Disney x Gucci: um dia na Disneyland

Alessandro Michele não perde tempo e não dá ponto sem nó. 2020 nem começou direito e a Gucci, maison da qual é diretor criativo, lançou uma coleção irresistível em parceria com a Disney para celebrar o ano do rato (Year of the Mouse) do calendário chinês, fotografada e filmada no parque Disneyland.

Ao longo dos últimos anos, os personagens da Disney ganharam visibilidade no mundo da moda e, como tudo que é feito por essa gigante de mercado, a presença generalizada de Mickey e companhia nas passarelas de moda foi meticulosamente planejada, parte de um esforço amplo para aumentar as vendas dos seus itens, provando, mais uma vez, que a Disney é para todos e desperta desejo em todos.

A Disney emprega uma extensa rede de magos do marketing que idealizam novas táticas para manter a marca culturalmente relevante. Entre as estratégias mais efetivas, podemos citar a conexão de conteúdo e comércio com memória afetiva, inclusão, diversificação da experiência da marca, e o uso das mídias sociais como um espelho mágico. Combinadas, estas e outras estratégias criam um duplo arco-íris de retorno e relevância para a audiência moderna da Disney, e iluminam potenciais caminhos para marcas de moda. Ou seja, a moda pode aprender – e muito – com a Disney.

Embora seja uma marca global, que desperta o desejo em pessoas do mundo inteiro, a Gucci está muito atenta ao mercado asiático – e estaria errada em não fazê-lo; basta dizer que, em 2017, 30% das vendas da Gucci foram para o mercado chinês. É prestando atenção aos desejos dos seus grandes consumidores que Michele cria essa coleção em parceria com a Disney: a mistura do logo da Gucci com a figura de Mickey Mouse é praticamente irresistível, principalmente para os consumidores mais jovens – um público alvo da marca. Desde 2015, quando Michele assumiu a direção criativa da marca, a Gucci veio se tornando uma maison cada vez mais valorizada e atraente para os millennials, valorizando os produtos que são chamados de “entry-level” (algo como “produtos de entrada”): por exemplo, cintos, acessórios e bolsas com valores abaixo de mil euros. Do mesmo modo, a Gucci aprendeu a abraçar a cultura chinesa sem caricaturas, dividindo-a globalmente com todos os seus consumidores, em um modelo respeitoso que trata a China como China.

Desde 2018, ano quando Mickey Mouse completou 90 anos, o desenho clássico do rato mais famoso do mundo passou a ganhar cada vez mais espaço nas mais importantes passarelas de moda. Além de uma breve aparição na Gucci, marcas como Rag & Bone, Giggi Burris, Karen Walker, Burberry, Kaia Gerber, Opening Ceremony, Givenchy, Coach e Moschino deram destaque aos personagens do mundo mágico criado por Walt Disney.

Uma estratégia antiga de vendas da Disney pode parecer familiar para as principais marcas de moda hoje: o “Disney Vault”, que reintroduziu clássicos que estavam fora de circulação por anos e depois reintroduzidos (a exemplo de Aladdin, A Bela e a Fera, O Rei Leão, entre outros), é um precursor das edições limitadas e das reedições de clássicos (uma olhadinha nas mais recentes bolsas da Gucci de Michele prova este argumento, já que o diretor criativo tem revisitado constantemente os arquivos da marca para os lançamentos de acessórios-desejo).

A presença de personagens do mundo mágico em produtos de todos os preços e para todos os públicos tem sido uma base do marketing da Disney desde os anos 1930, despertando o desejo de consumo desde tênis Converse até porcelanas.

Em geral, quando as colaborações de moda são pensadas, o time da Disney faz a seguinte pergunta: de que modo podemos manifestar uma ligação emocional por meio de um produto físico? Em geral, a resposta é nostalgia; afinal, todo mundo tem memórias da Disney como parte da infância. Para a Disney, o desafio é conectar-se com as pessoas constantemente na medida em que elas crescem.

Embora a maioria das marcas seja incapaz de usar essa conexão da infância que é intrínseca a identidade da Disney, estas marcas podem usar elementos de fantasia para atrair consumidores do luxo sem perder o seu DNA – e é exatamente isso que a Gucci faz com essa coleção, cujo item mais barato custa 145 euros.

