueta mais proporcional. É uma silhueta que pede um caimento impecável, de roupas que se movam de acordo com as curvas.
    • OVAL
      • é uma silhueta quase proporcional, mas a qual geralmente falta definição na cintura, parecida com o tipo físico retângulo. Esta mulher costuma ter um belo busto e pernas incríveis, então o ideal é destacar o busto, os quadris e as pernas, porque a cintura costuma ultrapassar a linha entre o ombro e o quadril.
    • TRIÂNGULO INVERTIDO
      • é aquela silhueta com um busto farto e fina na cintura, quadris, bumbum e coxas. A proporção ideal é alcançada quando usamos formas e estruturas abaixo da cintura.

típos físicos masculinos

  • TIPOS FÍSICOS MASCULINOS
    • TRAPEZÓIDE
      • os ombros e tórax são largos, a cintura e quadris são estreitos, o torso superior é maior do que o torso inferior. Este é o tipo físico masculino mais fácil de vestir, porque é naturalmente proporcional.
        • ATLÉTICO
          • sub categoria do trapezóide, que fica mais proporcional ao criar um efeito retangular nos ombros, uma vez que a cintura e quadris costumam ser do mesmo tamanho que os ombros e tórax.
    • ALTO
      • parece um triângulo, então precisa de estrutura, roupas com caimento perfeito, e fica muito bem com estampas.
    • BAIXO
      • ombros estruturados e um caimento perfeito ajudam a adicionar centímetros na altura deste homem.
    • LARGO
      • o caimento perfeito também é muito importante para o homem largo, sem usar muitas estampas e optando por detalhes proporcionais à silhueta.
    • MAGRO
      • ao trabalhar com um homem magro, o personal stylist vai recomendar que ele adicione peso a sua imagem por meio das roupas, com linhas horizontais, tecidos mais pesados e texturizados, casacos e jaquetas com dupla abotoação. O homem magro fica muito bem usando diversas camadas de roupa, e cores.

Os tipos físicos são um guia para descobrirmos o que mais favorece cada indivíduo, e podemos usar essa informação como uma ferramenta para nos sentirmos melhores ao nos olharmos no espelho, com uma confiança que será reconhecível. O personal stylist bem treinado não irá ditar regras, mas sim irá orientar e ensinar as ferramentas para que o seu cliente possa sempre se apresentar da melhor forma possível; em primeiro lugar, para si mesmo e, depois, para o mundo.

Moda tradicional da Geórgia

A Geórgia, país vizinho da Armênia, também tem uma cultura riquíssima (e uma culinária deliciosa!). Embora ainda não tenhamos visitado o país, a proximidade entre eles nos permite conhecer bastante da cultura georgiana mesmo do lado de cá da fronteira. E foi um pouquinho disso que aconteceu dia desses, quando fomos a uma exibição de roupas tradicionais georgianas, organizado pela Embaixada da Geórgia na Armênia.

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Na exibição, pude aprender um pouquinho mais sobre os trajes tradicionais georgianos, de acordo com as regiões históricas do país.

Mtskheta-Mitianeti

As roupas femininas eram relativamente lisas, com predominância da cor preta, e o tecido tingido naturalmente. O padrão de costura dos vestidos era em formato de túnica, com a frente decorada com longas peças prateadas, e o conjunto das roupas femininas era inimaginável sem acessórios prateados. Na cabeça, um lenço duplo de lã; para sobreposição, uma capa quente com mangas falsas; nos pés, meias listradas de lã.

As roupas masculinas, por sua vez, consistiam de uma blusa (juba) e um casaco, que parece uma túnica do Cáucaso. A vestimenta é decorada com bordados. Tecidos coloridos, com apliques, listras e cruzes. No inverno, os pachiches eram usados para aquecer e proteger os joelhos, costurados com lã e decorados com bordados. Na cabeça, um chapéu de pele de ovelhas, típico dos pastores.

Os criadores deste tipo de roupa tentaram fazê-las de uma maneira prática, bonita e que refletisse o seu espírito de mundo e a natureza que os cercava.

Kakheti

As roupas da região de Kakheti, tradicionalmente de viticultura e vinícolas, é caracterizada principalmente pelas saias masculinas relativamente curtas, ajustada logo abaixo da cintura, e presas por um cinto. Na cabeça, um pequeno chapéu preto. Era a roupa dos habitantes de uma região fazendeira, adequada para os trabalhos na vinícola.

Samtskhe-Javakheti

As roupas tradicionais são inspiradas nos retratos seculares preservados nas pinturas medievais Georgianas, com pedaços característicos de plásticos, e as roupas da corte real da Geórgia, principalmente da Rainha Tamar, registrada em afrescos.

Achara

A silhueta dos vestidos femininos é simples, ajustada ao corpo, marcando a cintura, com uma ampla saia, e frente triangular. A estampa do vestido é tipicamente Georgiana, mas abaixo da cintura é enrolado decorativamente de modo efetivo, amarrado na cintura com uma longa corda multicolorida. Na cabeça, o bashlyk (qabalakhi) é usado amarrado em torno da cabeça. Este tipo de adereço é usado pelos homens nas regiões de Achara e Guria.

Guria

Os homens usavam, em geral, a chakura, uma túnica curta, e calças com um amplo gancho, e peças especiais para os joelhos costurados nesta altura. A estampa tradicional é parecida com as roupas tradicionais dos homens na região de Achara. As roupas eram costuradas a partir de lã, linho ou veludo. Estas roupas eram sempre usadas com um bakhlyk, decorado com outro e prata.

Samegrelo-Zemo Svaneti

As roupas das mulheres de Megrelian consistiam de duas partes: um colete curto de veludo, com longas mangas falsas e fechos prateados (chaprastes) eram usados com uma longa saia, com mais tecido na parte de trás. Nas cabeças, em geral usavam apenas um véu, livremente colocado sobre a cabeça.

Kvemo Kartli

A chokha também era muito usada nessa região, e pode ser considerada a sucessora dos vestidos masculinos. Na Geórgia, existem variedades de chokhas, diferenciadas de acordo com as regiões, seus comprimentos, número de lapelas, formato das mangas, bolsos de pólvora decorativos, etc. O material das chokhas é a lã, geralmente nas cores preta, terra, azul, ou outros tons escuros. Em Kartli, a chokha era costurada com uma estampa mais festiva. Era usada com o cinto de couro, decorado com prata, e atributos necessários como espada ou adaga.

Os vestidos femininos tinham uma frente lisa que, para ocasiões festivas ou casamentos, eram ajustados na cintura e decorados com bordados ou pedras preciosas. A principal decoração do vestido é o cinto. Uma jaqueta curta, feita basicamente de veludo, com mangas falsas, era por vezes usada sobre o vestido. Um dos principais elementos dos vestidos femininos era a chikhiti-kopi, uma peça usada na cabeça como uma faixa, geralmente feita de veludo e brocados. Acima desta feita, usava-se um lenço ou véu, comumente feito de seda ou outro tecido fino.

  

Imereti

Um grande casaco chokha era o tipo de roupa mais comumente usado em todo o Cáucaso. Tornou-se uma roupa secular no século 17. Na Geórgia Ocidental, as chokhas eram mais compridas, usadas com um cinto prateado ou de couro para ajustada-las. Alguns acessórios necessários para o casaco eram bolsos para cartuchos, que, antigamente, eram usados para armazenar pólvora e, posteriormente, se tornaram apenas adereço decorativo das chokhas. Por baixo das chokhas, usava-se uma túnica com botões e ajustada ao corpo.

Shida Kartli 

Diversas peças compunham os trajes femininos. Uma saia e uma jaqueta longa e com mangas falsas; as mãos eram cobertas com um fino tecido transparente; nas cabeças, um chapéu alto, decorado com bordados, e um véu ou um longo pedaço de seda ou cetim, decorado com pedras aplicadas ou bordados. Acessórios de prata eram sempre usados com esse tipo de roupa na região.

 

Looks de viagem no verão europeu

Quando a gente viaja, é claro que a gente quer ficar bonitinha nas fotos: afinal, são estes registros aos quais vamos recorrer quando sentirmos saudade daquela viagem, além de mostrar pra nossa família e nossos amigos.

Mas manter a dignidade nos looks de uma viagem nem sempre é fácil, principalmente quando a ideia é carregar pouca coisa. Some-se a isso as longas horas andando pelas cidades, tomando transporte público, e ainda prestando atenção pra não sofrer um furto (os pick pockets estão por toda parte!) que pode transformar a alegria de uma viagem num transtorno sem fim.