Pode-se, também, especular se a Gucci tem intenção de abrir uma unidade no Disney Springs, o grande espaço dedicado às compras em Orlando dentro do complexo do Walt Disney World Resort e que atrai cada vez mais turistas endinheirados. Para ter um espaço no Disney Springs, as marcas tem que manter pelo menos um item com temática da Disney nas suas coleções. A Coach, por exemplo, que lançou timidamente uma coleção temática em 2016, passou a ter seu espaço no Disney Springs e, com isso, já lançou diversas coleções novas com a Disney desde então. Talvez seja um pouco cedo pra esse tipo de especulação mas, como boa Disney Freak que eu sou, minha imaginação voa longe.

*todas as imagens deste post foram copiadas do site da Gucci. A campanha foi fotografada e filmada no parque Disneyland (Disneyland Resort, Califórnia).

O que a Paris Fashion Week S/S 2020 tem a dizer sobre sustentabilidade

Já faz um tempo que a discussão sobre sustentabilidade tangencia a moda, e muitas vezes influencia nossa maneira de consumir. Estava lendo uma matéria no BoF que é praticamente um resumão do que vimos na última fashion week e me chamou a atenção a reflexão que Angelo Flaccavento propôs  sobre sustentabilidade na semana de moda – e é um pouquinho disso que quero dividir com vocês.

Flaccavento destaca que, embora tenhamos visto muitas eco-conversas na Paris Fashion Week S/S 2020, tudo foi pouco convincente. É sempre positivo ver designers e grandes maisons adotando iniciativas ambientalmente responsáveis e apresentando uma abordagem mais consciente, fazendo upcycling de tecidos e reaproveitando estoques; entretanto, Flaccavento destaca que transformar tudo isso numa estratégia de relações públicas pode ser desagradável. Afinal de contas, a sustentabilidade deveria corresponder a ações concretas.

No desfile da Dior, a jardinagem era um tema central, com uma incrível floresta composta por árvores diferentes (um “jardim inclusivo”) que tinham destino certo depois do desfile: serem plantadas em diversas áreas de Paris. Angelo diz que isso era pouco mais do que uma fantasia pois, do lado de fora do Hippodrome de Longchamp, um mar de carros pretos aguardava editores e compradores que sairiam rapidamente para o próximo desfile; por conta disso, muitos destes carros aguardavam com os motores ligados.

De acordo com Angelo Flaccavento, “a moda é maravilhosamente superficial”: a sustentabilidade estava por todas as partes, embora predominantemente nas notas à imprensa e nas estampas florais.

Segundo a reportagem, 70% da coleção apresentada por Stella McCartney era sustentável. McCartney esteve compromissada com iniciativas sustentáveis desde o início da sua carreira, mesmo quando iniciativas “verdes” não estavam na moda. Por sua vez, Kei Ninomiya, que está por trás da marca Noir de Comme des Garçons, levou a mensagem ecológica para outros níveis, com uma coleção que sugeria um ciclo de caos e renascimento, composta por criações criativas muito mais destinadas à inspirar do que propriamente vestir. No desfile idealizado por Ninomiya, a ecologia era um quadro conceitual, mas funcionou.

Reativamente ao espírito ecológico, também vimos ressurgir glamour e sensualidade, reafirmando que a moda adora ser controversa. Neste sentido, o destaque fica para a versão de John Galliano na Maison Margiela, que se aventurou pela estética dos anos 40, numa visão um pouco literal demais das memórias.

Nesta estação, também vimos uma celebração da icônica imagem do chique parisiense dos anos 1970. Anthony Vaccarello inspirou-se na coleção russa de Yves Saint Laurent, resgatando o smoking dos arquivos e dando a ele seu próprio twist sexy. Ao mesmo tempo, a Celine de Hedi Slimane celebrou figuras francesas como Isabelle Adjani, Sophie Marceau e a prórpia Loulou de la Falaise, musa de Saint Laurent. Por sua vez, a Chanel de Viginie Viard usou os telhados parisienses de plano de fundo para um desfile pragmático e focado nas vendas dos produtos: a coleção apresentada por Viard é altamente comercial e real, um guarda-roupa muito usável com características de Chanel facilmente identificáveis.

Também vimos muitas fórmulas fechadas nesta semana de moda; Isabel Marant é mestre nisso, pois ela faz sempre a mesma coisa, embora sempre seja um pouco diferente. Pierpaolo Piccioli, à frente da Valentino, encontrou sua própria fórmula: algo de poético e emotivo, que coloca os espectadores em êxtase. A coleção mais recente de Piccioli é visualmente deslumbrante, partindo do branco puro para o neon, passando pelas estampas e voltando ao branco. Por sua vez, Demna Gvasalia apresentou uma Balenciaga potente, talvez completamente inovadora; Gvasalia tem um olhar único para o arquétipo, em que os ombros amplos e estruturados eram cruamente polidos e consequentemente inovadores.

Mas o verdadeiro e melhor espírito da estação estava no retorno à essência, ao tecido, ao trabalho manual. Yohji Yamamanoto criou maravilhosidades com drapeados e cortes precisos, feitos com a maestria que lhe é característica. Na Loewe, Jonathan Anderson elevou e levou pra frente a marca, promovendo uma elegância aristocrática que se via nos detalhes.

Por sua vez, Sarah Burton levou Alexander McQueen de volta ao período em que as coisas eram todas feitas à mão. Ao trabalhar muito linho e guipure, em branco e preto, Burton demonstrou controle absoluto dos seus meios criativos. Ela fez menos, e ela fez melhor, confiando no valor humano – que é onde a sustentabilidade verdadeiramente começa.

Várias maneiras de usar uma camisa social de acordo com Dior

Estamos chegando perto do final da semana de moda de Paris, a última das semanas de moda desta temporada, e um dos meus desfiles preferidos até agora foi o prêt-à-porter primavera/verão 2020 da Dior.

Sob direção criativa de Maria Grazia Chiuri, a maison francesa (que já teve Yves Saint Laurent no comando) lançou um olhar crítico sobre a crise climática e na sustentabilidade, ao mesmo tempo em que homenageou Catherine Dior (a Miss Dior original), irmã de Monsieur Christian Dior que muito o inspirou durante a sua vida, que era apaixonada por jardinagem. Miss Dior participou da Resistência Francesa e chegou a ficar em um campo de concentração alemão durante a Segunda Guerra Mundial.

O desfile idealizado por Chiuri transformou o Hippodrome de Longchamp em uma verdadeira floresta a partir do trabalho conjunto com o coletivo Coloco (que trabalha com espaços verdes e regeneração urbana) com 160 árvores de origens diversas que serão plantadas em projetos por toda a cidade de Paris. O conceito do desfile revelava, então, que o respeito pela diversidade e pela natureza poderá nos libertar.

Particularmente, eu amei os chapeuzinhos presentes em vários looks, e também sou fã do coturno. Mas o que eu quero trazer do desfile da Dior pra esse nosso cantinho são as diversas maneiras de usar uma camisa social. Sim, uma peça tão básica, clássica e que todos temos no armário apareceu num total de 13 looks de um dos desfiles mais importantes de qualquer temporada de moda, em várias propostas diferentes.

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A camisa social de cor azul foi escolhida pela Dior para compor diversas produções, das mais clássicas até as mais fashionistas. O primeiro look do desfile foi um macaquinho com a camisa social azul. A sobreposição das duas peças é uma alternativa interessante para dias mais frescos.

Alfaiataria com camisa social é uma combinação comum, mas fica mais moderna por conta da cor da camisa.

Por sua vez, quando combinada com saia longa, a camisa social azul ganhou uma vibe meio boho, resultando num look sofisticado, moderno e confortável.

Já com os vestidos acinturados e ligeiramente rodados, a camisa azul ganha ares românticos. Reparem que em 2 dos looks as golas da camisa ficam por dentro dos vestidos, em mais um truque de styling que tira a peça do lugar comum. O coturno faz o contrapeso perfeito ao romantismo do look, deixando tudo muito atual.