Com o advento das redes sociais, o que a gente mais vê são pessoas lindas e glamurosas passeando por Paris, Berlim, Londres, Nova Iorque, etc etc, com seus saltos altíssimos e suas peças de luxo, porque tem carro à disposição e pode ser até que só desçam do carro pra fazer o #lookdodia ou pra entrar em algum restaurante caríssimo. Na vida real, não é assim que funciona: a gente entra no metrô e no ônibus, caminha pela cidade inteira, torce o pé nas calçadas nem sempre muito bem conservadas, entre outros.

Nas nossas últimas férias, que começaram no finalzinho de maio e se estenderam até o final de junho, a gente quis carregar a menor quantidade de coisas possível, o que naturalmente limitava os meus looks. Mas acho que consegui manter alguma dignidade, mesmo com o calor surreal que estava fazendo em Nice, Cannes, Mônaco, Milão, Berlim, Potsdam e Praga, combinando todas as peças que carreguei, e adicionando uns vestidinhos que comprei ao longo da viagem. Em Vienna, 2 dos 3 dias foram mais frescos; o dia em que fomos à Bratislava também estava um pouco mais fresco. Em Moscou e São Petersburgo estava frio – principalmente em São Petersburgo, onde as temperaturas não passaram dos 12ºC!

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casaco Uniqlo, t-shirt de manga comprida Zara, calça Zara, tênis Converse All Star, mochila Longchamp
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trench coat Burberry, calça jeans Cantão, tênis Usaflex, t-shirt de manga comprida Zara, mochila Longchamp
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Camiseta de algodão e short jeans Animale, sapatilha Usaflex, bolsa Gucci e cinto herdado da Mivó
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t-shirt Stradivarius, salopete Mango, bolsa Gucci, sandália Usaflex
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t-shirt Zara, short jeans Animale, bolsa Gucci, sandália Usaflex
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salopete Mango, t-shirt Zara, mochila Longchamp, sandália Usaflex
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camiseta de algodão e short jeans Animale, bolsa Gucci, sandália Usaflex, jaqueta impermeável Zara
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Salopete Mango, camisa de tricoline Zara, mochila Longchamp, tênis Converse All Star
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macaquinho H&M, bolsa Gucci, sandália Usaflex
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t-shirt Zara, short jeans Animale, bolsa Gucci, tênis Converse All Star
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vestido H&M, cardigan Tommy Hilfiger, bolsa Chloé, sandália Usaflex
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camiseta de algodão Animale, calça jeans Cantão, tênis Usaflex, mochila Longchamp
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vestido H&M, mochila Longchamp, sandália Usaflex
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jaqueta impermeável e t-shirt Zara, calça jeans Cantão, sapatilha Usaflex, bolsa Gucci
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t-shirt de manga comprida Zara, calça Cantão, mochila Fjällräven, tênis Usaflex
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camisa de tricoline Zara, short jeans Animale, mochila Fjällräven

Depois de 28 dias viajando de férias com o marido, voltamos pra Yerevan e eu fui pra Portugal encontrar meus pais! Foi uma continuação das férias, mas os looks foram outros, já que a maioria das peças que usei vieram do Brasil nas malas deles.

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t-shirt Bershka, calça Animale, cinto ABrand, mochila Fjällräven
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suéter Cantão, calça Animale, tênis Converse All Star, mochila Fjällräven, colar Monte Carlo
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t-shirt Bershka, short jeans Animale, mochila Fjällräven, tênis Converse All Star, meia do Mickey comprada na Disney

 

Bons socialistas podem usar peças caras

Outro dia eu estava lendo a GQ e me deparei com uma matéria muito interessante, e que me despertou vontade de discutir aqui.

Desde que eu me lembre, eu sou de esquerda e me defino como socialista. Na faculdade, os debates eram sempre quentes, porque eu costumava estar muito mais à esquerda nas minhas opiniões do que todos os colegas. E, por mim, tudo bem, porque eu acho que é assim que a gente cresce e aprende. Do mesmo jeito, eu sempre gostei de comprar boas peças de roupa e, principalmente, boas bolsas que terão vida longa no meu armário, o que significa, na maior parte do tempo, um investimento mais alto de dinheiro em uma única peça. Pra completar, eu sou Católica com cada fibra do meu ser, e defendo veementemente que Jesus Cristo foi o maior socialista que já existiu. Numa primeira e superficial avaliação, isso tudo pode parecer contraditório, e já sofri grandes condenações por conta desse meu jeitinho.