Nos looks com casacos mais amplos, a gola da camisa aparecendo é um detalhe que faz toda a diferença. O contraste das cores das peças também traz informação fashionista para o look.

Uma gola alta por cima da camisa, como nos looks acima, deixa todo o destaque para as mangas, num truque de styling muito simples mas que modifica completamente o look.

Pra mim, esse desfile da Dior foi um exemplo perfeito da importância das semanas de moda: muito mais do que querer reinventar a roda, os estilistas e diretores criativos das grandes maisons podem aproveitar seus desfiles para apresentar truques de styling que podem atualizar nossos looks com peças básicas que já temos nos nossos armário.

 

*todas as imagens deste post foram divulgadas no site da Dior.

Caí na tinta: looks monocromáticos

A tendência dos looks monocromáticos está em alta já há algumas temporadas, o que nos leva a crer que é uma trend que chegou para ficar. Particularmente, eu curto muito, e acho bastante prático também, principalmente se o seu armário for organizado por cores; certamente você será capaz de vestir-se em pouquíssimos minutos!

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Os looks monocromáticos costumam ser uma porta de entrada pra quem gosta de cor mas não curte muito, por exemplo, colour blocking. Um look colorido é sempre mais jovial e moderno, ao mesmo tempo que transmite uma mensagem de sofisticação e refinamento.

Muita gente, inclusive, corre pro look todo preto na intenção de alongar a silhueta, quando poderia fazer o mesmo usando cores!! Muito mais divertido e transmite muito mais personalidade ao look. Para alongar a silhueta com monocromia, basta escolher tons semelhantes ou com a mesma profundidade. Isso criará uma linha vertical, alongando toda vida.

Para quem quer uma dose extra de personalidade, criando um look visualmente muito interessante, uma ideia é combinar tons de características opostas: quentes e frios, claros e escuros, brilhantes e foscos. Pareceu complicado? Aguenta aí que eu explico: imagina uma camisa vermelho-tomate com uma calça vermelho-cereja. Imaginou? Pronto, misturou tons de características opostas!

Mas, Letícia, eu gosto de neutros. Como faz?

Ninguém falou que você precisa abrir mão dos neutros para criar looks monocromáticos! Pelo contrário: tons como bege, caramelo, marinho e cinza enriquecem os looks monocromáticos. Preto e branco também criam looks monocromáticos incríveis.

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Se o uso de cores ainda parece muito ousado para o seu estilo, você pode começar usando tons neutros, como falei ali em cima, ou tons fechados, como o marinho (sempre ele!), mostarda ou verde garrafa.

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monocromático com estampa

Para quem já está num nível avançado de monocromia nas peças lisas, é possível começar a compor looks monocromáticos com estampas. O segredo está na escolha de cores comuns nas peças, ainda que as estampas sejam diferentes, pois é a cartela cromática que vai harmonizar o visual.

Looks monocromáticos podem ajudar a valorizar a beleza natural do rosto quando as peças de roupa combinam com a sua coloração pessoal: quem tem pele rosada pode usar e abusar dos tons de rosa, azul, lilás e marinho; quem tem pele dourada vai se pivilegiar de tons terrosos, verde-folha e vermelho aberto; para quem tem alto contraste (cabelos e olhos escuros + pele clara) pode abusar de roupas altamente contrastantes, pois elas tendem a valorizar a beleza natural sem abater; por sua vez, quem tem baixo contraste terá sua beleza valorizada por tons que acompanhem o contraste.

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texturas trazendo interessância para o look monocromático!

Outra dica de ouro: qualquer look monocromático fica mais interessante com texturas! Texturas sempre dão interessância ao look, então considere as rendas, relevos, tecidos brilhantes, transparências e elasticidade dos tecidos quando estiver criando seu look monocromático.

Pra finalizar, o mais importante de tudo: olhe-se no espelho e reconheça o quão incrível você está!

* todas as imagens deste post foram retiradas do site da Zara (BR e CH).

O exercício diário de vestir-se

Vestir-se é um exercício diário, que nos permite aprofundar o autoconhecimento e detectar traços da nossa personalidade que são externalizados nas peças que escolhemos usar. Esse exercício diário nos propõe criar, a partir do que temos no armário, os looks que reflitam muito mais do que tendências ou modismos, mas sim o nosso verdadeiro estilo.