Esse post tem por objetivo explicar que gastar mais dinheiro em uma única coisa não me torna menos socialista do que quem usa roupas baratas. Na verdade, quem usa roupas baratas pode ser ainda menos socialista e ter um comportamento muito mais contraditório do que o meu porque, quanto mais baratas são as roupas, maior a probabilidade de que elas tenham sido confeccionadas a partir de uma mão de obra mal remunerada, explorada em fábricas espalhadas pelo mundo todo. De modo bastante simplificado, o socialismo nada mais é do que o controle democrático dos meios de produção, com a distribuição igualitária de renda para o proletariado.

Quem condena sumariamente o consumo de artigos mais caros pode ser culpado de saber o preço de tudo e o valor de nada. Explico: muitas marcas vendem excelentes produtos por um preço muito baixo, e deviam ser louvadas por fazê-lo, mas, na sua grande maioria, as peças mais baratas nas lojas são o resultado de enormes custos alheios ao consumidor final e, principalmente, ao dono da loja, que lucra – e muito – com cada venda. Na indústria têxtil, são inúmeras as denúncias de trabalho escravo, principalmente na China e na Índia, mas também no Brasil. Pra vender uma peça por um preço muito baixo, há que se questionar as duvidosas condições de trabalho no processo produtivo. Comprar em grandes lojas de fast fashion como Zara, Forever 21, H&M, C&A, Mango, entre tantas outras, significa financiar a desigualdade social no mundo: quanto mais um único ser humano acumula, menos as outras mais de 7 bilhões de pessoas terão para dividir.

A indústria de roupas de massa é uma das que mais polui no planeta, desde os pesticidas usados nos campos de algodão até os processos de lavagem e tingimento usados para criar um par de calças jeans. E, mesmo se o algodão é orgânico, o seu cultivo requer uma quantidade imensa de água: os têxteis usados para produzir uma t-shirt e um par de jeans podem consumir mais de 5 mil galões de água no seu processo produtivo, por exemplo. Para piorar, a tendência da moda rápida (ou fast fashion) significa que, hoje, os consumidores usam suas peças apenas metade do tempo em relação aos hábitos de 15 anos atrás – isso quando não usam só por um período minúsculo (geralmente, de 1 semana a 3 meses) em que “está na moda”, tornando-as peças descartáveis. Ademais, as roupas em si mesmas são fabricadas, em sua maioria, a partir de uma mistura de materiais, o que as torna produtos extremamente difíceis e custosos de se reciclar (poliéster, I’m talking to you). Fabricar roupas exige grande dispêndio de recursos ambientais: gasta-se dinheiro, água, luz, produtos químicos para tingir tecidos, mão de obra para produzir, transporte, armazenamento e venda, e dispor de todos esses recursos com roupa que é pouco usada ou descartada rapidamente é vergonhoso.

Por outro lado, peças que apresentam preços mais altos, inclusive os itens de luxo, são feitas à mão por artesões que receberão salário condizente com o que produzem, usando das habilidades que desenvolveram ao longo de muitos anos. Em uma fábrica italiana de ternos, por exemplo, nota-se claramente que as peças são feitas por verdadeiros e cuidadosos artistas. Gastar mil euros em uma única bolsa francesa ou em uma jaqueta italiana corresponde a um investimento nas pessoas que participaram do processo produtivo e na economia; investe-se na hereditariedade, no treinamento e, muitas vezes, em negócios pequenos, que começaram a partir do sonho de uma única pessoa, ou de uma família, que investiu tempo, dinheiro e habilidade para produzir uma peça de qualidade única e incomparável. O preço de uma peça assim não é um valor arbitrário, ou escolhido aleatoriamente, mas para representar o custo dos materiais, da mão de obra e da sua chegada ao mercado. É claro que nem todo mundo pode gastar altas quantias em uma única peça, mas uma jaqueta que custa, por exemplo, mil libras, não é imoral, ou torna condenável o indivíduo que faz uma compra desse tipo.