Definir seu próprio estilo pode não ser tarefa simples, seja porque você se identifica com mais de um estilo universal ou mais de uma categoria de estilo contemporâneo, seja porque você precisa de uma ajudinha nessa caminhada (e ninguém melhor do que um personal stylist para te dar a mão nesse processo).

Um armário recheado pode ser uma faca de dois gumes na hora do exercício diário de vestir-se. Se você já se conhece muito bem e sabe exatamente quais estilos formam o seu próprio estilo, tudo ótimo, fica muito fácil se arrumar para qualquer ambiente ou ocasião. Mas se você ainda não consegue ter clareza do seu estilo individual, um armário abarrotado pode mais confundir do que ajudar.

Esse exercício diário de vestir-se se torna mais prazeroso quando a gente começa a questionar cada etapa do processo, começando pela busca do autoconhecimento: quem eu sou? Essa roupa mostra quem eu sou? O que essa roupa fala de mim? Como eu estou me sentindo hoje? Qual a mensagem que eu quero passar para o mundo?

No mundo globalizado em que vivemos, é claro que tendências e modismos sempre vão interferir na nossa maneira de pensar sobre as roupas que vestimos. Um olhar crítico para o nosso próprio armário faz parte desse exercício diário, que nos ajuda a nos vestir de acordo com o que somos de verdade. Roupas e acessórios são muito mais do que o que se veste, mas o que de fato demonstram as suas vivências e a sua personalidade da maneira mais adequada possível para o resto do mundo; isso é estilo.

Muito mais importante do que usar uma tendência, é analisar se ela combina com você ou não, se ela pode ser adequadamente incorporada ao seu dia a dia sem que você se torne uma caricatura do que está na moda (ou seja, sem que você se torne um fashion victim que consome desenfreadamente sem refletir).

O exercício diário de vestir-se requer, além do autoconhecimento, paciência e bom humor. Escolher no seu armário o que você vai vestir pode ser uma experiência completamente diferente se você começa pela escolha de uma calça ou se o seu ponto de partida é um cinto, por exemplo. Se a gente entende que óculos (escuros ou não) são muito mais do que lentes corretoras e/ou protetoras contra raios UV, podemos usar esse acessório para nos expressar. Quando a gente se veste, é bom perder um pouco o medo de ousar e permitir-se externar pro mundo quem nós somos de verdade aqui dentro.

Você não deve beleza a ninguém

Você não tem que ser bonito/bonita, porque você não deve beleza a ninguém.

Em um mundo onde cada vez mais há uma ditadura da beleza, você não deve beleza a ninguém.

Não é que você não deva ser bonito(a) ou não queira ser bonito(a). Você deve colocar o seu bem-estar em primeiro lugar, sempre. É divertido ser bonito(a), se arrumar pra ficar mais bonito(a), se sentir bonito(a). O legal é se olhar no espelho e sorrir com o que se vê.

É, acho que o legal mesmo é ser feliz com a imagem que se vê no espelho. É legal seguir o seu instinto ao se arrumar, não pensando exatamente em ficar bonito(a), mas para ficar mais feliz. É deixar que o seu interior fique refletido na imagem que o resto do mundo vê. É buscar a felicidade, e deixar que ela te faça uma pessoa mais bonita.

Um rápido guia dos Estilos Contemporâneos

Já conversamos aqui sobre os 7 estilos universais, e agora quero dar um panorama pra vocês dos estilos contemporâneos. A classificação dos estilos contemporâneos foi criada para complementar as classificações dos estilos universais, como um desdobramento das categorias criadas a partir dos primeiros estudos teóricos sobre o tema.

URBANO

O estilo urbano é adotado por pessoas que priorizam o conforto, principalmente para poder explorar os espaços urbanos sem que uma peça de roupa interfira na programação. O estilo urbano permite uma mistura de muitos estilos, gosta de misturar peças hi-lo, chique com casual, com uma pitada de esporte. A nova trend dos tênis, que agora circulam nos mais diversos ambientes dando uma cara de fashionista aos looks que poderiam ser mais formais, é um dos exemplos dessa mistura que caracteriza o estilo urbano.