Quanto à reciclagem e aos impactos ambientais, a lã de um terno, por exemplo, é totalmente biodegradável, o que não se pode dizer sobre os ternos mais baratos, fabricados com materiais sintéticos e que servem, apenas, para enriquecer o grande empreendedor. Uma bolsa de couro feita à mão poderá ser usada por diversas gerações sem perder sua beleza ou qualidade, enquanto uma peça de poliuretano estragará com mais facilidade e alimenta fungos que poluem o meio ambiente. De que adianta comprar vários ternos de poliéster quando poderia gastar a mesma quantia em um único terno de lã de alta qualidade, corte impecável e grande durabilidade? De que adianta comprar 10 bolsas de poliuretano produzidas em massa e em condições duvidosas quando podia comprar, com a mesma quantidade de dinheiro, uma única bolsa de couro, feita à mão, com altíssima qualidade e durabilidade?

Consumo é diferente de consumismo. Consumo consciente também não significa simplesmente parar de comprar na Zara, na C&A ou em qualquer outra loja fast fashion. Consumo consciente significa deixar de comprar em excesso sem propósito ou necessidade, dentro do orçamento e, principalmente, atendendo às suas reais necessidades.

Meu orçamento do dia a dia só permite que eu compre roupas em fast fashion, e isso ficou ainda mais evidente depois que chegamos na Armênia, agravado pelo fato de que tenho um gosto e estilos muito bem definidos, o que revela dificuldade de encontrar peças que me agradam, mesmo nas grandes redes. Mesmo comprando em lojas desse tipo, eu não abro mão de escolher peças que tenham qualidade, que me convençam que terão durabilidade e versatilidade que justifiquem gastar o meu dinheiro com elas. Eu avalio as costuras e terminações, e prefiro peças fabricadas a partir de fibras naturais, como algodão, linho, lã, caxemira e seda, que costumam ter melhor caimento, toque mais agradável no corpo, duram mais e são mais fáceis de cuidar, além de serem mais elegantes. Ao mesmo tempo, noto que, principalmente no inverno rigoroso, é impossível fugir das fibras sintéticas: o poliéster se for escolhido com responsabilidade pelo fabricante, é muito durável e pode até ter altíssima qualidade, o que é bom para o consumidor e diminui os impactos ambientais por conta do seu tempo de uso, protegendo da neve, da chuva e do vento.

Aprendi que, além de saber do que é feito o tecido, é fundamental avaliar a funcionalidade, o caimento, a forma e a estrutura da peça; nas minhas compras, eu sempre busco o design mais atemporal e clássico, pois assim as chances de não enjoar da peça aumentam, e ela realmente terá vida longa na minha vida. Nessas horas, ajuda muito saber exatamente qual é o seu estilo pessoal e, principalmente, respeitar o tipo de vida que se leva.

Consumismo é comprar em excesso, comprar o que a gente não precisa de verdade: quem faz isso, sucumbe ao modelo de sociedade de consumo imposto pelo capitalismo. Não adianta, por exemplo, comprar um monte de roupas muito baratas e/ou de 2ª mão sob a desculpa do consumo consciente, porque isso per se não é consumo consciente, não. O que a gente não pode fazer, em hipótese alguma, é comprar o que não se ama, o que não vai ser usado, o que não desempenhará uma função clara na nossa vida, e, principalmente, comprar o que já se tem no armário. Qualquer coisa nessa vida que é comprada com base no argumento de que “está barato” é questionável e, eu diria, condenável. A sociedade capitalista em que vivemos nos induz o tempo todo a querer muitas coisas que a gente compra e não usa porque a grande verdade é que a gente não precisa de tanto. Eu passei a perceber isso com mais clareza principalmente depois que passei a priorizar a compra exclusiva do que tem muita qualidade e que não faz o coração bater forte só na loja.

Comprar uma coisa que a gente ama, que faz os olhos brilharem, que faz o coração bater forte todas as vezes que a gente usa e, acima de tudo, que nos traz alegria a cada uso é consumo consciente. A gente não precisa parar de comprar: o que a gente precisa é mudar a nossa lógica de consumo.

O que é mais importante para os socialistas: a distribuição igualitária de recursos ou a compra desenfreada de peças cuja produção é injusta, desumana e que prejudicam o meio ambiente?

Eu sei qual é a minha resposta pra essa pergunta.