As pessoas que curtem o estilo urbano precisam estar cientes de que podem parecer um pouco informais dependendo da ocasião, sendo preciso dosar e equilibrar a mensagem que se quer transmitir. A informalidade inerente ao estilo urbano acaba dando uma cara mais jovem e despojada aos looks, o que transmite também uma mensagem de pessoa receptiva.

CLÁSSICO MODERNO

O estilo clássico moderno mistura peças de alfaiataria com corte impecável, bolsas e acessórios de qualidade com pitadas de atualidade nos looks, transmitindo a mensagem de que está antenada com as tendências. Um look clássico moderno pode ser minimalista, monocromático, monocromático com acessórios coloridos, com um belo tênis, e assim por diante. O clássico moderno é facilmente identificado por um único elemento que quebra o que seria um look absolutamente certinho.

O clássico moderno pode ser uma mão na roda para pessoas jovens que estão iniciando suas carreiras no mercado de trabalho, já que transmite uma mensagem de maior seriedade e confiabilidade.

DIVERTIDO CASUAL

As tendências divertidas entraram na moda há tempo, misturando, por exemplo, estampas de desenhos animados a saias plissadas (alô Prada S/S 2018). As cores vivas, estampas e frases divertidas se encaixam nessa categoria, que facilitam composições práticas e criam um look leve.

Assim como a categoria urbana, é preciso ter cuidado com os ambientes onde se circula com esse estilo, pois o divertido casual, por ter características muito jovens, pode resultar numa perda de credibilidade nos momentos mais sérios. Por outro lado, é um estilo ideal para quem trabalha em áreas onde a criatividade é determinante, demonstrando toda a sua alegria.

FASHIONISTA

Homens e mulheres apaixonados por tendências de moda são os típicos fashionistas. Essas pessoas gostam de consumir tudo o que é mostrado nas passarelas com rapidez, e costumam consumir muito em lojas do tipo fast fashion. O fashionista costuma demonstrar muita segurança e confiança por meio do seu estilo. Entretanto, por conta de vestir-se de acordo com as tendências, o fashionista precisa ter cuidado para não virar refém da moda e esquecer-se do seu próprio estilo. O equilíbrio entre usar o que está na moda e o que realmente se encaixa no seu estilo é tênue, mas é possível com uma boa dose de autoconhecimento.

MODERNO CHIQUE

Estar bem vestido é uma prioridade para quem se encaixa nessa categoria. A sofisticação e a elegância se encontram com toques atuais e tendências que se adequam a este estilo. Peças de cortes impecáveis ajudam a demonstrar confiança, embora seja necessário cuidado para não parecer pra frentex demais em alguns ambientes.

PREPPY GEEK

O estilo preppy geek mistura elementos divertidos, muitas vezes relacionados ao universo dos desenhos animados e super heróis, com peças de estampas clássicas como o xadrez e cortes de alfaiataria, abusando de camisas sociais e suéteres. Para quem usa óculos, um dos elementos que ajuda a dar muita personalidade ao estilo preppy geek são as armações de acetado, que dão um destaque excelente o rosto.

GRUNGE

Não adianta fugir, o grunge sempre estará rodando a moda. Muito além de camisas xadrez e calças rasgadas, o grunge inspira coleções que desfilam nas principais semanas de moda do mundo. Marc Jacobs costuma fazer muitas coleções com toques grunge, e até mesmo Anthony Vacarello (na frente da  direção criativa da maison YSL) tem adotado elementos grunges nas coleções, com várias peças que misturam couro e renda a recortes inusitados. A coleção A/W 2020 de Maria Grazia Chiuri também traz muitos elementos grunges para peças clássicas da Dior, como o xadrez, couro, cintos amplos e chapéus misturados a pérolas e peças da alta joalheria.

ROMÂNTICO COOL

Esta é uma categoria identificável predominantemente entre as mulheres. Romântico cool é caracterizado por um look fluido, com babados, rendas, detalhes e estampas delicados. Devidamente dosado, ajuda a transmitir leveza em profissões que exigem tremenda seriedade e por vezes tornam a mulher inacessível.